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Semear Joy Division

por Miguel Bastos, em 06.07.18

ricardo camacho.jpg

David Ferreira conta, hoje, que Ricardo Camacho começou a produzir discos, com a ideia de semear os Joy Division em Portugal. A primeira experiência foi a canção "Foram cardos, foram prosas": letra de Miguel Esteves Cardoso, música de Ricardo Camacho, voz de Manuel Moura Guedes. Tocam Vítor Rua e Toli, dos GNR. A beleza da coisa é que, apesar de soar a Joy Division, a canção tem uma melancolia, profundamente portuguesa. Ricardo Camacho iria explorar e aperfeiçoar a sonoridade com Né Ladeiras, António Variações e a Sétima Legião. O Ricardo era um génio. Era mesmo.

https://www.rtp.pt/play/p955/e355229/david-ferreira-a-contar

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Ricardo Camacho

por Miguel Bastos, em 04.07.18

setima legiao.jpg

Eu: Dr. Ricardo Camacho obrigado pelos seus esclarecimentos.

 

Ricardo Camacho: Ora essa, não sei se gostava de fazer mais alguma pergunta...

 

Eu: Gostar, gostava... mas era sobre a Sétima Legião.

 

Ricardo Camacho: Presumo que tenha que ser noutra altura.

 

Eu: Sim, terá que ser noutra oportunidade.

 

Não houve outra oportunidade. Que pena.

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Quente e fio

por Miguel Bastos, em 12.06.18

barco mudar de vida.jpg

“Portugal vive de costas para o mar”, dizia o orador. “Basta andar meia dúzia de quilómetros, para o interior, e vemos os portugueses agachados, a cavar a terra”. Aquilo estava-me a irritar. “Aliás, nem é preciso tanto. Os próprios pescadores têm que cavar umas batatinhas e umas couves no quintal, para compensar a falta de rendimento”. A sério, senhor orador? E o que me diz, por exemplo dos nosso valentes do bacalhau? “São excepções”, respondeu o antropólogo encartado. Teria razão?

 
O discurso sobre as pescas está carregado de mitos: a herança dos descobrimentos, a riqueza da nossa costa, a epopeia do bacalhau. Pensem nas duas últimas. Se a nossa costa fosse assim tão rica, que necessidade teríamos nós de ir pescar para o Canadá?
 
Temos, ainda, uma visão das pescas moldada pelo Estado Novo. E deixámo-nos levar pela cantiga de que foi a Europa que nos destruiu as pescas. Não foi. Foi uma conjugação de fatores. O principal fator: a falta de peixe - que levou a políticas de defesa nacionais e internacionais, em todo o mundo. Outras coisas que faltaram: modernização de frotas e técnicas, investigação científica, definição de políticas. E políticos, que não pescam nada. Em pouco mais de 100 páginas, o livro “As pescas em Portugal”, de Álvaro Garrido, explica isto tudo. É uma análise fria, de um tema que costuma ser discutido de cabeça quente.

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Carolina Dislates 

por Miguel Bastos, em 11.05.18

carolina.jpg

A Carolina não me interessa. Entrou no Ídolos. Cantou com o filho do Tony Carreira. Lançou um disco meias tintas, em português. E um disco a-armar-ao-pingarelho, em inglês. A Carolina escarrapacha a sua vida no Facebook e põe fotos intimas no Instagram. E tem muito seguidores. E é assunto: nas páginas da imprensa cor-de-rosa e nos programas rosa choque da televisão. Provoca críticas e responde às críticas. A Carolina tem umas tatuagens esquisitas. E exibe sardas e óculos e estrias e celulite e filhos. A Carolina diz e faz dislates.

 

Mas, a Carolina é "três mulher numa só", como na canção do Godinho, "ar de menina, sapiência de avó". Carolina usou a sua vida para criar um disco terno, intimista, simples e sofisticado. Fala de amor, dos filhos, da família. Chama-se "Casa" e é uma maravilha. Carolina tem talento, muito talento. Canta bem (isso eu já sabia); escreve boas letras e excelentes melodias; tem arranjos maravilhosos e uma produção irrepreensível. Faz uma bela dupla com Diogo Clemente. 

 

"Casa" é das melhores coisas que ouvi nos últimos tempos. E, afinal, quem diz dislates sou eu. 

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Ter a nação

por Miguel Bastos, em 10.05.18

aqui nasceu.jpg

"Que nação queremos ser?", pergunta a jornalista no artigo. "Uma startup nation? Uma green nation? Ou uma innovative nation?” Uma nação, respondo eu, é isso que queremos ser. Eu sei que o conceito provoca comichão. Porque o nacionalismo volta a assustar. Porque o conceito tem vindo a mudar. Porque diferentes etnias ou religiões convivem, cada vez mais, numa nação. Mas há uma base comum: território, tradições, valores ou língua.

 
Portanto, uma nação não é um "business plan", nem uma "marketing strategy". É uma coisa que existe (antes, durante e depois) destes termos de importação da moda. Não perceber isto, é não ter a mínima noção. Ou a mínima "notion", ou lá o que é...

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Olha a bola, Miguel

por Miguel Bastos, em 03.05.18

miguel maia.jpeg

O Sporting é campeão de voleibol. Quebra um jejum de 24 anos. Nessa altura, em que ganhava coisas, o Sporting tinha um atleta chamado Miguel Maia. Agora, mais de 20 anos depois, voltou a ser campeão, com o mesmo atleta. Miguel Maia, tem 47 anos e uma carreira surpreendente. Foi campeão, pela primeira vez, com a equipa que ajudou a subir à primeira divisão (Académica de Espinho). Mudou-se para o Sporting e foi tricampeão. Voltou à sua terra natal e conquistou mais 11 campeonatos (pelo Sporting de Espinho). De regresso ao Sporting, volta a ser campeão (e vão 16!).

 

Miguel Maia brilhou, ainda, no voleibol de praia, com João Brenha. Estiveram nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996), Sydney (2000) e Atenas (2004). Chegaram, por duas vezes, à beira do pódio (4º lugar). A dupla acabou, porque João lesionou-se. Miguel teve mais sorte. Mas a sorte, não retira o mérito a Miguel Maia.

 

Na canção de José Barata-Moura, a bola do Manel foi-se embora, fugiu. A bola do Miguel não fugiu, que ele não deixou. Não sei se o desporto é isto. Mas, sei que devia ser.

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Dentro e fora

por Miguel Bastos, em 27.03.18

puigdemont detido.png

Em Portugal, dizemos que são escapadinhas. O slogan é “vá para fora, cá dentro”.

Em Espanha, as escapadinhas têm outro slogan: “vá para dentro, lá fora”.

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Bacalhau com todos

por Miguel Bastos, em 26.03.18

ana bacalhau.jpg

Este não é um texto sobre gastronomia. É, apenas, um trocadilho básico, para falar de Ana Bacalhau. A própria encomendou uma letra a Capicua, para brincar com o seu nome, numa canção que funde hip-hop com música tradicional portuguesa. De resto, o seu primeiro disco a solo “Em nome próprio” está cheio de misturas: de estilos e de autores, novos e talentosos.

 
Faltava a prova ao vivo. Tive-a neste fim-de-semana. A cantora voltou a misturar. Desta vez, as canções do seu disco, com clássicos de Fausto, Trovante, Carlos do Carmo (Ary dos Santos / Paulo de Carvalho) e António Variações. Mas separou as águas, ao evitar canções da Deolinda. E agitou as águas, para não ficar em águas de bacalhau. Não gostei de tudo, mas apreciei-lhe a vontade de arriscar.
 
Ana Bacalhau é um exemplo do bom momento da música portuguesa. Um dos melhores períodos, de sempre. Que celebra o novo, apoiada num lastro que, durante muito tempo, foi ignorado. Porque todos queriam parecer modernos.
 
Mas, ser moderno não é comer fast food, como todos. Ser moderno, é gostar de Bacalhau, com todos.

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União Nacional

por Miguel Bastos, em 12.03.18

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Marine Le Pen mudou o nome do partido que lidera, para "União Nacional". Podia ter sido uma bela homenagem ao Portugal, do Estado Novo. Mas, no mesmo congresso, suspende um luso descendente, por ser racista. Esta gente confunde-nos.

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/marine-le-pen-frente-nacional-passa-a-uniao-nacional_n1063224

 

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Selfie made man

por Miguel Bastos, em 09.03.18

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É Presidente há dois anos. Mas, há mais de 50 que se faz à fotografia. Marcelo é um selfie made man.

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