Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Questão de vida ou morte

por Miguel Bastos, em 02.02.17

eutanasia.jpg

Há uns anos falava-se muito de temas fraturantes. O termo veio do PS, mas passou a ser associado também (ou, sobretudo) ao Bloco de Esquerda. Desta vez, o tema “fraturante” é a Eutanásia. Discutiu-se hoje, na Assembleia da República. Ou, pelo menos devia-se ter discutido. É que, às vezes, fica a sensação de que nem vale a pena discutir. Toda a gente já sabe tudo. Dentro e fora da Assembleia. Há 10 anos, vimos cartazes com imagens de bebés com mais de seis meses de gestação, a pedirem aos pais para não os matarem nos cartazes. Hoje, tivemos este sinal de STOP. Afinal quem é que fratura?

 

Para algumas pessoas, parece que se vai começar a matar gente: a torto e a direito; e dentro da legalidade. Vão-se usar os mesmos argumentos de outras batalhas. A interrupção voluntária da gravidez ia acabar com o nascimento de bebés. O casamento de pessoas do mesmo sexo ia acabar com a procriação. A procriação medicamente assistida ia acabar com o sexo. É incrível como é que ainda há gente em Portugal!

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Requiem de Bowie

por Miguel Bastos, em 12.01.16

david bowie lazarus.jpg

Quando ouvi “Lazarus” e “Blackstar”, as novas canções de David Bowie, fiquei assombrado. São duas canções densas e soturnas. Os vídeos agravam, ainda mais, o negrume. Blackstar, o álbum, é um Requiem, percebemo-lo agora. Apesar de ter piscado o olho ao “mainstream”, nos anos 80, Bowie nunca nos facilitou a vida. Muito menos agora, depois da sua morte. O seu último disco é doloroso de se ouvir.

 

A morte de Bowie lembrou-me Amadeus, a peça de Peter Shaffer levada ao cinema por Miloš Forman. Na peça/filme, Mozart, moribundo, escreve uma missa fúnebre, que deixa inacabada. A encomenda de um Requiem, a Mozart, foi um prenúncio da sua própria morte, envolta em mistério. Só que, ao contrário de Mozart, Bowie sabia que ia morrer. E preparou a sua morte. E escreveu, conscientemente, a música da sua morte.

 

O Requiem, de Mozart, é uma música avassaladora. Mas, Mozart é um personagem histórico. Morreu muito antes de termos nascido. Bowie não. E isso, deixa-me com arrepios na espinha.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Maria Barroso

por Miguel Bastos, em 07.07.15

maria barroso.jpg

Maria Barroso disse que a fé lhe trouxe “força para viver e força para morrer”. A frase inquietou-me, por acentuar a proximidade entre a vida e morte. Falou-se muito da morte na entrevista de Fátima Campos Ferreira: a morte dos pais, dos sogros, de Salgado Zenha e a quase morte do filho João Soares. Foi nessa altura, que reencontrou a fé. Agora, encontrou a morte. A sua morte.

 

A jornalista da RTP tinha pedido uma entrevista a Maria Barroso, a propósito dos seus 90 anos. Senti esses anos na entrevista - pelo percurso e pela experiência. Mas, ao mesmo tempo, não pareciam 90 anos: no timbre, no ritmo, no discurso, no pensamento. Ouvir Maria Barroso é, talvez, ainda melhor do que vê-la. A sua voz está no cinema, na poesia, na política. A sua voz límpida e afirmativa está na entrevista, inédita (Antena 1, RTP).

 

Num dia estava assim, num outro caiu e morreu. Foi, por isso, que a frase de Maria Barroso me inquietou. Para quem tem fé, vai reencontrar os que ama. Para os outros, apagou-se, simplesmente. Viver, morrer. ON/OFF.

 

PS: A Anabela Mota Ribeiro republicou uma entrevista maravilhosa com Maria Barroso. Está no seu blog.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A morte saiu à rua

por Miguel Bastos, em 13.04.15

gunter grass.jpg

 A morte de um escritor é sempre notícia. Günter Grass morreu, esta manhã. Ouvi na rádio e, depois, li nos jornais on-line.

 

Geralmente, conhecemos a vida e obra de um escritor nos obituários dos media. Raramente, um escritor é notícia. O lançamento de um livro, não é notícia. Uma entrevista de um escritor, não é notícia. Mas a sua morte é. E é nessa altura, com o corpo ainda quente, que (ironicamente) se começa a falar da sua vida.

 

Não será, apesar de tudo, o caso de Günter Grass. O escritor foi distinguido com o prémio Nobel, em 1999. E isso é notícia. Quando alguém recebe um Nobel, os media tentam perceber porquê.

 

Entretanto, esta tarde morreu outro escritor: Eduardo Galeano. Verifico que o tom das notícias é semelhante: um parágrafo para dizer quem é, outro para realçar as obras mais importantes, um breve resumo da sua vida familiar, o contexto político em que viveu.

 

Depois, nada. Volta-se à política e ao futebol. Até que morra um escritor de vulto, que não conhecemos, mas que lamentamos a sua morte.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Abril 2019

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D