Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A mesma língua

por Miguel Bastos, em 04.12.15

jimmy daniel.jpg 

Hoje, estive a ver o “The Tonight Show”, com Jimmy Fallon. O seu primeiro convidado foi o actor Daniel Radcliffe. Depois, veio Chris Packham, autor de programas sobre animais, na BBC. E, finalmente, a convidada musical foi Ellie Goulding. “Que engraçado”, pensei, “três britânicos seguidos num programa de televisão americano.” Estava eu a pensar nisso, quando Jimmy Fallon disse, com graça, que o Jonathan Ross devia estar cheio de inveja. Jonathan Ross também é um humorista com um talk show.

 

Desliguei a televisão e pus-me a pensar porque é que não temos exemplos destes em Portugal. A propaganda fala-nos de uma das línguas mais faladas do mundo, com cerca de 280 milhões de falantes. Mas, depois, não falamos muito uns com os outros. É claro que há um problema de assimetria: destes 280 milhões, 200 são brasileiros. E, diz-se, eles não percebem os portugueses. Mas, basta ouvir a conversa entre Jimmy Fallon e Daniel Radcliffe, para concluir que o inglês deles é muito diferente. E que isso não impede que se entendam.

 

A circulação de artistas e dos seus produtos é fundamental para o crescimento da língua e da cultura de expressão portuguesa. É uma pena que esta evidência não seja evidente para todos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Para que é que votamos?

por Miguel Bastos, em 21.10.15

urna3 voto.jpg

Nunca sabemos porque é que os eleitores votam como votam. Hoje, no DN, o jornalista Ferreira Fernandes diz que “Não foi para isto que eu votei no PS”. Então, foi para quê? Votou no PS, para que o PS deite abaixo umas casas que lhe “estragam a paisagem". Cada português vota como vota, por motivos diferentes. Há quem tenha votado no PS, porque tem um filho desempregado. Há quem vote no PSD, pelo mesmo motivo - mas a culpa foi do Sócrates.

 

A democracia é um sistema curioso. Há muitas pessoas a votar no mesmo sentido, por motivos diferentes. E muita gente a votar em sentidos diferentes, pelo mesmo motivo. Por isso, é preciso ter muito cuidado com as interpretações abusivas. Quando ouço políticos, jornalistas ou comentadores a dizerem que “os portugueses querem” isto ou aquilo, sinto-me espanhol.

 

Portanto, nem “os portugueses” quiseram um governo da coligação; nem “os portugueses” querem uma maioria de esquerda. Há uma percentagem de portugueses que quer uma coisa, e várias percentagens de portugueses que querem outras coisas. O resto, como diz Fernandes, são “surpresas do caraças”

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os Campeões de Portugal

por Miguel Bastos, em 18.05.15

jorge jesus.jpg

 

O Benfica é o novo campeão de Portugal. Se eu percebesse de futebol (pelo menos um bocadinho) poderia discutir a presidência de Luís Filipe Vieira, a liderança de Jorge Jesus, ou o nível do plantel. Ou então, os deméritos dos adversários. Mas, não é o caso.

 

No entanto, acho alguma graça ao personagem Jorge Jesus. E não deixo de reparar que ele (apesar de todas as dificuldades com a língua portuguesa) é português. Ao que parece, um bom português. Acaba de conquistar mais um título para o Benfica. E pela segunda vez, consecutiva.

 

Ao passar os olhos pelos jornais de hoje vejo outros treinadores portugueses campeões: André Villas-Boas é campeão, na Rússia, e Paulo Sousa, na Suíça. Juntam-se, assim, a Vítor Pereira, na Grécia, e José Mourinho, em Inglaterra.

 

Temos jogadores e treinadores espalhados pelos melhores clube do mundo. Acho que não restam dúvidas. Somos bons no futebol. Devemos ter orgulho nisso.

 

PS: Obrigado ao Sapo por ter promovido a discussão sobre o Acordo ortográfico. E obrigado a todos os que discutiram o meu último post.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O desacordo ortográfico

por Miguel Bastos, em 14.05.15

abaixo_aborto_ortografico.png

Trabalhei numa redacção onde havia autocolantes destes, colados nas gavetas da secretárias. Havia um que falava no Cavaco. Estávamos no início dos anos 90. Podia ser hoje.

 

A língua desperta paixões. As pessoas ficam empolgadas, crispadas, zangadas, por causa do Acordo Ortográfico (AO). E, no entanto, não houve uma discussão séria.

 

Aparecem cidadãos indignados nos vox pop dos media. Colunas de jornal, assinadas  por escritores e jornalistas, com a indicação “escreve segundo a antiga grafia”. Os sábios da língua desapareceram na sua erudição. Os políticos acham que o problema é técnico e não político. É o que dá termos políticos que falam em “malabarices” e “cidadões”.

 

Ora, a questão é obviamente política. (A ideia não era aproximar as diferentes formas de escrever português?) Temos um novo AO a vigorar em Portugal, com os outros países lusófonos ainda a pensar no assunto. O objectivo era ter uma grafia, mas, para já, só acrescentámos mais uma.

 

A língua muda, a ortografia também. Não é preciso ler uma carta de foral ou uma cantiga de amigo. Basta um texto do início do século passado. Houve duas revisões da ortografia depois disso. E ninguém morreu.

 

Era preciso uma discussão séria. Mas ninguém discute, porque toda a gente já sabe tudo.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Junho 2019

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D