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John Lennon

por Miguel Bastos, em 10.10.21

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Lembro-me que ouvi "Woman", pela primeira vez, na rádio. Talvez no programa de disco pedidos. Foi, também, na rádio que ouvi anunciarem a morte de John Lennon. E, hoje, a rádio lembrou-me que Lennon faria 81 anos. A efeméride fez-me voltar a "Double Fantasy". É o disco que tem "Woman" a tal canção, dedicada a Yoko Ono. De resto, todo o álbum é partilhado com Yoko Ono e aborda a vida familiar de ambos e do filho que geraram: Sean. Das canções mais clássicas, às mais experimentais, "Double Fantasy" ainda é um disco surpreendente. Em vez de um "Rest in Peace" estafado, resolvi não dar descanso ao John e trouxe-o para a rádio. Afinal, foi lá (foi cá) que nos conhecemos.

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José Afonso

por Miguel Bastos, em 07.10.21

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Um mês e meio antes do 25 de Abril, José Afonso - que já era cantor de Abril, antes de Abril acontecer - assinou este contrato. Foi só uma formalidade. O primeiro contrato - esse, sim, revolucionário - tinha sido assinado em 1968: o editor, Arnaldo Trindade, comprometia-se a pagar um salário fixo ao artista; José Afonso a gravar um disco por ano. Assinado o contrato, José Afonso gravou o disco "Cantares do Andarilho". A obra-prima (é o álbum de "Vejam bem") só não se destaca mais dos discos seguintes, porque estes variam entre o "tão bom como" e o "ainda melhor do que". José Afonso é, obviamente, um génio.
Podia (devia?) ter partilhado uma canção ou a capa de um dos seus discos. Partilho, no entanto, a imagem do contrato (está no interior de uma edição especial do "Cantares do Andarilho") porque me parece demonstrativa de uma coisa óbvia: sem meios de subsistência, José Afonso não teria conseguido criar e gravar a sua vasta obra. Para isso ter acontecido, foi necessário celebrar contratos e mobilizar meios técnicos, financeiros e artísticos. E foi por isso ter acontecido, que a música de José Afonso chegou até nós. Só que, entretanto, a empresa que detinha as gravações faliu, os discos esfumaram-se e ficámos privados de José Afonso.
E, agora, a boa notícia: até ao final do próximo ano, os 11 discos de José Afonso, gravados entre 1968 e 1981, vão ser reeditados. Vão ficar disponíveis nas plataformas digitais, em CD e em vinil. "O caminho faz-se caminhando" e começa (vejam bem!) com o "Andarilho". Cantemos.

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Beleza pura

por Miguel Bastos, em 23.09.21

Rita Redshoes disse, no Jornal 2 da RTP, que, durante muito tempo, ficava incomodada com o facto de evocarem, repetidamente, a sua beleza. Sentia que o seu trabalho era desvalorizado. Lena d'Água também disse que "era tão gira, que as pessoas só falavam de mim e esqueciam-se da música".

Ora, Rita é, há muito tempo, uma das compositoras, cantoras e instrumentistas mais inspiradas (e inspiradoras) em Portugal. E, sim, é linda. O que não retira nenhum valor ao seu trabalho. Pelo contrário, só acrescenta. Agora, parece-me evidente que ainda temos - todos nós - muito a aprender sobre a forma como abordamos a beleza: a nossa e a dos outros.

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Sala cheia

por Miguel Bastos, em 17.09.21

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Há uma cena do filme "24 Hours Party People", em que um guitarrista está a tocar numa sala vazia. É desolador. No final, só se ouvem os aplausos do dono do clube. O dono é Tony Wilson, o proprietário da editora Factory (Joy Division, New Order, Happy Mondays). O músico, Vini Reilly, está triste, porque ninguém quer saber da sua música e lamenta não estar a ajudar ao negócio. Tony diz-lhe para não pensar nisso: ele é um génio, a música dos Durutti Column é boa, é arte, e não depende da aprovação das massas. Hoje, escrevi um pequeno texto sobre um disco maravilhoso dos Durutti Column chamado "Amigos em Portugal". Contava com uma sala vazia, mas não importava, porque a música é boa. Mas a sala ficou cheia de gente. Fique contente. Pela celebração da música. Por Vini Reilly ter Amigos em Portugal.

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Amigos em Portugal

por Miguel Bastos, em 17.09.21

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No início dos anos 80, Miguel Esteves Cardoso estudava em Manchester - a cidade dos Joy Division e da editora Factory. Nessa altura, teve a ideia de criar uma editora, dentro do mesmo espírito, em Portugal. Com a ajuda de jovens músicos, como Pedro Ayres Magalhães e Ricardo Camacho, criou a Fundação Atlântica. Em pouco mais de dois anos, lançaram a Sétima Legião, relançaram os Xutos e Pontapés e editaram este "Amigos em Portugal", dos Durutti Column. A banda, de Manchester (e da Factory), tem um som melancólico, típico do pop-rock britânico alternativo da época, mas remete, também, para uma certa portugalidade de ambientes fadistas. O mesmo tipo de som cultivado por Anamar, Mler if Dada, António Variações, ou, mais tarde, os Madredeus.
 
Achava incrível que os talentosos Durutti Column tivessem escrito, gravado e editado um disco sobre Portugal, em Portugal. Nos anos 80, ouvia "Amigos em Portugal", numa cassete manhosa, gravada por um amigo de um amigo lá de casa, que, entretanto, se perdeu. O disco era muito raro e precioso. No outro dia, cruzei-me com ele e não resisti. Não sou fetichista, nem tenho espírito de colecionador. Mas, confesso, gosto muito de ter este velho amigo cá me casa.

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Sunset

por Miguel Bastos, em 13.09.21

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Adoro a praia, ao final da tarde. O último banho. Os calções que já não vão secar no corpo. O sol a desvanecer-se em laranjas e azuis. A praia a encher-se de deserto, de gaivotas e silêncio. O som do mar. Um cenário quase perfeito. Quase, porque, entretanto, um grupo de jovens resolve ocupar o silêncio. Trazem um telemóvel "4G" e uma coluna "bluetooth". Enchem o areal com batidas "techno". Ah, os jovens - sempre em festa! Distingo, entre os modernos, uma criança. Depois, reparo que dois jovens são muito jovens. E, finalmente, que os outros dois jovens são pouco jovens. Ela, de cabelo apanhado e vestido leve. Ele, de entradas protuberantes e calções de surfista. Os dois a dançar. Jovens, na casa dos 50, de copo na mão e filhos a tiracolo. Todos, animados, para um "sunset", que começo a achar graça. Os mais velhos estão cada vez mais novos. É o que me parece, assim, à vista armada. Armada, sim, que à vista desarmada não vejo nadinha. É da idade. Não perdoa. Tum, tum, tum, tum...

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ABBA

por Miguel Bastos, em 03.09.21

Os ABBA estão de regresso. É, apenas, uma informação que vos dou - que o assunto não me interessa nada. Não me identifico (de todo!) com música de festival. Só se for de festival de música eletroacústica, experimental, avant-gard. A única canção dos ABBA que vale a pena, é o tema que dedicaram ao Pierre Boulez - o Boulez-bous.

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Os "bês" e os "vês"

por Miguel Bastos, em 18.08.21

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Nós, os de Aveiro, não trocamos os "bês" pelos "vês". Sabemos que os "vês" existem. São consoantes mudas: veem-se, mas não se ouvem. Com o amor, é o contrário. É um fogo que não se vê, mas que se ouve: por exemplo, nas canções do Cid.

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Piar fininho

por Miguel Bastos, em 09.08.21

Os Bee Gees já eram estrelas pop, há vários anos. Mas a coisa só começou a piar fininho (muito fininho), a partir de 1975. Foi, nessa altura, que o falsete de Barry Gibb se revelou. A verdade é que os irmãos Gibb adoravam as grandes vozes da "soul music". Em 1967, chegaram, mesmo, a escrever"To Love Somebody" para Otis Redding, mas o cantor morreu nesse ano. Em1972, outra glória da música negra, Al Green, pegou numa canção (já conhecida) dos Bee Gees e deu-lhe o toque "soul" que a canção pedia. Três anos depois, os Gibb perderam a vergonha e - apesar de serem cantores brancos, ingleses e devotos dos Beatles - decidiram abordar a música negra e emular os seus cantores. Alguns milhares não gostaram, alguns milhões renderam-se. Oficialmente, a mudança deu-se a canção "Jive Talkin'" e o álbum "Main course", mas eu acho que começou aqui. Ora ouçam:

How Can You Mend a Broken Heart

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Aparelhagem

por Miguel Bastos, em 27.07.21

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Foi o primeiro disco a girar na nossa aparelhagem. O sonho de uma vida. Era curta, a nossa vida; mas a espera, achávamos nós, tinha sido imensa. Já tínhamos comprado alguns discos, logo após a aprovação, na generalidade, da aquisição do aparelho. Discutíamos, em plenário, qual seria o primeiro disco a girar, quando fomos surpreendidos pelo anúncio da visita de uma tia. Esta tia - velha, dura e austera - não era dada a frivolidades e iria, certamente, condenar pais e filhos, pelo gasto avultado e desnecessário. Corremos para a sala para reajustar os planos: a viagem psicadélica dos Pink Floyd, que pedia intensidade no volume, teria que ser adiada; e o disco ao vivo dos Doors, com as explosões de raiva e poesia de Jim Morrison, não nos pareceu indicado. A tia chegaria a qualquer momento. Escolhemos o Harvest, que tinha acabado de ser entregue pelo senhor do Círculo de Leitores. O Neil Young tinha a beleza exigida para a ocasião e a vantagem de gritar baixinho. Ouvimos o disco de um lado e do outro, com o coração, cheio e nas mãos, e os olhos hipnotizados pelas luzes que piscavam, com maior ou menor intensidade, ao ritmo das canções. O Neil Young inaugurou o sonho de uma vida: ainda no início e já tão inteira.

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