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Intensivos

por Miguel Bastos, em 04.02.21

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A jornalista Rita Colaço avisou-nos que a reportagem tinha sons que podiam impressionar (e impressionam, de facto). Mas, o meu maior receio não eram os sons. Era a respiração. A minha. Tinha medo de não conseguir respirar, porque sei bem o que isso é. E a minha respiração alterou-se, de imediato, com uma das primeiras palavras que ouvi na reportagem: "propofol". Cheguei, em desespero, a pedir propofol numa unidade de cuidados intensivos. Conheço o som dos ventiladores, invasivos e não invasivos, e das várias máquinas. Reconheço as vozes dos profissionais de saúde: o cansaço, a esperança, o profissionalismo, a humanidade. Está tudo nesta reportagem. Ao longo da reportagem, a minha respiração foi, no entanto, regressando ao normal. A Rita tem a capacidade de nos mostrar a realidade, com sobriedade, sem a exacerbar. Mas a abordagem é intensa. É intensiva.

Para ouvir, pode clicar na imagem ou aqui:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/grande-reportagem-antena1-intensivos_a1294513

 

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Curia do Norte

por Miguel Bastos, em 27.04.18

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Quando eu era pequeno, adorava passear na Curia: estação, as ruas arborizadas, os parque, o lago, os barcos, as termas, as pensões familiares, os grandes hotéis. Um paraíso. De modo que estranhei, quando ouvi falar da guerra dos curianos. Guerra, na Curia, mas porquê? Podia ter perguntado à Rita Colaço. Mas não teria sucesso.

 

Porquê? Porque, nessa altura, ela era demasiado nova, para saber, sequer, onde era a Curia. Mas já devia saber coisas sobre a Coreia...A reportagem da Rita, na Antena 1, agora que os curianos andam a apertar as mãos, está aqui.

 

https://www.rtp.pt/noticias/grande-reportagem/grande-reportagem-o-medo-e-um-lugar-estranho_a1044739

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O Haiti é aqui

por Miguel Bastos, em 19.07.17

[Foto: Paulo Nuno Vicente]

jamaica 2.jpg

No livro "Barroco Tropical", José Eduardo Agualusa descreve-nos uma Luanda em decadência. O protagonista é um escritor, casado com a filha de um militar do regime. Vivem no topo de um arranha céus. Mas o prédio está inacabado. No topo, vivem os ricos. Nos andares enterrados no solo, vivem os indigentes, os traficantes, as prostitutas, os marginais. Normalmente, não se cruzam. Mas vivem debaixo do mesmo tecto. "Que alegoria tão forte", pensei. Angola deve ser isto.

 

O livro lembrou-me uma canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil chamada "Haiti". Na altura, o Haiti tinha sido arrasado por um furação. Um dos muitos que, regularmente, assolam o país, demasiado habituado a furacões e miséria. E, perante as miséria do Brasil, a dupla canta "O Haiti é aqui". O Haiti pode ser ali, no Brasil; ou ali, em Angola. E pode ser aqui, em Portugal? Pode. 

 

A Rita Colaço foi à Jamaica. Não foi em lua de mel. Não foi em cruzeiro. Foi em reportagem. O bairro da Jamaica, fica no Seixal, às portas de Lisboa - a antiga capital do império. É um conjunto de esqueletos de betão abandonados por um construtor falido. As pessoas - sem casa, sem terra, sem emprego - foram ocupando os prédios, piso a piso. Preencheram-nos de tijolos e gente. Abaixo do solo não está gente, como no livro de Agualusa. Mas estão dejectos de gente, a corroer a saúde da gente e do prédio. As fundações estão em perigo e um dia, enquanto as entidade discutem a solução para o problema, a casa vem abaixo.    

 

Jamaika também é Portugal, diz Rita Colaço. Pois é, Rita. E "o Haiti é aqui".

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