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Amordaçado

por Miguel Bastos, em 08.03.21

Portugal Amordaçado.jpeg

Depois do discurso sobre a "democracia amordaçada" e o "cinquentenário da Revolução de Abril", resolvi regressar às páginas deste livro de Cavaco Silva. É, sem dúvida, o seu livro mais interessante.

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Marcelo

por Miguel Bastos, em 25.01.21

marcelo.jpg

Marcelo Rebelo de Sousa teve um resultado histórico. Ganhou, com mais de 60% dos votos. Um resultado muito semelhante à primeira eleição de Ramalho Eanes, em 1976. Melhor, só a reeleição de Mário Soares, em 1991. Marcelo ganhou, em todos os concelhos de Portugal. Todos. O melhor resultado de sempre. Isto não pode, nem deve, ser desvalorizado. Chama-se democracia.

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Decorar livros

por Miguel Bastos, em 18.12.20

amalia onde arrumar.jpg

Sou um leitor com alma de decorador. Esta manhã, por exemplo, não me consegui decidir. Onde arrumar "Amália - Ditadura e Revolução", de Miguel Carvalho? Ao lado das biografias políticas de Mário Soares, Otelo Saraiva de Carvalho e Humberto Delgado? Ou junto às biografias artísticas de António Variações, Sérgio Godinho e Caetano Veloso? Podem enviar as vossas sugestões. Mas (lá está, o meu lado de decorador) também podem enviar clássicos de mobiliário de design do século XX. E é isto. Obrigado.

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Freitas do Amaral

por Miguel Bastos, em 03.10.19

Escrevi este texto, em 2017, por altura da morte de Mário Soares. Achei que fazia sentido voltar a este texto, no dia da morte de Freitas do Amaral.

soares freitas.jpg

Foi uma grande campanha eleitoral: Soares contra Freitas, nas Presidenciais de 1986. Freitas fez uma campanha à americana: jovem, moderna, com um slogan irresistível, com a sua mulher bonita ao lado. A malta do liceu andava muito excitada com o Freitas. Eu também estava fascinado, com o antigo líder do CDS. Os cartazes, os autocolantes, as bandeiras. "Prá frente portugal?", claro que sim!

Mas, depois, a minha irmã chegou a casa, toda "Soares é Fixe!", com uns autocolantes que faziam lembrar o "Nuclear não, obrigado!", e o meu coração vacilou. Eu achava que o "bochechas" estava velho. Mas a minha irmã dizia que não, que o outro era mais novo mas tinha ideias velhas. Freitas, dizia ela, era um reaccionário de direita e só os fascistas é que gostavam dele. Além do slogan, a música de apoio a Soares do Rui Veloso também era fixe, e o MASP (Movimento de Apoio Soares à Presidência) crescia de dia para dia, com o apoio de gente fixe. Depois, os comunistas taparam a cara de Soares; Soares ganhou; Freitas perdeu mais do que seria admissível e a política foi ficando mais tecnocrática e cinzenta. Cavaco teve culpas no cartório. Soares, o rei-republicano, também. E nunca mais houve uma campanha, como a de 1986.

Mas, sim, Soares foi (mesmo) fixe.

 

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Não dão nada a ninguém!

por Miguel Bastos, em 12.01.18

zenha e soares.jpg

 “Querem é tacho!” “Não ligam ao povo!” “Só pensam nos votos!” “Não dão nada a ninguém!” São os políticos: na versão ‘gajo de alfama’, ou na versão ‘homem do norte’. Todos iguais? Claro que não.

 

Salgado Zenha e Mário Soares. Eram da mesma barricada, da mesma luta, do mesmo partido. E muito diferentes. Zangaram-se por causa de Eanes, dividiram o PS, separaram-se. Zenha era parecido com Eanes. Gostava dele. Soares não. Nas presidenciais de 1986, os dois fundadores do PS concorreram, um contra o outro. Zenha tinha o apoio do, então, Presidente da República. Na biografia de Ramalho Eanes, de Isabel Tavares, a secretária de Eanes, que dirigiu a campanha de Zenha, conta uma história, hilariante.

 

“Tínhamos uns lenços verdes e vermelhos para trazer ao pescoço. Uma senhora chega perto de senha e pede-lhe o lenço. Ele responde: ‘Não dou, que este é meu.’ Eu vejo aquilo e faço menção de tirar o meu para lho dar. Diz ele: ‘Não, não dá que esse é seu. Olhe, minha senhora, já não há lenços, já não leva nenhum’ Ele era assim. Deve ter perdido muitos votos”. Pois deve. E para alguém, muito diferente, que pensava mais em votos e menos em lenços. 

 

Os políticos não são todos iguais. Mas é verdade: há políticos que não dão nada a ninguém. Normalmente, perdem eleições.

 

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Cemitério dos Prazeres

por Miguel Bastos, em 10.01.17

mario soares retrato pomar.jpg

O corpo de Mário Soares vai ser enterrado, hoje, no Cemitério dos Prazeres. O cemitério tem um nome adequado, para um homem dado aos prazeres. Soares tinha muitos, além da política: conversar, dormir, comer, fumar, beber, ler, escrever, nadar, viajar, vestir, descalçar. E não os escondia, pelo contrário. Ricardo Araújo Pereira, no Governo Sombra, destacou que o jovem Mário, então militante comunista, não queria ir para a clandestinidade, porque queria namorar e conhecer gajas.

 

O programa, emitido no dia da morte do ex-presidente, foi das melhores conversas à volta de Soares. Porque se falou de um homem com todas as virtudes e defeitos. Ressalvando que alguns defeitos foram também as suas virtudes. Foi também uma conversa jovem e arejada. É bom ter os mais velhos a falar de Soares. Mas, quando se tem, apenas, os mais velhos, acaba por transpirar uma ideia de passado - que não combinada com alguém que se candidatou à Presidência da República depois dos 80 anos e que, de seguida, promoveu uma solução de esquerda, semelhante à que está em vigor neste momento.

 

Portanto, Soares morreu. Mas ainda está presente. O seu corpo será enterrado no Cemitério dos Prazeres. Os seus prazeres poderão, no entanto, andar por aí… à solta. Saibamos honrá-los.

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Soares é Fixe!

por Miguel Bastos, em 07.01.17

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Foi uma grande campanha eleitoral: Soares contra Freitas, nas Presidenciais de 1986. Freitas fez uma campanha à americana: jovem, moderna, com um slogan irresistível, com a sua mulher bonita ao lado. A malta do liceu andava muito excitada com o Freitas. Eu também estava fascinado com o antigo líder do CDS: os cartazes, os autocolantes, as bandeiras. "Prá frente portugal?" Claro que sim!

Mas, depois, a minha irmã chegou a casa, toda "Soares é Fixe!", com uns autocolantes que faziam lembrar o "Nuclear não, obrigado!", e o meu coração vacilou. Eu achava que o "bochechas" estava velho. Mas a minha irmã dizia que não, que o outro era mais novo mas tinha ideias velhas. Freitas, dizia ela, era um reaccionário de direita e só os fascistas é que gostavam dele. Além do slogan, a música de apoio a Soares do Rui Veloso também era fixe, e o MASP (Movimento de Apoio Soares à Presidência) crescia de dia para dia, com o apoio de gente fixe. Depois, os comunistas taparam a cara de Soares; Soares ganhou; Freitas perdeu mais do que seria admissível e a política foi ficando mais tecnocrática e cinzenta. Cavaco teve culpas no cartório. Soares, o rei-republicano, também. E nunca mais houve uma campanha, como a de 1986.

Mas, sim, Soares foi (mesmo) fixe.

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As vidas de Soares

por Miguel Bastos, em 14.12.16

soares.png

Acabei, ontem, de ler a biografia de Mário Soares, com a assinatura de Joaquim Vieira. “Uma Vida” é o subtítulo desta biografia. Uma vida cheia. Ao final do dia, a notícia do internamente de Soares, veio lembrar-me que qualquer vida, por mais cheia que seja, chega ao fim. A de Soares ainda não chegou, mas o fim (percebe-se) está próximo.

 

“Uma vida” é um trabalho de fundo: com investigação, entrevistas, base bibliográfica sólida, trabalho jornalístico. Há até pontos em que as biografias dos dois se cruzam. Joaquim Vieira começa por referir que conheceu Soares, antes do 25 de Abril em Paris: Mário era um exilado célebre do regime, e Joaquim um jovem com simpatias albanesas. Mais tarde Soares, Presidente, zanga-se com Joaquim, jornalista do Expresso, por causa do famoso caso do “fax de Macau”.

 

Mas os dois respeitam-se, isso é visível ao longo do livro. Mais de 800 páginas de acção, crime, intriga, sexo, corrupção. Enfim, todas as coisas que fazem um bom “thriller” ou uma aventura de James Bond. No final, sabe a pouco. Porque Soares parece ter mais do que uma vida, teve várias. Umas correram melhores do que outras. E ele sempre assumiu isso. É a vida!

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Um rapaz chamado Soares

por Miguel Bastos, em 21.11.16

mario soares boy.jpg

Durante muitos anos, agarrei-me a Mário Soares. Tinha lido, num jornal, que Soares, sempre fora atento e curioso, mas nunca tinha sido grande aluno. O artigo dizia que havia alunos que não eram bons, porque não queriam saber de nada; e alunos que não eram bons, porque queriam saber de tudo. Era o caso de Soares. Eu assumi que era um desses: “um aluno-Soares.”

 

Até que descubro, na (excelente) biografia de Soares, de Joaquim Vieira, que o jovem Soares não se interessava por nada. Não gostava de estudar, não sentia curiosidade por nada, que não fosse política. Seria, então, um teórico fascinado pela grandes narrativas políticas? Não, não tinha paciência, gostava mais de acção. Que tipo de acção? Queria ser um grande professor, gerir a escola do pai? Não era bem isso. Queria ser engenheiro ou arquiteto, fazer estradas e pontes? Não, não tinha competências técnicas para isso, nem queria ter. Acção armada? Nem pensar, não é do seu género. Nem sequer irá à tropa. Acção, para Soares, era fazer papéis, colar cartazes, viajar, fazer contactos, fazer discursos. Ou seja, além de ter sido, sempre, um menino-família; Mário Soares já era um boy, numa altura em que não havia “jotas”, nem partidos.

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