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Em português

por Miguel Bastos, em 31.01.24

david furtado.jpg 

Como é que se diz David Bowie, em português? Ah, já me lembrei: Catarina Furtado.

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Bravo, Gustavo!

por Miguel Bastos, em 14.02.23

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Parece que passou despercebido, à maioria dos comentadores. O mercado de inverno fechou, com uma das maiores transferências de sempre: Gustavo Dudamel trocou a Filarmónica de Los Angeles, pela Filarmónica de Nova Iorque. Gustavo, venezuelano, 42 anos, filho da pobreza e da utopia do "El sistema", vai ser maestro titular, a partir da temporada 2026/27, da orquestra que já foi dirigida por Leonard Bernstein e outro Gustavo: Mahler. Quando chegou a Los Angeles, há mais de 10 anos, teve direito a jornalistas, multidões e celebridades. Uma coisa à americana: "Bienvenido Gustavo". Tudo indica que, agora, o fenómeno se vai repetir. Estive a recordar alguns artigos de imprensa, "trailers" promocionais , entrevistas, conferências de imprensa. Numa delas, perguntavam a Dudamel que música é que ele gostava de ouvir: "Beethoven, Mahler, Schostakovich...". E ouve música popular? "Claro, eu adoro tango, merengue... Astor Piazolla, Juan Luís Guerra...". "Eu estou a pensar em música americana", insiste o jornalista. "Eu também", responde o maestro a sorrir. Ele veio da terra de Simón Bolívar, o libertador.
Recordo a passagem da Orquestra Juvenil da Orquestra Simón Bolívar pelo Royal Albert Hall, nos BBC Proms de 2007. "Eles podiam ter trazido Mahler ou Beethoven", diz a locutora da BBC, "mas preferiram mostrar quão boa é a música deles". Nessa noite de glória, a Orquestra tocou vários compositores da américa latina e as "Danças Sinfónicas de West Side Story", de Bernstein. O compositor tornou-se indissociável da orquestra e de Dudamel. Foi ele a assinar a direção musical da versão mais recente do musical de Bernstein, realizada por Steven Spielberg. É ele que vai dirigir a Orquestra que já foi de Bernstein. É ele que tem levado a música dos compositores latino-americanos, ao mundo inteiro: entre eles, Heitor Villa-Lobos. É ele que que faz cantar a língua portuguesa, nos melhores palcos do mundo. Bravo, Gustavo!

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Joana

por Miguel Bastos, em 04.01.23

joana.jpg 

- Tira daí a mão!
- Como?
- Isso é da Joana, ou quê?!
- É.
- Nesse caso, está bem.

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Mega Ferreira

por Miguel Bastos, em 26.12.22

mega.jpg

Vivemos num tempo de especialização - continua e progressiva. Ser (realmente) bom numa coisa, implica (geralmente) abdicar de tudo o resto. São poucos aqueles que são verdadeiramente bons, em várias coisas: simultânea ou alternadamente. Enciclopédico, Mega Ferreira foi jornalista, escritor, gestor, sonhador, fazedor: na RTP, no JL, na Ler, na Expo, no CCB. Há muito, que o tempo não está de feição para os homens da renascença. Mega Ferreira foi contra o tempo e renasceu várias vezes. Hoje, morreu.

https://www.publico.pt/2022/12/26/culturaipsilon/noticia/morreu-escritor-jornalista-antonio-mega-ferreira-2032731

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Dia da Europa

por Miguel Bastos, em 09.05.22

"Ó Clarinha, olha as pombas,
Vem, não tenhas medo, não,
porque as pombas, ó Clarinha,
vão pousar na tua mão",
canta o pequeno Pedro, de dois anos.
A melodia é do "Hino à Alegria" que Beethoven, compôs, em 1823. O Pedro cantou a melodia, em 1982, três anos antes da União Europeia a ter adotado como hino. A Europa retirou as palavras de Schiller e "utiliza a linguagem universal da música", num arranjo do maestro Karajan. Apesar da letra parecer complicada, porque é em alemão e fala de deuses gregos, tem uma mensagem muito simples: "Todos os homens devem ser irmãos". Uma mensagem de paz, em dias de guerra, no Dia da Europa.
 
A voz pode Pedro pode ser ouvida aqui:
 
A mãe do Pedro, Ana Faria, canta aqui:

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Holocausto

por Miguel Bastos, em 27.01.22

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto
"No filme 'A Lista de Schindler'", recorda o compositor John Williams, "há uma cena em que um violinista, judeu, entretém um grupo de oficiais nazis. Então, eu disse ao Steven 'seria bom termos um violinista' e pensei, logo, no Itzhak. Ele veio ter connosco e viu uma parte do filme, mas começou a ficar tão emocionado que disse 'eu não consigo ver mais, o melhor é começarmos a tocar'". E tocou. E, desde então, não parou de tocar. Onde quer que vá - da América do Norte, ao Extremo Oriente; do Norte da Europa à África do Sul - pedem sempre a Itzhak Perlman que toque esta peça.
Aqui, tocou-a num concerto de homenagem a John Williams, com a Orquestra Filarmónica de Los Angeles, dirigida pelo maestro Gustavo Dudamel. Aqui, ele toca-nos. Uma vez mais.

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Beethoven

por Miguel Bastos, em 08.12.21

Esta maravilha é Património da Humanidade, há 20 anos. Que alegria, senhor Beethoven!

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Música clássica

por Miguel Bastos, em 25.11.21

A música clássica é chata. A contemporânea ainda é pior. E, quando tenta ser "acessível", é, apenas, "pirosa". Estes, pelo menos, não têm crianças e balões. Ou, têm? Querem lá ver?

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Desafinação

por Miguel Bastos, em 20.05.21

israel.jpg

Em 1999, um professor palestiniano e um maestro israelita fundaram uma orquestra, com músicos árabes e judeus, de Israel e da Palestina, e de vários países do médio-oriente. Edward W. Said e Daniel Barenboim queriam chamar a atenção para o conflito israelo-palestiniano e a Orquestra West-Eastern Divan tornou-se um exemplo de que é possível trabalhar, em harmonia, com pessoas de diferentes religiões, etnias e nacionalidades.
 
O esforço de ambos tem sido compensado com salas cheias e prémios, em todo o mundo. Mas, também houve dissabores: particularmente, em Israel. Em 2001, Barenboim foi criticado por interpretar Wagner (compositor conotado com o antissemitismo), com uma orquestra alemã, em Jerusalém. Dois anos depois, Said morreu. E, no ano seguinte, vários políticos israelitas manifestaram desagrado com o discurso do maestro, quando recebeu um importante prémio, na área da música. Barenboim questionou a violação dos direitos fundamentais dos palestinianos, por parte de Israel, e afirmou que não percebia como é que o povo judeu - alvo de tantas discriminações, perseguições, deportações e mortes - podia ficar indiferente ao sofrimento dos palestinianos.
 
Descendente de judeus russos, Daniel Barenboim nasceu na Argentina e mudou-se para Israel, aos 10 anos. Aos 15 anos, obteve passaporte israelita. Há 15, obteve passaporte palestiniano. Na altura, considerou que um judeu com passaporte palestiniano funcionava como metáfora da solução "dois estados independentes", a única forma de alcançar a paz na região. Mas, a esperança de Barenboim parece ter terminado. O maestro não toca em Israel, há mais de 10 anos. Pior, afirma que não o voltará a fazer. O ouvido de Barenboim não aguentou tanta desafinação.
[Foto: Mohammed Salem / Reuters]

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Adeus, carnaval

por Miguel Bastos, em 17.02.21

A Filarmónica de Berlim tem samba no pé? Tem, pois! Na realidade é um "choro", que se deve dançar com a alegria de outros carnavais. Claro que ter um maestro como Daniel Barenboim - um judeu de origem russa, nascido em Buenos Aires e cheio de música e de mundo - ajuda a transformar qualquer pé-de-chumbo num Rei Momo.

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