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Timor, 20 anos

por Miguel Bastos, em 19.05.22

timor.jpg

Timor-Leste a caminho dos 20 anos. A jornalista Rita Colaço a fazer (belíssimas) reportagens, na Antena 1. Esta manhã, entrevistou José Ramos-Horta que, amanhã, toma posse como presidente da República. Releio este parágrafo, sobre o golpe de Estado na Indonésia, que, em 1965, instalou Suharto no poder: "Ao todo, foram mortas pelo menos 500 mil pessoas (...) Numa zona do país, os rios ficaram tão repletos de cadáveres que a água deixou de correr." Não é de admirar que um governo, que nasceu com esta violência, não tenha tardado a impor essa mesma violência aos vizinhos mais próximos. 20 anos, Timor. Foi quase um milagre. É quase um milagre.

A entrevista pode ser ouvida aqui: https://www.rtp.pt/play/p517/e618147/espaco-das-10

O parágrafo pertence ao livro "A Guerra Fria", de Odd Arne Westad.

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Botar sotaque

por Miguel Bastos, em 08.02.22

"Eu vou botar um pouquinho de sotaque, um pouquinho só", disse Vinicius de Moraes, antes de oferecer, a Amália, o fado "Saudade do Brasil em Portugal". Foi registado, em 1970, num disco conjunto. Passaram mais de 50 anos, e Caetano (um eterno apaixonado por Amália e pelo fado) repete a gracinha. Bota um sotaque para cantar "Você-Você", com a maravilhosa Carminho - que já cantou o tema de Vinicius e está habituada a cantar com os deuses. A canção está aqui, com um vídeo a registar o momento, mas o disco "Meu coco" merece ser ouvido, de fio a pavio. Começa por nos cantar que "O português é um negro dentre as eurolínguas", para (espero não estar a dar com a língua nos dentes) nos levar aos mais variados "brasis", até desembarcar em "Você-você". Não é, no entanto, o fim da viagem. Depois de um "quase fado", com o bandolim a fazer de guitarra portuguesa, chega a certeza de que "Sem samba não dá". A chegar aos 80 anos, o mais jovem de todos nós, dá-nos um "best off" de inéditos: intemporal e contemporâneo, ousado e familiar. Caetano dá-nos uma obra prima. A obra prima do mano. O mano Caetano.

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Elis e Nara

por Miguel Bastos, em 18.01.22

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Amanhã, faz 40 anos que Elis Regina morreu.
Amanhã, Nara Leão faria 80 anos.
São duas cantoras excecionais, mas muito, muito diferentes.
Se eu tivesse que escolher. Se eu tivesse, mesmo, que escolher. Escolhia as duas.

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Amarelos

por Miguel Bastos, em 23.08.21

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Não tenho nada contra livros cor-de-rosa. Tenho é falta de tempo. E tenho livros amarelos. Amarelos e belos.

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Prémios Play

por Miguel Bastos, em 02.07.21

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- Prémios "Play", pai?
- Sim, qual é o problema?
- Não faz sentido, porem um nome em inglês.
- Porquê?
- Oh, pai, porque diz ali "Prémios da Música Portuguesa"!
- E, então? Vivemos num mundo global.
- Por-tu-gue-sa!
- Oh. Ouvi dizer que estão a pensar mudar o nome dos Brit Awards...
- A sério?
- Sim, para "Tugawards".
- Uau! Isso seria "bué da crazy".

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Os barulhos

por Miguel Bastos, em 01.07.21

ondjaki.jpg

"tudo isso eu sei de, às vezes, acordar cedo e mesmo da minha cama ficar a ouvir os barulhos
o mundo dos barulhos é uma coisa limpa que se suja durante o dia, dá para quase ver as coisas que uma pessoa imagina só de ficar atento a fazer um mapa dos barulhos"
Ondjaki, 2020, O livro do deslembramento

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B de baca

por Miguel Bastos, em 03.03.21

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"O livro de deslembramento" ainda mal começou e já temos o Mogofores:
 
"o Mogofores tinha esse nome esquisito que eu até nunca perguntei quem lhe tinha castigado assim, e tinha uma mulher muito feia, que tinha vindo de Portugal e trocava algumas letras das palavras
na minha escola quando contei ninguém acreditou, mas em vez de vaca ela dizia «baca», e ainda dizia «dibertido» e «sobaco»
mas há uma palavra que ela dizia sempre e eu tinha de fingir que estava a rir de outra coisa: a mulher do Mogofores dizia «iágua» quando queria beber água
todos riam a disfarçar, um bocadinho, menos o Mogofores"
 
O livro, dizia eu, ainda mal começou e as personagens já nos parecem familiares. (E, sim, tenho familiares em Mogofores. E, não, não é o José Cid). Mas, o mais familiar de todos é, mesmo, o autor: Ondjaki é da casa. Por isso, estranho o selo da Caminho: "autores estrangeiros de língua portuguesa". Como assim, "estrangeiros"?

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Clarisse

por Miguel Bastos, em 10.12.20

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100 anos de Clarisse. Literatura. Cor-de-rosa.

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Vai chatear o Camões!

por Miguel Bastos, em 05.09.18

germano almeida.jpg

Germano Almeida recebeu o Prémio Camões, no Rio de Janeiro. O escritor ficou surpreendido com a reacção dos cabo-verdianos: "Acho que gostaram mais do prémio do que eu", disse ele. Por isso, dedicou o prémio ao povo de Cabo Verde, mas avisou logo que o dinheiro (100 mil euros) era para ele. Germano Almeida tem muito humor. Por isso, gostava que ele fosse chatear o Camões. Daria um belo livro.

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A mesma língua

por Miguel Bastos, em 04.12.15

jimmy daniel.jpg 

Hoje, estive a ver o “The Tonight Show”, com Jimmy Fallon. O seu primeiro convidado foi o actor Daniel Radcliffe. Depois, veio Chris Packham, autor de programas sobre animais, na BBC. E, finalmente, a convidada musical foi Ellie Goulding. “Que engraçado”, pensei, “três britânicos seguidos num programa de televisão americano.” Estava eu a pensar nisso, quando Jimmy Fallon disse, com graça, que o Jonathan Ross devia estar cheio de inveja. Jonathan Ross também é um humorista com um talk show.

 

Desliguei a televisão e pus-me a pensar porque é que não temos exemplos destes em Portugal. A propaganda fala-nos de uma das línguas mais faladas do mundo, com cerca de 280 milhões de falantes. Mas, depois, não falamos muito uns com os outros. É claro que há um problema de assimetria: destes 280 milhões, 200 são brasileiros. E, diz-se, eles não percebem os portugueses. Mas, basta ouvir a conversa entre Jimmy Fallon e Daniel Radcliffe, para concluir que o inglês deles é muito diferente. E que isso não impede que se entendam.

 

A circulação de artistas e dos seus produtos é fundamental para o crescimento da língua e da cultura de expressão portuguesa. É uma pena que esta evidência não seja evidente para todos.

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