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Adeus, Jorge Sampaio

por Miguel Bastos, em 10.09.21

sampaio.jpg

"Gosto e reivindico a capacidade de me comover". Jorge Sampaio rejeitava, assim, a imagem que lhe colocavam do político palavroso, intelectual, frio e distante. A culpa, dizia o próprio, era da cor do cabelo, que não disfarçava a ascendência britânica. Jorge Sampaio teria características dessa herança familiar: metódico, polido, educado, disciplinado, assertivo. Mas era também latino: afetuoso, sentimental, empático, solidário. Esta manhã, na Antena 1, uma antiga assessora referia que o (então) Presidente da República avisava sempre: não lhe pedissem para ser algo que ele não era; nem para dizer coisas que ele não sentia, nem concordava. O que, em política, não costuma dar bons resultados: nem eleitorais, nem de popularidade. Quando José Sócrates chegou à liderança do PS, Mário Soares chamou-lhe o "anti-Guterres". Jorge Sampaio terá sido o "anti-Soares". Não tinha as características que todos os políticos "têm" de ter: porque não queria ter, nem fingir que as tinha. Colocou-se, como era, à disposição do escrutínio e do sufrágio públicos. Prontificou-se a perder - se fosse necessário. Por vezes, perdeu. E, desse modo, a democracia ganhou sempre. Adeus.

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Capital Europeia

por Miguel Bastos, em 12.07.21

tavora.jpg

Este fim-de-semana, fui ver a recuperação de uma obra de arquitetura. A obra é do pai do modernismo português, que sonhou fazer uma torre à americana, na minha aldeia. A recuperação é do filho, Bernardo Távora (este é biológico - Siza é só em sentido figurado), que me fez o favor de assinar o livro que documenta o trabalho de ambos. No mesmo dia, no mesmo edifício, foi, depois, homenageado Mário Sacramento, figura destacada na oposição ao salazarismo, que organizou os Congressos Republicanos de Aveiro e que foi agraciado, na semana passada, com a Ordem da Liberdade, pelo Presidente da República. Pacheco Pereira deu a contextualização histórica, o neto, Vasco, falou da parte emocional. Reencontro um amigo de infância, antigo jornalista do Diário de Notícias; um diretor da RTP, que conheci de guitarra a tiracolo; uma ilustradora, com uma interessante carreira internacional. Às vezes, a minha aldeia parece uma capital europeia. Só não tem uma torre à americana.
[Foto: Câmara Municipal de Aveiro]
 

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Jovem centenário

por Miguel Bastos, em 09.07.21

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António Sampaio da Nóvoa deixou de ser representante de Portugal na UNESCO. Foi exonerado, pelo Presidente da República, por limite de idade. Sampaio da Nóvoa, que chegou a ser adversário político de Marcelo Rebelo de Sousa, está velho: tem 66 anos. O jovem que o exonera tem 72.
 
Entende-se, portanto, que 66 anos é uma idade excessiva para trabalhar na Organização das Nações Unidas, sediada em Paris, que esta semana está a homenagear, com entusiasmo, os 100 anos de Edgar Mourin.
 
Revejo a capa, de ontem, do jornal francês "Liberation": o jovem Mourin interpela-nos “ne baissez pas le bras / não baixem os braços”. Não sei, querido Edgar, isto está difícil. Estamos cansados. Já não temos a sua idade. Enfim, só quem cá chega é que sabe...

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Parece que é surdo!

por Miguel Bastos, em 14.06.21

marcelo desconfina.jpg

"Comigo não vai haver" recuo no desconfinamento, afirmou, ontem, o Presidente da República, de forma perentória.
Lisboa pode recuar no desconfinamento, admitiu, esta manhã, o secretário de Estado Duarte Cordeiro, que coordena a resposta à COVID-19, na região de Lisboa.
Em que é que ficamos? Ficamos na incerteza. Pior, ficamos nas mãos de um vírus: que é um insurreto, um marginal, um mal-agradecido. É que não ouve ninguém. Nem o Presidente. Parece que é surdo! 

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Santos Populares

por Miguel Bastos, em 02.06.21

Vamos ter Santos Populares no Porto, mas não em Lisboa. O Presidente da Câmara do Porto acha que é possível festejar, com juizinho. O de Lisboa acha que não. Quanto ao Presidente da República, está no estrangeiro e não se quer pronunciar sobre o assunto. Mas, lembrou que não vai haver Festa do Livro, em Belém, para evitar aglomerações.

 

Outro Presidente, o do Brasil, quer receber a Copa da América, que estava prevista para a Argentina e Colômbia, países que desistiram da organização, por causa da pandemia. Podiam tentar convencê-lo a receber, também, os Santos Populares. E resolvia-se o problema. Já que santos da casa não fazem milagres...

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Saco azul

por Miguel Bastos, em 08.01.21

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"Eu tenho um saco azul", diz o candidato às presidenciais. Não é, presume-se, um caso para investigar, porque foi dito por Vitorino Silva, numa tertúlia com o presidente da República. O saco é de uma conhecida empresa multinacional. Normalmente, serve para guardar cobertores.

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Conto de Natal

por Miguel Bastos, em 14.12.20

Certo dia, uma estrelinha, em Belém, iMagina o nascimento de uma nova polícia...

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Fora do tempo

por Miguel Bastos, em 23.09.20

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"Essa já foi fora do tempo", diz Jerónimo de Sousa, a sorrir. O secretário-geral acusa o toque, mas dá a vantagem ao infrator. Faz parte do jogo. A editora de política da Antena 1, Natália Carvalho​, tinha acabado de fechar a entrevista com um "Obrigado pela entrevista que, espero, não seja a última como secretário-geral do PCP". Jerónimo sorriu. Antes, tinha respondido à pergunta "Onde é que vai estar nos dias 3, 4 e 5 de Setembro de 2021?" com um "Espero que na Festa do Avante". "No palco, a discursar?", insistiu a jornalista, "Veremos quem será o secretário-geral". Jerónimo de Sousa acha que o atual Presidente da República quer impor um bloco central e admite votar contra o próximo Orçamento do Estado. Assume convicções firmes e posições que poderão ser contestáveis. Mas fá-lo sem gritar, com respeito pelos adversários. E sorri, quando podia fazer fita e atirar-se para o chão.

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Fim da emergência

por Miguel Bastos, em 28.04.20

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O Presidente da República anunciou o fim do estado de emergência. E há muita gente preocupada. É compreensível. Quando a esmola é grande, o povo desconfina. [Foto: Manuel de Almeida/Lusa]

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