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As pessoas adoram chegar a uma cidade e conhecer as tradições locais. Em Aveiro, por exemplo, existe uma tradição muito, muito antiga, que consiste em colocar uma fita colorida de nylon, nas pontes da cidade. (Há lá coisa mais única e tradicional do que o nylon). É uma tradição que eu julgava secular, mas que, afinal, é milenar, já que nasceu neste milénio. Ah, a tradição...
"Verba volant, scripta manent" pode ser traduzido por "as palavras ditas voam, as palavras escritas mantêm-se". Aprendi a expressão com uns amigos, no liceu. Eles, sim, aprenderam latim. Eu, não, limito-me a gastá-lo.
Achei graça vestir uma camisola, que diz que a palavra escrita é a que tem mais valor, e, depois, trazê-la para a casa da palavra dita.
Hoje, mergulhei, a fundo, nos anos 90. Fui ao hipermercado, em calças de fato de treino. Comprei o jornal, em papel. Paguei, em dinheiro.
Se não fosse o senhor reformado, a jogar “online” com o vizinho do lado, e a avó modernaça, a falar alto no “whatsapp”, tinha sido uma experiência e pêras.
Bem, vamos lá regressar ao futuro. Enter.
"Como está a carteira dos portugueses?", pergunta a Antena 1. A minha está assim: velhinha. Sei que vou ter de a trocar, mas custa-me. Custa-me sempre, mas, desta vez, custa-me ainda mais. Aquele autocolante, colado no lado esquerdo da minha velha carteira, é do mais novo, quando era mais novo. Quando era tão novo, tão novo, que ainda não era nascido. Nesse dia, em que se preparava para nascer, colei o mais novo na carteira. É onde está, até hoje. Na velha carteira, do mais velho. Eu.