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As monjas italianas

por Miguel Bastos, em 06.04.21

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"Vejam, era aqui que elas guardavam as 'samsonites'", disse, apontando para o pequeno espaço, junto ao catre. Estávamos dentro de uma cela, num antigo mosteiro, na américa latina. Vitória, com o seu ar de tia, revelava-se uma excelente camarada de viagem e era dotada de um surpreendente sentido de humor: "A julgar pelo espaço, não traziam muita bagagem, coitadas!" Dedicámos alguns minutos (poucos, que o tempo em viagem voa, ainda, mais rápido) a imaginar a vida daquelas religiosas. O que levaria alguém a deixar tudo, para se dedicar a uma vida de clausura, ali, longe de tudo e de todos? Que vida teriam tido aquelas mulheres até aí? E que vida passaram a ter? Teriam, todas, o mesmo tipo de motivações? Ou foram parar ao mesmo local, por diferentes motivações? Questões parecidas terão estado na origem desta reportagem sobre um conjunto de monjas, que deixaram Itália para uma vida nova, na Aldeia de Palaçoulo, em Trás-os-Montes.

https://www.rtp.pt/noticias/pais/grande-reportagem-antena-1-a-fe-do-silencio_a1309846

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Cabo Delgado

por Miguel Bastos, em 01.03.21

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Cabo Delgado tem estado longe das "gordas" dos jornais, da rádio e da televisão. Este trabalho, do enviado especial da Antena 1, Nuno Amaral, é uma ajuda importante para quebrar um silêncio que incomoda. A rádio - aquela que interessa e que importa - está aqui e agora, sempre; e no fim do mundo, quando é preciso. Ao fim e ao cabo, a rádio está onde deve estar: Cabo Delgado.

Pode ouvir aqui:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cabo-delgado-numero-de-deslocados-continua-a-aumentar_a1300813

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Obrigado, Carlos do Carmo

por Miguel Bastos, em 01.01.21

carlos carmo.jpg

Tinha havido uma alteração de agenda e Carlos do Carmo não poderia falar comigo. Expliquei que a entrevista já tinha sido anunciada e que tínhamos de ter um plano b. Acabámos por marcar uma entrevista telefónica, com a promessa, da minha parte, de que não poderia ser muito longa. O Carlos, explicaram-me, não gostava de falar muito tempo ao telefone. Respondi que precisava apenas de 10 minutos ao telefone. Gravámos 12 e dei a entrevista por concluída. "Foi uma conversa muito agradável, sabe?", disse-me o charmoso do outro lado da linha, "Porque se sente que gosta de ouvir. Que idade tem?". "Menos de quarenta", respondi. "Interessante. Estava a tentar perceber a sua idade e não estava a conseguir". "E posso saber, porquê?", perguntei. "Porque, geralmente, as pessoas mais novas não têm paciência para ouvir e as mais velhas já não tem curiosidade para perguntar. Você parece que tem as duas coisas". E, depois, ficámos a conversar mais de meia hora. Carlos do Carmo, o cantor que não gostava de falar ao telefone, acabou a perguntar-me "Estou-lhe a roubar muito tempo, não estou?". Eu disse-lhe que não e ele atalhou "De certeza que tem mais que fazer. Deixe-me pedir-lhe que nunca perca a curiosidade e o gosto por conversar". Desligámos o telefone. A entrevista durou os 10 minutos programados. O melhor ficou para mim. Obrigado.

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Árvores e floresta

por Miguel Bastos, em 15.12.20

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Há um ano, estava em Madrid, a acompanhar a Cimeira do Clima. Foram dias (e noites!) tão intensos que, tendo recebido uma boa notícia, nem tempo tive para a celebrar. O programa "Só neste país", dedicado ao pinheiro, tinha sido premiado na categoria de jornalismo florestal. Na reportagem que fiz, acompanhei Pedro Mónica Ribeiro - um vigilante apaixonado pelas questões ambientais - numa ação para recuperar um espaço florestal em Lousada, no distrito do Porto. A reportagem acabou por se alargar ao grupo de voluntários, dinamizado pela bióloga Milene Matos - pessoas que dão parte do seu tempo livre, para ajudar a criar um mundo melhor. Como tantos outros ali, em Madrid, onde me encontrava.

O programa pode ser ouvido aqui. (Reportagem ao minuto 26).

Só neste país

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Fada do lar

por Miguel Bastos, em 06.12.20
Primeiro, foi um curso intensivo sobre Marquês de Pombal, com o autor da mais recente biografia de Sebastião José de Carvalho e Melo.

Depois, uma conversa com Adriana Calcanhoto, sobre poesia e música, a política brasileira e a realidade portuguesa.

E, ainda, a memória de Eduardo Lourenço, a análise ao congresso do PCP e a morte do antigo presidente francês, Valéry Giscard d'Estaing.

Tudo isto, enquanto fazia a lida da casa. Se continuar assim, acabo uma fada do lar: com uma pós-graduação em História, um mestrado em Políticas Culturais e um doutoramento em Relações Internacionais.

Preciso de um rádio, uma vassoura e pouco mais.

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Milošević

por Miguel Bastos, em 03.12.20

Ljubomir Stanisic é um cozinheiro que enriqueceu a cozinhar, para ricos; e a fazer televisão, para pobres. Há uma semana, resolver estacionar à porta da Assembleia da República para fazer uma greve de fome e insultar os representantes da República, com a cobertura dos media, que adoram pessoas "fora da caixa". Hoje, depois de ter sido atendido pelo SNS (que, coitados, andam com pouco que fazer) resolveu comparar o primeiro-ministro português a Milošević. Algumas pessoas acharão graça à comparação com o ex-presidente sérvio, esquecendo, talvez, que este foi preso pelo Tribunal Penal Internacional, sob a acusação de crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Esta manhã, disse à imprensa que "há 17 anos, passámos 21 dias de fome e derrubámos o filho da p***". Não disse que está em Portugal, há 23 anos.

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Livros para não ler

por Miguel Bastos, em 20.11.20

mario zambujal.png

"Puta”. “Meretriz, queria a senhora dizer”. “Pois sim, senhor subchefe, também pode ser isso”. Cito a "Crónica dos bons malandros", de Mário Zambujal: um homem do jornalismo, da rádio, da televisão, dos livros. Pode-se ser isso tudo: alternada ou simultaneamente. Haja talento. Vem isto a propósito de um livro que tem, no título, a profissão referida. Ao que parece, o livro já esgotou a primeira edição - apesar de só sair hoje.
 
Há uns anos, num encontro de escritores, Rui Zink - que muitos conhecem da televisão - queixava-se do facto de um concorrente de um 'reallity show' estar em primeiro lugar no top de vendas de livros. Entre as regras desse programa, referia Rui Zink, estava a proibição de ler. Na altura, pareceu-me uma alegoria de Saramago (que também estava no encontro): as pessoas que não leem, andam a escrever livros, para pessoas que também não leem. Sendo assim, porque é que estas compram esses livros? Creio que compram por impulso e que alimentam a esperança (sincera) de que um dia os irão ler. Quero reconfortar estas pessoas: não se martirizem por não lerem esses livros. Lembrem-se que aquelas pessoas, das capas dos livros, também não leem e algumas nem sequer os escrevem.

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Fora do tempo

por Miguel Bastos, em 23.09.20

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"Essa já foi fora do tempo", diz Jerónimo de Sousa, a sorrir. O secretário-geral acusa o toque, mas dá a vantagem ao infrator. Faz parte do jogo. A editora de política da Antena 1, Natália Carvalho​, tinha acabado de fechar a entrevista com um "Obrigado pela entrevista que, espero, não seja a última como secretário-geral do PCP". Jerónimo sorriu. Antes, tinha respondido à pergunta "Onde é que vai estar nos dias 3, 4 e 5 de Setembro de 2021?" com um "Espero que na Festa do Avante". "No palco, a discursar?", insistiu a jornalista, "Veremos quem será o secretário-geral". Jerónimo de Sousa acha que o atual Presidente da República quer impor um bloco central e admite votar contra o próximo Orçamento do Estado. Assume convicções firmes e posições que poderão ser contestáveis. Mas fá-lo sem gritar, com respeito pelos adversários. E sorri, quando podia fazer fita e atirar-se para o chão.

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Luís Filipe Costa

por Miguel Bastos, em 21.07.20

luis filipe costa.jfif

O telefone tocou. Do outro lado, a pergunta: "Sabes quem é que é o Luís Filipe Costa?" "Que Luís Filipe Costa?", perguntei, "O jornalista, o homem do comunicados do MFA?". "Esse mesmo", respondeu o meu chefe de então, "Preciso que me faças um perfil alargado, sobre ele, para um programa de homenagem que vamos fazer este fim de semana". "Mas, porque eu?", continuei a perguntar. "Porque, até agora, foste o único que soube logo de quem é que estamos a falar". Foi por essa altura, que fiquei a saber que o jornalista não foi "só" a voz da revolução na rádio, ele já tinha revolucionado a própria rádio. Luís Filipe Costa morreu, hoje, tinha 84 anos.

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Rádio

por Miguel Bastos, em 24.06.20

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Durante semanas e semanas, preparei o escritório cá de casa para que uma pobre e honesta televisão me convidasse para uma videochamada. Espanei paredes, dei brilho às estantes, aconcheguei os livros. Mas, depois, veio a rádio: rica, poderosa e sedutora. A rádio: vestida para matar, com os seus fios e os seus cabos. Eu sei que devia resistir, mas não consigo. A rádio é fraca.

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