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Pechinchas

por Miguel Bastos, em 12.07.18

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Como qualquer sopeira, gosto de pechinchas. Por exemplo, gosto de visitar uma certa loja francesa, para comprar a preços do chinês. Peguei no disco "Givin' It Up" de George Benson e Al Jarreau, porque estava barato. O disco abre com um clássico de cada um. O que é mais engraçado é que Jarreau "vocaliza" um instrumental de Benson (Breezin') e Benson "instrumentaliza" um tema de Jarreau (Morning). Mas é mais do que isso. Benson é um guitarrista de jazz que, progressivamente, se foi tornando cantor. Jarreau não é, apenas, um cantor. É um instrumentista genial, que toca voz. Morreu no ano passado e a maioria das pessoas apenas se lembrava do tipo que cantava a música do "Modelo e detetive". Benson e Jarreau têm outra coisa em comum: um talento enorme que, por vezes, foi abafado por opções artísticas duvidosas.

 
Neste disco, de 2006, os dois músicos - que andaram sempre entre o jazz, a soul e a pop -  estão em grande forma. Nota-se a cumplicidade e a despreocupação com o sucesso comercial. Juntam um clássico do jazz (God bless the child, de Billie Holiday), com um tema de soft rock (Summer Breeze, dos Seals and Crofts). Reconhecem, instantaneamente, um clássico soul (Ordinary People, de John Legend). Terminam com o "beatle" Paul McCartney, a cantar Sam Cook.
 
Só não estou mais feliz, por causa do peso na consciência. Afinal, um Euro é um bocado de menos...

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Ler Norman Mailer

por Miguel Bastos, em 02.02.18

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Levei mais de 30 anos para seguir o conselho de Lloyd Cole: "Read Norman Mailer", cantava ele em "Are you ready to be heartbroken". Convenhamos, o jovem Lloyd parecia uma enciclopédia. Debitava nomes e obras, à velocidade da luz: Arthur Lee, Simone de Beauvoir, Renata Adler, Eva Marie Saint. Tinha ali, num disco de música pop, matéria para ler, ver e ouvir até à idade da reforma. 

 

No terceiro disco, Cole falou de Sean Penn e Madonna. "Sempre a descer", pensei eu. Mal. Entretanto, apaixonei-me pelos dois. Norman também, ao que parece. É famosa a sua entrevista a Madonna. Que eu li enquanto pensava: "Ainda não li Norman Mailer".

 

Demorei mais de 20 anos a comprar o livro "Os nus e os mortos". A primeira obra de Mailer comemorava , então, 60 anos. O autor tinha morrido no ano anterior. Depois, o livro ficou 10 anos a apanhar pó na prateleira. O livre é grande (mais de 700 páginas) e suspeitava que fosse denso. Não me enganei. É grande. É denso. E é uma obra-prima. 

 

Mais de 30 anos depois, devia agradecer a Lloyd. Está velho, como o Norman quando era mais novo, mas bem vestido. Eu não. Serão precisos 30 anos para a próximo verso: "Get a new tailor"? 

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O George fazia música

por Miguel Bastos, em 27.12.16

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Quando eu era mais novo, tinha amigas que decoravam o quarto e os cadernos com fotos dos Wham!. "Coitadas!", pensava eu. Depois, o George fez-se homem e começou a gostar de homens. Coitado! Com tantas gajas boas à volta e deu-lhe para aquilo. Não nos encontrávamos. Quando o George estava nos Wham!, eu ouvia Pink Floyd. Quando deixou crescer a barba à homem, eu ouvia Cure e Joy Division.

 

Em 1990, perdi o pé. George fez um disco do caraças e eu fiquei sem saber o que fazer à minha vida. Deveria eu sair do armário, onde guardava os meus trajes negros urbano-depressivos? Sim, ou não? Saí. "Ouçam-me sem preconceitos", gritava, baixinho, George Michael. Eu ouvi. Afinal, George tinha música boa. "Listen Without Prejudice Vol.1" é um grande disco. George é um grande músico.

 

Pois, caso não se tenham apercebido, o George fazia música. E boa. Muito boa.

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Paquete de Oliveira

por Miguel Bastos, em 12.06.16

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Paquete de Oliveira chegou até mim como estrela pop. Ouvi-o, em disco, entre guitarras distorcidas, experimentações sónicas, défice de técnica musical disfarçado de avant garde. No final do anos 80, as bandas de rock começaram a ser substituídas por projetos. Os Pop Dell’Arte e a Ama Romanta eram dois projetos de João Peste. Artista visionário, cantor, performer, intelectual, sociólogo. Paquete fora professor de Peste. Era sociólogo e entrava num disco. Eu não sabia se era jovem ou velho; intelectual distante ou mundano ou, mesmo, se tinha projetos.

 

Mais tarde, conheci Paquete. Era meu professor. Nessa altura, eu já sabia que era um sociólogo especialisado em media, comunicação e jornalismo. Agia como professor, falava com professor. Cuidava de nós. Falou do bar e da cantinas. De salas e bibliotecas. De fotocópias e estacionamento. Nessa altura, já era uma pessoa conhecida do grande público. Escrevia em jornais, aparecia em programas de televisão. Era um ancião sábio e sereno e, no entanto, cheio de inquietude. Mas, sobretudo, era o mais moderno de todos nós. A maioria dos alunos, continuava com projetos e contactos e ideias. Os anos 80 tinham acabado e nós não sabíamos. Paquete sabia, claro. Era, mesmo, sociólogo.

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Bye Bye Bowie

por Miguel Bastos, em 11.01.16

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“Beatles ou Stones?”, perguntava alguém. “David Bowie”, respondia Sónia Tavares, dos The Gift, a sorrir. “Boa”, pensei eu. Hoje, ouvi “David Bowie” e não sorri. Ouvi “David Bowie”, pensando que iam falar do novo disco, lançado na sexta-feira, mas acrescentaram “morreu. A notícia foi confirmada, esta manhã, pelo seu filho…”. Ora bolas!

 

David Bowie representa aquilo que eu mais gosto na cultura pop: alta e baixa cultura, tradição e “avant-garde”, fascínio e inquietude. A sua música, pop-rock, mistura literatura, teatro, performance, cinema, artes plásticas. Bowie na televisão; Bowie na arena rock; Bowie na Broadway; Bowie em Hollywood; Bowie na galeria de arte; Bowie na pista de dança. Mudou, muitas vezes, de estilo musical, de estilo visual, criou personagens e chamaram-lhe camaleão, o que se tornou clichê.

 

Em 1990, Bowie passou por Portugal, numa digressão de despedida. O concerto foi no Estádio de Alvalade e eu estava em êxtase. Bowie poupou no cenário e gastou em repertório: de Space Oddity a Blue Jean. Depois, disse adeus. Mentiu, felizmente. Só voltou a retirar-se em 2004, por causa de um ataque cardíaco. Editou um disco em 2013 e outro na sexta passada, dia em que fez 69 anos. Agora morreu e não volta a mentir. Infelizmente. Bye Bye Bowie

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