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Horário nobre

por Miguel Bastos, em 12.10.21

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"Não há dúvida, que a manhã continua a ser o horário nobre da rádio", dizia-me ele, "É lá que tens os melhores locutores, os melhores editores, os melhores repórteres, os melhores cronistas, as melhores rubricas". E continuava, "É evidente que é durante a manhã que as pessoas ouvem mais, e que o nosso trabalho tem mais visibilidade." "Ouve, é o período mais dinâmico, mais interessante". "Volto a dizer" (e dizia, com a mão direita a cortar o ar) "a manhã é o melhor horário da rádio." Coloca uma pausa dramática e deixa antever um sorriso: "É pena não ser de tarde."

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John Lennon

por Miguel Bastos, em 10.10.21

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Lembro-me que ouvi "Woman", pela primeira vez, na rádio. Talvez no programa de disco pedidos. Foi, também, na rádio que ouvi anunciarem a morte de John Lennon. E, hoje, a rádio lembrou-me que Lennon faria 81 anos. A efeméride fez-me voltar a "Double Fantasy". É o disco que tem "Woman" a tal canção, dedicada a Yoko Ono. De resto, todo o álbum é partilhado com Yoko Ono e aborda a vida familiar de ambos e do filho que geraram: Sean. Das canções mais clássicas, às mais experimentais, "Double Fantasy" ainda é um disco surpreendente. Em vez de um "Rest in Peace" estafado, resolvi não dar descanso ao John e trouxe-o para a rádio. Afinal, foi lá (foi cá) que nos conhecemos.

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Rádio

por Miguel Bastos, em 04.10.21

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A dada altura, deixei de reconhecer um estúdio de rádio. Primeiro, a digitalização levou as cassetes e os leitores de cassetes; depois, os discos e os gira-discos; de seguida, os CD e os leitores de CD e, finalmente, o papel. Alguns estúdios são tão asséticos, que mais parecem laboratórios ou salas de operação. O estúdio, que me acompanhou nos últimos meses, tem as maquinetas necessárias, meia dúzia de discos, mas, sobretudo, tem papel impresso. O papel é muito útil. Ajuda os ouvidos de quem ouve (melhora a acústica) e aquece o coração de quem fala (o meu, está visto). Agora, chega a hora de me despedir deste estúdio e regressar a um estúdio mais convencional. Desses, a fugir para o moderno.

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Adeus, Jorge Sampaio

por Miguel Bastos, em 10.09.21

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"Gosto e reivindico a capacidade de me comover". Jorge Sampaio rejeitava, assim, a imagem que lhe colocavam do político palavroso, intelectual, frio e distante. A culpa, dizia o próprio, era da cor do cabelo, que não disfarçava a ascendência britânica. Jorge Sampaio teria características dessa herança familiar: metódico, polido, educado, disciplinado, assertivo. Mas era também latino: afetuoso, sentimental, empático, solidário. Esta manhã, na Antena 1, uma antiga assessora referia que o (então) Presidente da República avisava sempre: não lhe pedissem para ser algo que ele não era; nem para dizer coisas que ele não sentia, nem concordava. O que, em política, não costuma dar bons resultados: nem eleitorais, nem de popularidade. Quando José Sócrates chegou à liderança do PS, Mário Soares chamou-lhe o "anti-Guterres". Jorge Sampaio terá sido o "anti-Soares". Não tinha as características que todos os políticos "têm" de ter: porque não queria ter, nem fingir que as tinha. Colocou-se, como era, à disposição do escrutínio e do sufrágio públicos. Prontificou-se a perder - se fosse necessário. Por vezes, perdeu. E, desse modo, a democracia ganhou sempre. Adeus.

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O Sr. Rádio

por Miguel Bastos, em 30.08.21

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Coisa rara: a rádio, nas páginas do jornal. O sr. Macedo, no Público, a falar da rádio - do direto e das diretas. Foi a ouvir rádio (Manuel Alegre, na Rádio Portugal Livre), que o jovem António descobriu a política. Antes, também a ouvir rádio, já tinha decidido o que queria ser quando fosse grande. O que foi (e é): um grande homem da rádio.

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Madame Butterfly

por Miguel Bastos, em 15.07.21

Credo, Cio-Cio-San, você hoje está impossível! Pense no seu nome: "Cio-Cio" deve ser para fazer pouco barulho, não acha? Estou, aqui, a tentar ouvir o noticiário e você "oh, oh, oh, que me dói a alma"; "uh, uh, uh, que o meu marido americano nunca mais volta". Ouça, Cio-cio, eu também tenho as minhas dores, mas contenho-me. E preciso de trabalhar, percebe? Você diz que é uma Madame, mas, no fundo, porta-se como uma diva!

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Marco Paulo

por Miguel Bastos, em 14.07.21

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Uns, para ouvir Antena 1
Outros, para ouvir Antena 2
"Eu tenho dois auscultadores", de Miguel Bastos
Sou uma espécie de Marco Paulo, da telefonia. Em fraquinho.

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Somos jovens

por Miguel Bastos, em 28.06.21

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"Nós somos jovens e temos direito a beber e a divertirmo-nos", dizia, ontem, um jovem, na televisão.
"Os mais jovens são os que mais estão a faltar à vacina", lamentava-se, hoje, um autarca, na rádio.
Jovem indignado com o horário de encerramento dos bares: tens razão, os bares fecham demasiado cedo. Vai para os cuidados intensivos. Estão abertos toda a noite. Claro que, depois, falhas a vacina, mas isto (já se sabe) não se pode ter tudo.

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O meu rádio

por Miguel Bastos, em 08.06.21

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O pessoal lá do meu rádio fez um "lifting" aqui ao meu posto emissor, com direito a maquinetas novas e tudo. 
Agora, falta, apenas, arranjar a cabeleira, a maquilhagem e a fatiota.
Enfim, coisas que melhoram a substância. Já se sabe que a rádio não liga a frivolidades.

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Fim do Mundo

por Miguel Bastos, em 18.05.21

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Estava eu a ouvir uma sinfonia de Dvořák, muito jeitosa, na minha telefonia (desculpem o termo, sou antigo) online (a fugir para o moderno), quando vejo as horas e ligo o transístor, noutro posto emissor, para ouvir o noticiário. Depois do noticiário, deixo ficar o transístor ligado mais uns minutos porque, entretanto, o Camané começou a cantar uma modinha dos Xutos e Pontapés muito agradável. Entretanto, o meu computador foi invadido por um "live" no Facebook, de uma senhora pianista que tocava uma variação com temas dos Beatles, que, não sei porquê, me lembrou Keith Jarrett. Enfim, uma mixórdia: tudo a tocar ao mesmo tempo. Não me sentia tão confuso desde o Jackpot 79. Nesse disco, o jovem Marco Paulo cantava a "Mulher sentimental", que eu desconfiava que era a Suzi Quatro - que entrava, logo a seguir. Mais à frente, a Lara Li dizia-se pronta para dançar o fandango, mas, na realidade, a cançoneta tinha um ritmo "disco sound". No fundo, um prelúdio, no mesmo ritmo, para uma rapsódia de canções de Amália no disco 2 do Jackpot. A sinfonia de Dvořák é conhecida como a "Sinfonia do Novo Mundo". À cacofonia, cá de casa, poderemos chamar "Fim do Mundo".

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