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A mocidade

por Miguel Bastos, em 14.02.22

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Vejam lá, como ela é moderna! Que nem precisa "de ver a RTP, a SIC, porque, com o Twitter, ficamos a par do que se está a passar, e com mais rigor do que quando é filtrado por alguém". Portanto, Zita Seabra só lê coisas à roda dos 140 carateres, mas gosta do expor o ego ao Sol, em 6 longas páginas. Um ego fresco e jovem, que anuncia a morte do PCP, do PSD e do CDS. E que exaspera com um Portugal envelhecido, que parece um museu. Zita sabe do que fala, porque ela também já foi muito velha. Lembro-me dela, em comícios e debates, com o seu ar de professora de liceu, de saquinho de cabedal a tiracolo, a apontar o dedo a jovens reformistas, como Mário Soares e Cavaco Silva. Mas, entretanto, Cavaco deu-lhe a mão e Zita aproveitou para fazer um "reset". E, depois, um "restyling" completo, com muito liberalismo e Vox e Chega e Salvini e os tweets de Donald Trump. Que bonita, a mocidade Zita!

Pode ler a entrevista aqui, ou na imagem

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Adeus, Jorge Sampaio

por Miguel Bastos, em 10.09.21

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"Gosto e reivindico a capacidade de me comover". Jorge Sampaio rejeitava, assim, a imagem que lhe colocavam do político palavroso, intelectual, frio e distante. A culpa, dizia o próprio, era da cor do cabelo, que não disfarçava a ascendência britânica. Jorge Sampaio teria características dessa herança familiar: metódico, polido, educado, disciplinado, assertivo. Mas era também latino: afetuoso, sentimental, empático, solidário. Esta manhã, na Antena 1, uma antiga assessora referia que o (então) Presidente da República avisava sempre: não lhe pedissem para ser algo que ele não era; nem para dizer coisas que ele não sentia, nem concordava. O que, em política, não costuma dar bons resultados: nem eleitorais, nem de popularidade. Quando José Sócrates chegou à liderança do PS, Mário Soares chamou-lhe o "anti-Guterres". Jorge Sampaio terá sido o "anti-Soares". Não tinha as características que todos os políticos "têm" de ter: porque não queria ter, nem fingir que as tinha. Colocou-se, como era, à disposição do escrutínio e do sufrágio públicos. Prontificou-se a perder - se fosse necessário. Por vezes, perdeu. E, desse modo, a democracia ganhou sempre. Adeus.

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Olhe que não, olhe que não!

por Miguel Bastos, em 17.08.21

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- Estou-lhe a dizer, dr. Cunhal, o Pai Natal existe!
- Olhe que não! Olhe que não!
- Existe, pois! Deu-me um livro e tudo!
- Olhe que não, olhe que não!
- Veja, está aqui.
- Não foi o Pai Natal...
- Ai, não?
- Foi a sua Mãe, no Natal!

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Amordaçado

por Miguel Bastos, em 08.03.21

Portugal Amordaçado.jpeg

Depois do discurso sobre a "democracia amordaçada" e o "cinquentenário da Revolução de Abril", resolvi regressar às páginas deste livro de Cavaco Silva. É, sem dúvida, o seu livro mais interessante.

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Marcelo

por Miguel Bastos, em 25.01.21

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Marcelo Rebelo de Sousa teve um resultado histórico. Ganhou, com mais de 60% dos votos. Um resultado muito semelhante à primeira eleição de Ramalho Eanes, em 1976. Melhor, só a reeleição de Mário Soares, em 1991. Marcelo ganhou, em todos os concelhos de Portugal. Todos. O melhor resultado de sempre. Isto não pode, nem deve, ser desvalorizado. Chama-se democracia.

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Decorar livros

por Miguel Bastos, em 18.12.20

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Sou um leitor com alma de decorador. Esta manhã, por exemplo, não me consegui decidir. Onde arrumar "Amália - Ditadura e Revolução", de Miguel Carvalho? Ao lado das biografias políticas de Mário Soares, Otelo Saraiva de Carvalho e Humberto Delgado? Ou junto às biografias artísticas de António Variações, Sérgio Godinho e Caetano Veloso? Podem enviar as vossas sugestões. Mas (lá está, o meu lado de decorador) também podem enviar clássicos de mobiliário de design do século XX. E é isto. Obrigado.

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Freitas do Amaral

por Miguel Bastos, em 03.10.19

Escrevi este texto, em 2017, por altura da morte de Mário Soares. Achei que fazia sentido voltar a este texto, no dia da morte de Freitas do Amaral.

soares freitas.jpg

Foi uma grande campanha eleitoral: Soares contra Freitas, nas Presidenciais de 1986. Freitas fez uma campanha à americana: jovem, moderna, com um slogan irresistível, com a sua mulher bonita ao lado. A malta do liceu andava muito excitada com o Freitas. Eu também estava fascinado, com o antigo líder do CDS. Os cartazes, os autocolantes, as bandeiras. "Prá frente portugal?", claro que sim!

Mas, depois, a minha irmã chegou a casa, toda "Soares é Fixe!", com uns autocolantes que faziam lembrar o "Nuclear não, obrigado!", e o meu coração vacilou. Eu achava que o "bochechas" estava velho. Mas a minha irmã dizia que não, que o outro era mais novo mas tinha ideias velhas. Freitas, dizia ela, era um reaccionário de direita e só os fascistas é que gostavam dele. Além do slogan, a música de apoio a Soares do Rui Veloso também era fixe, e o MASP (Movimento de Apoio Soares à Presidência) crescia de dia para dia, com o apoio de gente fixe. Depois, os comunistas taparam a cara de Soares; Soares ganhou; Freitas perdeu mais do que seria admissível e a política foi ficando mais tecnocrática e cinzenta. Cavaco teve culpas no cartório. Soares, o rei-republicano, também. E nunca mais houve uma campanha, como a de 1986.

Mas, sim, Soares foi (mesmo) fixe.

 

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Não dão nada a ninguém!

por Miguel Bastos, em 12.01.18

zenha e soares.jpg

 “Querem é tacho!” “Não ligam ao povo!” “Só pensam nos votos!” “Não dão nada a ninguém!” São os políticos: na versão ‘gajo de alfama’, ou na versão ‘homem do norte’. Todos iguais? Claro que não.

 

Salgado Zenha e Mário Soares. Eram da mesma barricada, da mesma luta, do mesmo partido. E muito diferentes. Zangaram-se por causa de Eanes, dividiram o PS, separaram-se. Zenha era parecido com Eanes. Gostava dele. Soares não. Nas presidenciais de 1986, os dois fundadores do PS concorreram, um contra o outro. Zenha tinha o apoio do, então, Presidente da República. Na biografia de Ramalho Eanes, de Isabel Tavares, a secretária de Eanes, que dirigiu a campanha de Zenha, conta uma história, hilariante.

 

“Tínhamos uns lenços verdes e vermelhos para trazer ao pescoço. Uma senhora chega perto de senha e pede-lhe o lenço. Ele responde: ‘Não dou, que este é meu.’ Eu vejo aquilo e faço menção de tirar o meu para lho dar. Diz ele: ‘Não, não dá que esse é seu. Olhe, minha senhora, já não há lenços, já não leva nenhum’ Ele era assim. Deve ter perdido muitos votos”. Pois deve. E para alguém, muito diferente, que pensava mais em votos e menos em lenços. 

 

Os políticos não são todos iguais. Mas é verdade: há políticos que não dão nada a ninguém. Normalmente, perdem eleições.

 

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