Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Língua portuguesa

por Miguel Bastos, em 05.05.21

O programa "Portugueses no Mundo" está no ar, há vários anos, na Antena 1. Durante vários anos, a jornalista Alice Vilaça​ costumava perguntar: "De que é que tem mais saudades do nosso país?" As respostas variavam pouco: "da família", "dos amigos", "do sol", "do mar", "do bacalhau". Percebo, é difícil resistir ao bacalhau. Mas, e a língua? Falo da portuguesa, não a do bacalhau. A resposta "da língua" não era habitual. É estranho porque, quando saio de Portugal (basta uma semana), fico cheio de saudades da língua portuguesa, que está ligada ao bacalhau, mas é (ainda) mais saborosa. A minha pátria é a língua de Caetano a roçar na língua de Camões. Hoje, é dia de a celebrar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Macho latino

por Miguel Bastos, em 28.04.21

casal da treta.jpg

Vamos ao estereótipo: camisa aberta, bigode, brilhantina e palito na boca. De piropo fácil e trocadilho picante, é um fala barato que canta de galo. O macho latino (dizem que, outrora, apreciado) passou de moda. Será? Despido do estereótipo visual, há um modo de ser e de estar que parece longe de estar extinto. Aquele "agarrem-me, senão eu mato-o", o "havia de ser comigo", a certeza de que "eu fazia isto e aquilo" - que só são ditos, porque sabe que nunca será com ele. Além de espalhar charme, o macho latino mostra-se valente e decidido. Mas é só um "gabarolas", um "pintarolas", quando não um "cobardolas".

Na versão moderna, em vez de dizer que fazia assim ou assado, passou a achar. Acha que o governo devia fazer assim e que a oposição devia fazer assado. Acha que os médicos assim e que os empresários assado. Que os professores isto e que os autarcas aquilo. Acha que este é um incompetente, aquele é burro, o outro tem cunha, aquilo é corrupção. E acha que se deve demitir, despedir, prender. E acha isto tudo sem saber ler nem escrever, nem estudar, nem fazer. No fundo, o macho latino deu lugar ao (como é que lhe hei de chamar?)... ao "acho latino". Parece-me um bom nome: acho latino. Acho eu...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Calamidade

por Miguel Bastos, em 27.04.21

O fim do Estado de Emergência é quase certo. Estejamos prontos a celebrar, com alegria, a chegada da calamidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Vai ficar tudo bem

por Miguel Bastos, em 23.04.21

GRADEAMENTO.jpg

A carrinha das obras está estacionada em cima da passadeira. Podia ser pior. Podia estar em cima do passeio. Podia, mas não pode: porque o lugar já está ocupado pelo pai devoto, que aguarda que o filho saia da catequese. Ao pé da escola, o senhor que acaba de urinar entre os contentores do lixo, atravessa a estrada, a fechar a breguilha, e começa a esbracejar porque, entretanto, uma senhora começou a apitar. Não devia esbracejar, porque, na realidade, a dita senhora não está a apitar para ele. Está a apitar para o autocarro de transporte escolar que parou junto à escola. Realmente, não faz sentido: um autocarro de transporte escolar, a parar junto a uma escola. De resto, a escola que nem devia estar ali - junto à estrada.
 
Vamos sair melhores da pandemia? Vamos, pois! Mas isto não é assim, de um dia para o outro. Por favor, vamos com calma - que a pandemia ainda agora começou. Pessoalmente, espero que não acabe tão cedo, porque precisamos de mais tempo para melhorar.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

Recuperação e Resiliência

por Miguel Bastos, em 22.04.21

nelson souza.jpg

6h51. Portugal entregou o Plano de Recuperação e Resiliência à Comissão Europeia.
António Costa, no Twitter, realçou que Portugal foi o primeiro Estado-Membro a apresentar o Plano.
Em comunicado, Ursula von der Leyen já saudou Portugal por este facto.
O que é que se passa, Portugal? A pandemia está-nos a levar a portugalidade?

[Foto: governo]

Autoria e outros dados (tags, etc)

E ainda, e sempre

por Miguel Bastos, em 20.04.21

carlos carmo.JPG

David Bowie morreu, há 5 anos. Antes de morrer, deixou um disco onde abordou a chegada da (sua) morte. Dizem que é uma obra-prima, mas confesso que, apesar de ter o disco, fiquei tão triste, que me faltou coragem para o ouvir.

 
Carlos do Carmo morreu, no primeiro dia deste ano. E também deixou um disco. Mas, ao contrário do que aconteceu com o disco de Bowie, ando a ouvi-lo, repetidamente. Não sei bem porquê. Talvez porque a morte de Carlos do Carmo não tenha sido uma surpresa: sabíamos da fragilidade da sua saúde; sabíamos que tinha feito várias operações, delicadas. O "charmoso" já se tinha despedido algumas vezes - antes dessas operações - dizendo que não sabia se voltava. Dizia até, com graça, que o seu corpo já não tinha peças originais. Em 2019, anunciou, publicamente, que não iria voltar aos palcos.
 
"E ainda" - o novo disco - está longe de ser ligeiro. Tem o peso da grande poesia: de Herberto Hélder, Saramago e Sophia. Mas tem, também, a luminosidade de Vasco Graça Moura, numa "Mariquinhas" na idade da internet; ou de Júlio Pomar, a fazer troça do Portugal do "pão e vinho" requentado, dos tempos da troika.
 
"E ainda" é um disco pequenino (23 minutos), de um grande artista. Vem acompanhado de outro disco, ao vivo, chamado "Obrigado". Obrigado, nós, Carlos do Carmo. E até já, até logo, até sempre.
 
(Há, ainda, uma edição com o registo, em DVD, dos concertos e da gravação de "E ainda".)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Caridade

por Miguel Bastos, em 15.04.21

A Dinamarca prepara-se para oferecer as vacinas da AstraZeneca aos países pobres. Querem fazer um dois em um: evitar tromboses e mostrar que têm bom coração. Lembrei-me duma canção de José Barata-Moura tão atual, que lembra a solidariedade mais antiga do mundo: a caridadezinha.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Melhor e pior

por Miguel Bastos, em 18.03.21

Covid-19. Portugal é, hoje, o país da União Europeia com menos novos casos por 100 mil habitantes. O que é que isto nos diz? Bem, antes de mais, convém dizer que é melhor ser "o melhor", do que ser "o pior". Certo? Mas convém, também, lembrar que fomos "os piores", há bem pouco tempo. Tivemos, até, direito ao discurso indignado e acusatório de um ex-presidente, eternamente obcecado com a ideia de "pelotão da frente". Portanto, não vale a pena embandeirar em arco com os dados mais recentes. Da mesma forma que não vale a pena gritar que o barco está a afundar-se, quando o que é importante é pegar no balde e tirar a água do convés. Não somos os melhores, nem somos os piores. Somos como os outros: subimos e descemos nos números, avançamos e recuamos, resistimos, erramos, caímos ao chão, levantamo-nos. No final, eu também acho que "vai ficar tudo bem". O problema é que não sabemos quando é que chegamos ao fim, como é que chegamos, e, pior ainda, sabemos que não vamos chegar todos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Desfolhar

por Miguel Bastos, em 18.03.21

Quando eu era mais novo, gostava muito de desfolhar livros. Mas, depois, chegaram os talibãs a dizer "isso não se diz" e mais não-sei-quê. Passei, então, para as canções. Andei anos a traulitar a "Folheada", da Simone. Ainda gosto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Coisa ruim

por Miguel Bastos, em 18.02.21
Stay away, take away.

On demand, on delivery.

Drive in, drive through, walk through.

Task force, briefing, webinar.

Felizmente, a coisa ruim é lá na América.

God bless, ou santinho, ou lá o que é.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Maio 2021

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D