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Adeus, querido Inimigo

por Miguel Bastos, em 17.12.21

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"Carlos Alexandre mandou prender Pinho porque tinha metas para cumprir até ao final do ano
Rendeiro foi detido, mas cortinados da entrevista à CNN continuam a monte
Comissão Europeia admite que TAP só seja viável se passageiros viajarem em teletransporte"
Estou em lágrimas: alegria e tristeza, ao mesmo tempo. Esta é a última vez que o Inimigo vira o Público de cabeça para baixo.
Diz que vai andar por aí, como o outro.

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Comportamentos de risco

por Miguel Bastos, em 24.11.21

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Agora, pergunto: como é que se pode folhear estes jornais todos, sem humedecer o dedo médio?
Temos que escolher entre dois comportamentos de risco? Entre a COVID a ignorância?
Pois é, sobre isto ninguém fala. Enfim...

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30 anos, baby

por Miguel Bastos, em 18.11.21

Normalmente, o lançamento de um disco não é assunto de noticiário. E nunca é abertura de noticiário. Mas, há 30 anos, foi. Lembro-me da TSF abrir o noticiário das 8 com guitarras distorcidas, sons industriais, eletrónica ambiental, ritmos tribais a desaguar na dança, e uma voz carregada de efeitos. Um OVNI, na rádio portuguesa. Um OVNI planetário, soube depois. Os pacifistas U2 desencadearam uma espécie de blitzkrieg artística. Eu, que era leitor do Blitz (e do Sete, do Público, do DN, do Expresso, e do NME e do Melody Maker...), fui apanhado pelo ataque surpresa. Os U2 mudaram tudo: da luz do sol, para as luzes de néon; da América para a Europa; do deserto para a metrópole; da flanela para o nylon; do rock puro e duro, para o rock sujo, industrial, eletrónico, rítmico, pulsante. Olhei, boquiaberto, para Bono - maquilhado, com óculos de mosca, repleto de brilhos - e esfreguei os olhos e os óculos. Um Bono mais Bowie do que Dylan. Nunca visto, nunca ouvido.

 
É claro que, mais tarde, ao raspar o verniz, ao soprar as purpurinas, reencontrámos os U2 de sempre - com as suas canções e as suas causas - a conviver com os novos - mais dançáveis, mais eletrónicos, mais experimentais. Os U2, a inventar o futuro. Um disco como "Achtung baby" é uma coisa rara. Continua a ser. Faz 30 anos. Espantoso. Podem fechar a boca. Para não entrar mosca.

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Postal

por Miguel Bastos, em 01.09.21

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"Ainda bem que chegaste", costumava dizer-me um velho amigo de infância, quando eu chegava de férias. "Podes-me ler o postal que me enviaste? Gostei muito, mas não percebi nada do que está escrito. A tua letra é terrível." Não sei se vou perceber o livro “Ilhas da Ria”, da Maria José Santana. Aparentemente, a letra não é má. E já vi o postal. É lindo, tem uma foto do Adriano Miranda.

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O Sr. Rádio

por Miguel Bastos, em 30.08.21

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Coisa rara: a rádio, nas páginas do jornal. O sr. Macedo, no Público, a falar da rádio - do direto e das diretas. Foi a ouvir rádio (Manuel Alegre, na Rádio Portugal Livre), que o jovem António descobriu a política. Antes, também a ouvir rádio, já tinha decidido o que queria ser quando fosse grande. O que foi (e é): um grande homem da rádio.

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Retratos da pandemia

por Miguel Bastos, em 16.04.21

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Ontem, o Adriano Miranda passou cá em casa. Trouxe dois exemplares de "Emergência 366" - o novo livro, que fez emergir com o Paulo Pimenta. Um excelente documento do ano mais estranho de que temos memória. Trocámos palavras breves. Eu estava entre dois noticiários; ele estava numa maratona de entregas. Devia-lhe ter pedido para tirar uma foto. O Adriano fica sempre bem na fotografia.

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Os velhos

por Miguel Bastos, em 21.12.20

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A Rita abria os braços e corria para o televisor, a sorrir: "SA-RA-MA-GO!" A menina não tinha, ainda, 2 anos e não entendíamos a razão de tanto entusiasmo. Com o Nobel, Saramago tinha passado a aparecer muito no ecrã. Mais tarde, percebemos que a pequena Rita gritava "SA-RA-MA-GO!" sempre que via um senhor velhinho na televisão. Concluímos que, habitualmente, não há muitas pessoas de idade na televisão. Se não tivesse crescido, talvez, hoje, a Ritinha gritasse "LOU-REN-ÇO!" - outro velhinho excecional, recentemente falecido. Ontem, muita gente ficou muito entusiasmada com a capa do jornal Público. O próprio autor das imagens da capa, Adriano Miranda, confessava, no dia anterior, que estava tão excitado, que não sabia se iria dormir. Na capa do jornal, não estava um escândalo político, nem uma vitória desportiva, nem sequer um velhinho excecional: estavam velhos. E uma pergunta, inquietante, no interior: "Porque escolhemos não ver os velhos?" E um texto, assombroso, da escritora Dulce Maria Cardoso, que, a dada altura, refere: "Todas as crianças são parecidas entre si, os velhos são velhos cada um à sua maneira". Tínhamos, então, velhos no jornal - o grupo mais afetado pela pandemia. Muitos velhos. Mas, cada um com o seu nome, a sua idade, a sua profissão. Cada um "à sua maneira". Só isto: que é tanto.

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Agradecimento público

por Miguel Bastos, em 01.10.20

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O jornal que me deu a conhecer Calvin e Hobbes e o nosso genial Luís Afonso, faz capa com o mestre Quino e homenageia Mafalda na última página. Que bonito! Obrigado Público!

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Vicente Jorge Silva

por Miguel Bastos, em 08.09.20

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Vicente Jorge Silva não foi só um jornalista. Foi um super-herói, um criador, um revolucionário, um visionário, uma pop star, um homem da renascença. O Público foi feito para nós: os que sonhavam com um Portugal mais moderno, mais irreverente, mais cosmopolita. E que gostavam que esse Portugal não fosse, inteiramente, impossível. Já gostávamos do Público, antes de ele ter nascido. E continuámos a gostar: mesmo quando, às vezes, o Público nem parecia o Público.
[Foto: Luís Vasconcelos - Público]

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Citar o desassossego

por Miguel Bastos, em 14.02.19

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Deixem-me citar o jornalista Nuno Pacheco. Escreve ele, hoje, no Público: "Citar substitui a leitura [...]". E depois, cita o "Livro do Desassossego", de Pessoa, para falar de contexto. Isto, sem citar a polémica que estalou na CPLP. Pessoa, recorde-se, foi acusado por jornais angolanos e cabo-verdianos de ser um perigoso racista e um apoiante da escravatura. Falta o resto da frase de Pacheco "[...] tal como a vaga ideia substitui o pensamento". Fim de citação.

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