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Apagão na rádio

por Miguel Bastos, em 28.05.25

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"O apagão fez acender um amor, inesperado, à rádio", escrevei há um mês. Nessa altura, lembrei-me de um outro apagão no (fugazmente ressuscitado) Rádio Clube Português. Dessa vez, o apagão chegou com aviso. A zona dos estúdios da Media Capital Rádios iria ficar sem eletricidade, devido a uma intervenção na rede elétrica. O aviso fora comunicado à empresa que detinha, ainda, a Rádio Comercial, a m80, entre outras. Aos microfones do Rádio Clube Português, Aurélio Gomes e Teresa Gonçalves (acho que não me estou a enganar) partilharam a informação com os ouvintes. Iriam fazer emissão, até deixar de ser possível.

O que se ouviu, depois, foi ao apagão da rádio em direto. "A eletricidade acabou de ser cortada. A partir de agora estamos a funcionar, apenas, com o recurso aos geradores da Media Capital". O episódio foi há mais de 15 anos, e não me lembro da sequência. Mas, o que aconteceu foi que os equipamentos foram entrando em falência, uns atrás dos outros: "já não temos internet"; "a rede interna deixou de funcionar"; "perdemos o contacto com a régie"; "ainda temos música", "o sistema de áudio colapsou", "a mesa de mistura, vai-se apagar", "vamos deixar de ter microfones dentro de alguns segundos". Até que chegou o silêncio.

Comentámos - entre nós, na rádio - aquilo que tinha acabado de suceder. Houve quem achasse que a emissão não tinha feito sentido nenhum. Devia-se ter dito, logo, que "a partir das 'x' horas, vamos deixar de ter emissão". Outros acharam brilhante, a ideia de emitir até ao apagão total. Eu era um desses. Sei que muita gente ouviu com a curiosidade de ver o acidente na autoestrada. Mas eu achei muito interessante levar a resistência da rádio, até ao limite. Como aconteceu, há um mês. Desta vez, porém, a minha rádio não se calou.

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Bond, Jeff Bond

por Miguel Bastos, em 21.02.25

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No filme "O amanhã nunca morre", James Bond luta contra um magnata dos media. O plano do magnata é simples: provocar uma guerra mundial; transmiti-la para todo o mundo; fazendo, assim, crescer o seu império. Como acontece em todos os filmes da saga 007, a história começa mal e acaba bem, graças ao protagonista:
Bond, James Bond.
 
Comentou-se, na altura, que a figura do magnata tinha sido inspirada em Rupert Murdoch. O empresário começou a sua carreira com um pequeno jornal da família, na Austrália, e ganhou influência mundial com a compra de jornais como o "The Sun", o "The Times", o "Wall Street Journal" e o "New York Post". O império alargou-se, depois, ao mundo editorial (HarperCollins) e à televisão (Sky e Fox).
 
Entretanto, a dimensão dos magnatas cresceu, com o desenvolvimento da informática e da internet: Bill Gates, Steve Jobs, Mark Zuckerberg, Elon Musk, Jeff Bezos. Este último, acaba de comprar o 007. Veremos como continua a saga. 
Bond, Jeff Bond.

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A nave

por Miguel Bastos, em 20.11.24

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N' "Os Dias que Correm", Fernando Alves vem sentar-se na minha rádio, para, depois, correr em todas as direções. Hoje, porém, deixou-se ficar para ver o movimento da própria rádio. Uma "nave espacial" - expressão usada por Carina Jorge, ao passar o comando da rádio a José Candeias que, depois, o passou a Ricardo Soares. Fernando Alves comparou as luzes da "nave espacial" às luzes brilhantes que se movem na Segunda Circular - numa velocidade que vai desacelerando à medida que o dia parece querer acelerar. Na rádio, cruza-se um país a várias velocidades: em vários locais ou no mesmo local. Fernando destaca a história de Inês Martins, com dois jovens a cruzar duas pontes do Tejo: de uma margem para a mesma. Uma viagem, rumo a um destino que parece o regresso à casa da partida, e que demora duas horas para fazer um percurso que deveria demorar meia hora, apenas. A dada altura, Fernando declina: a rádio é uma "nave espacial", é uma "nave especial". "E la nave va".
 

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Mudar a casa, queridos!

por Miguel Bastos, em 19.07.24

antena1.jpg 

Os queridos andam-nos a mudar a casa. Ainda faltam imensas coisas: cortinados, reposteiros, naperones, alcatifas, lustres, etc. Mas, já temos uma mesa nova. E é linda!

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Offshorezinho

por Miguel Bastos, em 08.01.24

"Ai, queridos, estou tão triste. O meu Balsemãozinho vai-nos vender a todos!" A nossa camarada tinha todas as razões para estar triste. O último grande patrão dos media preparava-se, na altura, para vender todas as revistas do grupo Impresa. "Sabe-se lá, para quem é que vamos trabalhar..." Esse era, de facto, um grande problema. E continua a ser. Para o melhor e para o pior, sabia-se de quem eram as revistas. Quem era o "patrão". A quem é que se devia dirigir os elogios. A quem é que se podia fazer críticas, pedir responsabilidades e exigir explicações. Os grandes patrões dos media têm vindo a ser substituídos pela mão invisível do capitalismo financeiro. Sem rosto. Cada vez mais, os jornalistas, essenciais para o escrutínio da democracia, trabalham para organizações que são muito pouco escrutinadas e muito pouco escrutináveis. São fundos, que detêm empresas, que controlam outras empresas, que se dizem donos das empresas de media. O que poderão dizer, atualmente, os jornalistas com a vida em suspenso: "Ai, a minha "comparticipadazinha", com capitais de risco, vai-nos vender a todos" ou "Ai, o meu "offshorezinho" vai-me despedir"?

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Dar a ver

por Miguel Bastos, em 07.01.24

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"A rádio dá a ver. Pode parecer obsceno, mas muitas vezes a rádio consegue dar a ver com maior eficácia, com maior verdade, do que a televisão." Fernando Alves, no Público. Estou a ver a rádio, no jornal.

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Rádio Titanic

por Miguel Bastos, em 30.12.23

O líder do PSD responde a uma pergunta. Depois, responde a uma segunda. E, finalmente, responde a uma terceira. Três perguntas feitas, inevitavelmente, por três jornalistas da televisão. Depois, o líder do PSD faz um movimento para trás, em direção ao microfone: "e um bom ano para todos". "Bom ano!", ouço alguém a responder. Reconheço-lhe a voz. É de um camarada da rádio. A rádio: um meio que a generalidade dos políticos teima em ignorar. Mesmo agora, numa altura em que uma delas se está a afundar, perante a estupefação de tantos. Claro que esta é a altura de arregaçar as mangas, pegar num balde e tirar a água do convés. Mas nada nos impede de pensar, como é que chegámos aqui.

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Jornalismo e jornalistas

por Miguel Bastos, em 10.10.23

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O livro "4 3 2 1", de Paul Auster, está cheio de referências ao jornalismo e aos jornalistas.
 
"Ser jornalista significava que nunca podíamos ser a pessoa que atirava pela janela o tijolo que começava a revolução. Podíamos ver o homem a atirar o tijolo, podíamos tentar perceber porque é que ele tinha atirado o tijolo, podíamos explicar aos outros a importância do tijolo no início da revolução, mas nós próprios nunca podíamos atirar o tijolo ou mesmo fazer parte da multidão que incitava o homem a atirá-lo. Por temperamento, Ferguson não era uma pessoa inclinada a atirar tijolos. Era, esperava ele, uma pessoa mais ou menos razoável, mas as agitações daquele tempo eram tais que os motivos para não atirar tijolos começavam a parecer cada vez menos razoáveis, e quando finalmente chegasse o momento de atirar o primeiro, a simpatia de Ferguson estaria com o tijolo e não com a janela."

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1, 2, 3. Rádio

por Miguel Bastos, em 09.06.23

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Hoje, estacionado na Antena 2. Próxima estação, Antena 3. 

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Audição

por Miguel Bastos, em 30.05.23

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- Ó pai, tens um livro do António Sala?
- Tenho, foi a avó que me deu.
- A sério?
- Sim. Sabes, o António Sala é uma grande figura da rádio.
- Eu sei, tem muita audição.
- Audiência, filho. Diz-se audiência. O programa dele tinha muita audiência.
- Não, pai, audição. Aaauuudição Activaaaa!

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