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Madame Butterfly

por Miguel Bastos, em 15.07.21

Credo, Cio-Cio-San, você hoje está impossível! Pense no seu nome: "Cio-Cio" deve ser para fazer pouco barulho, não acha? Estou, aqui, a tentar ouvir o noticiário e você "oh, oh, oh, que me dói a alma"; "uh, uh, uh, que o meu marido americano nunca mais volta". Ouça, Cio-cio, eu também tenho as minhas dores, mas contenho-me. E preciso de trabalhar, percebe? Você diz que é uma Madame, mas, no fundo, porta-se como uma diva!

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Marco Paulo

por Miguel Bastos, em 14.07.21

auscultadores.jpg

Uns, para ouvir Antena 1
Outros, para ouvir Antena 2
"Eu tenho dois auscultadores", de Miguel Bastos
Sou uma espécie de Marco Paulo, da telefonia. Em fraquinho.

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Somos jovens

por Miguel Bastos, em 28.06.21

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"Nós somos jovens e temos direito a beber e a divertirmo-nos", dizia, ontem, um jovem, na televisão.
"Os mais jovens são os que mais estão a faltar à vacina", lamentava-se, hoje, um autarca, na rádio.
Jovem indignado com o horário de encerramento dos bares: tens razão, os bares fecham demasiado cedo. Vai para os cuidados intensivos. Estão abertos toda a noite. Claro que, depois, falhas a vacina, mas isto (já se sabe) não se pode ter tudo.

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O meu rádio

por Miguel Bastos, em 08.06.21

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O pessoal lá do meu rádio fez um "lifting" aqui ao meu posto emissor, com direito a maquinetas novas e tudo. 
Agora, falta, apenas, arranjar a cabeleira, a maquilhagem e a fatiota.
Enfim, coisas que melhoram a substância. Já se sabe que a rádio não liga a frivolidades.

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Fim do Mundo

por Miguel Bastos, em 18.05.21

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Estava eu a ouvir uma sinfonia de Dvořák, muito jeitosa, na minha telefonia (desculpem o termo, sou antigo) online (a fugir para o moderno), quando vejo as horas e ligo o transístor, noutro posto emissor, para ouvir o noticiário. Depois do noticiário, deixo ficar o transístor ligado mais uns minutos porque, entretanto, o Camané começou a cantar uma modinha dos Xutos e Pontapés muito agradável. Entretanto, o meu computador foi invadido por um "live" no Facebook, de uma senhora pianista que tocava uma variação com temas dos Beatles, que, não sei porquê, me lembrou Keith Jarrett. Enfim, uma mixórdia: tudo a tocar ao mesmo tempo. Não me sentia tão confuso desde o Jackpot 79. Nesse disco, o jovem Marco Paulo cantava a "Mulher sentimental", que eu desconfiava que era a Suzi Quatro - que entrava, logo a seguir. Mais à frente, a Lara Li dizia-se pronta para dançar o fandango, mas, na realidade, a cançoneta tinha um ritmo "disco sound". No fundo, um prelúdio, no mesmo ritmo, para uma rapsódia de canções de Amália no disco 2 do Jackpot. A sinfonia de Dvořák é conhecida como a "Sinfonia do Novo Mundo". À cacofonia, cá de casa, poderemos chamar "Fim do Mundo".

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Língua portuguesa

por Miguel Bastos, em 05.05.21

O programa "Portugueses no Mundo" está no ar, há vários anos, na Antena 1. Durante vários anos, a jornalista Alice Vilaça​ costumava perguntar: "De que é que tem mais saudades do nosso país?" As respostas variavam pouco: "da família", "dos amigos", "do sol", "do mar", "do bacalhau". Percebo, é difícil resistir ao bacalhau. Mas, e a língua? Falo da portuguesa, não a do bacalhau. A resposta "da língua" não era habitual. É estranho porque, quando saio de Portugal (basta uma semana), fico cheio de saudades da língua portuguesa, que está ligada ao bacalhau, mas é (ainda) mais saborosa. A minha pátria é a língua de Caetano a roçar na língua de Camões. Hoje, é dia de a celebrar.

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As monjas italianas

por Miguel Bastos, em 06.04.21

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"Vejam, era aqui que elas guardavam as 'samsonites'", disse, apontando para o pequeno espaço, junto ao catre. Estávamos dentro de uma cela, num antigo mosteiro, na américa latina. Vitória, com o seu ar de tia, revelava-se uma excelente camarada de viagem e era dotada de um surpreendente sentido de humor: "A julgar pelo espaço, não traziam muita bagagem, coitadas!" Dedicámos alguns minutos (poucos, que o tempo em viagem voa, ainda, mais rápido) a imaginar a vida daquelas religiosas. O que levaria alguém a deixar tudo, para se dedicar a uma vida de clausura, ali, longe de tudo e de todos? Que vida teriam tido aquelas mulheres até aí? E que vida passaram a ter? Teriam, todas, o mesmo tipo de motivações? Ou foram parar ao mesmo local, por diferentes motivações? Questões parecidas terão estado na origem desta reportagem sobre um conjunto de monjas, que deixaram Itália para uma vida nova, na Aldeia de Palaçoulo, em Trás-os-Montes.

https://www.rtp.pt/noticias/pais/grande-reportagem-antena-1-a-fe-do-silencio_a1309846

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Cabo Delgado

por Miguel Bastos, em 01.03.21

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Cabo Delgado tem estado longe das "gordas" dos jornais, da rádio e da televisão. Este trabalho, do enviado especial da Antena 1, Nuno Amaral, é uma ajuda importante para quebrar um silêncio que incomoda. A rádio - aquela que interessa e que importa - está aqui e agora, sempre; e no fim do mundo, quando é preciso. Ao fim e ao cabo, a rádio está onde deve estar: Cabo Delgado.

Pode ouvir aqui:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cabo-delgado-numero-de-deslocados-continua-a-aumentar_a1300813

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Obrigado, Carlos do Carmo

por Miguel Bastos, em 01.01.21

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Tinha havido uma alteração de agenda e Carlos do Carmo não poderia falar comigo. Expliquei que a entrevista já tinha sido anunciada e que tínhamos de ter um plano b. Acabámos por marcar uma entrevista telefónica, com a promessa, da minha parte, de que não poderia ser muito longa. O Carlos, explicaram-me, não gostava de falar muito tempo ao telefone. Respondi que precisava apenas de 10 minutos ao telefone. Gravámos 12 e dei a entrevista por concluída. "Foi uma conversa muito agradável, sabe?", disse-me o charmoso do outro lado da linha, "Porque se sente que gosta de ouvir. Que idade tem?". "Menos de quarenta", respondi. "Interessante. Estava a tentar perceber a sua idade e não estava a conseguir". "E posso saber, porquê?", perguntei. "Porque, geralmente, as pessoas mais novas não têm paciência para ouvir e as mais velhas já não tem curiosidade para perguntar. Você parece que tem as duas coisas". E, depois, ficámos a conversar mais de meia hora. Carlos do Carmo, o cantor que não gostava de falar ao telefone, acabou a perguntar-me "Estou-lhe a roubar muito tempo, não estou?". Eu disse-lhe que não e ele atalhou "De certeza que tem mais que fazer. Deixe-me pedir-lhe que nunca perca a curiosidade e o gosto por conversar". Desligámos o telefone. A entrevista durou os 10 minutos programados. O melhor ficou para mim. Obrigado.

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Árvores e floresta

por Miguel Bastos, em 15.12.20

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Há um ano, estava em Madrid, a acompanhar a Cimeira do Clima. Foram dias (e noites!) tão intensos que, tendo recebido uma boa notícia, nem tempo tive para a celebrar. O programa "Só neste país", dedicado ao pinheiro, tinha sido premiado na categoria de jornalismo florestal. Na reportagem que fiz, acompanhei Pedro Mónica Ribeiro - um vigilante apaixonado pelas questões ambientais - numa ação para recuperar um espaço florestal em Lousada, no distrito do Porto. A reportagem acabou por se alargar ao grupo de voluntários, dinamizado pela bióloga Milene Matos - pessoas que dão parte do seu tempo livre, para ajudar a criar um mundo melhor. Como tantos outros ali, em Madrid, onde me encontrava.

O programa pode ser ouvido aqui. (Reportagem ao minuto 26).

Só neste país

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