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Zé Pedro

por Miguel Bastos, em 04.12.17

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Miguel Bastos: ... Vamos agora falar do seu irmão, enquanto "o Zé Pedro dos Xutos". Não é o cantor, não é o compositor, não é o guitarrista principal. E, no entanto, é, talvez, a figura mais emblemática da banda. Porque é que acha que isso acontece? Ou, se preferir, o que é que o Zé Pedro tem de especial?   

 

Helena Reis: Eu acho que ele foi sempre o que acreditou mais. Ele queria ter uma banda e queria que ela fosse relevante. Quando os outros lhe lembravam que ainda nem sabiam tocar como devia ser, ele respondia: "temos que ensaiar mais! Nós vamos conseguir e tal..." Ele acreditava sempre. E tinha muita energia, para incentivar toda a gente. 

 

Miguel Bastos: No palco ou fora dele?

 

Helena Reis: Em todo o lado. Ele sempre teve muita facilidade em comunicar com os fãs, no palco, depois dos concertos...  E com as pessoas do meio: jornalistas, agentes, editores,  músicos de outras bandas. Ele sempre foi muito comunicativo. Tem muita energia e adora aquilo que faz. E acho que as pessoas reconhecem esse entusiasmo, essa energia.

 

E é isto. Há pessoas que ficam conhecidas por aquilo que fazem. Outras, por aquilo que são.

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Paquete de Oliveira

por Miguel Bastos, em 12.06.16

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Paquete de Oliveira chegou até mim como estrela pop. Ouvi-o, em disco, entre guitarras distorcidas, experimentações sónicas, défice de técnica musical disfarçado de avant garde. No final do anos 80, as bandas de rock começaram a ser substituídas por projetos. Os Pop Dell’Arte e a Ama Romanta eram dois projetos de João Peste. Artista visionário, cantor, performer, intelectual, sociólogo. Paquete fora professor de Peste. Era sociólogo e entrava num disco. Eu não sabia se era jovem ou velho; intelectual distante ou mundano ou, mesmo, se tinha projetos.

 

Mais tarde, conheci Paquete. Era meu professor. Nessa altura, eu já sabia que era um sociólogo especialisado em media, comunicação e jornalismo. Agia como professor, falava com professor. Cuidava de nós. Falou do bar e da cantinas. De salas e bibliotecas. De fotocópias e estacionamento. Nessa altura, já era uma pessoa conhecida do grande público. Escrevia em jornais, aparecia em programas de televisão. Era um ancião sábio e sereno e, no entanto, cheio de inquietude. Mas, sobretudo, era o mais moderno de todos nós. A maioria dos alunos, continuava com projetos e contactos e ideias. Os anos 80 tinham acabado e nós não sabíamos. Paquete sabia, claro. Era, mesmo, sociólogo.

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Bye Bye Bowie

por Miguel Bastos, em 11.01.16

bye bye bowie.jpg

“Beatles ou Stones?”, perguntava alguém. “David Bowie”, respondia Sónia Tavares, dos The Gift, a sorrir. “Boa”, pensei eu. Hoje, ouvi “David Bowie” e não sorri. Ouvi “David Bowie”, pensando que iam falar do novo disco, lançado na sexta-feira, mas acrescentaram “morreu. A notícia foi confirmada, esta manhã, pelo seu filho…”. Ora bolas!

 

David Bowie representa aquilo que eu mais gosto na cultura pop: alta e baixa cultura, tradição e “avant-garde”, fascínio e inquietude. A sua música, pop-rock, mistura literatura, teatro, performance, cinema, artes plásticas. Bowie na televisão; Bowie na arena rock; Bowie na Broadway; Bowie em Hollywood; Bowie na galeria de arte; Bowie na pista de dança. Mudou, muitas vezes, de estilo musical, de estilo visual, criou personagens e chamaram-lhe camaleão, o que se tornou clichê.

 

Em 1990, Bowie passou por Portugal, numa digressão de despedida. O concerto foi no Estádio de Alvalade e eu estava em êxtase. Bowie poupou no cenário e gastou em repertório: de Space Oddity a Blue Jean. Depois, disse adeus. Mentiu, felizmente. Só voltou a retirar-se em 2004, por causa de um ataque cardíaco. Editou um disco em 2013 e outro na sexta passada, dia em que fez 69 anos. Agora morreu e não volta a mentir. Infelizmente. Bye Bye Bowie

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