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Os meio e os fins

por Miguel Bastos, em 03.12.21

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Este é o novo sobressalto da democracia europeia: chama-se Eric Zemmour. O candidato à presidência do país da "Liberdade, igualdade, fraternidade" é um conhecido ex-jornalista e comentador da televisão. Zemmour é um judeu de extrema-direita, simpatizante de Pétain - símbolo máximo do colaboracionismo nazi. Um antimuçulmano, que já foi condenado por racismo, e que conta com o apoio de Le Pen pai. Zemmour anunciou que era candidato, num vídeo publicado no Youtube. Não é surpreendente. Os defensores das ideias mais antigas não hesitam em recorrer às tecnologias mais modernas, para espalharem a sua mensagem. Não é uma invenção do populismo de hoje. É uma invenção do populismo de sempre. Os "modernos", admiradores do teórico dos media Marshall McLuhan, continuam encantados com os "meios que são mensagem". Os "antigos" não olham a meios, para atingirem os fins.

[Foto: Joel Saget / AFP]

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Afeganistão

por Miguel Bastos, em 13.08.21

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Sabemos muito pouco sobre o Afeganistão. Um país devastado, há várias décadas. Uma espécie de aldeia gaulesa, que resistiu aos poderosos exércitos da União Soviética e dos Estados Unidos. Os talibã são, também, uma espécie de lusitanos, mas mais disciplinados: ou governam, ou não se deixam governar. Não é, no entanto, preciso perceber muito de Afeganistão, para perceber o que aí vem. Os talibã reconquistam o território, a grande velocidade, com a tomada militar de mais de uma dezena de capitais de província. Esta madrugada, caiu a segunda maior cidade do país: Kandahar. A capital, Cabul, está ameaçada. O governo tenta, ainda, salvar a pele, com acordos para a partilha do poder. Os soldados americanos estão de saída, mas, o governo enviou três mil soldados, para retirar o pessoal diplomático de Cabul. Outros países seguem o exemplo. As Nações Unidas pedem, aos países vizinhos, para abrirem as fronteiras. Mais de 3 milhões de refugiados já abandonaram o Afeganistão. Está tudo pronto para a desgraça. Estejamos prontos para as lágrimas de crocodilo.

[Foto: Reuters]

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Desafinação

por Miguel Bastos, em 20.05.21

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Em 1999, um professor palestiniano e um maestro israelita fundaram uma orquestra, com músicos árabes e judeus, de Israel e da Palestina, e de vários países do médio-oriente. Edward W. Said e Daniel Barenboim queriam chamar a atenção para o conflito israelo-palestiniano e a Orquestra West-Eastern Divan tornou-se um exemplo de que é possível trabalhar, em harmonia, com pessoas de diferentes religiões, etnias e nacionalidades.
 
O esforço de ambos tem sido compensado com salas cheias e prémios, em todo o mundo. Mas, também houve dissabores: particularmente, em Israel. Em 2001, Barenboim foi criticado por interpretar Wagner (compositor conotado com o antissemitismo), com uma orquestra alemã, em Jerusalém. Dois anos depois, Said morreu. E, no ano seguinte, vários políticos israelitas manifestaram desagrado com o discurso do maestro, quando recebeu um importante prémio, na área da música. Barenboim questionou a violação dos direitos fundamentais dos palestinianos, por parte de Israel, e afirmou que não percebia como é que o povo judeu - alvo de tantas discriminações, perseguições, deportações e mortes - podia ficar indiferente ao sofrimento dos palestinianos.
 
Descendente de judeus russos, Daniel Barenboim nasceu na Argentina e mudou-se para Israel, aos 10 anos. Aos 15 anos, obteve passaporte israelita. Há 15, obteve passaporte palestiniano. Na altura, considerou que um judeu com passaporte palestiniano funcionava como metáfora da solução "dois estados independentes", a única forma de alcançar a paz na região. Mas, a esperança de Barenboim parece ter terminado. O maestro não toca em Israel, há mais de 10 anos. Pior, afirma que não o voltará a fazer. O ouvido de Barenboim não aguentou tanta desafinação.
[Foto: Mohammed Salem / Reuters]

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Sadiq é o mayor

por Miguel Bastos, em 06.06.17

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Sadiq Khan pediu aos londrinos para não se alarmarem com a maior presença de polícia nas ruas. Foi criticado por Donald Trump, no twitter, por não levar o terrorismo a sério. Sadiq Khan já sabia (claro!) que tinham morrido 7 pessoas e que 48 pessoas tinham ficado feridas. Não foi preciso Trump dizer-lhe. Sadiq Khan não respondeu. Disse que tinha mais que fazer.

 

Sadiq Khan considerou o ataque cobarde e cruel. E que os londrinos não se devem deixar amedrontar. Está zangado e furioso. Mas, apelou à união. E praticou a união: ao lado de conservadores e trabalhistas; de médicos e polícias; bombeiros e líderes religiosos. Disse, ainda, que os terroristas odeiam a democracia. E que a ideologia que defendem é perversa e venenosa. Ele sabe que a luta não entre gente de cor diferente; ou entre gente de religiões diferentes. É entre a democracia e o totalitarismo. Entre liberdade e fanatismo.

 

Sadiq Khan prestou homenagem aos que morreram. Com gente de todas as cores e religiões. Sadiq Khan disse que os que matam em nome do Islão não o representam. Sadiq Khan é muçulmano. Sadiq Khan é o mayor. É mesmo.

 

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