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Gaza traduzida

por Miguel Bastos, em 21.05.25

Na rádio, não usamos legendas. Fazemos dobragens. É preciso gravar o original, selecionar, editar, escrever a tradução, gravar a voz, montar. Por vezes, o conjunto das várias tarefas é feito pela mesma pessoa. Outras vezes, (por exemplo, por questões de tempo) precisamos de envolver mais pessoas. É frequente pedirem-me para gravar uma tradução, de uma declaração de alguém que não faço ideia quem é. Sou, muitas vezes, surpreendido, em casa ou no carro, pela minha voz a fazer de comissário europeu, de escritor sul-americano, de presidente africano. Ontem, fiz de chefe humanitário das Nações Unidas. Sei-o, porque as palavras me arrepiaram e quis saber de quem eram.

"Há 14 mil bebés que vão morrer, nas próximas 48 horas - a menos que consigamos ajudá-los. Não é comida que o Hamas vá roubar. Vamos correr o risco de levar aquela comida às mães, que não conseguem alimentar os bebés. É arrepiante, absolutamente arrepiante, mas isto é o que nós fazemos. Vamos persistir, seremos impedidos de passar, correremos enormes riscos, mas não vejo outra solução que não seja levar esta comida de bebé às mães que não conseguem alimentar os próprios filhos."

O bloqueio israelita dura há mais de 11 semanas.

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Gaza num inferno

por Miguel Bastos, em 11.02.25

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Trump ameaça transformar Gaza num inferno.
Neste momento, o território é um paraíso.

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O fim da guerra

por Miguel Bastos, em 04.12.23

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"A guerra na Ucrânia já acabou, não já?", atira-me o Alberto, com um sorriso irónico. Sabemos, os dois, que não. Mas sabemos, os dois, que cada guerra tem um tempo limitado de atenção. O holofote aponta, agora, na direção da Palestina - onde, nas últimas horas, morreram centenas de pessoas, depois de terem morrido milhares, desde o ataque de 7 de outubro. À semelhança de outras guerras, a guerra na Palestina vai "acabar", quando começar outra guerra, noutro sítio qualquer.

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Secretário-Geral

por Miguel Bastos, em 25.10.23

guterres.jpg 

Pelo que percebi, o embaixador de Israel na ONU pediu a “demissão imediata” de António Guterres, porque percebeu que Guterres é (mesmo) Secretário-Geral das Nações Unidas. Não é Secretário-Geral de Israel, nem da Palestina, nem da NATO, nem da União Europeia, nem do G7, nem da Web Summit. É de todos.

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Desafinação

por Miguel Bastos, em 20.05.21

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Em 1999, um professor palestiniano e um maestro israelita fundaram uma orquestra, com músicos árabes e judeus, de Israel e da Palestina, e de vários países do médio-oriente. Edward W. Said e Daniel Barenboim queriam chamar a atenção para o conflito israelo-palestiniano e a Orquestra West-Eastern Divan tornou-se um exemplo de que é possível trabalhar, em harmonia, com pessoas de diferentes religiões, etnias e nacionalidades.
 
O esforço de ambos tem sido compensado com salas cheias e prémios, em todo o mundo. Mas, também houve dissabores: particularmente, em Israel. Em 2001, Barenboim foi criticado por interpretar Wagner (compositor conotado com o antissemitismo), com uma orquestra alemã, em Jerusalém. Dois anos depois, Said morreu. E, no ano seguinte, vários políticos israelitas manifestaram desagrado com o discurso do maestro, quando recebeu um importante prémio, na área da música. Barenboim questionou a violação dos direitos fundamentais dos palestinianos, por parte de Israel, e afirmou que não percebia como é que o povo judeu - alvo de tantas discriminações, perseguições, deportações e mortes - podia ficar indiferente ao sofrimento dos palestinianos.
 
Descendente de judeus russos, Daniel Barenboim nasceu na Argentina e mudou-se para Israel, aos 10 anos. Aos 15 anos, obteve passaporte israelita. Há 15, obteve passaporte palestiniano. Na altura, considerou que um judeu com passaporte palestiniano funcionava como metáfora da solução "dois estados independentes", a única forma de alcançar a paz na região. Mas, a esperança de Barenboim parece ter terminado. O maestro não toca em Israel, há mais de 10 anos. Pior, afirma que não o voltará a fazer. O ouvido de Barenboim não aguentou tanta desafinação.
[Foto: Mohammed Salem / Reuters]

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