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O mundo: dentro e fora

por Miguel Bastos, em 15.01.22
 
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"(...) os homens não falam entre si. Nas famílias, as palavras estão entregues às mulheres. Os homens gerem silêncios, aqui e ali entrecortados." Apanho a frase, na revista do Expresso. É da semana passada. Já devia, portanto, ter ido para o lixo. Mas não foi. Demora-se sempre mais tempo do que é suposto: na secretária, na prateleira, ao lado da cama. A revista ficou, ali, aberta: pronta para ser lida. Às vezes, não chega a ser. Os jornais dão-nos mais, muito mais, do que conseguimos ler. São um caleidoscópio do mundo, que esperamos ordenar. Mas acabam, eles próprios, espalhados e desordenados: pela casa; pelo mundo.
A frase inicial é de Davide Enia - um escritor italiano, da Sicília, que desconheço e que não sei "se e quando" vou conhecer. Perguntaram-lhe se escrevia sobre os naufrágios de Lampedusa. Respondeu que tinha escrito o livro ("Notas de um naufrágio") para salvar a relação com o seu pai. É, os jornais dão-nos o mundo: por fora e por dentro.

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Palavras ao vento

por Miguel Bastos, em 13.01.22

Jarvis Cocker, a voz dos Pulp, tem ouvido de tísico e "olho de Balzac". No seu disco mais recente, "Chansons d'Ennui", o personagem transgressor da britpop assume o papel de uma estrela pop francesa. Em "Paroles, paroles", Cocker faz de Alain Delon, a contracenar com Dalida (papel desempenhado, aqui, por Lætitia Sadier). É a canção em que um Delon, sedutor, diz coisas como "Tu és o ontem e o amanhã" ou "Tu és como o vento que faz cantar os violinos e espalha o perfume das rosas" e Dalida reponde "Caramelos, bombons e chocolates" ; "Podes dá-los, a outras que amem o vento e as rosas". Ele insiste: "Não percebo". Ela explica, no refrão: "Palavras, palavras, palavras" ; "Palavras que semeias ao vento".
Dalida resiste, portanto, à canção do bandido. Lætitia também. Eu não. E Jarvis Cocker é um ótimo bandido.

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Bowie 75

por Miguel Bastos, em 08.01.22

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Ter dois amigos ou familiares, que não se gostam, na sala de estar, é das coisas mais embaraçosas que existem. Tendencialmente, achamos que, se a pessoa A gosta de nós e a pessoa B também, elas devem-se gostar entre si. Infelizmente, descobrimos que, muitas vezes, não é assim. E passamos a ter que convidar um ou outro, alternadamente. Passa-se o mesmo, com os nossos heróis.
No livro "Verdade tropical", Caetano Veloso escreve acerca da surpresa que teve, ao descobrir que o seu herói, João Gilberto, não gostava de Chet Baker. Confesso que também fiquei surpreendido. E, mais ainda, ao descobrir, no mesmo livro, que o meu herói, Caetano, não gostava de David Bowie. Não dá a entender, diz, preto no branco, que não gosta. Sem se importar com os meus sentimentos. Bowie também é o meu herói (com Caetano e Godinho, compõe, talvez, a minha "Santíssima Trindade"). Bowie faria, hoje, 75 anos. Hoje, vou juntá-lo, na minha sala, com Caetano. Pode ser que resulte. Nem que seja "Just for one day". Veremos.

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Bocage

por Miguel Bastos, em 06.01.22

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O Bocage é muitas coisas: um habitat, de aspeto reticulado; um agroecossistema, de grande biodiversidade. É, também, o nome de um poeta. E um personagem de anedotas. O resto... o resto é paisagem.

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Três contos

por Miguel Bastos, em 26.12.21

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Que bonito, este livro. Junta três contos de Umberto Eco e as ilustrações de Eugenio Carmi. Traz uma mensagem de paz, apimentada por uma ironia de fino recorte. Esta noite, vou tentar lê-lo com os meus filhos. Depois deles darem descanso às armas que receberam no Natal.

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Submissa

por Miguel Bastos, em 22.12.21

Submissa - adj. - pessoa que não sabe da missa a metade.

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Chegar do norte

por Miguel Bastos, em 10.12.21

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- Olá, sejam bem-vindos, ao nosso "green hotel". Eu sou a Bia Vasconcelos.
- Boa tarde, Bia, e obrigado por nos receber.
- Chegaram agora?
- Chegámos há pouco. Fomos só dar uma volta pelo espaço
- São do norte?
- Mais ou menos, porque é que pergunta?
- Porque disse "chegámos" e as pessoas do norte é que falam assim.
- Desculpe?
- É que nós dizemos "chegamos".
- Nós também, se estivermos a falar no presente...
- Hum?
- ... porque se for no pretérito, devemos pronunciar o "a" aberto.
- Não percebi.
- Não faz mal, ninguém é perfeito. Bem, talvez o pretérito. E, mesmo esse, nem sempre.

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Egrégios avós

por Miguel Bastos, em 17.11.21

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Ayatollahs da grafia! Templários da Língua Santa! Rabinos da pureza eterna! Atentai à partitura do Hino, expressão da mais profunda portugalidade.
Os nossos "egrégios avós" chamaram-lhe "A Portugueza". Com "z". Brutos!

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Saramago

por Miguel Bastos, em 16.11.21

Era uma vez um escritor que, aos 99 anos, começou a celebrar o seu centenário. Não chegou, no entanto, a fazer 100 anos. Pela simples razão que não chegara a fazer 99. Porque, muitos anos antes, tinha decidido ser eterno. Ou, se calhar, não decidiu. Terá sido uma parábola a decidir por ele. Uma parábola de Saramago.

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Conselhos de beleza

por Miguel Bastos, em 15.11.21
- Ó pai, é verdade que as pessoas bonitas são menos inteligentes?

- Não, basta olhar para a tua mãe, para ver que isso não é verdade.

- Como assim?

- Ser bonito, não te torna nem mais - nem menos - inteligente.

- Mesmo assim, pai, é possível ser mais uma coisa do que outra.

- Hum...

- Tu achas que és mais bonito ou mais inteligente?

- Ó filho, já te disse...

- Escolhe.

- Bonito, pronto.

- A sério?! Pois eu acho que é melhor investires nisso de seres inteligente!

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