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Grande Grande É a Viagem

por Miguel Bastos, em 07.05.20

kraftwerk.jpg

Sirvo-me do nome de um disco de Fausto, para falar dos Kraftwerk. São territórios diferentes, mas, em ambos os casos, a ideia de viajem serviu de motor à criação musical. Os Kraftwerk abordaram as viagem de automóvel pelas autoestradas alemãs, em “Autobahn”; as viagens de comboio pela Europa, em Trans-Europe Express; as viagens de bicicleta, em “Tour de France”. Mas a carreira dos Kraftwerk é, toda ela, uma enorme viagem: das aventuras experimentais de Ralf Hütter e Florian Schneider, à consolidação dos Kraftwerk, como quarteto pop. De Radioactivity (1975) até Electric Café (1986), o quarteto transportou a música electrónica do experimentalismo erudito, para a arena pop. E isto, com temáticas pouco habituais na pop-rock - como ciência e a tecnologia - e recusando todos os clichés do género. Os Kraftwerk nunca exibiram ganga, nem cabelo comprido, nem miúdas giras.

Comecei este texto a falar de Fausto que, aparentemente, está nos antípodas musicais dos Kraftwerk. Bem, os Beach Boys também. E, no entanto, terão sido uma das principais influências do grupo alemão, que considerava que eles tinham criado a banda sonora perfeita da Califórnia, dos anos 60. Os Kraftwerk queriam fazer algo parecido, aplicado ao contexto industrial alemão. E fizeram-no. Talvez sem saberem que estavam, já, a criar uma banda sonora para o mundo inteiro. E a criar um mundo novo, como os descobridores cantados por Fausto. Florian Schneider morreu, tinha 73 anos. Fim de viagem.

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Dias de confinamento

por Miguel Bastos, em 02.05.20

Rita Redshoes e Camané juntos num vídeo, maravilhoso, sobre estes dias de confinamento. O vídeo tem muitos vídeos dentro, com janelinhas no computador da Rita, que podiam ser o nosso, ou das televisões que, por estes dias, têm uma estética semelhante. A canção, em português, é uma espécie de valsinha luminosa que lembra outras canções da Rita, mas que não ficaria mal num disco de Rodrigo Leão. A canção chama-se “Contigo é pra perder”, mas tenho para comigo que é pra ganhar.

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Ruas vazias

por Miguel Bastos, em 17.04.20

Tenho pensado muito neste fado de Camané. "A minha rua" é um fado tradicional, com uma letra (maravilhosa) de Manuela de Freitas que parece ter sido feita para este dias.

Há quem diga "ainda bem",
Está muito mais sossegada
Não se vê quase ninguém
E não se ouve quase nada.

Eu vou-lhes dando razão
Que lhes faça bom proveito
E só espero pelo verão
P´ra pôr a rua a meu jeito

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Kenny Rogers

por Miguel Bastos, em 21.03.20

Kenny Rogers morreu hoje, com mais de 80 anos, e eu voltei aos anos 80. Fui para o youtube ouvir "Lucille" e "Coward of the County", mas, sobretudo, os duetos com a Dottie West, a Sheena Easton e a Dolly Parton. Deu-me, ainda, vontade de ir ao Pagapouco e a uma reunião da Tupperware. Mas não fui. E não foi por causa do Coronavírus. É porque, daqui a pouco, vou ver as patifarias do JR no Dallas. 

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Charlotte Gainsbourg

por Miguel Bastos, em 05.03.20

charlote.jpg

Gosto da Charlotte Gainsbourg. Acho que é uma artista filha da mãe.

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O caminho de Carminho

por Miguel Bastos, em 20.01.20

E, então, a fadista sentou-se com uma guitarra elétrica e tocou uma música acompanhada, apenas, de uma bola de espelhos que espalhou estrelas pela sala. Podia ter sido o cúmulo da piroseira, mas foi Carminho na sua plenitude. O melhor concerto que eu vi dela. A voz esteve irrepreensível e os músicos (guitarra portuguesa, viola de fado, baixo, guitarra elétrica e pedal steel) em ponto de rebuçado. A luz, as projecções e o cenário estiveram perfeitos: gerando um quadro diferente para cada canção. Carminho foi contida, quando repertório lho exigiu; espontânea, quando fez sentido; apaixonante, em qualquer dos casos.

Carminho domina o fado tradicional. Nasceu no meio dele. Mas é uma rapariga do seu tempo. E, por isso, tudo soou natural, orgânico, depurado, confeccionado e digerido ao detalhe. É certo que outros fadistas forçaram a corrente e abriram caminho para Carminho. Numa entrevista que lhe fiz, no início da sua carreira, reconheceu isso mesmo. Podem-lhe ter aberto caminho, mas foi ela quem o traçou a seu gosto. Que é, também, o nosso.

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Produtos integrais

por Miguel Bastos, em 08.01.20

barenboim.jpg

Para me redimir dos excessos do Natal, aderi aos produtos integrais. A integral das sinfonias de Beethoven devolveu-me a autoestima. E o meu corpo funciona lindamente. 

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Grande festa

por Miguel Bastos, em 30.12.19

Em Maio, pareceu-me que estava a ouvir o disco do Ano. Agora, tenho a certeza. Para mim, "Desalmadamente" é o disco português do ano. Lena d'Água regressou, trinta anos depois, com dez belíssimas canções "heterobiográficas" de Pedro da Silva Martins (da Deolinda). Lena merecia um disco assim: novo, mas com memória; criativo, mas simples; irreverente, sem ser ridículo. Está tudo no sítio: música e letra, produção e arranjos, instrumentos e voz. Sobretudo a voz, de Lena, que teima em não envelhecer. Esta canção, não é a melhor, nem a minha preferida do disco: é só a mais adaptada à época do ano. Boas festas!

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Dias cinzentos

por Miguel Bastos, em 12.11.19

joe jackson.jpg

Reencontrar um bom disco é como reencontrar um velho amigo. Reencontrei "Body and Soul", de Joe Jackson. Repousava (há demasiado tempo) numa estante lá de casa. O sexto disco de Joe Jackson desenvolve a receita do anterior, "Night and Day": uma mistura de pop, soul, funk, jazz e música latina. "Body and Soul" é um "espetáculo de luz e cor", para dar vida a estes dias cinzentos.

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Mano a mano

por Miguel Bastos, em 28.10.19

Faltava o frente a frente, o cara a cara, o "Mano a mano". Finalmente, vi (e, sobretudo, ouvi) o Salvador Sobral ao vivo. Confirma-se, é um dos melhores artistas portugueses, de que tenho memória: cantor, músico, "entertainer", intérprete, criador, compositor. Tanto talento, num jovem que se estreou num concurso de marionetes e se tornou conhecido no Festival da Canção. Salvador tem música no coração e tem música à flor da pele. Respira música: expira-nos música e, com isso, inspira-nos vida.

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