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Suma importância

por Miguel Bastos, em 07.09.21

Quando ouço a expressão "suma, importância", penso sempre que alguém está a mandar a importância embora: "suma, importância"; "desapareça!" Sei que o significado é o oposto. Mas só sei isso, passados dois ou três segundos. E corro sempre o risco de, entretanto, a importância se ter sumido. E é isto. Fui. Sumi.

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Os "bês" e os "vês"

por Miguel Bastos, em 18.08.21

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Nós, os de Aveiro, não trocamos os "bês" pelos "vês". Sabemos que os "vês" existem. São consoantes mudas: veem-se, mas não se ouvem. Com o amor, é o contrário. É um fogo que não se vê, mas que se ouve: por exemplo, nas canções do Cid.

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Língua portuguesa

por Miguel Bastos, em 05.05.21

O programa "Portugueses no Mundo" está no ar, há vários anos, na Antena 1. Durante vários anos, a jornalista Alice Vilaça​ costumava perguntar: "De que é que tem mais saudades do nosso país?" As respostas variavam pouco: "da família", "dos amigos", "do sol", "do mar", "do bacalhau". Percebo, é difícil resistir ao bacalhau. Mas, e a língua? Falo da portuguesa, não a do bacalhau. A resposta "da língua" não era habitual. É estranho porque, quando saio de Portugal (basta uma semana), fico cheio de saudades da língua portuguesa, que está ligada ao bacalhau, mas é (ainda) mais saborosa. A minha pátria é a língua de Caetano a roçar na língua de Camões. Hoje, é dia de a celebrar.

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Cair a máscara

por Miguel Bastos, em 24.09.20

Lembram-se quando "deixar cair a máscara" era, apenas, uma expressão idiomática? Ai, que saudades...

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Fora da Caixa

por Miguel Bastos, em 28.07.20

É estranho, mas só agora é que "realizei": quando ouço a expressão "fora da caixa", saio da minha "zona de conforto".

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Dia de Portugal

por Miguel Bastos, em 10.06.20

erros meus.jpg

"O meo fim de semana foi só bricar, ver firmes e fazer preguissa". Caro Luís Vaz, será que consegues ajudar o meu aprendiz da língua de Camões? Hoje não, evidentemente, que é o teu dia. Mas, talvez para a semana ou assim... Lembrei-me de ti, porque causa daquela coisa do "Erros meus, má fortuna"... 

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A mesma língua

por Miguel Bastos, em 04.12.15

jimmy daniel.jpg 

Hoje, estive a ver o “The Tonight Show”, com Jimmy Fallon. O seu primeiro convidado foi o actor Daniel Radcliffe. Depois, veio Chris Packham, autor de programas sobre animais, na BBC. E, finalmente, a convidada musical foi Ellie Goulding. “Que engraçado”, pensei, “três britânicos seguidos num programa de televisão americano.” Estava eu a pensar nisso, quando Jimmy Fallon disse, com graça, que o Jonathan Ross devia estar cheio de inveja. Jonathan Ross também é um humorista com um talk show.

 

Desliguei a televisão e pus-me a pensar porque é que não temos exemplos destes em Portugal. A propaganda fala-nos de uma das línguas mais faladas do mundo, com cerca de 280 milhões de falantes. Mas, depois, não falamos muito uns com os outros. É claro que há um problema de assimetria: destes 280 milhões, 200 são brasileiros. E, diz-se, eles não percebem os portugueses. Mas, basta ouvir a conversa entre Jimmy Fallon e Daniel Radcliffe, para concluir que o inglês deles é muito diferente. E que isso não impede que se entendam.

 

A circulação de artistas e dos seus produtos é fundamental para o crescimento da língua e da cultura de expressão portuguesa. É uma pena que esta evidência não seja evidente para todos.

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Para que é que votamos?

por Miguel Bastos, em 21.10.15

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Nunca sabemos porque é que os eleitores votam como votam. Hoje, no DN, o jornalista Ferreira Fernandes diz que “Não foi para isto que eu votei no PS”. Então, foi para quê? Votou no PS, para que o PS deite abaixo umas casas que lhe “estragam a paisagem". Cada português vota como vota, por motivos diferentes. Há quem tenha votado no PS, porque tem um filho desempregado. Há quem vote no PSD, pelo mesmo motivo - mas a culpa foi do Sócrates.

 

A democracia é um sistema curioso. Há muitas pessoas a votar no mesmo sentido, por motivos diferentes. E muita gente a votar em sentidos diferentes, pelo mesmo motivo. Por isso, é preciso ter muito cuidado com as interpretações abusivas. Quando ouço políticos, jornalistas ou comentadores a dizerem que “os portugueses querem” isto ou aquilo, sinto-me espanhol.

 

Portanto, nem “os portugueses” quiseram um governo da coligação; nem “os portugueses” querem uma maioria de esquerda. Há uma percentagem de portugueses que quer uma coisa, e várias percentagens de portugueses que querem outras coisas. O resto, como diz Fernandes, são “surpresas do caraças”

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Os Campeões de Portugal

por Miguel Bastos, em 18.05.15

jorge jesus.jpg

 

O Benfica é o novo campeão de Portugal. Se eu percebesse de futebol (pelo menos um bocadinho) poderia discutir a presidência de Luís Filipe Vieira, a liderança de Jorge Jesus, ou o nível do plantel. Ou então, os deméritos dos adversários. Mas, não é o caso.

 

No entanto, acho alguma graça ao personagem Jorge Jesus. E não deixo de reparar que ele (apesar de todas as dificuldades com a língua portuguesa) é português. Ao que parece, um bom português. Acaba de conquistar mais um título para o Benfica. E pela segunda vez, consecutiva.

 

Ao passar os olhos pelos jornais de hoje vejo outros treinadores portugueses campeões: André Villas-Boas é campeão, na Rússia, e Paulo Sousa, na Suíça. Juntam-se, assim, a Vítor Pereira, na Grécia, e José Mourinho, em Inglaterra.

 

Temos jogadores e treinadores espalhados pelos melhores clube do mundo. Acho que não restam dúvidas. Somos bons no futebol. Devemos ter orgulho nisso.

 

PS: Obrigado ao Sapo por ter promovido a discussão sobre o Acordo ortográfico. E obrigado a todos os que discutiram o meu último post.

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O desacordo ortográfico

por Miguel Bastos, em 14.05.15

abaixo_aborto_ortografico.png

Trabalhei numa redacção onde havia autocolantes destes, colados nas gavetas da secretárias. Havia um que falava no Cavaco. Estávamos no início dos anos 90. Podia ser hoje.

 

A língua desperta paixões. As pessoas ficam empolgadas, crispadas, zangadas, por causa do Acordo Ortográfico (AO). E, no entanto, não houve uma discussão séria.

 

Aparecem cidadãos indignados nos vox pop dos media. Colunas de jornal, assinadas  por escritores e jornalistas, com a indicação “escreve segundo a antiga grafia”. Os sábios da língua desapareceram na sua erudição. Os políticos acham que o problema é técnico e não político. É o que dá termos políticos que falam em “malabarices” e “cidadões”.

 

Ora, a questão é obviamente política. (A ideia não era aproximar as diferentes formas de escrever português?) Temos um novo AO a vigorar em Portugal, com os outros países lusófonos ainda a pensar no assunto. O objectivo era ter uma grafia, mas, para já, só acrescentámos mais uma.

 

A língua muda, a ortografia também. Não é preciso ler uma carta de foral ou uma cantiga de amigo. Basta um texto do início do século passado. Houve duas revisões da ortografia depois disso. E ninguém morreu.

 

Era preciso uma discussão séria. Mas ninguém discute, porque toda a gente já sabe tudo.

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