Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Novo e velho

por Miguel Bastos, em 02.09.20

oculos.jpg

"Você gosta de usar óculos?", perguntou-me o doutor do olhos - um senhor velhinho, de andar ligeiro e modos delicados. "Nem por isso", respondi. "E porque é que não faz uma operação? É um rapaz novo, tem a miopia estabilizada, ficava a ver melhor, devia pensar nisso". Pensei e agi, mas fui traído por um ligeiro aumento na graduação. Numa consulta mais recente, voltei ao assunto com o meu doutor. Arqueou as sobrancelhas, com um ar intrigado: "Uma operação, com a sua idade"? "Bem, foi o senhor que falou nessa hipótese". "A sério, isso foi há quanto tempo"? "Há uns dez anos, talvez". "Mas, que idade tem? Deve estar próximo dos 50". "Já estive mais longe", respondi. "E já não deve ver bem ao perto. Vamos já ver isso". Fez-me um teste, que passei com distinção. "Vê", disse o doutor compondo os seus óculos, "é uma vantagem de ser míope". "Haja alguma", acrescentei. "Mas não vale a pena pensar na operação, porque mais tarde ou mais cedo vai precisar de óculos para ver ao perto". Agradeci e abandonei o consultório. Há dez anos, eu era novo. Agora, já estou velho. Ao que parece, “dez anos é muito tempo” e não é só na canção.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bacalhau com todos

por Miguel Bastos, em 26.03.18

ana bacalhau.jpg

Este não é um texto sobre gastronomia. É, apenas, um trocadilho básico, para falar de Ana Bacalhau. A própria encomendou uma letra a Capicua, para brincar com o seu nome, numa canção que funde hip-hop com música tradicional portuguesa. De resto, o seu primeiro disco a solo “Em nome próprio” está cheio de misturas: de estilos e de autores, novos e talentosos.

 
Faltava a prova ao vivo. Tive-a neste fim-de-semana. A cantora voltou a misturar. Desta vez, as canções do seu disco, com clássicos de Fausto, Trovante, Carlos do Carmo (Ary dos Santos / Paulo de Carvalho) e António Variações. Mas separou as águas, ao evitar canções da Deolinda. E agitou as águas, para não ficar em águas de bacalhau. Não gostei de tudo, mas apreciei-lhe a vontade de arriscar.
 
Ana Bacalhau é um exemplo do bom momento da música portuguesa. Um dos melhores períodos, de sempre. Que celebra o novo, apoiada num lastro que, durante muito tempo, foi ignorado. Porque todos queriam parecer modernos.
 
Mas, ser moderno não é comer fast food, como todos. Ser moderno, é gostar de Bacalhau, com todos.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Outubro 2020

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D