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Na manifestação

por Miguel Bastos, em 24.11.17

manif.jpg

A manifestação vai no adro. Um homem, ainda jovem, destaca-se na multidão. Grita palavras de ordem. Ergue o punho, furiosamente. Coluna direita, ombros largos, peito para fora, braços e pernas arqueadas. A cabeça é rapada. A passada firme. Parece que marcha, nas suas botas de estilo militar. Veste de preto: calças justas, camisa, suspensórios, casaco tipo bomber.

 

O jovem de cabeça rapada e pose militar, sai do núcleo da manifestação e começa a distribuir panfletos: consigo ler, de soslaio, as palavras “luta", "apartidário", "movimento", "organização." Aborda um rapaz, perto de mim. Terá uns 13, 14 anos. Pergunta-lhe a idade. Aperta-lhe o braço. Fala-lhe da causa e da luta. Estranho o tom de voz. Não é marcial. Estende-me um panfleto. Preparo-me para o rejeitar. Olho para a mensagem, estupefacto. Fala da defesa da igualdade racial e de género. Da rejeição da violência e da descriminação. Da protecção dos animais. Guardei o papel no bolso. Tirei-o agora.

 

Não se deve julgar o livro pela capa. Eu sei. Mas, também, não se deve escolher uma capa aleatoriamente. Acho eu. Ou achava...

 

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Zumba na Caneca

por Miguel Bastos, em 23.06.15

tonicha zumba.jpg

O meu filho teve uma aula de Zumba. “E gostaste”, perguntei. “Não”, respondeu, “a música era muito pimba”. O meu filho tem seis anos.

 

Andam-nos a vender a Zumba há dois ou três anos. A dança começou nos anos 90, a moda chegou a Portugal há pouco tempo. Já li artigos sobre o assunto. Já assisti a pequenas demonstrações. Eu, que gosto de música latina e de exercício físico, não achei grande graça à Zumba. Pareceu-me uma mistura de aula de ginástica e lambada.

 

E, no entanto, toda a gente parece muito entusiasmada. Gente que (sim senhor!) está na moda e é elegante e faz running. E faz Zumba, com roupas de marca que se usam no “fitness”, no “step” e no “body balance”.

 

Ao ler que mais de 15 milhões de pessoas fazem Zumba regularmente; ou que o mundo se rendeu à Zumba; encolho-me e penso “Se calhar, eu é que estou errado”. Mas, felizmente, existem as crianças. Elas dizem sempre o que pensam:

                                     “E gostaste?”

                                     “Não, a música era muito pimpa.”

 

Há uns anos, havia o “Zumba na Caneca”. Dizia-se que era piroso. Já não deve ser. Volta Tonicha, sentimos a tua falta.

 

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