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Desafinação

por Miguel Bastos, em 20.05.21

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Em 1999, um professor palestiniano e um maestro israelita fundaram uma orquestra, com músicos árabes e judeus, de Israel e da Palestina, e de vários países do médio-oriente. Edward W. Said e Daniel Barenboim queriam chamar a atenção para o conflito israelo-palestiniano e a Orquestra West-Eastern Divan tornou-se um exemplo de que é possível trabalhar, em harmonia, com pessoas de diferentes religiões, etnias e nacionalidades.
 
O esforço de ambos tem sido compensado com salas cheias e prémios, em todo o mundo. Mas, também houve dissabores: particularmente, em Israel. Em 2001, Barenboim foi criticado por interpretar Wagner (compositor conotado com o antissemitismo), com uma orquestra alemã, em Jerusalém. Dois anos depois, Said morreu. E, no ano seguinte, vários políticos israelitas manifestaram desagrado com o discurso do maestro, quando recebeu um importante prémio, na área da música. Barenboim questionou a violação dos direitos fundamentais dos palestinianos, por parte de Israel, e afirmou que não percebia como é que o povo judeu - alvo de tantas discriminações, perseguições, deportações e mortes - podia ficar indiferente ao sofrimento dos palestinianos.
 
Descendente de judeus russos, Daniel Barenboim nasceu na Argentina e mudou-se para Israel, aos 10 anos. Aos 15 anos, obteve passaporte israelita. Há 15, obteve passaporte palestiniano. Na altura, considerou que um judeu com passaporte palestiniano funcionava como metáfora da solução "dois estados independentes", a única forma de alcançar a paz na região. Mas, a esperança de Barenboim parece ter terminado. O maestro não toca em Israel, há mais de 10 anos. Pior, afirma que não o voltará a fazer. O ouvido de Barenboim não aguentou tanta desafinação.
[Foto: Mohammed Salem / Reuters]

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As monjas italianas

por Miguel Bastos, em 06.04.21

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"Vejam, era aqui que elas guardavam as 'samsonites'", disse, apontando para o pequeno espaço, junto ao catre. Estávamos dentro de uma cela, num antigo mosteiro, na américa latina. Vitória, com o seu ar de tia, revelava-se uma excelente camarada de viagem e era dotada de um surpreendente sentido de humor: "A julgar pelo espaço, não traziam muita bagagem, coitadas!" Dedicámos alguns minutos (poucos, que o tempo em viagem voa, ainda, mais rápido) a imaginar a vida daquelas religiosas. O que levaria alguém a deixar tudo, para se dedicar a uma vida de clausura, ali, longe de tudo e de todos? Que vida teriam tido aquelas mulheres até aí? E que vida passaram a ter? Teriam, todas, o mesmo tipo de motivações? Ou foram parar ao mesmo local, por diferentes motivações? Questões parecidas terão estado na origem desta reportagem sobre um conjunto de monjas, que deixaram Itália para uma vida nova, na Aldeia de Palaçoulo, em Trás-os-Montes.

https://www.rtp.pt/noticias/pais/grande-reportagem-antena-1-a-fe-do-silencio_a1309846

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Páscoa à segunda-feira

por Miguel Bastos, em 05.04.21

"Vê lá se a Páscoa te sai à segunda-feira", costumava dizer o meu pai. A frase podia ser dita em tom de aviso, de ameaça, ou, apenas, em tom de brincadeira. "Nesta família, a Páscoa é sempre à segunda feira", costumávamos responder. E era verdade. Na Páscoa, mudávamo-nos para a aldeia, visitávamos todas as casas de todos os tios, ajudávamos a preparar tudo para a visita pascal, estreávamos roupas novas. Havia salas que se abriam uma vez por ano: para esse dia, para esse momento. Na mesa, as melhores toalhas recebiam gasosas e laranjadas, vinho do Porto e "Martini", pratinhos de queijos e enchidos, pão e folares, amêndoas e biscoitos. Nunca havia tempo para provar tudo, porque, entretanto, mudávamos para outra casa, que tinha coisas parecidas, e depois para outra e depois para outra. Esse dia, era segunda. Por mais avisos e ameaçadas que o meu pai nos fizesse, a Páscoa era sempre à segunda-feira.

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Páscoa

por Miguel Bastos, em 30.03.21

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A Páscoa está a chegar. Credo! Está na altura de limpar os cristais, as porcelanas inglesas e as pratas de família. Que trabalheira! Depois, penso: "não tenho cristais, nem porcelanas, nem pratas de família" e fico contente. Veem? E ainda dizem que não há alegria na pobreza...

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Cruz de Cristo

por Miguel Bastos, em 27.10.20

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Filho: Pai, acabei de fazer uma cruz, como a de Cristo.
Pai: Que linda, filho, está muito gira.
Filho: Obrigado, pai. Só não percebo porque é que escolheram este símbolo.
Pai: Como assim?
Filho: Sei lá, podiam ter escolhido outra coisa, menos triste.
Pai: Um bolo de bolacha?
Filho: Por exemplo. Nesse caso, (sorri) acho que ia à missa todos os dias.
Já vos disse que o meu filho é um doce?

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Ai, Jesus

por Miguel Bastos, em 06.06.18

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Sai do Sporting. Entra para o Al-Hilal. Vai ser divertido ver milhares de árabes a pedir a vitória de Jesus. 

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A carreira de um juiz

por Miguel Bastos, em 25.10.17

Primeiro, Deus criou o homem. Depois, Deus criou a mulher. De seguida, o homem bateu na mulher, com uma moca de pregos. Na falta de Deus, um outro homem citou o livro de Deus. É juiz. Os outros juízes receiam que tenha prejudicado a sua carreira. Espero que não. Antevia-se uma bela carreira, no Tribunal do Santo Ofício.

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Uma Visão

por Miguel Bastos, em 11.05.17

Uma edição especial sobre os 100 anos de Fátima. Bela capa. Claro que o nome da revista ajuda. Visão. Ainda bem que não se chama Aparição. O nome é mais polémico.

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