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O guarda Serôdio fala uma mistura de "burocratês" com "policiês". Diz coisas como "a autoridade não pode ter calma, a autoridade tem de ser impraticável". E põe um "re" antes dos verbos: põe e "repõe", sei e "ressei", cacei-te e "recacei-te". Há muito que o guarda Serôdio se reformou. Deixou de ser o responsável pelo cumprimento do MCPP. "Vós sabeis, ao menos, o que é o MCPP?" Sim: "É o M_anual das C_oisas P_roibidas no P_arque". Serôdio voltou ao parque, para homenagear o homem que o criou, na Feira do Livro do Porto. Para evitar a neblina da manhã, a nortada da tarde ou a morrinha da noite, puseram-no resguardado na biblioteca. Parece-me um excesso de zelo. Estive com ele. Pelo que pude perceber, ainda dá um bigode a muita gente. Que idade terá Serôdio? O seu criador, Sérgio Godinho, faz 80 anos. E ele? Quantos faz? Faz e "refaz".
Reportagem, aqui:
https://www.rtp.pt/noticias/pais/incendio-de-arganil-populacao-ajudou-a-combater-as-chamas_v1678980
"Music is not fireworks / a música não é fogo de artifício", disse Salvador Sobral, depois de vencer o Festival de Luz e Cor da Eurovisão. "Music is not fireworks". Claro que não. Até porque há alternativas: barcos e canais e soldados e mosquetes e tiros e fumos e sorrisos e lágrimas. E Tchaikovsky. E Pappano.
Caro Manuel. Estou preocupado com o teu carro. Reparo que, sempre que pode, está ao lado da minha carrinha. A princípio, pensei que fosse coincidência. Mas, agora, acho que não é. Está (claramente!) a arrastar-lhe a asa. Não me leves a mal. Acho que o teu carro é simpático, mas é demasiado jovem. Tem o fulgor da juventude. Já a minha carrinha, (coitada!) é de meia-idade. Temo que se deixe deslumbrar por esse fulgor. Com as consequências que a jante sabe.
A dada altura, por mera coincidência, cruzava-me com José Mourinho, num café, à hora do almoço. Chegámos a dizer "olá" e "boa tarde", de raspão. Nessa altura, ele estava a começar a sua carreira de treinador. Eu ensaiava a entrada para uma carreira na função pública. Nessa altura, ele já devia ganhar mais do que eu. Talvez umas 4 ou 5 vezes mais, não sei. Isto, foi antes de começar a ganhar 10, 100, 1 000, 10 mil vezes mais. Enfim, senti que as nossas carreiras não seguiram, propriamente, na mesma direção. Não tenho inveja, mas tenho pena. Coitadinho de mim.
"Vocês ouviram o que o gajo disse, esta manhã?" Dissemos que sim, com a cabeça. "Vou ter que entalar o gajo". Estávamos nos incêndios. A nossa colega, jornalista veterana, estava indignada com as declarações do presidente da câmara. Já não me lembro o que é que o autarca tinha dito, mas eram críticas duras ao governo. Aguardávamos o presidente, que estava reunido com o ministro. Foi o primeiro a sair. "Lamento, mas vou ter que entalar o gajo". O presidente vinha a arrastar os pés, exausto. "Ai, coitado! Já viram como é que ele está?" Pediu-nos uns minutos. Quer aguardar pelo ministro, depois poderá fazer declarações. "Não tem que o fazer", diz a nossa colega. O presidente olha para ela, espantado. "O senhor não está bem." O autarca confirma: "Pois não. Não posso estar." "Há quantas horas não dorme?", insiste a colega. O autarca diz que vai dormindo: uma, duas horas - quando pode, onde pode. O seu município arde, há vários dias. "Pois, mas não pode ser. Tem que dormir, senão não chega ao próximo incêndio". "Talvez não", responde, "mas também não sei o que é que vai chegar. Já ardeu quase tudo." Chegou o ministro. Falou o ministro. Falou o presidente e ninguém o "entalou". A única pessoa que parecia entalada, era a nossa colega: "Vão por alguma coisa deste presidente, no ar? Eu não vou". E vai atrás dele, "Olhe que eu estou mesmo preocupada consigo. O senhor não está bem"...
- Ó pai! Tens pelos nas orelhas?
- Tenho.
- Credo! Mas quem é que tem pelos nas orelhas?
- As pessoas mais velhas. E eu estou a ficar mais velho.
- Mas, isso não é um problema.
- Não?
- Não. O problema é que estás a ficar mais feio.