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E a Poesia?

por Miguel Bastos, em 15.03.21

paulo condessa poesia a mesa.jpg

"E a Poesia? Mera alínea?", pergunta Sérgio Godinho no "Lamento de Rimbaud". A partir de hoje, há poesia em S. João da Madeira. Não há Raimbaud, mas há Herberto Hélder, Fernando Assis Pacheco ou Mário-Henrique Leiria. A "Poesia à Mesa" serve-se na internet. Uma janela de oportunidade, para quem não tem postigos.

https://www.rtp.pt/noticias/cultura/festival-poesia-a-mesa-comeca-hoje-em-sao-joao-da-madeira_a1304586

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Às vezes o amor

por Miguel Bastos, em 02.02.21

(Ouvimos Godinho, à hora de dormir)
- Esta música pareces tu a brincar com o mano, diz o mais velho.
- Porquê?, pergunto eu.
- Repara na letra: "Se morreres só te peço/Da morte volta sempre em vida".
- E...?
- Parecem as vossas brincadeiras, quando o mano te quer matar e tu começas a impor condições.
É verdade, costumo negociar as condições da minha morte com o mais novo. Eis alguns exemplos:
- Pai, vou-te matar!
- Ok, filho, mas mata-me ao pé do sofá, para eu cair com algum conforto.
Ou:
- Pai, vou-te dar um tiro.
- Certo, mas aqui está muita gente. Mata-me num local onde eu tenha mais privacidade.
Ou, ainda:
- Oh não, pai, acho que vou morrer!
- Tudo bem, filho, podes morrer. Mas, não te esqueças que o jantar é às oito. Se te atrasares, a mãe fica preocupada.
Eu e os meus filhos morremos muito, mas sempre com responsabilidade. Deve ser o amor, "Às vezes o amor".

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2020: perspetiva

por Miguel Bastos, em 29.12.20

pano cru.jpg

2020. Sejamos objetivos: um ano em que foram (finalmente!) reeditados os dois melhores discos de Sérgio Godinho não pode ser assim tão mau. Vamos lá, então, ter algum distanciamento e pôr as coisas em perspetiva. 

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Decorar livros

por Miguel Bastos, em 18.12.20

amalia onde arrumar.jpg

Sou um leitor com alma de decorador. Esta manhã, por exemplo, não me consegui decidir. Onde arrumar "Amália - Ditadura e Revolução", de Miguel Carvalho? Ao lado das biografias políticas de Mário Soares, Otelo Saraiva de Carvalho e Humberto Delgado? Ou junto às biografias artísticas de António Variações, Sérgio Godinho e Caetano Veloso? Podem enviar as vossas sugestões. Mas (lá está, o meu lado de decorador) também podem enviar clássicos de mobiliário de design do século XX. E é isto. Obrigado.

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O Novo Normal

por Miguel Bastos, em 02.12.20

No pós-25 de Abril, afirmou José Jorge Letria, a urgência dos cantores em defender causas e tomar posições prejudicou a qualidade artística. Até José Afonso, disse, o maior deles todos, fez discos onde a qualidade de algumas canções foi sacrificada em nome dessa urgência.

Em 2020, Sérgio Godinho fez uma canção urgente, para responder à pandemia. Chamou-lhe o "O novo normal": uma expressão banalizada por estes dias. Se vai ficar como um clássico de Godinho só o tempo o dirá. Mas é uma grande canção (o coro é lindíssimo). E a urgência do que deve ser dito, agora, não tem, necessariamente, que lhe toldar o futuro. Vejo, até, futuro na expressão "O novo normal". Porque, somando quase 50 anos de canções, o mestre Godinho continua a ter a capacidade de transformar "uma frase batida" num hino poético. Como n' "O primeiro dia".

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Sérgio 75

por Miguel Bastos, em 31.08.20

sergio 75.jpg

Tenho uma relação especial com este disco, de Sérgio Godinho. "Na vida real" saiu em 1986, numa altura em que eu fervilhava de entusiasmo com a chegada de mais um Rali de Portugal. A disputa entre a Audi a Lancia foi interrompida, no entanto, pela minha professora de português, que resolveu marcar um teste na véspera e me deixou apeado. Fique sem direito a pó, a direta, a chouriça na brasa, a fogueira, ao nascer do sol na serra. Na altura, o Rali de Portugal era a experiência mais próxima de um festival de verão. Para compensar a minha retenção no cais de embarque, o meu pai ofereceu-me o (então) novo disco de Godinho. Decorei-o de ponta a ponta. Cantei-o ao vivo, pouco tempo depois, na segunda fila do Teatro Aveirense. Perdi o Rali, mas guardei o Sérgio - que continua aí para as curvas. Hoje, faz 75 anos. Parabéns mestre, ainda vamos celebrar as bodas de ouro! 

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Waldemar Bastos

por Miguel Bastos, em 10.08.20

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“Existe um lado bom em pertencer a um povo que foi colonizado”, disse-me um dia Waldemar Bastos, “que é poder conhecer bem a cultura do colonizador, sem perder as raízes da sua própria cultura”. Penso sempre nesta frase de Waldemar Bastos quando sinto, à minha volta, que muitos portugueses lamentam o facto de não terem nascido americanos ou ingleses. Eu gosto de pensar que tenho sorte. Eu conheço-lhes os Doors ou os Beatles. Eles não fazem ideia de quem é José Afonso ou Sérgio Godinho. Perdem eles.
 
Conheci Waldemar, num disco dos Heróis do Mar, e nunca mais parei de o ouvir. Foi a partir de “Africaninha” que cheguei à “Velha Chica” e percebi que, afinal, a canção dos Heróis era uma espécie de sequela do tema que Waldemar cantou com Martinho da Vila (num álbum-estreia que contava com Chico Buarque). A partir daí, passei a estar atento àquele angolano de voz triste e doce. À forma como misturava a música da sua Angola, com outras músicas de África, de Portugal, do Brasil, do mundo inteiro. Mundo que passou, depois, a conhecê-lo. Sobretudo, depois de David Byrne ter editado a sua música no final dos anos 90, em plena euforia da chamada “world music”.
 
Waldemar Bastos é um artista extraordinário. Continua a ser. Morreu hoje, aos 66 anos.

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Palma: 70 anos

por Miguel Bastos, em 04.06.20

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Em 1985, estávamos acampados a 15 quilómetros de casa. Mas era como se estivéssemos noutro continente. Vivíamos numa tenda grande, sem água nem luz. Andávamos sem relógio. Mergulhávamos no mar, em jejum. Líamos ao sol ou à lareira. Tomávamos banho ao ar livre. Ensaiávamos palavras em inglês, com estrangeiros altos e louros. A única coisa de que sentíamos falta era do Jorge Palma. "O lado errado da noite" tinha entrado lá em casa, pouco dias antes de partimos para a nossa aventura. O disco tinha-nos deixado surpreendidos, boquiabertos, maravilhados. Tinha qualquer coisa de Sérgio Godinho e de Neil Young. Era estranho e familiar, ao mesmo tempo. 

Hoje, fui surpreendido pelos 70 anos "redondos" de Jorge Palma e procurei "O lado errado da noite". Encontrei-o entre o Julio Iglesias, da minha mãe, e os Joy Division, da minha adolescência. O Jorge é um velho amigo da família. Ele não sabe, claro, mas é. Palmas.

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Sejam homenzinhos

por Miguel Bastos, em 01.06.19

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Olá, amigos! Neste Dia da Criança, sejam homenzinhos e ouçam música como deve ser!

 

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Carolina Dislates 

por Miguel Bastos, em 11.05.18

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A Carolina não me interessa. Entrou no Ídolos. Cantou com o filho do Tony Carreira. Lançou um disco meias tintas, em português. E um disco a-armar-ao-pingarelho, em inglês. A Carolina escarrapacha a sua vida no Facebook e põe fotos intimas no Instagram. E tem muito seguidores. E é assunto: nas páginas da imprensa cor-de-rosa e nos programas rosa choque da televisão. Provoca críticas e responde às críticas. A Carolina tem umas tatuagens esquisitas. E exibe sardas e óculos e estrias e celulite e filhos. A Carolina diz e faz dislates.

 

Mas, a Carolina é "três mulher numa só", como na canção do Godinho, "ar de menina, sapiência de avó". Carolina usou a sua vida para criar um disco terno, intimista, simples e sofisticado. Fala de amor, dos filhos, da família. Chama-se "Casa" e é uma maravilha. Carolina tem talento, muito talento. Canta bem (isso eu já sabia); escreve boas letras e excelentes melodias; tem arranjos maravilhosos e uma produção irrepreensível. Faz uma bela dupla com Diogo Clemente. 

 

"Casa" é das melhores coisas que ouvi nos últimos tempos. E, afinal, quem diz dislates sou eu. 

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