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Citar o desassossego

por Miguel Bastos, em 14.02.19

pessoa.jpg

Deixem-me citar o jornalista Nuno Pacheco. Escreve ele, hoje, no Público: "Citar substitui a leitura [...]". E depois, cita o "Livro do Desassossego", de Pessoa, para falar de contexto. Isto, sem citar a polémica que estalou na CPLP. Pessoa, recorde-se, foi acusado por jornais angolanos e cabo-verdianos de ser um perigoso racista e um apoiante da escravatura. Falta o resto da frase de Pacheco "[...] tal como a vaga ideia substitui o pensamento". Fim de citação.

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Coisas perigosas

por Miguel Bastos, em 04.01.19

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Leio Manuel Luís Goucha no Público: "O politicamente correto é perigoso". Pois é, Manuel. Mas há coisas mais perigosas: esticar o braço direito com a palma estendida, cometer crimes contra pessoas de cor, lutar por audiências a qualquer preço... 

[Foto Rui Gaudencio/Público]

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Arte contemporânea

por Miguel Bastos, em 24.09.18

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"Não sabia que os senhores jornalistas se interessavam tanto por arte contemporânea!", disse o primeiro-ministro, com um sorriso irónico. António Costa sabe que os jornalistas não se interessam por arte contemporânea. Nem os políticos. Nem o grande público. As instituições convidam os políticos para a inauguração de exposições, na esperança de atrairem a atenção dos media e, consequentemente, do público. Os jornalistas estavam lá por causa de António Costa e ele sabia isso.

 

Por este dias, discute-se Robert Mapplethorpe. Isto porque o diretor do Museu de Serralves achou que o acesso às imagens sexualmente explícitas não devia ter limites. Já a administração achou que essas imagens deviam ser colocadas em salas de acesso limitado. Como, recentemente, aconteceu com a exposição de Jeff Koons. O verniz estalou, o diretor demitiu-se. E muita gente ficou surpreendida, porque achava que a exibição de bondage e sadomasoquismo seria sempre consensual, até no canal Panda. 

 

Hoje, o jornal Público sugere que a questão resulta de um mal-estar interno em Serralves: de divergências entre a administração e a direção e os trabalhadores. E, a ser assim, tudo volta ao normal: os políticos e os jornalistas voltam a interessar-se por arte contemporânea. Mas, apenas, porque envolve política e poder. O público em geral, sabendo que há sexo envolvido, também se interessa. E muito.

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Abstenho-me!

por Miguel Bastos, em 08.02.18

[Foto Nelson Garrido]

cardela patriarca de lisboa.jpg

Conselho do Cardeal Patriarca de Lisboa aos católicos que voltam a casar: abstinência sexual. Eu abstenho-me. Mas, só de comentar...

 

https://www.publico.pt/2018/02/08/sociedade/noticia/recasados-catolicos-devem-ser-aconselhados-a-viver-como-irmaos-1802394

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Belmiro de Azevedo

por Miguel Bastos, em 29.11.17

belmiro.png

 

Depois de uma tarde de elogios fúnebres, a morte de Belmiro de Azevedo dividiu o parlamento. O voto de pesar foi a votos. PS, PSD, CDS e PAN votaram "sim". PCP votou "não". Bloco de Esquerda e Verdes votaram "nim". Belmiro já não reina, mas ainda divide.

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Deixa andar

por Miguel Bastos, em 03.05.17

A empresa devia 282 milhões ao banco. Mas, como não tinha dinheiro, disse que só pagava 20%. E o banco disse que sim. Não é segredo é Público. O banco diz que é comercial, mas não fez grande negócio. A empresa chamava-se Ongoing, mas não foi a lado nenhum. Tudo isto, no país do "deixa andar".

BCP aceita receber só 20% da dívida da Ongoing

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Obrigado, BPN!

por Miguel Bastos, em 03.10.16

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“Nunca tinha visto tantos jornalistas interessados em arte contemporânea”, brincou António Costa. Nessa altura, o primeiro ministro inaugurava um museu, de Siza Vieira, sob um manto ruidoso de vaias, assobios, palavras de ordem, bombos e apitos. Foi a primeira grande manifestação do movimento dos colégios privados. Protestava-se contra a decisão do governo de rever os contratos de associação.

 

Na sexta feira, António Costa voltou a inaugurar uma exposição, num espaço de arte contemporânea, com o dedo de Siza. Mas o cenário era muito diferente. Costa estava com Marcelo, Mariano Rajoy, o presidente da Câmara do Porto e o ministro da Cultura. Foi uma festa, cuidadosamente planeada, com Rui Moreira a anunciar que as obras de Miró ficavam no Porto. O ambiente era de regozijo. O fim de semana trouxe uma enchente a Serralves, com filas de espera para ver a famosa colecção que o governo decidiu que ficava em Portugal. Já agora, a colecção era de um banco que faliu e deu cabo das contas do Estado. O cartoonista Luís Afonso já brincou com o assunto, no Público: ainda vamos ficar gratos ao BPN. Parece que já estamos...

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... foi num bar gay

por Miguel Bastos, em 14.06.16

bandeira gay.jpg

 

Tenho estado atento às reações ao ataque terrorista em Orlando. É impressão minha, ou as pessoas estão-se a indignar, com muita moderação?

 

Haverá razões para isso? Já tinha pensado nalgumas razões. Por exemplo, no Europeu de futebol. Há luta de claques, greves, manifestações e, até, ameaças de terrorismo no Europeu. Mas, em Orlando não houve uma ameaça. Foi, mesmo, um ataque.

 

É certo que foi em Orlando. Não foi em Nova Iorque ou Londres ou Paris. Isso tem importância e será outra razão. Mas é inevitável chegar ao bar. Era um bar gay ou, se preferirem, LGBT.

 

As reações foram cautelosas. As notícias também. Como falar do assunto, sem ferir suscetibilidades? Houve demasiado cuidado com as palavras. João Miguel Tavares aborda (e bem) o assunto, no Público de hoje. Diz-nos, por exemplo que não faz sentido discutir se este foi um atentado terrorista ou um atentado homofóbico. Ele diria que foi “um terrorista assassinou 50 pessoas num bar gay americano”. Parece óbvio, mas ninguém disse. E era importante que o dissessem. Até porque terá sido o pior desde, pelo menos, o 11 de Setembro. E não parece… Toda a gente quis ser Charlie, mas ser Orlando parece mariquice.

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A outra face de Moedas

por Miguel Bastos, em 29.02.16

carlos moedas.jpg

Carlos Moedas deu hoje uma entrevista, muito interessante, no Público. Moedas mostra que é mais do que um tecnocrata. É um político, consciente de que a "política é cada vez mais técnica e a técnica e cada vez mais política". Pode parecer uma banalidade, mas não é. Um dos problema da política na Europa, é que, nos últimos anos, tem sido protagonizada por quem faz "apenas" uma coisa ou outra. 

 

Outro tiro certeiro de Moedas: o populismo. Diz Moedas: "Muitas vezes os diagnósticos dos populistas como o Nigel Farage (UKIP) e Marine Le Pen (Frente Nacional) põem o dedo na ferida, mas depois não sabem curar a ferida ou então a cura que tem é cortar a mão". A leitura é muito interessante. É que, muitas vezes - à esquerda e à direita - perde-se demasiado tempo a negar a ferida ou, mesmo, o dedo. E isso, é abrir o caminho para os demagogos.

 

Para a generalidade dos portugueses Moedas sempre foi um tecnocrata. Um bom aluno que aplicava as regras da troika e fazia as contas: sem questionar, nem pestanejar. Até o nome ajudava: Moedas. O comissário europeu mostra que é um político. É a outra face de Moedas.

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Governo cai de quatro

por Miguel Bastos, em 10.11.15

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O governo vai cair hoje. E vai cair quatro vezes, que é para não haver dúvidas. Cai de quatro. Ontem, começou a discussão do programa do governo. O governo acaba hoje. Antes, mesmo, de começar. O debate foi pobre, com a repetição de argumentos, de parte a parte. A coligação afirma que ganhou as eleições. A esquerda que tem na maioria no parlamento. É pouco. É curto.

 

No Parlamento, os líderes das bancadas do PSD e do CDS foram aguerridos e contundentes. No PS, Carlos César ensaiou um discurso de Estado. O Público sintetizou: “Direita travestida de oposição, esquerda em pose de Governo”.

 

À noite, na TVI, Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, colocou bem o assunto. A coligação ganhou as eleições e é verdade é que não tem a maioria. Se ela existir, à esquerda, ela terá legitimidade para formar governo. O problema é que tudo indica que nem o Bloco, nem o PCP, nem o PEV vão ter representação no governo. E aí coloca-se a questão da maioria. Não há maioria. Há um partido, que perdeu as eleições e que vai governar, apenas porque conta ter o apoio dos partidos à sua esquerda.

 

Se este governo cai de quatro, o próximo nasce feito num oito.

 

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