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Morreu Burt Bacharach

por Miguel Bastos, em 09.02.23

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O compositor tinha 94 anos e uma carreira repleta de grandes canções. Colocaram-no na categoria de "easy listening". O pai de Miguel Esteves Cardoso dizia que o que Burt Bacharach fazia era "difficult composing". Era tão bom a compor, que ouvíamos tudo sem esforço.


Bacharach começou, ainda nos anos 50, ao lado de grandes "crooners" como Vic Damone e Perry Como e de grandes divas, como Marlene Dietrich. Na transição para os anos 60, já com a cumplicidade do letrista Hal David, escreveu inúmeros sucessos para a voz de Dionne Warwick como "Walk on by", "Alfie" ou "l'll never fall in love again". Ou, ainda, "I say a little prayer", que voltaria a ser um grande sucesso na voz de Aretha Franklin. O mundo despontava para rock, mas Bacharach gostava do jazz de Dizzy Gillespie e Count Basie. Em 1968, o seu amor pelo jazz foi coorrespondido por Stan Getz. O saxofonista gravou, para a editora Verve, o "songbook" de Bacharach. Vários músicos de jazz juntaram Bacharach ao seu repertório.

O cinema também foi muito importante: Dusty Springfield cantou "The look of love", para a banda sonora de "Casino Royal"; BJ Thomas cantou "Raindrops Keep Fallin' on My Head" para o filme "Dois Homens e Um Destino. A canção foi premiada com Óscar. A conquista viria a ser repetida com a canção que Christopher Cross interpretou no filme "Arthur, o Alegre Conquistador".


Burt estava fora de moda, desde meados dos anos 70, e assim continuou até aos anos 90, quando gravou um disco com Elvis Costello, premiado com um Grammy. Nessa altura, os novos músicos resgatavam a sua música leve e pop, inspirada nos grandes compositores americanos como Gershwin ou Cole Porter, no jazz, na bossa nova ou noutros ritmos latinos. Em 2012, Bacharach e Hal David receberam o prémio Gershwin. Imagino o orgulho que deve ter sentido. Olho agora para ele, na prateleira da minha sala, na letra B. Está com um bom "look". Tem Britten e Bach de um lado, Bryan Ferry do outro. Acho que não está mal acompanhado.

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Amigos em Portugal

por Miguel Bastos, em 17.09.21

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No início dos anos 80, Miguel Esteves Cardoso estudava em Manchester - a cidade dos Joy Division e da editora Factory. Nessa altura, teve a ideia de criar uma editora, dentro do mesmo espírito, em Portugal. Com a ajuda de jovens músicos, como Pedro Ayres Magalhães e Ricardo Camacho, criou a Fundação Atlântica. Em pouco mais de dois anos, lançaram a Sétima Legião, relançaram os Xutos e Pontapés e editaram este "Amigos em Portugal", dos Durutti Column. A banda, de Manchester (e da Factory), tem um som melancólico, típico do pop-rock britânico alternativo da época, mas remete, também, para uma certa portugalidade de ambientes fadistas. O mesmo tipo de som cultivado por Anamar, Mler if Dada, António Variações, ou, mais tarde, os Madredeus.
 
Achava incrível que os talentosos Durutti Column tivessem escrito, gravado e editado um disco sobre Portugal, em Portugal. Nos anos 80, ouvia "Amigos em Portugal", numa cassete manhosa, gravada por um amigo de um amigo lá de casa, que, entretanto, se perdeu. O disco era muito raro e precioso. No outro dia, cruzei-me com ele e não resisti. Não sou fetichista, nem tenho espírito de colecionador. Mas, confesso, gosto muito de ter este velho amigo cá me casa.

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Semear Joy Division

por Miguel Bastos, em 06.07.18

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David Ferreira conta, hoje, que Ricardo Camacho começou a produzir discos, com a ideia de semear os Joy Division em Portugal. A primeira experiência foi a canção "Foram cardos, foram prosas": letra de Miguel Esteves Cardoso, música de Ricardo Camacho, voz de Manuel Moura Guedes. Tocam Vítor Rua e Toli, dos GNR. A beleza da coisa é que, apesar de soar a Joy Division, a canção tem uma melancolia, profundamente portuguesa. Ricardo Camacho iria explorar e aperfeiçoar a sonoridade com Né Ladeiras, António Variações e a Sétima Legião. O Ricardo era um génio. Era mesmo.

https://www.rtp.pt/play/p955/e355229/david-ferreira-a-contar

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O Indy dependente

por Miguel Bastos, em 04.11.15

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Esta semana, o Sapo Blogs surpreendeu-me com um livro sobre o Independente. O livro sai amanhã, mas os autores já andam a deixar pistas.

 

Confesso que estou muito curioso para ler o livro. Gostei logo do grafismo: parece uma capa do jornal. E gostei do subtítulo: “A Máquina de Triturar Políticos”. Era isso que faziam. Escolhiam alvos e atiravam a matar, com títulos irreverentes, acutilantes, hilariantes. Usavam trocadilhos, ditados populares e referências da cultura pop. Mas, apesar da juventude, não havia inocência. O Independente tinha objectivos políticos claros: combater a esquerda, o cavaquismo e o PSD, e afirmar uma nova direita. Esta gente “irreverente”, era, afinal, profundamente conservadora. De tal forma, que o PSD e Cavaco eram “de esquerda”. De esquerda, vejam bem!

 

O Indy acabou porque, afinal, dependia de muitas coisas. Dependia de Cavaco, que saiu do governo; da guerra com o Público e o Expresso, que teimavam em prosperar; do CDS; de Paulo Portas, que, afinal, queria ser político. A sua entrada para a política acabou, simultaneamente, com o jornal e com o CDS, de Manuel Monteiro.

 

Hoje, Paulo Portas coliga-se com o PSD, vota Cavaco, vai votar Marcelo e adora a Europa. O CDS não cresce. Miguel Esteves Cardoso escreve no Público. O Expresso permanece e lidera.

 

Não sei porquê, mas lembrei-me dos vencidos da vida...

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