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(Não há) Sol na eira

por Miguel Bastos, em 01.12.15

capa sol .jpgcapa i.jpg

Já não há Sol na eira. Só chuva no nabal. Os jornais “Sol” e “i” estão à beira da morte. O grupo angolano Newshold desistiu dos dois jornais. Ambos têm problemas graves, desde o seu nascimento. O “i” nasceu com Martim Avillez Figueiredo (agora no grupo de Balsemão), André Macedo (actual diretor do DN) e o (agora famoso) Grupo Lena. Ao fim de um ano, os proprietários e a direcção do jornal estavam em conflito. Depois, o "i" andou de mão em mão. Agora, chegou aqui. O “Sol” foi mais um jornal fundado (por um ex-diretor) com o objectivo de vender mais do que o Expresso (como o Semanário e o Independente). Os resultados estão à vista.

 

Espanta-me, pois, ler alguns comentários online: “não prestam”, “já vão tarde”, “não fazem falta”, etc. Os jornais fazem falta. São essenciais à democracia. São fonte de informação, de conhecimento, de entretenimento. Mas, para muitos, nada disso interessa. Nem os mais de cem trabalhadores que vão para a rua. Se ficarem alguns, vão ficar em condições ainda mais precárias.

 

E, depois, os jornais vão ficar piores. E, depois, dizemos que não prestam. E, com isto, não percebemos que perdemos todos.

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O Super-Portas

por Miguel Bastos, em 12.11.15

paulo portas parlamento.jpg

Desde que Paulo Portas decidiu assumir-se como político, que há muita gente a fazer comparações entre o Portas jornalista e o Portas político. Entre o Portas das perguntas e o Portas das respostas. Entre o Portas da ideologia e o Portas da prática. Ou, entre o Portas dos princípios e o Portas dos compromissos. Lamento informar: não há dois Portas. Só há um. Portanto, não faz sentido especular sobre coisas como “o que diria o Portas jornalista do governo PSD/CDS?” ou “o que diria o Portas jornalista do Portas ministro?” Diria o que lhe apetecesse e o que lhe desse jeito.

 

Que sentido faz distinguir entre Clark Kent e o Super-Homem, ou entre Peter Parker e o Homem-Aranha? Portas também veste e despe o fato (literalmente), consoante as ocasiões. Mas é sempre o mesmo. Seja o jornalista de convicções e speeds do Independente; o Paulinho das feiras, de parka e boné; ou o ministro Paulo Portas, de fato de estilo inglês. É sempre ele.

 

Esta semana, Portas esteve no parlamento, como membro do governo, mas já falava à oposição: “geringonça”, “bebedeira coletiva”, “ressaca”. Mas, então, onde é que está o Portas estadista? Está no mesmo sítio, mas já mudou de fato.

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Atirar lama, é Feio?

por Miguel Bastos, em 09.11.15

diogo feio.jpg

O CDS era contra a Europa e mudou de opinião, para entrar para o governo, acusou António Costa. O CDS respondeu “é mentira” e disse que Costa estava a atirar lama. Esta conversa, de meninos rabinos, tem a sua graça. Argumentos do CDS: o partido já estava a mudar de opinião desde 1998; o Manuel Monteiro é que era anti-europeu; Paulo Portas entrou no partido para “recentrar” o CDS. Bravo, meu caro Diogo! Já agora, não quer explicar que o CDS se encostou à direita com Monteiro, a dar a cara a um projecto político de … PP - Paulo Portas. Ou seja, Portas veio combater a sua própria tendência política.

 

Quando pensamos em eurocepticismo, lembramo-nos mais do Independente do que das declarações de Manuel Monteiro. Está escrito, Diogo, em papel de jornal. E, agora, até há um livro sobre isso. Portas transformou o seu eurocepticismo em euroconsciência e eurocalma. Dois termos que não estão nos dicionário de ciência política, mas que poderão surgir num qualquer dicionário de disparates.

 

Diogo Feio quer, assim, atirar areia para os nossos olhos. O que é parecido com atirar lama. Só que tem menos água.

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O Indy dependente

por Miguel Bastos, em 04.11.15

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Esta semana, o Sapo Blogs surpreendeu-me com um livro sobre o Independente. O livro sai amanhã, mas os autores já andam a deixar pistas.

 

Confesso que estou muito curioso para ler o livro. Gostei logo do grafismo: parece uma capa do jornal. E gostei do subtítulo: “A Máquina de Triturar Políticos”. Era isso que faziam. Escolhiam alvos e atiravam a matar, com títulos irreverentes, acutilantes, hilariantes. Usavam trocadilhos, ditados populares e referências da cultura pop. Mas, apesar da juventude, não havia inocência. O Independente tinha objectivos políticos claros: combater a esquerda, o cavaquismo e o PSD, e afirmar uma nova direita. Esta gente “irreverente”, era, afinal, profundamente conservadora. De tal forma, que o PSD e Cavaco eram “de esquerda”. De esquerda, vejam bem!

 

O Indy acabou porque, afinal, dependia de muitas coisas. Dependia de Cavaco, que saiu do governo; da guerra com o Público e o Expresso, que teimavam em prosperar; do CDS; de Paulo Portas, que, afinal, queria ser político. A sua entrada para a política acabou, simultaneamente, com o jornal e com o CDS, de Manuel Monteiro.

 

Hoje, Paulo Portas coliga-se com o PSD, vota Cavaco, vai votar Marcelo e adora a Europa. O CDS não cresce. Miguel Esteves Cardoso escreve no Público. O Expresso permanece e lidera.

 

Não sei porquê, mas lembrei-me dos vencidos da vida...

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