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A outra face de Moedas

por Miguel Bastos, em 29.02.16

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Carlos Moedas deu hoje uma entrevista, muito interessante, no Público. Moedas mostra que é mais do que um tecnocrata. É um político, consciente de que a "política é cada vez mais técnica e a técnica e cada vez mais política". Pode parecer uma banalidade, mas não é. Um dos problema da política na Europa, é que, nos últimos anos, tem sido protagonizada por quem faz "apenas" uma coisa ou outra. 

 

Outro tiro certeiro de Moedas: o populismo. Diz Moedas: "Muitas vezes os diagnósticos dos populistas como o Nigel Farage (UKIP) e Marine Le Pen (Frente Nacional) põem o dedo na ferida, mas depois não sabem curar a ferida ou então a cura que tem é cortar a mão". A leitura é muito interessante. É que, muitas vezes - à esquerda e à direita - perde-se demasiado tempo a negar a ferida ou, mesmo, o dedo. E isso, é abrir o caminho para os demagogos.

 

Para a generalidade dos portugueses Moedas sempre foi um tecnocrata. Um bom aluno que aplicava as regras da troika e fazia as contas: sem questionar, nem pestanejar. Até o nome ajudava: Moedas. O comissário europeu mostra que é um político. É a outra face de Moedas.

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One night stand

por Miguel Bastos, em 11.11.15

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Enquanto se fingia discutir o programa do governo, foram chegando as moções de rejeição ao presidente da Assembleia da República. À tarde o governo cairia. Mas antes, pela hora do almoço, numa sala do Parlamento, sem presença de público ou jornalistas, assinaram-se  vários acordos “não sei de quê” entre o PS e os partidos à sua esquerda. Primeiro, entrou um partido e saiu. Depois, entrou outro partido e saiu. E, finalmente, o terceiro. Falaram, à vez, com o PS e nem sequer se sentaram. Enquanto o governo afirmava que caía de pé, a oposição de esquerda assinava acordos, de pé.

 

O DN considera que nem sequer se pode chamar “acordos” aos documentos. É uma “posição conjunta”, cheia de “ses” e “mas”. A “posição conjunta” compromete-se a não votar com a direita uma moção de censura, mas isso não impede que cada partido da “posição conjunta” não possa apresentar as sua própria moção de censura. Nesse caso, António Costa diz que há divórcio. Só que não houve casamento, nem união de facto, nem namoro sequer. Foi uma “one night stand”, à luz do dia. Sem tempo para sentar.

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A chave para Portugal

por Miguel Bastos, em 05.11.15

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A chave para governar Portugal não está fechada a sete chaves. Está em Chaves - terra de bons pastéis e de bom senso. Chaves era uma espécie de Bélgica, onde à falta de governo, governava-se em duodécimos. De acordo com a reportagem da RTP (minuto 15), a situação não fez alarmar os mercados, mas fez parar obras e pessoal, e disparar o preço da água.

 

Em Chaves, as eleições para a freguesia da Madalena deram confusão. O PSD ganhou, mas a oposição (o MAI - Movimento Autárquico Independente e o PS ) tinha mais mandatos. De modo que, durante dois anos, a terra ficou ingovernável. O que é que mudou, entretanto? Em Chaves, fez-se um governo de unidade. O PSD ficou com a presidência da Junta e com o tesoureiro; o MAI com o secretário. A presidência da Assembleia ficou nas mãos do PS, o secretariado divido entre o PSD e o MAI.

 

Portugal inteiro (como dizia o Almada) pode seguir o exemplo? Bem, a presidência da Assembleia já está nas mãos do PS. O PSD, como ganhou, ficava com o lugar de Primeiro Ministro? António Costa, ainda pode ser o vice? E como é que fica o governo de esquerda? E o bigode, ficava para Paulo Portas?

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O Ausente da República 

por Miguel Bastos, em 06.10.15

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Res publica, significa “coisa pública”, do povo. A expressão, de origem latina, está na origem da palavra República. A República é, portanto, o regime político do povo, para o povo.

 

Em Portugal, a República era celebrada a 5 de Outubro. Era. Porque, entretanto, a coligação de direita, achou-se no direito de acabar com o feriado que celebrava a coisa pública. Foi incluída nas gorduras do Estado. Houve gente que não gostou muito, mas, diga-se em abono da verdade, não houve grandes protestos. A começar pelo Presidente da (lá está!) República.

 

Este ano, Cavaco Silva decidiu faltar às comemorações. Alegou que tinha de pensar. Pensar em quê? Que não devia ter deixado cortar o feríado? Que não devia ter marcado as eleições para o dia anterior? Passos Coelho, Paulo Portas e António Costa também não foram. Fizeram mal.

 

A implantação da república devia ser um dia de festa para todos. Todos os políticos, servidores da Res publica, e todos nós - a razão de ser da República. Em vez disso, foi uma coisa na Câmara de Lisboa, com algumas pessoas. Uma senhora disse o óbvio, na televisão: que Cavaco Silva só era Presidente, porque havia República. Em vez de Presidente, Cavaco foi o Ausente da República.

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As miúdas do Bloco

por Miguel Bastos, em 05.10.15

catarina martins.jpeg

Ao longo da campanha eleitoral, toda a gente falou das miúdas do Bloco: Mariana Mortágua e Catarina Martins. Os adversários e os comentadores foram elogiando o seu desempenho. Costa disse que Catarina Martins tinha um sorriso bonito; Marcelo enalteceu a sua jovialidade; Marques Mendes - aplicando os seus conhecimentos de ciência política - até referiu o seu penteado. Ontem, cheguei a ouvir que Passos e Portas foram tolerantes com Catarina Martins, para que o Bloco tivesse um bom resultado e Costa perdesse as eleições.

 

Tudo isto, por mais divertido que seja, revela que a política ainda é o clube do Bolinha. Só que, ao fazê-lo, estão também a menorizar o eleitorado. Se o povo votasse em miúdas giras, era de esperar uma forte votação em duas meninas que saíram do Bloco: Ana Drago e Joana Amaral Dias. Isso não aconteceu.

 

Há uns anos, Eduardo Barroso disse que, nos anos 70, tinha mais amigos de esquerda, mas que namorava com miúdas de direita. Porque eram mais giras. É natural, a esquerda tinha muitos bigodes. E não era só no setor masculino. Mas, agora, a esquerda tem miúdas giras, que não precisam de comentários machistas ou paternalistas. Só precisam de votos. No caso de Bloco, enquanto os meninos procuravam estudar política nas páginas da Caras, as miúdas giras conseguiram o melhor resultado de sempre. Habituem-se.

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Casar com Passos Coelho

por Miguel Bastos, em 27.05.15

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Aceitava casar com Passos Coelho? Rita Redshoes aceitou. Encontraram-se, por acaso, num restaurante indiano, e ele não lhe resistiu. Compreende-se. Mas, ela também não lhe resistiu. Aí, já é mais estranho.

 

Este casamento é um sonho. O casamento não se concretiza e o sonho virou história. São 40 histórias de Rita Redshoes, igualmente estranhas, que a levam, por exemplo, a fazer uma aula de pilates com António Costa. Esta moça sonha em grande. Nada abaixo de primeiro-ministro. Um, já é. O outro, poderá ser. Depois isso, já não mostramos surpresa com a Rita a receber Barack Obama, numa festa da mãe.

 

A Rita sonhou que ia casar com Passos Coelho. Há uns anos atrás, nós sonhávamos casar com a mulher de Passos Coelho. Nos anos 80, era um sonho normal de rapazes. Já o da rapariga, é menos. Talvez seja a razão do título: “Sonhos de uma rapariga quase normal”. É um bom título, melhor do que “Somos o que escolhemos ser”.

 

A Rita é menos afirmativa. Se Passos Coelho lhe pede em casamento, ela aceita. Mas se os avós lhe dizem “vamos para casa” ela não diz que não.

 

Indecisa? Talvez. Sonhadora? Certamente.

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