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Quando era criança, o pequeno Robert gostava de brincar aos padres. Transformava a tábua de passar a ferro, num altar para a homília. O episódio é relevante, para perceber a vocação precoce. O pequeno Robert, transformou-se no Papa Leão XIV.
Quando era criança, o pequeno Gustavo espalhava bonecos, à sua volta. Dispunha-os em semicírculo e, depois, fingia que eram músicos de uma orquestra, que ele dirigia com gestos de maestro. Dudamel transformou-se num dos maiores maestro do mundo e, até, já dirigiu um concerto para um Papa: Bento XVI.
Luís Miguel Cintra já era grande, quando começou a juntar figuras de cerâmica, que foi espalhando pela casa. Ator e encenador, nos palcos, Luís Miguel gostava de encenar cães de loiça, santos e anjinhos, em casa. Os "trastes velhos" (expressão do próprio) podem ser vistos numa exposição, na Casa do "seu" cineasta de eleição: Manoel de Oliveira.
Para ouvir, aqui:

Ontem, tive uma experiência curiosa. Vi uma instalação video, em que nós estávamos sentados, rodeados de ecrãs que passavam as mesmas imagens do Rio de Janeiro em "loop", horas a fio. Algumas pessoas, que estavam comigo, não gostaram. Enfim, gente que nunca passou uma manhã na Gulbenkian, nem uma tarde em Serralves. Eu, que não percebo muito de videoarte, gostei muito. E o leitão também não estava mau.

"Não sabia que os senhores jornalistas se interessavam tanto por arte contemporânea!", disse o primeiro-ministro, com um sorriso irónico. António Costa sabe que os jornalistas não se interessam por arte contemporânea. Nem os políticos. Nem o grande público. As instituições convidam os políticos para a inauguração de exposições, na esperança de atrairem a atenção dos media e, consequentemente, do público. Os jornalistas estavam lá por causa de António Costa e ele sabia isso.
Por este dias, discute-se Robert Mapplethorpe. Isto porque o diretor do Museu de Serralves achou que o acesso às imagens sexualmente explícitas não devia ter limites. Já a administração achou que essas imagens deviam ser colocadas em salas de acesso limitado. Como, recentemente, aconteceu com a exposição de Jeff Koons. O verniz estalou, o diretor demitiu-se. E muita gente ficou surpreendida, porque achava que a exibição de bondage e sadomasoquismo seria sempre consensual, até no canal Panda.
Hoje, o jornal Público sugere que a questão resulta de um mal-estar interno em Serralves: de divergências entre a administração e a direção e os trabalhadores. E, a ser assim, tudo volta ao normal: os políticos e os jornalistas voltam a interessar-se por arte contemporânea. Mas, apenas, porque envolve política e poder. O público em geral, sabendo que há sexo envolvido, também se interessa. E muito.
“Nunca tinha visto tantos jornalistas interessados em arte contemporânea”, brincou António Costa. Nessa altura, o primeiro ministro inaugurava um museu, de Siza Vieira, sob um manto ruidoso de vaias, assobios, palavras de ordem, bombos e apitos. Foi a primeira grande manifestação do movimento dos colégios privados. Protestava-se contra a decisão do governo de rever os contratos de associação.
Na sexta feira, António Costa voltou a inaugurar uma exposição, num espaço de arte contemporânea, com o dedo de Siza. Mas o cenário era muito diferente. Costa estava com Marcelo, Mariano Rajoy, o presidente da Câmara do Porto e o ministro da Cultura. Foi uma festa, cuidadosamente planeada, com Rui Moreira a anunciar que as obras de Miró ficavam no Porto. O ambiente era de regozijo. O fim de semana trouxe uma enchente a Serralves, com filas de espera para ver a famosa colecção que o governo decidiu que ficava em Portugal. Já agora, a colecção era de um banco que faliu e deu cabo das contas do Estado. O cartoonista Luís Afonso já brincou com o assunto, no Público: ainda vamos ficar gratos ao BPN. Parece que já estamos...