por Miguel Bastos, em 02.12.25
“Vamos às óperas!”, costumavam dizer os músicos de Amália. Foi quando Alain Oulman começou a compor para a fadista, trazendo consigo a poesia erudita (Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira, Pedro Homem de Mello) e melodias fora do fado tradicional, desenhadas ao piano. As óperas.
Dino D’Santiago também resolveu ir às óperas. Mas foi mais longe. Resolveu escrever uma: Adilson (com libreto de Rui Catalão e direção musical de Martim Sousa Tavares). Adilson nasceu em Angola, filho de pais cabo-verdianos, e vive em Portugal, há mais de 40 anos. Apesar disso, não tem cidadania portuguesa. Nem portuguesa, nem de nenhuma outra. Adilson é de um país chamado Portugal. O único país em que viveu, mas que teima em não o reconhecer.
No final, ouve-se o grito: “Eu não sou português. Eu sou Portugal. Um país à espera.” Bravo!