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Morreu Joaquim Pessoa

por Miguel Bastos, em 17.04.23

Morreu o poeta Joaquim Pessoa. Gostava de conhecer melhor o seu trabalho poético. Vou adiando para "um dias destes", que é um local habitado por muitos poetas e escritores. Conheço Joaquim Pessoa, das canções. A rádio e os jornais destacam (bem) a "Amélia dos olhos doces" (Carlos Mendes) e "Lisboa, menina e moça" (Carlos do Carmo). Mas é curto. Ele tem tantas canções! Só no disco "Uma canção para a Europa", que corresponde às canções do Festival de 1976, Carlos do Carmo canta três poemas seus: "Lisboa Menina e Moça" (em parceria com Ary dos Santos), Cantiga de Maio (não confundir com a canção de José Afonso) e "Onde é Que Tu Moras?" (uma das canções da minha vida). Só essa, já era muito. Mas há mais, muitas mais.

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Em flor

por Miguel Bastos, em 24.02.21

flor.jpg

"De novo vieste em flor / Te desfolhei"

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Novo e velho

por Miguel Bastos, em 02.09.20

oculos.jpg

"Você gosta de usar óculos?", perguntou-me o doutor do olhos - um senhor velhinho, de andar ligeiro e modos delicados. "Nem por isso", respondi. "E porque é que não faz uma operação? É um rapaz novo, tem a miopia estabilizada, ficava a ver melhor, devia pensar nisso". Pensei e agi, mas fui traído por um ligeiro aumento na graduação. Numa consulta mais recente, voltei ao assunto com o meu doutor. Arqueou as sobrancelhas, com um ar intrigado: "Uma operação, com a sua idade"? "Bem, foi o senhor que falou nessa hipótese". "A sério, isso foi há quanto tempo"? "Há uns dez anos, talvez". "Mas, que idade tem? Deve estar próximo dos 50". "Já estive mais longe", respondi. "E já não deve ver bem ao perto. Vamos já ver isso". Fez-me um teste, que passei com distinção. "Vê", disse o doutor compondo os seus óculos, "é uma vantagem de ser míope". "Haja alguma", acrescentei. "Mas não vale a pena pensar na operação, porque mais tarde ou mais cedo vai precisar de óculos para ver ao perto". Agradeci e abandonei o consultório. Há dez anos, eu era novo. Agora, já estou velho. Ao que parece, “dez anos é muito tempo” e não é só na canção.

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Bacalhau com todos

por Miguel Bastos, em 26.03.18

ana bacalhau.jpg

Este não é um texto sobre gastronomia. É, apenas, um trocadilho básico, para falar de Ana Bacalhau. A própria encomendou uma letra a Capicua, para brincar com o seu nome, numa canção que funde hip-hop com música tradicional portuguesa. De resto, o seu primeiro disco a solo “Em nome próprio” está cheio de misturas: de estilos e de autores, novos e talentosos.

 
Faltava a prova ao vivo. Tive-a neste fim-de-semana. A cantora voltou a misturar. Desta vez, as canções do seu disco, com clássicos de Fausto, Trovante, Carlos do Carmo (Ary dos Santos / Paulo de Carvalho) e António Variações. Mas separou as águas, ao evitar canções da Deolinda. E agitou as águas, para não ficar em águas de bacalhau. Não gostei de tudo, mas apreciei-lhe a vontade de arriscar.
 
Ana Bacalhau é um exemplo do bom momento da música portuguesa. Um dos melhores períodos, de sempre. Que celebra o novo, apoiada num lastro que, durante muito tempo, foi ignorado. Porque todos queriam parecer modernos.
 
Mas, ser moderno não é comer fast food, como todos. Ser moderno, é gostar de Bacalhau, com todos.

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