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Os Sobreviventes

por Miguel Bastos, em 04.05.22

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50 anos, faz este disco, 50. Meio século deste disco, de uma vida. A minha. Foi o Júlio quem mo deu. Primeiro, emprestou-mo. Ouviu-o de um lado e do outro, depois do outro lado e do outro e do outro. Tem dois lados, eu sei. Quem diria. Quando achei que já o tinha ouvido de todos os lados, depositei-o nas mãos do Júlio. "Fica com ele", disse-me. "Nem pensar". "A sério", insistiu, "tu gostas mais dele, do que eu". "Até pode ser, mas é teu". "Esquece, eu gosto mais de rock". "Mas, este, até tem um bocado de rock", digo-lhe. "É, mas tem demasiado Bob Dylan. E eu sou mais Rolling Stones". Certo. Dos Rolling Stones, o Júlio passou para os Metallica e para bandas que nem gosto, nem conheço. Eu fui para outros lados, mantendo o Godinho por perto, deixando o Júlio fugir para longe. Este é um disco de viagem. De tantas viagens. Os Sobreviventes.

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Bowie 75

por Miguel Bastos, em 08.01.22

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Ter dois amigos ou familiares, que não se gostam, na sala de estar, é das coisas mais embaraçosas que existem. Tendencialmente, achamos que, se a pessoa A gosta de nós e a pessoa B também, elas devem-se gostar entre si. Infelizmente, descobrimos que, muitas vezes, não é assim. E passamos a ter que convidar um ou outro, alternadamente. Passa-se o mesmo, com os nossos heróis.
No livro "Verdade tropical", Caetano Veloso escreve acerca da surpresa que teve, ao descobrir que o seu herói, João Gilberto, não gostava de Chet Baker. Confesso que também fiquei surpreendido. E, mais ainda, ao descobrir, no mesmo livro, que o meu herói, Caetano, não gostava de David Bowie. Não dá a entender, diz, preto no branco, que não gosta. Sem se importar com os meus sentimentos. Bowie também é o meu herói (com Caetano e Godinho, compõe, talvez, a minha "Santíssima Trindade"). Bowie faria, hoje, 75 anos. Hoje, vou juntá-lo, na minha sala, com Caetano. Pode ser que resulte. Nem que seja "Just for one day". Veremos.

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Portugal à espera

por Miguel Bastos, em 15.06.21

 - Ai, Portugal, Portugal do que é que estás à espera?
 - Então, estou à espera da hora do jogo. O que é que queres que eu faça?

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E a Poesia?

por Miguel Bastos, em 15.03.21

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"E a Poesia? Mera alínea?", pergunta Sérgio Godinho no "Lamento de Rimbaud". A partir de hoje, há poesia em S. João da Madeira. Não há Raimbaud, mas há Herberto Hélder, Fernando Assis Pacheco ou Mário-Henrique Leiria. A "Poesia à Mesa" serve-se na internet. Uma janela de oportunidade, para quem não tem postigos.

https://www.rtp.pt/noticias/cultura/festival-poesia-a-mesa-comeca-hoje-em-sao-joao-da-madeira_a1304586

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Às vezes o amor

por Miguel Bastos, em 02.02.21

(Ouvimos Godinho, à hora de dormir)
- Esta música pareces tu a brincar com o mano, diz o mais velho.
- Porquê?, pergunto eu.
- Repara na letra: "Se morreres só te peço/Da morte volta sempre em vida".
- E...?
- Parecem as vossas brincadeiras, quando o mano te quer matar e tu começas a impor condições.
É verdade, costumo negociar as condições da minha morte com o mais novo. Eis alguns exemplos:
- Pai, vou-te matar!
- Ok, filho, mas mata-me ao pé do sofá, para eu cair com algum conforto.
Ou:
- Pai, vou-te dar um tiro.
- Certo, mas aqui está muita gente. Mata-me num local onde eu tenha mais privacidade.
Ou, ainda:
- Oh não, pai, acho que vou morrer!
- Tudo bem, filho, podes morrer. Mas, não te esqueças que o jantar é às oito. Se te atrasares, a mãe fica preocupada.
Eu e os meus filhos morremos muito, mas sempre com responsabilidade. Deve ser o amor, "Às vezes o amor".

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2020: perspetiva

por Miguel Bastos, em 29.12.20

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2020. Sejamos objetivos: um ano em que foram (finalmente!) reeditados os dois melhores discos de Sérgio Godinho não pode ser assim tão mau. Vamos lá, então, ter algum distanciamento e pôr as coisas em perspetiva. 

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Decorar livros

por Miguel Bastos, em 18.12.20

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Sou um leitor com alma de decorador. Esta manhã, por exemplo, não me consegui decidir. Onde arrumar "Amália - Ditadura e Revolução", de Miguel Carvalho? Ao lado das biografias políticas de Mário Soares, Otelo Saraiva de Carvalho e Humberto Delgado? Ou junto às biografias artísticas de António Variações, Sérgio Godinho e Caetano Veloso? Podem enviar as vossas sugestões. Mas (lá está, o meu lado de decorador) também podem enviar clássicos de mobiliário de design do século XX. E é isto. Obrigado.

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O Novo Normal

por Miguel Bastos, em 02.12.20

No pós-25 de Abril, afirmou José Jorge Letria, a urgência dos cantores em defender causas e tomar posições prejudicou a qualidade artística. Até José Afonso, disse, o maior deles todos, fez discos onde a qualidade de algumas canções foi sacrificada em nome dessa urgência.

Em 2020, Sérgio Godinho fez uma canção urgente, para responder à pandemia. Chamou-lhe o "O novo normal": uma expressão banalizada por estes dias. Se vai ficar como um clássico de Godinho só o tempo o dirá. Mas é uma grande canção (o coro é lindíssimo). E a urgência do que deve ser dito, agora, não tem, necessariamente, que lhe toldar o futuro. Vejo, até, futuro na expressão "O novo normal". Porque, somando quase 50 anos de canções, o mestre Godinho continua a ter a capacidade de transformar "uma frase batida" num hino poético. Como n' "O primeiro dia".

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Sérgio 75

por Miguel Bastos, em 31.08.20

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Tenho uma relação especial com este disco, de Sérgio Godinho. "Na vida real" saiu em 1986, numa altura em que eu fervilhava de entusiasmo com a chegada de mais um Rali de Portugal. A disputa entre a Audi e a Lancia foi interrompida, no entanto, pela minha professora de português, que resolveu marcar um teste na véspera e me deixou apeado. Fique sem direito a pó, a direta, a chouriça na brasa, a fogueira, ao nascer do sol na serra. Na altura, o Rali de Portugal era a experiência mais próxima de um festival de verão. Para compensar a minha retenção no cais de embarque, o meu pai ofereceu-me o (então) novo disco de Godinho. Decorei-o de ponta a ponta. Cantei-o ao vivo, pouco tempo depois, na segunda fila do Teatro Aveirense. Perdi o Rali, mas guardei o Sérgio - que continua aí para as curvas. Hoje, faz 75 anos. Parabéns mestre, ainda vamos celebrar as bodas de ouro! 

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Waldemar Bastos

por Miguel Bastos, em 10.08.20

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“Existe um lado bom em pertencer a um povo que foi colonizado”, disse-me um dia Waldemar Bastos, “que é poder conhecer bem a cultura do colonizador, sem perder as raízes da sua própria cultura”. Penso sempre nesta frase de Waldemar Bastos quando sinto, à minha volta, que muitos portugueses lamentam o facto de não terem nascido americanos ou ingleses. Eu gosto de pensar que tenho sorte. Eu conheço-lhes os Doors ou os Beatles. Eles não fazem ideia de quem é José Afonso ou Sérgio Godinho. Perdem eles.
 
Conheci Waldemar, num disco dos Heróis do Mar, e nunca mais parei de o ouvir. Foi a partir de “Africaninha” que cheguei à “Velha Chica” e percebi que, afinal, a canção dos Heróis era uma espécie de sequela do tema que Waldemar cantou com Martinho da Vila (num álbum-estreia que contava com Chico Buarque). A partir daí, passei a estar atento àquele angolano de voz triste e doce. À forma como misturava a música da sua Angola, com outras músicas de África, de Portugal, do Brasil, do mundo inteiro. Mundo que passou, depois, a conhecê-lo. Sobretudo, depois de David Byrne ter editado a sua música no final dos anos 90, em plena euforia da chamada “world music”.
 
Waldemar Bastos é um artista extraordinário. Continua a ser. Morreu hoje, aos 66 anos.

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