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Dona Madalena

por Miguel Bastos, em 17.11.21

mascaras rua.jpg

A culpa é da Dona Madalena. Com os números da COVID a subir, já se defende (e bem!) o regresso ao uso de máscara na rua.
 
Este fim de semana, estou a contar ir à bola com uns amigos. Ao todo, seremos uns 20 mil. Claro que nem todos são amigos. Alguns são inimigos. Se tudo correr bem, iremos comemorar com uma bacalhoada, regada a bom tinto. Se correr mal, comemos uma bifana e seguimos para um desses bares da moda, com gin e especiarias com nomes esquisitos. Independentemente dos cenários, temos planos para seguirmos para uma pista de dança, rodeados de miúdas giras.
 
Estou preocupado com a Dona Madalena. Tem o estranho hábito de sair à rua: depois de arrumar a cozinha, antes da novela. Vai passear o bolinhas, muitas vezes sem máscara. A prevaricar, pela calada da noite, Dona Madalena! Depois admiram-se que isto fique cada vez pior!

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Mu

por Miguel Bastos, em 03.09.21

mu.jpeg

Foi detetada uma nova variante do vírus da COVID-19, em Portugal: chama-se Mu.
Os especialistas do Instituto Nacional Ricardo Jorge consideram que, para já, a nova variante não é uma ameaça.
Mas, os alunos do Centro de Educação Infantil da Brandoa ameaçam com novas variantes: bau-bau, miau e cocorococó.

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Ondas e marés

por Miguel Bastos, em 06.07.21

marta.jpg

Covid-19. Portugal pode chegar aos 4 mil casos diários de infeção, em, apenas, 15 dias. Tem-se falado muito em "ondas", talvez se devesse falar mais em marés. Estivemos em maré vazia. Estamos a entrar na maré cheia. Ou, mesmo, em maré de azar. [Foto: Julien Warnand/EPA]

https://tvi24.iol.pt/politica/ministra-da-saude/marta-temido

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Confúcio

por Miguel Bastos, em 30.06.21

confucio hanoi.jpg

- Ando com medo de viajar, pá. Até a ideia de ir ao Algarve me faz confusão.
- É natural.
- A última vez que viajei, pá, estive em Hanói. Ainda tirei uma fotografia com o Confúcio.
- Então, já foi mesmo, mesmo, há muito tempo!
- (Sorri) Com a estátua, bem entendido.
- Claro que sim, com a estátua, evidentemente.
- Sabia que foram os portugueses que traduziram as primeiras coisas do Confúcio para os ocidentais.
- Não fazia ideia. E em relação aos meus ouvidos, o que é que me diz?
- Nada de especial, pá, vou-lhe receitar aqui umas coisas.
- Muito bem.
- Mas não é caso para se preocupar, percebeu?
- A parte dos portugueses percebi. O estado dos meus ouvidos é que me deixou Confúcio
- "Deixou-me Confúcio"... eh pá, você também merecia uma estátua!

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Sem tempo

por Miguel Bastos, em 16.06.21

O homem não tinha tempo a perder. Notava-se. Falava sobre prazos, contratos, projetos e pagamentos, ao telemóvel, segurando o aparelho entre o ombro levantado e a cabeça inclinada. Simultaneamente, usava as mãos livres para manusear, com rapidez, outro telemóvel. Dava respostas breves às pessoas que o encaminhavam, sem desligar o telemóvel, sem desviar os olhos do ecrã. Perco-o de vista, quando entro para o gabinete de vacinação. Saio do gabinete e vou para o local indicado para aguardar os 30 minutos aconselhados, para detetar possíveis reações alérgicas. Ao sentar-me, reparo que o homem dos telemóveis já está a abandonar o pavilhão. O homem não tinha (mesmo) tempo a perder. Ou, se calhar, tinha. Vejo-o regressar ao pavilhão. Vem com ar debilitado e é, imediatamente, acompanhado pelos profissionais de saúde, que têm sempre tempo. Até, para quem não tem tempo para si próprio.

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Valha-nos Santo António!

por Miguel Bastos, em 13.06.21

Foto Manuel de Almeida Lusa.jpg

Surpreendente. Apesar da decisão da Câmara, apesar do parecer da DGS, apesar da duplicação do número de casos de infecção, a Iniciativa Liberal realizou o seu arraial para libertar Santo António. Houve marchas, fados, sardinha e bifanas. Estou desapontado. Se era para usar um privilégio contra o Estado, contava com um "cocktail", "casual chic", à hora do "sunset", num "rooftop" de "LX".
[Foto: Manuel de Almeida/Lusa]

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Charuto

por Miguel Bastos, em 10.05.21

charuto churchill.jpeg

Entra a passo largos e cumprimenta toda a agente. Dirige-se ao convidado:
- Viva, doutor, como está?
- Estou bem e você?
- Ótimo. Gosto de o ver, sempre com o seu charuto...
- É verdade, não consigo deixar este vício.
- Permita que lhe diga uma coisa...
- Permito, com certeza. Diga lá.
- Como jurista que é, o senhor não sabe que não se pode fumar num espaço fechado?
- Como jornalista que é, o senhor não reparou que o charuto está apagado?

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Macho latino

por Miguel Bastos, em 28.04.21

casal da treta.jpg

Vamos ao estereótipo: camisa aberta, bigode, brilhantina e palito na boca. De piropo fácil e trocadilho picante, é um fala barato que canta de galo. O macho latino (dizem que, outrora, apreciado) passou de moda. Será? Despido do estereótipo visual, há um modo de ser e de estar que parece longe de estar extinto. Aquele "agarrem-me, senão eu mato-o", o "havia de ser comigo", a certeza de que "eu fazia isto e aquilo" - que só são ditos, porque sabe que nunca será com ele. Além de espalhar charme, o macho latino mostra-se valente e decidido. Mas é só um "gabarolas", um "pintarolas", quando não um "cobardolas".

Na versão moderna, em vez de dizer que fazia assim ou assado, passou a achar. Acha que o governo devia fazer assim e que a oposição devia fazer assado. Acha que os médicos assim e que os empresários assado. Que os professores isto e que os autarcas aquilo. Acha que este é um incompetente, aquele é burro, o outro tem cunha, aquilo é corrupção. E acha que se deve demitir, despedir, prender. E acha isto tudo sem saber ler nem escrever, nem estudar, nem fazer. No fundo, o macho latino deu lugar ao (como é que lhe hei de chamar?)... ao "acho latino". Parece-me um bom nome: acho latino. Acho eu...

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Calamidade

por Miguel Bastos, em 27.04.21

O fim do Estado de Emergência é quase certo. Estejamos prontos a celebrar, com alegria, a chegada da calamidade.

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Copo meio cheio

por Miguel Bastos, em 09.04.21

copo meio cheio.jpg

Caso já nos tenhamos esquecido, há, por aí, um bicho que mata. E há, também, uma coisa que evita que o faça: chama-se vacina. O processo de investigação e criação da vacina foi de uma rapidez nunca vista. Mas, o processo de vacinação tem sido atribulado: o fabrico e a distribuição têm sofrido vários atrasos e surgiram dúvidas em relação aos efeitos secundários de uma das marcas existentes. As dúvidas são legítimas e têm sido analisadas. Continua, no entanto, a haver uma certeza: o bicho mata.

Ontem, na RTP, o epidemiologista Henrique Barros punha as coisas da seguinte forma: se toda a população portuguesa fosse vacinada com a vacina da AstraZeneca haveria o risco de morrerem 10 a 12 pessoas, em Portugal. Uma desgraça, certamente. Mas, o que dizer das quase 17 mil mortes que já tivemos, desde o início da pandemia? Poderemos, sempre, argumentar que no início não tínhamos vacina. Mas, agora, temos. E, enquanto recusamos uma vacina e interrompemos, repetidamente, o processo de vacinação, o bicho vai matando. Só ontem, morreram 9 pessoas em Portugal: da doença, não da vacina, entenda-se. E, se pensarmos bem, é um alívio  - tendo em conta que já tivemos mais de 300 mortes por dia.

Esta não é, portanto, uma discussão entre o copo meio cheio ou meio vazio. É mais entre o copo meio cheio e a rede nacional de abastecimento de água.

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