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Milošević

por Miguel Bastos, em 03.12.20

Ljubomir Stanisic é um cozinheiro que enriqueceu a cozinhar, para ricos; e a fazer televisão, para pobres. Há uma semana, resolver estacionar à porta da Assembleia da República para fazer uma greve de fome e insultar os representantes da República, com a cobertura dos media, que adoram pessoas "fora da caixa". Hoje, depois de ter sido atendido pelo SNS (que, coitados, andam com pouco que fazer) resolveu comparar o primeiro-ministro português a Milošević. Algumas pessoas acharão graça à comparação com o ex-presidente sérvio, esquecendo, talvez, que este foi preso pelo Tribunal Penal Internacional, sob a acusação de crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Esta manhã, disse à imprensa que "há 17 anos, passámos 21 dias de fome e derrubámos o filho da p***". Não disse que está em Portugal, há 23 anos.

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O orçamento

por Miguel Bastos, em 26.11.20

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O PCP já anunciou que se vai abster. Daqui a pouco, o PAN vai revelar o sentido de voto. A aprovação do Orçamento do Estado parece uma série de televisão. Gostava de seguir o Orçamento com mais atenção, mas o pessoal cá de casa anda mais interessado na Galactica: "By your command!"

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Livros para não ler

por Miguel Bastos, em 20.11.20

mario zambujal.png

"Puta”. “Meretriz, queria a senhora dizer”. “Pois sim, senhor subchefe, também pode ser isso”. Cito a "Crónica dos bons malandros", de Mário Zambujal: um homem do jornalismo, da rádio, da televisão, dos livros. Pode-se ser isso tudo: alternada ou simultaneamente. Haja talento. Vem isto a propósito de um livro que tem, no título, a profissão referida. Ao que parece, o livro já esgotou a primeira edição - apesar de só sair hoje.
 
Há uns anos, num encontro de escritores, Rui Zink - que muitos conhecem da televisão - queixava-se do facto de um concorrente de um 'reallity show' estar em primeiro lugar no top de vendas de livros. Entre as regras desse programa, referia Rui Zink, estava a proibição de ler. Na altura, pareceu-me uma alegoria de Saramago (que também estava no encontro): as pessoas que não leem, andam a escrever livros, para pessoas que também não leem. Sendo assim, porque é que estas compram esses livros? Creio que compram por impulso e que alimentam a esperança (sincera) de que um dia os irão ler. Quero reconfortar estas pessoas: não se martirizem por não lerem esses livros. Lembrem-se que aquelas pessoas, das capas dos livros, também não leem e algumas nem sequer os escrevem.

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O grande capital

por Miguel Bastos, em 06.11.20

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Esta noite, fui para a cama banhado em lágrimas. Ouvi Donald Trump, a queixar-se, com razão, do grande capital. Esses milionários que não apoiam gente pobre, como ele, que qualquer dia não tem dinheiro para pagar as despesas - água, luz, gás - da sua pequena torre em Manhattan.

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Marques Mendes

por Miguel Bastos, em 03.11.20

E, então, gostaram do programa de ontem? Eu, confesso, senti a falta do estúdio: os ecrãs, o cenário colorido, os doces regionais. Também senti a falta das sugestões de leitura. Mas isto, já se sabe, não é Marques Mendes quem quer.

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Agradecimento público

por Miguel Bastos, em 01.10.20

IMG_2244 (1).JPG

O jornal que me deu a conhecer Calvin e Hobbes e o nosso genial Luís Afonso, faz capa com o mestre Quino e homenageia Mafalda na última página. Que bonito! Obrigado Público!

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Fora do tempo

por Miguel Bastos, em 23.09.20

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"Essa já foi fora do tempo", diz Jerónimo de Sousa, a sorrir. O secretário-geral acusa o toque, mas dá a vantagem ao infrator. Faz parte do jogo. A editora de política da Antena 1, Natália Carvalho​, tinha acabado de fechar a entrevista com um "Obrigado pela entrevista que, espero, não seja a última como secretário-geral do PCP". Jerónimo sorriu. Antes, tinha respondido à pergunta "Onde é que vai estar nos dias 3, 4 e 5 de Setembro de 2021?" com um "Espero que na Festa do Avante". "No palco, a discursar?", insistiu a jornalista, "Veremos quem será o secretário-geral". Jerónimo de Sousa acha que o atual Presidente da República quer impor um bloco central e admite votar contra o próximo Orçamento do Estado. Assume convicções firmes e posições que poderão ser contestáveis. Mas fá-lo sem gritar, com respeito pelos adversários. E sorri, quando podia fazer fita e atirar-se para o chão.

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Benfica

por Miguel Bastos, em 17.09.20

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Luís Filipe Vieira está preocupado: com o sistema de justiça; com o funcionamento dos media; com a opinião pública; com a qualidade da democracia; com o emergência do populismo e da demagogia; com os princípios do Estado de Direito; com as conquistas de Abril. Luís Filipe Vieira é candidato à presidência. Do Benfica.

[Foto: Rodrigo Antunes - Lusa]

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Nada para dizer

por Miguel Bastos, em 09.09.20

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“Este livro”, diz a jovem na televisão, “surgiu a convite da minha editora. Eu disse logo que sim, mas depois lembrei-me que não tinha nada para dizer”. “E então desistiu”, pensei. “E, então, pensei vou falar sobre a minha vida", acrescentou a jovem senhora aos saltinhos, "espero que gostem”. “Vão gostar, com certeza” diz o apresentador, também aos saltinhos. O programa, de resto, também é todo aos saltinhos. A imagem salta para a cima e para baixo, para um lado e para o outro, para a frente e para trás. O programa salta de um tema para o outro, de um convidado para outro, de um efeito visual para o outro: um “zapping” sem mudar de canal, que eu espero que as pessoas gostem; tal como os livros sem “nada para dizer”, que as pessoas gostam; aos “saltinhos”, como as pessoas gostam.

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Vicente Jorge Silva

por Miguel Bastos, em 08.09.20

vicente.png

Vicente Jorge Silva não foi só um jornalista. Foi um super-herói, um criador, um revolucionário, um visionário, uma pop star, um homem da renascença. O Público foi feito para nós: os que sonhavam com um Portugal mais moderno, mais irreverente, mais cosmopolita. E que gostavam que esse Portugal não fosse, inteiramente, impossível. Já gostávamos do Público, antes de ele ter nascido. E continuámos a gostar: mesmo quando, às vezes, o Público nem parecia o Público.
[Foto: Luís Vasconcelos - Público]

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