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Peru

por Miguel Bastos, em 21.12.22

peru.jpg 

- Olha, um peru!
- Como é que lhe chamaste?
- Peru. Em português, este animal tem o nome do teu país.
- Não acredito!
- Acredita, que é verdade.
O Peru volta a estar em crise. Estou chateado que nem um peru.
A Consuelo não vai perceber a expressão, mas, talvez, acredite.

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No fim do mundo

por Miguel Bastos, em 06.09.22

pomarao.jpg

Os portugueses foram até ao fim do mundo. Ainda vão. E continuam a deixar fins do mundo, atrás de si. No outro dia, estive num fim do mundo. Foi lá, a sul, numa varanda sobre o rio, que conhecemos Judy (chamemos-lhe assim): a serpentear por entre as mesas, a espalhar sorrisos e a sussurrar sotaque. Perguntamos-lhe pela origem do sotaque. Pergunta-nos pela origem do nosso. Respondemos. "Então, somos todos do norte", diz a sorrir, enquanto nos leva até à dona da varanda, "mas ela é da mesma terra que vocês". E, assim, recordamo-nos que o mundo é uma pequena aldeia. Uma aldeia repleta de fins do mundo.

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Exóticos

por Miguel Bastos, em 25.07.22

Em Tóquio, um grupo de jovens quis tirar uma fotografia connosco. Foi em Shibuya - um bairro da moda, onde os jovens se costumam juntar. "You're so exotic", dizia a rapariga japonesa de cabelo cor-de-rosa, top com purpurinas, mini saia leopardo, meias de renda e sapatilhas. "Exotic? Quem, nós?!", perguntámos. Nós, exóticos pela primeira vez. E tirámos uma foto. Uma "purikura" (foto tipo passe, autocolante), que o tempo ainda não era de "selfies" e os telemóveis ainda não eram inteligentes. Eramos exóticos, sim: europeus, do sul - baixos, morenos, cabelos ondulados, narizes grandes. Aos nossos olhos, eles também eram, claro. Olhos que, por sua vez, eles consideravam do mais "exotic" que há. Lembro-me que, nessa noite, fomos dançar para uma discoteca que passava, sobretudo, música de inspiração brasileira: samba e bossa nova, misturada com jazz e música eletrónica de dança. Dançámos, juntos, com os jovens modernos de Shibuya. Eles porque era "exotic". Nós porque - pela primeiro vez, em vários dias - nos sentíamos em casa, estando no centro de Tóquio. O que, também, acaba por ser exótico.

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Igrejas

por Miguel Bastos, em 08.06.22

bucarest.jpg

- E, ali, é uma igreja.
- Ali, onde? - pergunto.
- Ali, do lado esquerdo.
- Não vejo nada.
- Ali, no meio dos prédios.
- Mal se vê - insisto.
- Era aí que eu queria chegar. Durante muitos anos, os comunistas tentaram que as pessoas abandonassem a religião.
- Sim...
- Mas, como não conseguiram, mandaram esconder as igrejas no meio dos prédios.
- Isso é tão surreal.
- É, mas é muito romeno.
[Fotografia: Daniel Mihailescu / AFP]

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Sierra Nevada

por Miguel Bastos, em 23.04.22

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Limpar o congelador. A Sierra Nevada dos pobres.

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Ópera

por Miguel Bastos, em 25.10.21

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Ah, mas são Verdis! Hoje, é Dia Mundial da Ópera.

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Luxo

por Miguel Bastos, em 15.10.21

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Apetece-me um fim-de-semana de luxo. Coisa cara e tal. Ir às Maldivas, ou assim. Mas, incomoda-me a viagem e o "jet-lag". Já sei, vou encher o depósito. 

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Ilhas da Ria

por Miguel Bastos, em 06.09.21

ilhas da ria.jpg

"Sabes que há quintas, abandonadas, nas Ilhas da Ria?", perguntava-me. "Sabes que há gado, a pastar, no meio da Ria", dizia-me no fim-de-semana seguinte. O António estava maravilhado com as descobertas que andava a fazer no barco de um amigo. Eu também, só de o ouvir contar. A Ria de Aveiro tem uma extensão de quase cinquenta quilómetros. É uma mancha recortada, com curvas e contracurvas, pontilhada de ilhas e penínsulas, com zonas traçadas a régua e esquadro para marinhas de sal e viveiros, com avenidas de águas profundas e correntes traiçoeiras, e recantos de sapal com pouco mais de um palmo de água. A Ria está lá dentro, misteriosa, a guardar os seus segredos. A maioria das pessoas, que vivem à volta dela, permanecem à margem: indiferentes ou curiosas; ignorantes, em qualquer dos casos. A Ria é uma casa de portas e janelas abertas, mas de cortinados corridos para evitar olhares indiscretos. Se é difícil espreitar, é, ainda, mais difícil conhecer.
Pequenino (mas precioso), o livro "Ilhas da Ria", da jornalista Maria José Santana, não nos torna íntimos lá de casa. Mas, pelo menos, já temos um colega, que é amigo de um familiar que ainda trabalhou para um senhor que tinha uma ilha, plantada no meio da laguna... que, nos anos 50, ainda produzia batatas, frutas e legumes, e que...

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As monjas italianas

por Miguel Bastos, em 06.04.21

A FE.jpg

"Vejam, era aqui que elas guardavam as 'samsonites'", disse, apontando para o pequeno espaço, junto ao catre. Estávamos dentro de uma cela, num antigo mosteiro, na américa latina. Vitória, com o seu ar de tia, revelava-se uma excelente camarada de viagem e era dotada de um surpreendente sentido de humor: "A julgar pelo espaço, não traziam muita bagagem, coitadas!" Dedicámos alguns minutos (poucos, que o tempo em viagem voa, ainda, mais rápido) a imaginar a vida daquelas religiosas. O que levaria alguém a deixar tudo, para se dedicar a uma vida de clausura, ali, longe de tudo e de todos? Que vida teriam tido aquelas mulheres até aí? E que vida passaram a ter? Teriam, todas, o mesmo tipo de motivações? Ou foram parar ao mesmo local, por diferentes motivações? Questões parecidas terão estado na origem desta reportagem sobre um conjunto de monjas, que deixaram Itália para uma vida nova, na Aldeia de Palaçoulo, em Trás-os-Montes.

https://www.rtp.pt/noticias/pais/grande-reportagem-antena-1-a-fe-do-silencio_a1309846

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