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Não dão nada a ninguém!

por Miguel Bastos, em 12.01.18

zenha e soares.jpg

 “Querem é tacho!” “Não ligam ao povo!” “Só pensam nos votos!” “Não dão nada a ninguém!” São os políticos: na versão ‘gajo de alfama’, ou na versão ‘homem do norte’. Todos iguais? Claro que não.

 

Salgado Zenha e Mário Soares. Eram da mesma barricada, da mesma luta, do mesmo partido. E muito diferentes. Zangaram-se por causa de Eanes, dividiram o PS, separaram-se. Zenha era parecido com Eanes. Gostava dele. Soares não. Nas presidenciais de 1986, os dois fundadores do PS concorreram, um contra o outro. Zenha tinha o apoio do, então, Presidente da República. Na biografia de Ramalho Eanes, de Isabel Tavares, a secretária de Eanes, que dirigiu a campanha de Zenha, conta uma história, hilariante.

 

“Tínhamos uns lenços verdes e vermelhos para trazer ao pescoço. Uma senhora chega perto de senha e pede-lhe o lenço. Ele responde: ‘Não dou, que este é meu.’ Eu vejo aquilo e faço menção de tirar o meu para lho dar. Diz ele: ‘Não, não dá que esse é seu. Olhe, minha senhora, já não há lenços, já não leva nenhum’ Ele era assim. Deve ter perdido muitos votos”. Pois deve. E para alguém, muito diferente, que pensava mais em votos e menos em lenços. 

 

Os políticos não são todos iguais. Mas é verdade: há políticos que não dão nada a ninguém. Normalmente, perdem eleições.

 

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Oprah

por Miguel Bastos, em 08.01.18

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Oprah poderá ser candidata à Casa Branca. Em 2020, a escolha será entre o talk show e o reality show. Vai-se votar com o comando. 

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Montes e Valls

por Miguel Bastos, em 09.05.17

Já se percebeu que a fé em Macron não move montanhas. Mas, Macron está disposto a ir por montes e Valls.

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Volta a França

por Miguel Bastos, em 24.04.17

volta a frança.jpg

Volta a França. Macron, Fillon, Mélenchon e Hamon: quatro candidatos com nomes terminados em “on”. Os três últimos terminaram a etapa, mas saíram da prova. O primeiro dos quarto quer vencer a Volta. A outra candidata, em prova, também quer vencer. Para acabar com tudo.

 

Olhando para a tabela classificativa:

 

Macron: venceu a etapa. Mas, não tem grande equipa. Aliás, não tem equipa: nem grande, nem pequena; nem boa, nem má; nem esquerda nem direita. Pedalou ao centro. Correu-lhe bem.

 

Le Pen: tem uma máquina bem oleada: É velha, mas parece nova. É uma escaladora: subiu bem à montanha. Mas derrapa, sempre, nos circuitos urbanos.

 

Fillon: guinou a direita, para a direita. Derrapou e caiu. Está por apurar a gravidade da lesão.

 

Mélenchon: optou pela pista da esquerda. É formosa, é segura, mas não ganha. Não se sabe quem é que ganha com isso.

 

Hamon: o PS apostou no melhor atleta para ganhar, e teve a sua maior derrota. A culpa é do treinador?

 

A Volta a França, continua. Agora com dois atletas. Fazem-se à estrada e aceleram. Correm contra o tempo.

 

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Tempo novo

por Miguel Bastos, em 14.03.16

Captura de ecrã 2016-03-14, às 00.21.08.png

Está aí o “tempo Novo”, de que falava Sampaio da Nóvoa. O tempo novo chegou, mas sem Nóvoa. As eleições legislativas já tinham dado uma derrota ao PS. Mas, mesmo assim, António Costa formou governo. Mesmo sem ter vencido, mesmo sem coligação. Mas com o apoio da esquerda, que esteve sempre fora do “arco da governação”. 

 

Depois disso, Marcelo venceu as eleições, sem depender da simpatia dos partidos que o apoiaram, ou toleraram. O “tempo novo”, começado com António Costa, seguiu, com Marcelo. A sua tomada de posse em vários atos, e em vários dias, apagou as últimas resistências. Em Lisboa, foi a pé para o Parlamento, teve uma cerimónia espiritual com as várias religiões e um espetáculo musical com músicos populares. No Porto, desfilou nos Aliados, telefonou para a Rádio Comercial e visitou o Bairro do Cerco, com a população a aclamar “Marcelo,Marcelo”.

 

Foi, também, no Porto (Gondomar, vá!), que o CDS elegeu a sucessora de Paulo Portas. Assunção Cristas vai-se distanciando do PSD e aproximando de António Costa , ao realçar que o voto útil já não faz sentido. O importante é quem tem condições de formar governo. Por isso, as pessoas devem votar no CDS e não no PSD.

 

Este é o “tempo novo”. Surpreendentemente, tem política. Quem diria?

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O riso de Marcelo

por Miguel Bastos, em 21.01.16

riso marcelo.jpg

José Miguel Júdice diz, hoje, no i, que "Marcelo teve de controlar a boa disposição". E acrescenta: “Os portugueses gostam pouco disso”. Pois é, somos o país do “muito riso, pouco siso”. Até porque, como dizia o meu pai, “não se brinca com coisas sérias”. Eu, que sempre gostei de brincar com coisas sérias, tentava argumentar que era divertido. Mas, o meu pai não achava graça nenhuma.

 

Os adversários implicam com o riso de Marcelo. Ri muito, porque não é um homem sério; porque diz uma coisa e o seu contrário; porque sempre foi de intrigas e partidas. Tudo para se rir. E Marcelo faz um esforço para se rir menos. Nota-se. Claro que, a chegar perto dos 70 anos, Marcelo já não pode ser o jovem traquinas dos tempos do Expresso ou da candidatura a Lisboa. Mas, é evidente que  teve de controlar a boa disposição”.

 

Portugal ainda tem um Presidente que não ri. Os portugueses, como “gostam pouco disso”, votaram nele. Mas, afinal, não gostaram assim tanto. Por isso, acho que o riso de Marcelo não é nem defeito, nem feitio. É uma alegria.

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O candidato Cândido

por Miguel Bastos, em 20.01.16

candidato candido2.jpeg

“Sorria, está na câmara do Cândido”. A frase do programa de apanhados, tem barbas. O candidato Cândido também. Mas não sorri. O candidato Cândido leva-se a sério. Deve ser o único.

 

O candidato Cândido já tinha ido a um debate na TVI24, apenas para dizer que não ia participar no debate. Ontem, na RTP, quando era questionado pelos jornalistas, não dava respostas. Disse que a sua campanha era descriminada pelos media, que não tinha espaço para debater as suas ideias, etc. E ele tem ideias. Por exemplo: tem ideia que Marcelo não foi à tropa; tem ideia que Paulo Morais não entregou as declarações ficais a tempo; tem ideia que Sampaio da Nóvoa não é licenciado em teatro. Para além de ideias, o candidato Cândido tem uma certeza: é o único que trata Costa por “tu”.

 

Exímio nas artes da oratória, Tino de Rans recusou a "intrigalhada" no debate e aproveitou para tratar a candidata Matias por “tu”. Marisa sorriu (e não foi para a câmara do Cândido). Ao pé do candidato Cândido, Tino é um político instintivo, perspicaz e sensato.

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E agora, Alfredo?

por Miguel Bastos, em 19.01.16

maria belem almeida santos.jpg

“E, ali, estão os nossos inimigos”, terá dito Churchill. “Na bancada dos trabalhistas?”, perguntou o interlocutor. “Não, esses são os nossos adversários”. Em democracia, não devia haver inimigos. Mas há. E, normalmente, estão na mesma casa.

 

Alfredo Barroso foi Chefe da Casa Civil, mas usa linguagem de caserna. Ontem, resolveu insultar Maria de Belém Roseira. A candidata à Presidência da República tinha dito que Almeida Santos era “o maior de todos os socialistas vivos”. Barroso, achou que Maria de Belém insultou o seu tio, Mário Soares, e chamou todos os nomes à candidata. Pelo caminho, ataca, até, o filho de Mário Soares.

 

É claro que, hoje, Maria de Belém não teria dito essa frase. Almeida Santos não será “o maior de todos os socialistas vivos” porque, entretanto, morreu. O que dirá, hoje, Alfredo Barroso?

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A mulher de César

por Miguel Bastos, em 18.01.16

presidenciais belem.jpg

Candidatos “independentes”, filiados num partido. Candidatos “independentes”, sem partido, mas com várias décadas de partido. Candidatos “do partido”, sem o apoio do partido.  Candidatos “sem partido”, com o apoio do partido. Estas presidenciais têm de tudo. Até candidatos “independentes”, com partido, sem o apoio do partido, mas com “recomendação” de mais do que um partido.

 

A velha discussão sobre a mulher de César (que “não basta ser séria, tem que parecer”) na política, não se aplica às eleições presidenciais. Porque há muitas variáveis a introduzir. Por exemplo: “quem é a mulher de César?”; “ela é (mesmo) casada com o César?”; “ele reconhece o casamento?”; “e ela?”, etc. Todas estas questões confundem o eleitorado, os partidos, os apoiantes, os comentadores e os próprios candidatos.

 

Poderíamos complicar (ainda mais) e perguntar “quem é César?”. Eu só conheço um. É de um partido e apoia um “candidato independente, sem partido”. Outros, do mesmo partido, não gostaram e apoiam outro candidato, que também é “independente”, mas do partido.

 

Esta é a campanha mais "independente" de sempre. E a mais aborrecida. No domingo, teremos um "independente" em Belém.

 

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O Tino

por Miguel Bastos, em 06.01.16

tino presidente.png

Entre os debates de ontem, vi uma entrevista. Foi ao candidato Vitorino Silva. Ninguém sabe quem é. É o Tino de Rans. Não deve faltar gente que tenha achado a entrevista divertida. Eu achei triste.

 

Pois é, não achei graça. Como não acho graça aos apanhados, às gafes em direto, a pessoas a cair na rua. O entrevistador, José Rodrigues dos Santos, esteve numa posição muito difícil. Tentou entrevistar Tino de Rans, como um candidato “normal”. Fez as perguntas que achou pertinentes, mas não obteve respostas. A dada altura Tino deixa escapar “Se me fizer perguntas sobre calcetaria, eu terei todo o gosto em responder.” Acontece que Tino não é candidato a calceteiro. É candidato a Presidente. E convinha dizer alguma coisa.

 

No rescaldo, José Manuel Fernandes questionava se fazia sentido haver candidatos que nem sequer têm a noção do que é ser Presidente da República. Tino pode ser candidato? Claro que pode. Não quer dizer que deva.

 

PS. Gostava de ter usado o título “Perder o Tino”. Infelizmente, já o tinha usado.

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