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Pinto Balsemão

por Miguel Bastos, em 22.10.25

Os heróis não existem. Ou, então, existem - na nossa cabeça - porque precisamos deles. Precisamos de figuras de referências, que nos sirvam de exemplo, mas, também, de garantia de segurança, de porto de abrigo. Francisco Pinto Balsemão não era um herói, mas parecia. Fundador da democracia e do PSD. Fundador de Expresso e, depois, de um império de comunicação social. Desaparece numa altura em que a democracia está ameaçada. Numa altura em que o jornalismo e a comunicação social estão em crise. Numa altura em que o seu próprio grupo de comunicação dá sinais de fragilidade. Numa altura em que precisamos de heróis - que não existem (já sabemos) mas que continuamos a precisar.

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E esta, hein?

por Miguel Bastos, em 18.09.25

pessa.jpg 

Acabava, sempre, da mesma maneira: "E esta, hein?" Fernando Pessa era um poeta que eu conhecia, apenas, da televisão. Tinha nascido numa casa a poucos metros da minha, mas estávamos a milhas um do outro. Ele era grande e famoso. Eu era pequeno e manhoso. As pessoas ligavam a televisão, para o ouvir. A mim, ninguém ligava nenhuma. Mas diziam, muitas vezes, que eu era uma "peça" - "saíste-me cá uma peça!" - e eu achava que isso era bom. Ser uma peça - como o outro - significava que, um dia, eu poderia vir a escrever poemas e aparecer na televisão.
Só mais tarde é que me disserem que o Pessa não escrevia poemas. "Estás a fazer confusão, Miguel". Afinal, quem escrevia poemas era outra pessoa, também Fernando. E, depois, disseram-me que essa pessoa, não era só uma pessoa, mas várias. Como assim "várias"? Tentaram-me explicar, mas eu só pensava: "E esta, hein?"

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Os bombeiros de Barrigueiro

por Miguel Bastos, em 28.08.25

fátima pinto.jpg 

"Uma imagem vale mais que mil palavras". Não gosto da expressão. Porque gosto de palavras. Porque as palavras ajudam-nos a interpretar o mundo. Nestes dias, em chamas, voltei a ouvir que "não há palavras para descrever". Haver, há. Haja talento, para as usar. E voltei a ouvir que "as imagens falam por si". Não falam nada. Quem fala são as pessoas. Pessoas como as que a repórter Fátima Pinto foi encontrar em Barrigueiro, Arganil.
 
- Vocês não têm medo?
- Medo, o quê? - responde o senhor Rogério - A gente tem que se aventurar!
- Como é que se apaga o fogo?
- "Coa iáuga"! - responde o senhor Vítor.
- Vocês são os bombeiros de Barrigueiro...
- Ah, pois, tem de ser!
- São felizes, aqui?
- Graças a Deus!
- E o que é a felicidade para vocês?
- A gente ter saúde.
 
Agora, ponham lá isto numa imagem.
 
A Fátima completa o retrato - com palavras, uma vez mais:
 
- Vítor e Rogério: são sabem que idade têm, não sabem ler nem escrever, mas fazem a diferença.
 
E remata:
 
- São estas pessoas que contam.
 
"Contam", Fátima, "contam". E, tu, contas tão bem. Com palavras. Com as palavras certas. Obrigado.
 

Reportagem, aqui:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/incendio-de-arganil-populacao-ajudou-a-combater-as-chamas_v1678980

 

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Nunca visto

por Miguel Bastos, em 26.02.25

francisco_sena_santos_rtp-1.1200x0.jpg

- Uau, isto é só gente famosa!
O jovem estagiário, tinha chegado à redação da rádio no dia anterior e, agora, acompanhava-me pelas instalações. Estava excitadíssimo: os apresentadores dos jornais da televisão ("uau, só estrelas!"), dos programas de desporto ("pá, nunca pensei!") e figuras do entretenimento "achas que posso falar com eles?"). Cruzámos o corredor e demos de caras com o Francisco Sena Santos. Não mostrou qualquer excitação.
- Sabes quem é? - pergunto.
- Não faço ideia.
- É o Francisco Sena Santos.
- Ahh...
- Um dos maiores nomes da rádio...
- A sério?!
- de sempre.
- Não estás a exagerar?
- Não.
- Mas é antigo, já não está na rádio...
- Está, está. Todos os dias.
- Nunca o tinha visto.
- É natural. O que é estranho é que nunca o tenhas ouvido.

Para ouvir, aqui:

https://www.rtp.pt/play/p3848/e832642/um-dia-no-mundo

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Bond, Jeff Bond

por Miguel Bastos, em 21.02.25

007.jpg 

No filme "O amanhã nunca morre", James Bond luta contra um magnata dos media. O plano do magnata é simples: provocar uma guerra mundial; transmiti-la para todo o mundo; fazendo, assim, crescer o seu império. Como acontece em todos os filmes da saga 007, a história começa mal e acaba bem, graças ao protagonista:
Bond, James Bond.
 
Comentou-se, na altura, que a figura do magnata tinha sido inspirada em Rupert Murdoch. O empresário começou a sua carreira com um pequeno jornal da família, na Austrália, e ganhou influência mundial com a compra de jornais como o "The Sun", o "The Times", o "Wall Street Journal" e o "New York Post". O império alargou-se, depois, ao mundo editorial (HarperCollins) e à televisão (Sky e Fox).
 
Entretanto, a dimensão dos magnatas cresceu, com o desenvolvimento da informática e da internet: Bill Gates, Steve Jobs, Mark Zuckerberg, Elon Musk, Jeff Bezos. Este último, acaba de comprar o 007. Veremos como continua a saga. 
Bond, Jeff Bond.

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Jantar de Natal

por Miguel Bastos, em 26.12.24

radio natal.jpg

- Então, foste ao jantar de natal do pessoal da rádio e da televisão?
- Fui. Porquê?
- Eu vi-te nas fotografias.
- Então, porque é que perguntaste?
- Estava-me a meter contigo.
- Ah...
- Desculpa que te diga, mas não ficas lá muito bem nas fotografias.
- No fundo, o que tu queres dizer é que eu sou muito mais bonito ao vivo.
- Tens sempre resposta!
- Nós, os feios, somos assim.
- Ah, ah! Continuação de Boas Festas!
- Igualmente, companheiro!

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Tempestade Kirk

por Miguel Bastos, em 09.10.24

spock.jpg 

Kirk. Parecia uma boa escolha para uma tempestade, mas não foi. Demasiada chuva e, sobretudo, demasiado vento. Deviam ter escolhido Spock, que sempre foi mais "cool". Para além disso, está sempre de orelhas em bico - uma característica importante numa altura em que "sopram ventos adversos".

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Mudar a casa, queridos!

por Miguel Bastos, em 19.07.24

antena1.jpg 

Os queridos andam-nos a mudar a casa. Ainda faltam imensas coisas: cortinados, reposteiros, naperones, alcatifas, lustres, etc. Mas, já temos uma mesa nova. E é linda!

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Ao fim do dia

por Miguel Bastos, em 20.06.24

alo alo.jpg

Há uma expressão que eu, até há pouco tempo, desconhecia: "ao fim do dia" ou "no final do dia". Parece-me uma tradução direta, do inglês, de "at the end of the day". Em português, temos, pelo menos, duas expressões com um significado semelhante: "ao/no fim de contas" ou "ao fim e ao cabo". Mas, pelos vistos, nem uma, nem outra, são capazes de traduzir o tempo - moderno e cosmopolita. Conseguem imaginar os ingleses a dizer "in the end of the bills" ou "at the end of the cable"? Bem, talvez no "Alô, alô".

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Eurovisão

por Miguel Bastos, em 10.05.24

abba.jpg 

Este fim de semana, há festival da Eurovisão. Este ano, é na Suécia. A terra dos ABBA. Quero que saibam que o assunto não me diz nabba. Desculpem, nada.

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