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A afirmação da Europa?

por Miguel Bastos, em 30.05.17

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Já foi o rosto da crise da Europa. Mas, entretanto, vieram outras crises. Os refugiados: a caminho da Europa. O Reino Unido: a sair da Europa. Le Pen: a crescer, contra a Europa. A Rússia: a lançar Trump, por cima da Europa. E Trump: sem saber o que é a Europa. Merkel sabe, claro. E é, cada vez mais, a afirmação da Europa.

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Guterres e os parvos

por Miguel Bastos, em 05.10.16

guterres parvos.jpg

No meio do entusiasmo à volta de candidatura de Guterres à liderança da ONU, houve conjunto de pessoas “cosmopolitas” que resolveu criticar os “patrioteiros”. É verdade, o futuro de Portugal não depende da eleição de Guterres. Ter Guterres, como secretário-geral da ONU, não vai provocar a recuperação das finanças públicas, nem o crescimento económico, nem vai baixar o desemprego. Não vai aumentar a qualidade da governação, nem da oposição. Não vai acabar com o crescimento da extrema direita na Europa. Não vai decidir as eleições nos Estados Unidos. Não vai acabar com as brincadeiras perigosas da Coreia do Norte. Nem com a guerra na Síria. Mas se for búlgaro, alemão ou russo, também não.

 

Os “cosmopolitas” não acham relevante ter, pela primeira vez, um português à frente das Nações Unidas. O que é importante é que ganhe o melhor. Mas não dizem qual é o melhor. Não importa se Cristiano Ronaldo é português. Nem Pessoa, Camões, Amália, Saramago, Damásio, Vasco da Gama. Porque o mundo é um só. Porque são “cosmopolitas”. Os “cosmopolitas” não são bem cosmopolitas. São apenas parvos.

 

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Brexit: In, Out, Down

por Miguel Bastos, em 21.06.16

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Dizem que Churchill foi um dos pioneiros da ideia de uma Europa unida. Era bom para a paz, para a economia, para a solidariedade. O projeto teria o apoio do Reino Unido, que, percebeu-se depois, não se incluía na Europa. Inclui-se, apenas, por exclusão de partes. Porque não é América, nem África, nem Ásia, nem Oceania. O Reino Unido sempre esteve com um pé dentro e outro fora da Europa. Por vezes, parece que faz bem. Quando, por exemplo, resiste à burocracia europeia que quer definir o tamanho das maçãs. Mas, outras vezes, é irritante. Quando faz valer o seu peso para negociar excepções, que não são permitidas a mais nenhum Estado.

 

Agora, a propósito da crise económica, da pressão migratória e do crescimento da direita radical, Cameron resolveu referendar a permanência do Reino Unido na europa. Vai-se votar “In ou “Out”. A coisa anda ao sabor da agenda mediática. Aparecem mais uns refugiados, cresce o “Out”. Fazem-as as contas ao impacto económico, sobe o “In”. Farage discursa de forma apaixonada e povo quer estar “Out”. Um louco mata uma deputada trabalhista, estamos “In”.

 

Independentemente do resultado ser “In” ou “Out”, já há um resultado que é certo. O Reino Unido está em tendência “down”, ou seja para baixo. E, com eles, descemos todos.

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A Síria é coisa séria

por Miguel Bastos, em 02.11.15

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A minha irmã vive fora de Portugal há muitos anos. Num destes verões, olhou para meia dúzia de amigos e familiares e exclamou: “parecem os meus amigos árabes!”. Cabelos escuros, bigodes, pele crestada pelo sol. De facto, não é só o Fernando Ruas que parece o Saddam. Há muitos portugueses que parecem.

 

O “árabe” que me serviu um café, esta manhã, sabe disso. A pele é escura, o (pouco) cabelo está rapado e usa barba. Mas acha que precisa de mais sol. “Faço uns dias de praia e depois peço ao governo para me dar uma casa, como os sírios”, graceja. Em Portugal, andamos assim. Eternamente divididos, entre os que acham que o Estado nos deve dar tudo e os que acham que andam todos a viver “à conta” do Estado.

 

Este “árabe” é do segundo grupo. Usa umas pulseiras de cabedal e uma camisola dos Ramones “à moderna”, mas é antigo. Muito antigo. Poderia explicar-lhe que não basta ser moreno para ser sírio. É preciso ter família morta, violada, a casa destruída e outros pormenores. Mas não fui a tempo, porque, logo a seguir, ele disse: “Vou sair para apanhar ar. Já volto”. Pois, eles também saem. Mas não voltam.

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Licença para matar?

por Miguel Bastos, em 24.09.15

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O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, deu ordem ao exército para atirar sobre os refugiados. Uma “Licença para matar”, como o James Bond? Até tremi.

 

Bem, o agente 007 só usa a sua “Licença para matar” porque existem uns maus, que querem roubar, enriquecer, matar e controlar o mundo. Olhando para os refugiados, que tentam atravessar a Europa, é difícil ver um exército de maus. É ao contrário, senhor Orbán: eles fogem dos maus.

 

Depois, Bond está sempre do lado certo, com o estilo certo. Veste bem, caminha com elegância, conduz como um piloto de Fórmula 1, dispara como um sniper, fala como um líder, luta como um herói. O senhor Orbán não tem nada disto. Os seu fatos e as suas leis europeias não conseguem escondem os seus tiques autoritários, xenófobos e anti-democráticos.

 

No fim, descobrimos que não há “Licença para matar”. Só para atirar: num braço, numa perna ou coisa assim. Saio do James Bond e entro diretamente no universo de Raúl Solnado. Na sua chamada para “Vachintom”, Solnado oferecia os serviços do exército de Ranholas que tem “um soldado baixinho que, em vez de disparar, insulta. Bem, ele não mata. Mas ele desmoraliza muito.” O Solnado faz falta à Europa.

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Já Schengen

por Miguel Bastos, em 15.09.15

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Primeiro, a Europa fez de conta que não viu. Depois, era um problema dos países do sul. Quando os refugiados chegaram, em massa, a França e à Hungria a coisa começou a mudar. Em França, os refugiados perceberam que a “Igualdade, Liberdade e Fraternidade” tem dias e que, do outro lado de Calais, não há oásis, só mau tempo no canal. Na Hungria, deram de caras com um líder político que, de urbano, só tem o nome. Orban ergueu um muro, esquecendo que já esteve do outro lado de um.

 

Cameron não se distingue muito. Como Orban, gosta de estar com um pé dentro e outro fora da Europa e lembra que o seu reino não tem espaço para Schengen. Angela Merkel tem estado sozinha e também veio dizer “já Schengen”. A poderosa Alemanha não consegue convencer os parceiros europeus a receber refugiados e também fecha as fronteiras.

 

A Europa não tem memória, nem pensamento, nem discurso, nem liderança. Tem porteiros.

 

“Já Schengen” é a resposta da Europa à Crise dos Refugiados. O último que feche a porta.

 

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Os outros

por Miguel Bastos, em 03.09.15

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Durante as férias, temos mais tempo para conversar. Com a nora do Senhor Rodrigues, por exemplo. A conversa passou por Londres, onde a senhora viveu. Foi  emigrante.

 

Alguém falou do ambiente cosmopolita de Londres: diferentes etnias, religiões, cores de pele, orientação sexual, línguas, sotaques. O postal turístico de uma grande cidade europeia. Mas, rapidamente, a coisa evoluiu para os que não se querem integrar, que não trabalham, que vivem da segurança social, que se reproduzem como coelhos, etc. Numa altura em que o Eurotúnel está entupido e Calais rodeado de arame farpado, eis o emigrante, com um discurso racista.

 

Infelizmente, não surpreende. Há uns anos vi emigrantes portugueses em França, numa manifestação de apoio à Frente Nacional. “Então mas os senhores apoiam um partido que é contra os emigrares?”, perguntava um repórter da RTP. “O Le Pen gosta dos portugueses. Ele não gosta é dos ‘magrebes’, que vêm para cá e não querem trabalhar”. Pois, é sempre assim. São sempre os outros.

 

Será que a imagem de uma criança morta a dar à costa, na Turquia, muda alguma coisa?

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Europa, bela e adormecida

por Miguel Bastos, em 21.04.15

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Ando a ler as "Memórias da II Guerra Mundial", de Winston Churchill. O que mais me impressionou, até agora, foi o estado adormecido da Europa, nos anos que antecederam a Guerra.

 

Às vezes as pessoas perguntam “”como é que foi possível?”. E aponta-se um guerreiro louco, megalómano e cruel. Hitler foi isso tudo. Mas, não chega como explicação. Porque, o normal era que um tipo daqueles fosse preso, ou internado, ou morto. Mas não foi. As suas palavras iradas foram acolhidas numa Alemanha humilhada, e não foram contrariadas pelos países europeus: por ingenuidade, por fraqueza ou por conveniência. É chocante que a Polónia tenha anexado partes da Checoslováquia, depois da invasão alemã. Ou que os soviéticos tenham anexado vários países, ao abrigo de um pacto com os nazis. Depois, foram eles os invadidos. Churchill critica, ainda, as políticas “pacifistas” dos franceses e dos ingleses. Os primeiros, foram arrasados num mês. Os segundos aguentaram a guerra sozinhos, até à entrada dos EUA.

 

Às vezes, parece que a Europa aprendeu pouco e mudou pouco. Basta ver como tanta gente acaba de descobrir que há morte e miséria em África e no Médio Oriente.

 

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Todos no mesmo barco?

por Miguel Bastos, em 17.04.15

barco de refugiados.jpg 

 

Ficámos, hoje, a saber que doze cristãos foram lançados ao mar, por muçulmanos.. Estavam, todos, num barco de refugiados, a caminho da Europa. Vinham de Costa do Marfim, da Guiné e do Senegal. Vinham, todos, à procura de uma vida melhor. Mas isso, aparentemente, não os aproximava em nada.

 

O mundo está, cada vez mais, confuso. Não faz sentido olhar o mundo com uma grelha pré-concebida que classifica religiões, povos ou países como “bons” ou “maus”.

Não percebi o entusiasmo ocidental com a Primavera Árabe, por exemplo. Claro que não havia simpatia com os ditadores e os seus regimes. Mas, o islamismo radical não era um coisa nova. Onde estão, agora, os bons e os maus: no Iraque, na Síria, ou na Líbia?

 

Em África e no Médio Oriente há agredidos que passaram a agressores e vice-versa. No barco dos refugiados, os muçulmanos atiraram cristãos ao mar. Noutro contexto, poderia ter sido ao contrário.

 

De facto, não estamos todos no mesmo barco. Nem eles. Por isso, é que uns foram borda fora.

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