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Grunholândia

por Miguel Bastos, em 12.01.26

grunholandia.jpg 

Anda muita gente preocupada com a Grunholândia.
Têm razão. É preocupante, muito preocupante.

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A Venezuela

por Miguel Bastos, em 05.01.26

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"Na década de setenta a Venezuela vivia o apogeu da riqueza do petróleo: o oiro negro brotava do seu solo como um rio inextinguível. Tudo parecia fácil; com um mínimo de trabalho e relações adequadas as pessoas viviam melhor do que em qualquer outro lugar; o dinheiro corria a jorros e era gasto sem pudor numa folia sem fim: era o povo que mais champanhe consumia no mundo". Isabel Allende descreveu, assim, a Venezuela no livro "O meu país inventado". Já o tinha feito num outro livro de características autobiográficas: "Paula". A Venezuela, de Allende, é muito parecida com a Venezuela, da minha infância. Onde se comiam laranjas da Califórnia e se vestiam camisas da Florida. Onde as mulheres desciam decotes, subiam saias e saltos, mas temiam raptos e violações. Onde os homens subiam a pulso, mas usavam o relógio do lado direito, para conservarem o pulso. Era uma forma de prevenirem assaltos, por esticão, e de evitarem que a navalha saltasse da mola, na hora de ponta. Isabel pergunta para que servia a emancipação das mulheres, a brilharem de batom e blush, se depois se trancavam em casa, a olhar o sol, atrás das grades, que cobriam as janelas do décimo andar. A Venezuela era muitas coisas: alternadas e simultâneas. Ainda é. Um país que, se não existisse, teria que ser inventado. Mas existe. Existe, para além de todas as invenções.

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Gronelândia

por Miguel Bastos, em 23.12.25

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"Dizem-me que a Dinamarca está na Gronelândia, há cerca de 300 anos, com um barco", diz o presidente dos Estados Unidos, "Mas, nós, também lá estivemos com barcos. Tenho a certeza." Adoro as certezas de Donald Trump. Ele tem muitas. Eu tenho poucas. Mesmo assim, tenho a certeza que, há 300 anos, os Estados Unidos não existiam. E, há 300 anos, a Florida - onde o presidente fez esta declaração - era espanhola. A Florida (adjetivo - que está em flor; coberto de flores, no Dicionário infopédia da Língua Portuguesa [em linha], Porto Editora) foi comprada, anexada, separada, reconquistada e só foi integrada, nos Estados Unidos, há pouco mais de 150 anos (metade dos 300, portanto). Claro que Donald Trump também não existia, mas se existisse seria alemão ou escocês, ou algo do género. Portanto o "nós", referido, não faz sentido nenhum. É, só, uma coisa que se inventa - a ver se cola.

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Greve geral

por Miguel Bastos, em 12.12.25

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Greve. Penso, logo...
Os jornais em tempo de Descartes.

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O mercado e o 25 de Novembro

por Miguel Bastos, em 25.11.25

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O 25 de Novembro foi, também, um confronto de modelos económicos. No final, ganhou a economia de mercado. Fui ao mercado. Comprei tomates, nabos, alhos, cebolas, brócolos, rabanetes e ovos, a bom preço. Com o que poupei, no mercado, comprei um 25 de Novembro. 

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10 questões sobre o 25 de Novembro

por Miguel Bastos, em 24.11.25

visão.jpg 

Um artigo, jornalístico, que é quase uma tese académica. Em vésperas dos 50 anos do 25 de Novembro, a Visão levanta 10 questões sobre a data histórica e procura dar respostas sobre as mesmas. Foi um golpe de esquerda ou de direita? Quem foram os protagonistas? Quem ganhou? Quem perdeu? O 25 de Novembro foi contra o 25 de Abril? Ou foi a consolidação do mesmo? Deve ser celebrado? Antes de dizer "sim" ou "não", a "favor" ou "contra", convém saber o "quê", "quem", "quando", "onde", "como", "porquê". Enfim, aquelas coisinhas que fazem parte de uma coisa maior chamada jornalismo, que a Visão continua a defender - com as dificuldade que são conhecidas. Obrigado, Filipe Luís.

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Por Dentro do Chega

por Miguel Bastos, em 06.11.25

 

IMG_2745.jpeg 

Por fora do Chega, vê-se um partido unido em torno do seu líder - contra tudo e contra todos.
"Por dentro do Chega", lê-se um partido profundamente dividido - com todos contra todos.

Escreve o autor: “Chamar ao Chega partido fascista ou de extrema-direita contém alguma verdade, mas está longe de ser toda a verdade”. Para compreender melhor o Chega, o jornalista Miguel Carvalho mergulhou, a fundo, no caldeirão político e social onde o partido germinou e estudou, a fundo, as pessoas e os movimentos que estão na sua fundação e implementação. Podemos, assim, perceber melhor como é que tantas pessoas, com ideias e práticas tão diferentes, se juntam no mesmo partido - mas, também, porque é que se separam.

O livro está dividido em quatro partes: Deus, Pátria, Família e Trabalho. André Ventura foi buscar as três primeiras palavras ao salazarismo e acrescentou uma quarta - Trabalho. Talvez porque, como Miguel Carvalho descreve no livro, o Trabalho - e, sobretudo, a falta dele - desempenha um papel importantes entre apoiantes, militantes e dirigentes do Chega.

Para compreender o Chega (e “compreender” não significa justificar, muito menos concordar), Miguel Carvalho aproveitou o conhecimento que já tinha da extrema-direita e do populismo, para se lançar à estrada e partilhar “horas e dias” com muitos que o insultaram e ameaçaram, mas que acabaram por lhe confiar “documentos e revelações”. Escreve o autor: “Talvez porque, independentemente de todas as diferenças e propósitos, foi possível definir um local de encontro civilizado”. Parece pouco, mas, nos dias que correm, apetece-me exclamar: “Parece impossível!”

Obrigado, Miguel, e parabéns!


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Pinto Balsemão

por Miguel Bastos, em 22.10.25

Os heróis não existem. Ou, então, existem - na nossa cabeça - porque precisamos deles. Precisamos de figuras de referências, que nos sirvam de exemplo, mas, também, de garantia de segurança, de porto de abrigo. Francisco Pinto Balsemão não era um herói, mas parecia. Fundador da democracia e do PSD. Fundador de Expresso e, depois, de um império de comunicação social. Desaparece numa altura em que a democracia está ameaçada. Numa altura em que o jornalismo e a comunicação social estão em crise. Numa altura em que o seu próprio grupo de comunicação dá sinais de fragilidade. Numa altura em que precisamos de heróis - que não existem (já sabemos) mas que continuamos a precisar.

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De direita!

por Miguel Bastos, em 13.10.25
Ouvido na campanha:

- Eu sou um homem de direita!

- Nós sabemos. Contamos consigo?

- Não. Estou zangado convosco. Vou votar noutro partido.

- E podemos saber porquê?

- Porque vocês falam, falam e não fazem nada!

- Então não arranjámos a sua rua?

- Pois, mas, entretanto, abriu-se um buraco à minha porta!

- Então? Mas, isso, arranja-se!

- Vocês dizem que arranjam, mas depois...

- Mas acha que votar naquele partido vai resolver alguma coisa?

- Mas, qual partido? Eu nem disse o nome do partido!

- Escusa de dizer, que nós já percebemos.

- Ele, ao menos, não tem papas na língua.

- Vamos admitir que sim. Mas deixe-me perguntar-lhe: qual é o nome do candidato desse partido à câmara?

- Eu sei lá!

- E qual é o nome do candidato desse partido à junta de freguesia?

- Eu sei lá!

- Pois, mas devia saber. Porque uma coisa podemos-lhe garantir: não é o outro senhor, que você gosta, que lhe vai resolver o buraco à sua porta. Aliás, não lhe vai resolver problema nenhum.

- Vocês também não resolvem!

- Então não resolvemos?! Dizia que a sua estrada estava uma miséria...

- E estava.

- Mas já não está.

- Mas, agora, tenho um buraco à minha porta.

- Então e acha que nós, que lhe fizemos uma estrada nova, não lhe vamos resolver um buraco?

- Isso é o que vamos ver.

- Pois vamos, se votar em nós...

- Vocês querem é votos.

- Pois queremos. Só, assim, é que lhe podemos tapar o buraco.

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Vamos a votos

por Miguel Bastos, em 10.10.25

vamos a votos.jpg 

Os relatos, os grandes jogos, as tardes desportivas, as emissões especiais, os repórteres de pista, os comentadores. O desporto, na rádio, é uma festa! Sempre me perguntei, e perguntei a outros, se não é possível fazer o mesmo tipo de emissões, mas com outros temas. Geralmente, não é. As campanhas eleitorais são uma exceção. Uma boa exceção. A festa da democracia. Aqui está o penúltimo jornal de campanha, servido pela gente talentosa da minha rádio. Vamos a votos.
 
Para ouvir, aqui:

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