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Grandes discos

por Miguel Bastos, em 14.09.22

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Há mais de 30 anos, comprei o disco "Wind and Wuthering", dos Genesis. Na altura, nem o conhecia bem. Arrisquei, mas estava riscado. Voltei à loja, para o trocar. Não havia outro igual. Saí da loja com "Seconds Out" - também dos Genesis - um álbum duplo, ao vivo. Só que o outro ficou-me atravessado. Até agora. Acabo de comprar o disco "Wind and Wuthering". E acabo de reparar que, entretanto, os discos encolheram. Mesmo os grandes discos.

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Gorbachev

por Miguel Bastos, em 31.08.22

1987. A publicidade mostrava que a Nikita, do Elton John, não era uma exceção. A Perestroika confirmava que o Leste tinha as mulheres-soldado mais bonitas do mundo. O mundo estava a mudar, mas, no final, mudou menos (muito menos) do que se desejava. Mais preocupante: uma parte do mundo está com a democracia pelos cabelos. Gorbachev morreu. Tinha 91 anos.

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Exóticos

por Miguel Bastos, em 25.07.22

Em Tóquio, um grupo de jovens quis tirar uma fotografia connosco. Foi em Shibuya - um bairro da moda, onde os jovens se costumam juntar. "You're so exotic", dizia a rapariga japonesa de cabelo cor-de-rosa, top com purpurinas, mini saia leopardo, meias de renda e sapatilhas. "Exotic? Quem, nós?!", perguntámos. Nós, exóticos pela primeira vez. E tirámos uma foto. Uma "purikura" (foto tipo passe, autocolante), que o tempo ainda não era de "selfies" e os telemóveis ainda não eram inteligentes. Eramos exóticos, sim: europeus, do sul - baixos, morenos, cabelos ondulados, narizes grandes. Aos nossos olhos, eles também eram, claro. Olhos que, por sua vez, eles consideravam do mais "exotic" que há. Lembro-me que, nessa noite, fomos dançar para uma discoteca que passava, sobretudo, música de inspiração brasileira: samba e bossa nova, misturada com jazz e música eletrónica de dança. Dançámos, juntos, com os jovens modernos de Shibuya. Eles porque era "exotic". Nós porque - pela primeiro vez, em vários dias - nos sentíamos em casa, estando no centro de Tóquio. O que, também, acaba por ser exótico.

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A voz

por Miguel Bastos, em 12.07.22

the doors.jpg

A bateria começa, marcial. "Daqui ninguém sai vivo", dispara a voz .
- Esta voz é péssima, pai.
- Achas?! Esta é das melhores vozes da história do rock!
- Estás a brincar, pai? O tipo não sabe cantar!
- Vou-te pôr o "Love Street". Quando quer, este tipo é um Sinatra.
- Ó pai, isto não é rock!
- Está esquisito, o menino!
- Desiste, pai. Não gosto.
- Não desisto. Por cada janela que se fecha... abrem-se portas.
- É ao contrário, pai.
- Era uma piada. The Doors... Percebes?
- Ahhh, posso trocar o disco?
- Não. Vamos ouvir.
- A sério, pai...?
- A sério.
Not to touch the earth... Not to see the sun...

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Anitta de blue jeans

por Miguel Bastos, em 28.06.22

anitta.jpg

Só conheço a Anitta dos discos do Marco Paulo. Foi aí que aprendi que a Anitta "é linda de blue jeans" e pouco mais. Mas a Anitta foi tema de conversa ("viste?" - "não, não vi"), e comentários ("que espetáculo!" - "a sério?"; "que horror!" - "não posso!"). E, até, de ensaios elaborados (análises feministas sobre emancipação e empoderamento; análises marxistas sobre luta de classe e a afirmação dos mais pobres). Li algumas coisas com curiosidade, interesse e até divertimento. Só que os divertimentos vinham, sobretudo, de Mozart - que teimou em não sair dos meus auscultadores (tenho um fraquinho pelo 136).
De modo que, se hoje quiserem tecer comentários (mais epidérmicos) ou elaborarensaios (mais aprofundados) sobre a obra de Mozart, terei todo o prazer em lê-los atentamente. E, até, de os acompanhar com uma escuta, atenta, da música de Anitta. Assim, fazia o pleno. [Fotografia: Miguel A. Lopes/EPA/EFE]

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Duran in Rio

por Miguel Bastos, em 27.06.22

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Parece que é consensual: os melhores discos dos Duran Duran são os dois primeiros ("Duran Duran" e "Rio). Há quem junte o terceiro ("Seven and the Ragged Tiger"). E, depois, há dois singles fundamentais ("Wild Boys" e "A View to a Kill"). Para muitos, a banda morreu aqui: em 1985. Segue-se um "Rise and Fall" (sem "Ziggy Stardust") de várias décadas: o álbum "Notorious" dividiu os admiradores; os dois seguintes foram considerados uma desgraça. Porém, em 1993, voltam a ter dois clássicos ("Ordinary World" e "Come Undone"). Segue-se uma nova queda livre, de três discos. Até que, em 2004, a banda reagrupa a formação original e edita "Astronaut". O disco não é grande coisa e o guitarrista sai da banda, que insiste em derrapar. Em 2013, o produtor Mark Ronson (Adele, Amy Winehouse) anuncia aquele que deveria ter sido o sucessor de "Rio". A banda edita "All you need is now" e volta a ser "cool". Segue-se "Paper Gods", que lhes volta a dar um grande sucesso ("Pressure off"), e, finalmente, "Future Past".
 
Apesar dos altos e baixos, dizer que a banda acabou em 1985 não faz sentido. Mesmo nos discos menos inspirados, os Duran Duran têm boas canções. Enquanto os fãs e os outros discutem se o espetáculo do Rock in Rio foi o melhor ou o pior de sempre, eu olho para o alinhamento e abro a boca de espanto. É uma mistura de canções do último disco, com os sucessos até 85. Com, apenas, 3 exceções. Como se os Duran Duran dessem razão a quem lhes reduz a carreira à primeira metade dos anos 80 e lhes reduz a música a meia dúzia de clichés. Que pena!

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Ficha técnica

por Miguel Bastos, em 17.06.22

No fundo, no fundo, um livro é um conjunto de letras pretas imprensas em papel branco. Claro que precisa de conteúdo. Claro que precisa de ser bem escrito. E de ser revisto e paginado. E de (...), e de. Mas, se compararmos com o cinema, por exemplo, necessita de recursos muito escassos. Quando vou ao cinema, gosto de ver a ficha técnica para ver a quantidade de pessoas envolvidas: realizador, atores, produtores, figurantes, aderecistas, caraterizadores, carpinteiros, eletricistas, iluminadores, câmaras, iluminadores, engenheiros de som, sonoplastas... São dezenas e dezenas - às vezes, centenas e centenas - de pessoas. Eu fico, ali, a ver: por respeito e curiosidade, e, também, porque a banda sonora vem sempre no fim. Mas, há livros que parecem filmes de Hollywood, como "A Guerra Fria", de Odd Arne Westad. O livro é uma obra de fundo com mais de 700 páginas, divididas por mais de 20 capítulos. É uma grande produção espalhada pelos vários continentes, com investigadores, tradutores ou revisores de texto nesses/desses países. O autor precisou de 5 páginas, para agradecimentos, 15 para índice remissivo, mais de 30 para acomodar cerca de 600 referências. Claro que li tudo até ao fim, como no cinema. E (também aqui) a banda sonora chegou no fim. A última referência do livro é a citação de uma canção dos Depeche Mode - "Two Minute Warning" - que é, também, o título de um filme de Hollywood. Já agora, a canção - marcada pela ameaça da guerra nuclear - é das poucas canções que Alan Wilder escreveu nos Depeche Mode (uma banda que escolheu o nome de uma revista de moda francesa). Acho que já tinha feita a referência: gosto de fichas técnicas.

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Vira o disco

por Miguel Bastos, em 06.06.22

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Com a morte recente de Vangelis, voltei a ouvir "Friends of Mr. Cairo" - disco em parceria com Jon Anderson, dos Yes. E, depois, este "Walk into Light", de Ian Anderson, dos Jethro Tull. Sempre associei os dois discos: juntam dois cantores veteranos do rock progressivo (com nomes quase iguais, ainda por cima), com dois mestres da eletrónica - Vangelis e Peter-John Vettese. Os dois discos afastam-se do progressivo e enveredam por territórios pop, com uma sonoridade mais próxima de nomes como os Kraftwerk ou Ultravox. No caso de "Walk into Light", até os temas das letras se aproximam a estas bandas, com um certo gosto pela modernidade e pela tecnologia ("End Game", "User-Friendly") ou por uma certa ideia romantizada da Europa ("Different Germany"). Já não ouvia "Walk into Light" - com os seus sintetizadores, samples e caixas de ritmo - há muitos, muitos, anos (10? 15? 20?). E a verdade é que se ouve muito bem. Para já, vai ficar mais alguns dias a tocar no prato.

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A Susana e a Madonna

por Miguel Bastos, em 02.06.22

A Susana andava louca pela Madonna. Elogiava-lhe o estilo, a dança, o ritmo, as melodias, as letras. "As letras, Susana?!", perguntei-lhe. "Sim", respondeu-me, "ela tem letras espetaculares". Eu tentava a minha melhor imitação do "Like a virgin" e desdenhava da Madonna a imitar a Marilyn Monroe no "Material girl". "Já ouviste o novo disco?", perguntou-me. "Ainda não, mas também não tenho pressa". E ela: "Tens que ouvir o 'Papa don't preache'". "Ai, sim?". "Sim, fala de uma miúda que engravidou e quer ficar com o bebé. É uma mensagem muito importante para as raparigas". "Certo", concedo. Nem todas as raparigas são como a Susana: forte, decidida, senhora do seu nariz. Senhora do seu corpo todo. "Sabes, Susana, podias ouvir outro tipo de raparigas: a Siouxsie (Susan / Susie) Sioux, por exemplo. Para além de ter o teu nome, é muito mais parecida contigo". E era: o cabelo preto, a postura, a garra, a atitude. "Eu não gosto muito dessas coisas: gótico, punk e não-sei-quê". A pouco e pouco, a Susana foi desaparecendo. Não a voltei a ver. Contaram-me que o pai a encontrou, à noite, no quarto, com um bebé sobre a barriga.

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Ah, ah!

por Miguel Bastos, em 31.05.22

- Arranjaste o portão, mãe?
- Sim.
- Uau, devias deixar de ser cientista e passar a ser carpinteira!
- Ah, ah!
- A-ha? Pensei que gostasses mais dos Bee Gees!

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