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Restauração

por Miguel Bastos, em 01.12.21

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Hoje, é Dia da Restauração da Independência de Portugal. Esta manhã, houve uma cerimónia com o presidente da República e o primeiro-ministro. Foi curta e sem discursos. Contávamos com a celebração de 1640. Comemorámos 1600 e quarentena.

[Foto: LUSA]

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Dissolução

por Miguel Bastos, em 05.11.21

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Desculpem o "politiquês" e o "juridiquês", mas, em situações de grande complexidade, é inevitável recorrer a uma linguagem mais técnica: "Em Portugal o Presidente tem um poder do caraças". António Franco, antigo Chefe da Casa Civil do Presidente Jorge Sampaio.

[José Pedro Castanheira (2017), Jorge Sampaio, Uma Biografia, ıı volume - O Presidente, pag. 701]

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Nuvens negras

por Miguel Bastos, em 29.10.21

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Por estes dias, trocam-se acusações entre a esquerda e a direita; entre os vários partidos de esquerda; e entre os militantes dos partidos da direita, que vão para eleições internas. Portugal vai para eleições porque, supostamente, precisa de uma clarificação. Antes da clarificação, porém, as coisas vão ficando mais negras.

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Jovem centenário

por Miguel Bastos, em 09.07.21

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António Sampaio da Nóvoa deixou de ser representante de Portugal na UNESCO. Foi exonerado, pelo Presidente da República, por limite de idade. Sampaio da Nóvoa, que chegou a ser adversário político de Marcelo Rebelo de Sousa, está velho: tem 66 anos. O jovem que o exonera tem 72.
 
Entende-se, portanto, que 66 anos é uma idade excessiva para trabalhar na Organização das Nações Unidas, sediada em Paris, que esta semana está a homenagear, com entusiasmo, os 100 anos de Edgar Mourin.
 
Revejo a capa, de ontem, do jornal francês "Liberation": o jovem Mourin interpela-nos “ne baissez pas le bras / não baixem os braços”. Não sei, querido Edgar, isto está difícil. Estamos cansados. Já não temos a sua idade. Enfim, só quem cá chega é que sabe...

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Parece que é surdo!

por Miguel Bastos, em 14.06.21

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"Comigo não vai haver" recuo no desconfinamento, afirmou, ontem, o Presidente da República, de forma perentória.
Lisboa pode recuar no desconfinamento, admitiu, esta manhã, o secretário de Estado Duarte Cordeiro, que coordena a resposta à COVID-19, na região de Lisboa.
Em que é que ficamos? Ficamos na incerteza. Pior, ficamos nas mãos de um vírus: que é um insurreto, um marginal, um mal-agradecido. É que não ouve ninguém. Nem o Presidente. Parece que é surdo! 

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Comprar livros

por Miguel Bastos, em 11.02.21

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Leio esta manhã: "Marcelo Rebelo de Sousa abre a porta à venda de livros". Pelo que percebi, as pessoas não andam a ler, porque a venda de livros tem estado limitada. A partir de hoje, as pessoas vão desligar as novelas e os futebóis, para se dedicarem (finalmente) àquilo que mais gostam: velejar na epopeia grega, desbravar o existencialismo francês, mergulhar no romantismo alemão. Cuidado Cristina, não abordes a lírica camoniana, no programa da manhã, e vais ver as audiências a cair a pique! Ou é isto, ou não estou a ver bem o problema. Excesso de Camões.

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Marcelo

por Miguel Bastos, em 25.01.21

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Marcelo Rebelo de Sousa teve um resultado histórico. Ganhou, com mais de 60% dos votos. Um resultado muito semelhante à primeira eleição de Ramalho Eanes, em 1976. Melhor, só a reeleição de Mário Soares, em 1991. Marcelo ganhou, em todos os concelhos de Portugal. Todos. O melhor resultado de sempre. Isto não pode, nem deve, ser desvalorizado. Chama-se democracia.

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Saco azul

por Miguel Bastos, em 08.01.21

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"Eu tenho um saco azul", diz o candidato às presidenciais. Não é, presume-se, um caso para investigar, porque foi dito por Vitorino Silva, numa tertúlia com o presidente da República. O saco é de uma conhecida empresa multinacional. Normalmente, serve para guardar cobertores.

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Populismo faz parte

por Miguel Bastos, em 08.01.21

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"O populismo faz parte da democracia?", perguntou o jornalista António Jorge, esta manhã, na Antena 1. "Faz", respondeu António Costa Pinto, "A maioria das democracias não são derrubadas por golpes de estado e revoluções. São derrubadas a partir de dentro". E deu os exemplos recentes dos regimes autoritários e populistas da Polónia, da Hungria e da Turquia. O historiador e politólogo não teve dúvidas: a invasão do Capitólio não foi uma ação folclórica de um grupo de radicais de extrema-direita, foi organizada a partir da presidência. E isso, justificará a falta de reação das forças de segurança. Afinal, Trump ainda é presidente e, como tal, responsável máximo das forças armadas. Trump, como todos os líderes populistas, gosta de lei e ordem: mas só quando lhe convém. Já agora, uma coincidência trágico-cómica: a invasão do Capitólio decorreu no mesmo dia em que Marcelo Rebelo de Sousa e André Ventura debatiam as diferenças entre a direita social e a direita securitária.

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Pedras na calçada

por Miguel Bastos, em 05.01.21

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A dada altura, deixei de ver telenovelas. Mas lia os resumos, nos jornais. Assim, não perdia tempo, nem uma pitada da história, nem uma conversa com a vizinhança. Acho que se devia fazer o mesmo com os debates presidenciais. Com três debates numa noite, é impossível acompanhar todas as peripécias. Ontem, por exemplo, assisti aos debates entre Marcelo Rebelo de Sousa e João Ferreira e entre Marisa Matias e Ana Gomes, acabando, depois, por descobrir que o debate da noite tinha sido entre Vitorino Silva e André Ventura. Os debates deviam ser gravados, como as novelas. Assim, eu lia os resumos, nos jornais, e optava pela melhor trama. E as televisões podiam fazer boas promoções com imagens emotivas e canções de ir às lágrimas. Conseguem imaginar o impacto da promoção do debate entre Vitorino Silva e André Ventura ao som das "Pedras na calçada", de Paulo Gonzo?

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