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John Lennon

por Miguel Bastos, em 10.10.21

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Lembro-me que ouvi "Woman", pela primeira vez, na rádio. Talvez no programa de disco pedidos. Foi, também, na rádio que ouvi anunciarem a morte de John Lennon. E, hoje, a rádio lembrou-me que Lennon faria 81 anos. A efeméride fez-me voltar a "Double Fantasy". É o disco que tem "Woman" a tal canção, dedicada a Yoko Ono. De resto, todo o álbum é partilhado com Yoko Ono e aborda a vida familiar de ambos e do filho que geraram: Sean. Das canções mais clássicas, às mais experimentais, "Double Fantasy" ainda é um disco surpreendente. Em vez de um "Rest in Peace" estafado, resolvi não dar descanso ao John e trouxe-o para a rádio. Afinal, foi lá (foi cá) que nos conhecemos.

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Beleza pura

por Miguel Bastos, em 23.09.21

Rita Redshoes disse, no Jornal 2 da RTP, que, durante muito tempo, ficava incomodada com o facto de evocarem, repetidamente, a sua beleza. Sentia que o seu trabalho era desvalorizado. Lena d'Água também disse que "era tão gira, que as pessoas só falavam de mim e esqueciam-se da música".

Ora, Rita é, há muito tempo, uma das compositoras, cantoras e instrumentistas mais inspiradas (e inspiradoras) em Portugal. E, sim, é linda. O que não retira nenhum valor ao seu trabalho. Pelo contrário, só acrescenta. Agora, parece-me evidente que ainda temos - todos nós - muito a aprender sobre a forma como abordamos a beleza: a nossa e a dos outros.

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Sala cheia

por Miguel Bastos, em 17.09.21

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Há uma cena do filme "24 Hours Party People", em que um guitarrista está a tocar numa sala vazia. É desolador. No final, só se ouvem os aplausos do dono do clube. O dono é Tony Wilson, o proprietário da editora Factory (Joy Division, New Order, Happy Mondays). O músico, Vini Reilly, está triste, porque ninguém quer saber da sua música e lamenta não estar a ajudar ao negócio. Tony diz-lhe para não pensar nisso: ele é um génio, a música dos Durutti Column é boa, é arte, e não depende da aprovação das massas. Hoje, escrevi um pequeno texto sobre um disco maravilhoso dos Durutti Column chamado "Amigos em Portugal". Contava com uma sala vazia, mas não importava, porque a música é boa. Mas a sala ficou cheia de gente. Fique contente. Pela celebração da música. Por Vini Reilly ter Amigos em Portugal.

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Amigos em Portugal

por Miguel Bastos, em 17.09.21

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No início dos anos 80, Miguel Esteves Cardoso estudava em Manchester - a cidade dos Joy Division e da editora Factory. Nessa altura, teve a ideia de criar uma editora, dentro do mesmo espírito, em Portugal. Com a ajuda de jovens músicos, como Pedro Ayres Magalhães e Ricardo Camacho, criou a Fundação Atlântica. Em pouco mais de dois anos, lançaram a Sétima Legião, relançaram os Xutos e Pontapés e editaram este "Amigos em Portugal", dos Durutti Column. A banda, de Manchester (e da Factory), tem um som melancólico, típico do pop-rock britânico alternativo da época, mas remete, também, para uma certa portugalidade de ambientes fadistas. O mesmo tipo de som cultivado por Anamar, Mler if Dada, António Variações, ou, mais tarde, os Madredeus.
 
Achava incrível que os talentosos Durutti Column tivessem escrito, gravado e editado um disco sobre Portugal, em Portugal. Nos anos 80, ouvia "Amigos em Portugal", numa cassete manhosa, gravada por um amigo de um amigo lá de casa, que, entretanto, se perdeu. O disco era muito raro e precioso. No outro dia, cruzei-me com ele e não resisti. Não sou fetichista, nem tenho espírito de colecionador. Mas, confesso, gosto muito de ter este velho amigo cá me casa.

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ABBA

por Miguel Bastos, em 03.09.21

Os ABBA estão de regresso. É, apenas, uma informação que vos dou - que o assunto não me interessa nada. Não me identifico (de todo!) com música de festival. Só se for de festival de música eletroacústica, experimental, avant-gard. A única canção dos ABBA que vale a pena, é o tema que dedicaram ao Pierre Boulez - o Boulez-bous.

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Os "bês" e os "vês"

por Miguel Bastos, em 18.08.21

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Nós, os de Aveiro, não trocamos os "bês" pelos "vês". Sabemos que os "vês" existem. São consoantes mudas: veem-se, mas não se ouvem. Com o amor, é o contrário. É um fogo que não se vê, mas que se ouve: por exemplo, nas canções do Cid.

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Piar fininho

por Miguel Bastos, em 09.08.21

Os Bee Gees já eram estrelas pop, há vários anos. Mas a coisa só começou a piar fininho (muito fininho), a partir de 1975. Foi, nessa altura, que o falsete de Barry Gibb se revelou. A verdade é que os irmãos Gibb adoravam as grandes vozes da "soul music". Em 1967, chegaram, mesmo, a escrever"To Love Somebody" para Otis Redding, mas o cantor morreu nesse ano. Em1972, outra glória da música negra, Al Green, pegou numa canção (já conhecida) dos Bee Gees e deu-lhe o toque "soul" que a canção pedia. Três anos depois, os Gibb perderam a vergonha e - apesar de serem cantores brancos, ingleses e devotos dos Beatles - decidiram abordar a música negra e emular os seus cantores. Alguns milhares não gostaram, alguns milhões renderam-se. Oficialmente, a mudança deu-se a canção "Jive Talkin'" e o álbum "Main course", mas eu acho que começou aqui. Ora ouçam:

How Can You Mend a Broken Heart

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Flamingos

por Miguel Bastos, em 21.07.21

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Bem, há tantos flamingos na ria de Aveiro, que acho que já sei onde é que o Christopher Cross vai gravar o próximo disco!

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Em surdina

por Miguel Bastos, em 28.06.21

Gosto de discos. De álbuns. Com princípio, meio e fim. Ou sem nada disso, se for essa a vontade dos artistas. Nos discos, nos bons discos, há tesouros escondidos: que não passam nas playlists das rádios; que não são sucessos de vendas e tops; mas que, muitas vezes, são relíquias, obras-primas. Por vezes, essas canções são sucessos póstumos. Outras vezes, permanecem esquecidas, mas preciosas. Esta canção, de Lloyd Cole and the Commotions, tem a voz maravilhosa de Tracey Thorn (dos Everything but the Girl) e o trompete mágico de Jon Hassell, que ontem morreu, aos 84 anos, discretamente, em surdina.

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Gostar mais e mais

por Miguel Bastos, em 17.06.21

Lembro-me que ouvi o disco, apenas para confirmar que não gostava. As rádios que eu não gostava, as discotecas que eu não gostava, as lojas que eu não gostava, as pessoas que tinham gostos que eu não gostava, andavam todas doidas com o Juan Luis Guerra e as suas "Burbujas de amor". Peguei no disco, para não gostar, e... gostei. Primeiro, gostei mais ou menos. Depois, gostei mais e mais. Juan Luis Guerra já era o rei da bachata (estilo que não conhecia), que misturava com merengue, salsa, rumba, bolero e alguma pop internacional. Misturava canções de amor, com política e intervenção social, sempre com uma alegria contagiante. É um dos artistas latinos mais populares das últimas décadas. Em Portugal, contudo, foi apenas um êxito de verão. (Re)encontro, por acaso, esta "Rosalía" e fico encantado. Faz parte de um concerto gravado há 15 dias, para a cadeia de televisão HBO: sem público, "Entre o mar e as palmeiras", na sua República Dominicana natal. Juan Luis Guerra diz que tocaram, como se houvesse público presente. Olho para o contador do "Youtube": reparo que mais de 3 milhões de pessoas estão presentes, para partilharem o gozo dos músicos. E reparo que, ainda, sei a "Rosalía" de cor. Agora, vou cantar. Depois, voltarei a ser "cool".

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