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Um dia inesquecível

por Miguel Bastos, em 26.09.22

dia inesquecivel.jpg 

Antonietta (Sophia Loren) acorda numa casa cheia de filhos. É dona de casa, diríamos nós. Um nome que se dá (ironicamente) a quem não é dono de nada: nem si próprio. Para ela, vai ser mais um dia como os outros. Para a família, que prepara com zelo, será "Um Dia Inesquecível". O dia em que Mussolini irá receber Adolf Hitler, com pompa e circunstância. O filme de Ettore Scola, não vai mostrar, no entanto, a Roma imperial em festa. Adivinham-se paradas militares, banhos de multidão, encontros palacianos. Mas, da festa, chega apenas o som, emitido pelos altifalantes. O som rodeia os únicos personagens que ficam em casa, num prédio, agora vazio: Antonietta e Gabrielle (Marcello Mastroianni). O som vai-se desvanecendo, à medida que os personagens vão mergulhando, um no outro e dentro de si próprios. No final do dia, "inesquecível", Antonietta irá voltar à algazarra que lhe esvazia a vida; Gabrielle irá partir, escoltado pela polícia, para o que, na melhor das hipóteses, será um exílio. Está visto, a história (não vou contar detalhes) não acaba bem. A Itália (sabemos, da história) não acabou bem. A Itália acorda, hoje, com saudades não sei de quê.

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Aeroporto

por Miguel Bastos, em 23.09.22

E, aí, está ele: o aeroporto, de novo. O primeiro-ministro e o presidente do PSD estão de acordo. Viva, viva! Sabem o que é que vão fazer? Adivinharam. Uma comissão técnica (uau!), para avaliar as diferentes localizações possíveis para o futuro aeroporto (pumba!). Ora aí está uma ideia arrojada. Mais disruptiva só uma coisa tipo "Pim, pam, pum". Mais "fora da caixa" só uma cena tipo "Um, dó li, tá".

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Eça

por Miguel Bastos, em 23.09.22

eca.JPG  

... e eu ando a dizer isto há anos, senhor Queiroz. Só que a mim ninguém me ouve. Eça é que é Eça.

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Na cabeça de Putin

por Miguel Bastos, em 22.09.22

cabeça putin.jpg 

O que é que se passa, afinal, "Na cabeça de Putin"? Muitas coisas, contraditórias entre si. Neste ensaio, Michel Eltchaninoff aborda a filosofia, a história e a literatura, que estão na base do pensamento e da ação política de Putin. Recorda a chegada do antigo agente do KGB à presidência, com a aura de um reformista, que iria transformar a velha Rússia, numa democracia moderna, plural, liberal. Mas, com o tempo, Putin foi-se revelando um conservador, quando não um reacionário. Terá mudado? Não sabemos. Como entender que um agente soviético, leal e cumpridor, se tenha tornado um antissoviético feroz? Como entender que promova o regresso dos exilados da União Soviética (aristocratas, intelectuais, artistas), ao mesmo tempo que lamenta a queda da União Soviética?
O que une, afinal, tantas contradições "Na cabeça de Putin"? O poder: Putin quer-se manter no poder, para "devolver" o poder à Rússia. Um poder dominante sobre o mundo, que é, no seu entender, um direito histórico e natural. O ressentimento contra o chamado ocidente, a defesa da religião, da família, dos valores tradicionais, o discurso contra os direitos dos homossexuais ou as críticas à falta de patriotismo dos países europeus (com exceção da Ucrânia), fazem parte de uma narrativa, que é instrumental. Escreve Eltchaninoff: "Para arrastar consigo os seus compatriotas, colocou uma tampa na história, tanto na russa como na soviética, no czarismo como no comunismo, na Rússia pós-soviética, na Ucrânia, na Europa, no Ocidente. Substituiu a sua análise lúcida por uma mitologia fundada no poderio russo frustrado".
Para onde vai, afinal, a "cabeça de Putin"? Não sabemos. Será, sempre, para onde ele quiser. O que a torna muito imprevisível. E perigosa.

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A filha da PIDE

por Miguel Bastos, em 21.09.22

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Annie era filha única, do último diretor da PIDE. José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz chamaram-lhe "A filha rebelde". Um exagero, decerto. Annie era, apenas, uma rapariga do seu tempo. Que não gostava assim lá muito dos chefes reacionários de Portugal. E que gostava um bocadinho lá muito dos chefes revolucionários de Cuba. Apaixonou-se, fugazmente, pelo guerrilheiro Che Guevara. Namorou, prolongadamente, com um ministro do Interior chamado Abrantes. Fora isso, tudo como dantes? Não. Porque, entretanto, também houve uma revolução em Portugal. E os filhos da revolução mandaram o pai, Silva Pais, para uma prisão que ele bem conhecia: Peniche. A vida de Annie dava um filme. Dava. Para já, deu um livro (um excelentíssimo livro!) e uma série (que começa, hoje, na RTP).

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Inverno

por Miguel Bastos, em 21.12.21

O inverno começa daqui a pouco. Ainda bem. Estou cansado do verão.

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Egrégios avós

por Miguel Bastos, em 17.11.21

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Ayatollahs da grafia! Templários da Língua Santa! Rabinos da pureza eterna! Atentai à partitura do Hino, expressão da mais profunda portugalidade.
Os nossos "egrégios avós" chamaram-lhe "A Portugueza". Com "z". Brutos!

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Dona Madalena

por Miguel Bastos, em 17.11.21

mascaras rua.jpg

A culpa é da Dona Madalena. Com os números da COVID a subir, já se defende (e bem!) o regresso ao uso de máscara na rua.
 
Este fim de semana, estou a contar ir à bola com uns amigos. Ao todo, seremos uns 20 mil. Claro que nem todos são amigos. Alguns são inimigos. Se tudo correr bem, iremos comemorar com uma bacalhoada, regada a bom tinto. Se correr mal, comemos uma bifana e seguimos para um desses bares da moda, com gin e especiarias com nomes esquisitos. Independentemente dos cenários, temos planos para seguirmos para uma pista de dança, rodeados de miúdas giras.
 
Estou preocupado com a Dona Madalena. Tem o estranho hábito de sair à rua: depois de arrumar a cozinha, antes da novela. Vai passear o bolinhas, muitas vezes sem máscara. A prevaricar, pela calada da noite, Dona Madalena! Depois admiram-se que isto fique cada vez pior!

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Saramago

por Miguel Bastos, em 16.11.21

Era uma vez um escritor que, aos 99 anos, começou a celebrar o seu centenário. Não chegou, no entanto, a fazer 100 anos. Pela simples razão que não chegara a fazer 99. Porque, muitos anos antes, tinha decidido ser eterno. Ou, se calhar, não decidiu. Terá sido uma parábola a decidir por ele. Uma parábola de Saramago.

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Conselhos de beleza

por Miguel Bastos, em 15.11.21
- Ó pai, é verdade que as pessoas bonitas são menos inteligentes?

- Não, basta olhar para a tua mãe, para ver que isso não é verdade.

- Como assim?

- Ser bonito, não te torna nem mais - nem menos - inteligente.

- Mesmo assim, pai, é possível ser mais uma coisa do que outra.

- Hum...

- Tu achas que és mais bonito ou mais inteligente?

- Ó filho, já te disse...

- Escolhe.

- Bonito, pronto.

- A sério?! Pois eu acho que é melhor investires nisso de seres inteligente!

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