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Discos perdidos

por Miguel Bastos, em 01.03.24

agnetha.jpg

Há 20 anos, Agnetha Fältskog, dos ABBA, editou o disco "My colouring book". O título remete para os livros de colorir, da infância. O disco remete para as canções e os cantores que Agnetha ouviu na infância e que lhe moldaram o gosto. Encontramos, aqui, "crooners" dos anos 50, pioneiros do rock and roll e estrelas da pop dos anos 60. E canções de um tempo em que os autores não eram, necessariamente, os intérpretes. Em que as canções eram partilhadas por diferentes cantores. Em que as canções viajavam entre países, eram traduzidas, recebiam letras novas ou arranjos novos para se adaptarem aos intérpretes - por vezes, tão diferentes, que pareciam canções novas.

E é, assim, que encontramos "Fly me to the moon", em ritmo bossa nova, numa versão mais próxima de Julie London do que de Franka Sinatra. Ou "Love me with all of your heart", original dos cubanos Los Hermanos Rigual, que Agnetha canta num registo próximo da versão de Petula Clark , mas que a generalidade dos portugueses conhece na voz de Marco Paulo (Sempre que brilha o sol naquela praia... sinto o teu corpo vibrar dentro de mim...). E é, assim, que ouvimos "What now my love", canção de Gilbert Bécaud que tem dezenas de versões (não estou a exagerar) e que o mundo anglófilo conhece nas vozes de Shirley Bassey, Sinatra (ele, de novo) ou Elvis Presley. Grande parte dos arranjos de "My colouring book", são típicos da época das canções. Mas, na última canção ("What now my love", precisamente), a sonoridade é mais contemporânea. Ao ponto de ter procurado a ficha técnica, pensando que iria encontrar os U2 ou, pelo menos, a dupla Brian Eno / Daniel Lanois.

Infelizmente, o mundo, sempre atento a mais uma compilação dos ABBA, não reparou em "My colouring book". Mais um disco perdido. Mas pronto para ser descoberto.

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Masculina

por Miguel Bastos, em 29.02.24

casa de banho.jpg 

Casa de banho masculina, no museu dos ABBA, em Estocolmo.
É coisa de homem.

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Joalharia

por Miguel Bastos, em 20.02.24

felt.jpg 

Este disco custou-me 1 650 escudos. Pouco mais de 8 euros, há mais de 30 anos. Uma fortuna, portanto. Nessa altura, a rádio não me pagava um salário - dava-me uma mesada, que eu trocava por joalharia rara. Neste caso, guitarras de filigrana; canções artesanais, sussurradas na voz e cosidas à mão. Imperfeitas. Rarefeitas. Três, de cada lado. Meia hora de música, apenas. Tempo que eu multiplicava, trocando de lado, tocando até à exaustão. 

Em menos de 10 anos, os Felt editaram 10 discos. Uns, mais parecidos com os outros. Outros, mais diferentes dos outros. Todos bons. Este foi o primeiro deles. E foi, também, o meu primeiro. Raro, caro. E precioso, claro!

Música, aqui:

https://youtu.be/rnr95fuXbAk?si=cH5rB0b-nMe9JEdM

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Quebra-Cotas

por Miguel Bastos, em 08.02.24

- Ó pai, o "Quebra-Nozes" é um bocado música clássica para crianças. Não é?
- É.
- Então, esta música é um bocado Tchaikovsky para jovens. Não é?
- Para jovens como tu ou como eu?
- Como eu, pai.
- Ai sim?
- Sim, tu já és um jovem um bocado cota.

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Federação de Futebol

por Miguel Bastos, em 02.02.24

fff.jpg 

- Porque é que tens um disco da Federação Francesa de Futebol?
- Como?!
- Diz, aqui, "FFF".
- Ah, mas isso quer dizer "Federação Francesa de Funk".
- E isso é o quê?
- Uma banda francesa, de música funk.
- Que eu nem conheço....
- Põe a tocar e ficas a conhecer.
- Não achas estranho tu conheceres uma banda francesa, que eu não conheço?
- Não.
- Os portugueses conhecem música que nós, os franceses, não conhecemos.
- Descansa, não são os "portugueses". Sou só eu.
 
Para ouvir, aqui:
 

F.F.F. - Marco (Clip officiel)

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Morreu Frank Farian

por Miguel Bastos, em 23.01.24

mill.jpg

O inglês tem a expressão "don't judge a book by its cover". À letra, "não devemos julgar um livro pela capa". Em português, dizemos "quem vê caras, não vê corações". Vem isto a propósito da morte de Frank Farian, aos 82 anos. O músico, compositor e produtor ficou conhecido pela criação dos Boney M. e dos Milli Vanilli. Os primeiros, nasceram nos anos 70 do "disco". Os segundos, num caldo musical, na transição dos anos 80 para os anos de 1990. E foi, precisamente, nesse ano, que o caldo entornou. A dupla fazia um playback, para a MTV, quando a gravação encravou. Nada que não pudesse ter acontecido com outra banda. Mas foi na sequência desse acidente, que se soube que nem Fab Morvan, nem Rob Pilatus cantavam nos discos. Eram modelos: davam corpo e estilo a outras vozes. A verdade foi assumida por Frank Farian que, depois desse incidente, editou o disco "The Moment of Truth" ("O Momento da Verdade"), dos "The Real Milli Vanilli" ("Os Verdadeiros Milli Vanilli").
 
Foi, também, na sequência desse episódio, que ficámos a saber que aquele cantor irrequieto dos Boney M (Bobby Farrell), na realidade, não cantava. Que aquela voz grave, de um negro das Caraíbas, era de um branco da Alemanha, entre o louro e o ruivo. Era de Frank Farian, que, na realidade, se chamava Franz Reuther. Esta ideia de dar corpo a vozes e canções foi muito explorada, nos anos 90 - sobretudo, por europeus. A senhora, forte e de meia idade, cantava. A jovem modelo, alta e esguia, aparecia na capa e nos vídeos. Mas, a receita continua a ser explorada. Muita música das grandes estrelas americanas, da atualidade, é feita por compositores e produtores europeus, na Europa ou nos Estados Unidos. De resto, foi nessa américa, dos sonhos, que Frank Farian morreu, hoje, aos 82 anos.

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É a loucura

por Miguel Bastos, em 09.01.24

- Porque é que a nossa rádio está a passar esta música? Não faz sentido nenhum.
- Porquê?
- Música francesa! Ninguém conhece bandas francesas!
- Eu conheço.
- Ai sim? E como é que se chama esta banda?
- The Stranglers. Mas, estes, são ingleses.
- Estás a brincar!
- Não estou, não.
- Então porquê é que o gajo está a cantar em francês?
- Porque "o gajo" chama-se Jean-Jacques Burnel. Nasceu em Inglaterra, mas é filho de pais franceses.
- Não sabia, mas isto não é música comercial, nós precisamos de música que venda, estás a perceber?
- Estou. Este é o disco dos Stranglers que mais vendeu.
- A sério?
- A sério. O "La folie" é o álbum de "Golden Brown".
- Tu sabes umas coisas.
- Sei, mas isso é muito pouco, numa rádio em que há tanta gente que sabe tudo.

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Quem?

por Miguel Bastos, em 28.11.23

- Esta semana, vamos ter os GNR no programa.
- Quem?
- GNR. Sabes quem são?
- A Polícia de Segurança Pública?!
- Não. Eu estava a falar da banda. Não conheces?
- Não. Eu não sou muito de bandas.
 
Eu, pelos vistos, também não. Destas bandas, pelo menos.

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Ser alemão

por Miguel Bastos, em 06.11.23

kraftwerk.jpg 

A questão é identitária: como ser alemão, depois do nazismo e da destruição da Alemanha, no final da Segunda Guerra Mundial? Qualquer afirmação identitária, no final dos anos 60, fazia soar o alarme e ressuscitar fantasmas. De resto, ainda faz. O livro de Uwe Schütte sobre os Kraftwerk fala, abundantemente, sobre o assunto. Nascidos na Alemanha Ocidental, na cidade Düsseldorf, em plena região industrial do Reno-Ruhr, os Kraftwerk queriam fazer um tipo de música que se inspirasse e refletisse a cultura alemã. Começaram por negar todos os clichês da música pop-rock anglo-americana: os cabelos compridos, as calças de ganga, os casacos de cabedal, as poses "sexy", as guitarras. De seguida, assumiram a ideia estereotipada dos alemães: frios, disciplinados, eficientes, burocráticos. Visualmente, pareciam cientistas ou engenheiros ou académicos ou gestores. Definiram-se - não como artistas ou músicos - mas, como "trabalhadores". Era tudo tão exagerado, que alguns perceberam logo que havia um lado profundamente irónico e subversivo. Outros não perceberam, ou demoraram mais tempo a perceber. Exploraram temas relacionados com a ciência e a tecnologia, desenvolvendo (e personificando) a relação homem/máquina. E fizeram-no, buscando inspiração em várias referências artísticas alemãs, da República de Weimar: do cinema, da fotografia, do design ou da arquitetura. No fundo, defende Uwe Schütte, os Kraftwerk foram buscar muitas das ideias de futuro, nesse passado: fosse no cinema de Fritz Lang, ou no design da Bauhaus. Essa opção artística ajuda-nos a perceber porque é que, ao fim de mais de 50 anos, ainda faz sentido um livro com este título "Kraftwerk: Future Music from Germany". Porque é que os Kratfwerk ainda são futuro.

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Rádio gaiteira

por Miguel Bastos, em 28.09.23

Esta manhã, fez uma chamada para a corresponde em Londres.
A seguir, passou este "London Calling".
Só para chamar a atenção. Está toda gaiteira, a minha rádio.

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