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Era uma vez:
Uma Bela Adormecida, que não queria ser acordada
Uma Branca de Neve, que vai perdoar a madrasta
Uma Gata Borralheira, que duvida do príncipe.
O suiço Robert Walser reescreve as histórias, a partir dos contos tradicionais dos irmãos Grimm. Isto é profundamente subversivo. "Acha?", responde, a perguntar, o encenador. E acrescenta, divertido: "Eu também acho". Nuno Carinhas resolveu juntar as três histórias numa peça de teatro. Uma Walser a três tempos, para ver no Teatro Nacional São João, no Porto.
[Foto TNSJ / José Caldeira]

Ricardo Pais já tem o seu nome inscrito na sala principal do Teatro Nacional São João, no Porto. O encenador (e antigo diretor) chama-lhe "uma homenagem pré-póstuma". E diz que se sente bem "bem melhor do que se fosse póstuma". E ri-se. Ricardo Pais parece a "Carolina" da canção de Godinho: "ar de menina, sapiência de avó". Ricardo ri-se com ar de menino - rabino, travesso: "eles deviam por umas bananas e uma Carmen Miranda ao lado, aquilo parece Las Vegas", mas, depois, emociona-se e admite que "ninguém pode desejar mais do que ter o seu nome..." deixando uma frase incompleta, na sua vida cheia. 80 anos.
A "500 quilómetros de Bragança, 300 do Porto e de Faro, a duas horas de viagem de São Miguel": o novo diretor artístico do Teatro Nacional de São Carlos mede as distâncias do "único teatro de ópera do Estado português" e tira ilações, "é uma grande distância do cidadão relativamente ao espetáculo lírico, uma desigualdade no acesso à cultura". Não é difícil pensar noutras áreas. Na realidade, estou a pensar em todas.
Portugal é demasiado pequeno, para se armar em grande e permitir que tudo permaneça tão longe.
Muito interessante a entrevista, de hoje, de Pedro Amaral, ao Diário de Notícias.
Quando era criança, o pequeno Robert gostava de brincar aos padres. Transformava a tábua de passar a ferro, num altar para a homília. O episódio é relevante, para perceber a vocação precoce. O pequeno Robert, transformou-se no Papa Leão XIV.
Quando era criança, o pequeno Gustavo espalhava bonecos, à sua volta. Dispunha-os em semicírculo e, depois, fingia que eram músicos de uma orquestra, que ele dirigia com gestos de maestro. Dudamel transformou-se num dos maiores maestro do mundo e, até, já dirigiu um concerto para um Papa: Bento XVI.
Luís Miguel Cintra já era grande, quando começou a juntar figuras de cerâmica, que foi espalhando pela casa. Ator e encenador, nos palcos, Luís Miguel gostava de encenar cães de loiça, santos e anjinhos, em casa. Os "trastes velhos" (expressão do próprio) podem ser vistos numa exposição, na Casa do "seu" cineasta de eleição: Manoel de Oliveira.
Para ouvir, aqui:

Era uma vez uma criança que não tinha medo, porque não sabia o que era o medo. Mas quer saber. A história está num conto dos Irmãos Grimm e é levada a palco pelos alunos da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, no Porto. Tudo gente nova, portanto. Nova e destemida.
https://www.rtp.pt/noticias/cultura/o-pelicano-no-teatro-nacional-sao-joao_a1616546