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Livros para não ler

por Miguel Bastos, em 20.11.20

mario zambujal.png

"Puta”. “Meretriz, queria a senhora dizer”. “Pois sim, senhor subchefe, também pode ser isso”. Cito a "Crónica dos bons malandros", de Mário Zambujal: um homem do jornalismo, da rádio, da televisão, dos livros. Pode-se ser isso tudo: alternada ou simultaneamente. Haja talento. Vem isto a propósito de um livro que tem, no título, a profissão referida. Ao que parece, o livro já esgotou a primeira edição - apesar de só sair hoje.
 
Há uns anos, num encontro de escritores, Rui Zink - que muitos conhecem da televisão - queixava-se do facto de um concorrente de um 'reallity show' estar em primeiro lugar no top de vendas de livros. Entre as regras desse programa, referia Rui Zink, estava a proibição de ler. Na altura, pareceu-me uma alegoria de Saramago (que também estava no encontro): as pessoas que não leem, andam a escrever livros, para pessoas que também não leem. Sendo assim, porque é que estas compram esses livros? Creio que compram por impulso e que alimentam a esperança (sincera) de que um dia os irão ler. Quero reconfortar estas pessoas: não se martirizem por não lerem esses livros. Lembrem-se que aquelas pessoas, das capas dos livros, também não leem e algumas nem sequer os escrevem.

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Amor por correspondência

por Miguel Bastos, em 11.11.20

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O escritor David Machado e o ilustrador Paulo Galindro andam a enviar amor por correio. Fechados em casa, durante o confinamento, resolveram escrever sobre, e para, todos aqueles que estavam nas mesmas condições. A ideia foi crescendo e transformou-se em livro. Com a ajuda de todos (o livro foi financiado por "crowdfunding") trataram de tudo: texto, ilustração, edição, comunicação, distribuição. Esta semana, o livro chegou cá a casa. Numa altura em que usamos, cada vez mais, a tecnologia para encurtar distâncias e repor afetos, os autores de "Um dia de cada vez" acrescentaram artesanato. O livro chegou, na volta do correio. Vinha autografado, dentro de um envelope escrito e ilustrado à mão. Traz ideias muito úteis, para passar o tempo em casa: "organiza uma festa com os teus amigos imaginários"; "Abre um livro. Procura a frase que se parece mais com uma porta e entra" ou "...as lágrimas podem ser úteis de várias maneiras: regar as plantas, aromatizar o chá, tirar nódoas antigas de roupa, misturar nas aguarelas". Tão bonito. Apeteceu-me chorar, porque (no fundo) sou um pragmático.

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O lugar do saber

por Miguel Bastos, em 28.10.20

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Gosto que o saber ocupe lugar. Aqui estão 8 metros de saber, bem medidos.

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Boatos autênticos

por Miguel Bastos, em 22.10.20

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Estados Unidos: "Estou praticamente decidido a concorrer a presidente. O que o país quer é um candidato que não se deixe ferir por investigações ao seu passado, para que aos inimigos do partido seja impossível desencantar uma história que não seja já de todos conhecida. Se, à partida, se souber o pior acerca de um candidato, todas as tentativas de o surpreender serão derrotadas". Com eleições presidenciais à porta, é impossível não pensar num candidato. Mas não será difícil pensar noutros candidatos, neste ou noutros países, cujos defeitos se transformaram (aos olhos do leitorado) em feitio. O populismo não é coisa de agora. O texto, hilariante, é de 1879. Escreve o criador de Tom Sawyer e Huckleberry Finn: "O boato de que eu teria enterrado uma tia debaixo da minha videira é autêntico. A vinha precisava de adubo, a tia precisava de ser enterrada, e eu consagrei-a a este nobre propósito. Tornar-me-á isso indigno da presidência?" - pergunta Mark Twain. Boa pergunta!

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Vade retro

por Miguel Bastos, em 15.10.20

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Estou muito irritado com esta história do "STAYAWAY COVID". Que raio de nome é este? Eu tenho cara de quem gostou do "Blade Runner"? Exijo respeito. Mudem lá o nome disso para "Vá de Retro ó Peste" e tragam um monge copista para me instalar essa coisa.

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Stendhal

por Miguel Bastos, em 12.10.20

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Está um dia tão soalheiro, que resolvi pôr uma roupa no Stendhal.

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Agradecimento público

por Miguel Bastos, em 01.10.20

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O jornal que me deu a conhecer Calvin e Hobbes e o nosso genial Luís Afonso, faz capa com o mestre Quino e homenageia Mafalda na última página. Que bonito! Obrigado Público!

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Carta a Mafalda

por Miguel Bastos, em 30.09.20

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Olá Mafalda,
Sabes, tenho que te pedir desculpa. Ando, há meses, a prometer que te arranjo a lombada. Ela está descolada e eu, agora, estou desconsolado. Ah, e tens manchas de humidade que atravessam as mais de 400 páginas de "Toda a Mafalda". Parecem aquelas manchas que as pessoas de idade começam a ter. Sabes? Como é que é possível alguém como tu envelhecer? Só posso ser eu o culpado. Nestes dias, de grandes tensões internacionais, tenho pensado muito em ti. Como é que ficou aquela ideia de seres tradutora nas Nações Unidas? Desististe? É que davas um jeitão. Bem, não te maço mais. Deves estar mais triste do que eu. Vai lá mudar o mundo, mas só se te apetecer.

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O livro dos Maias

por Miguel Bastos, em 25.09.20

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"Já leste o meu livro dos Maias?", perguntou-me a Dona Tininha. "Ainda vou a meio, está a fazer-lhe falta"? "Não", respondeu-me, "mas gosto de o ver no móvel ao pé da televisão". A Dona Tininha tinha razão: ficava mesmo bem. A fazer conjunto com um outro, em tons de verde. Um verde floresta escuro, que contrastava com o bordô dos Maias. A uni-los, além da proximidade física, o dourado das letras e de umas riscas que separavam o nome do livro e do autor. O verde (não tenha a certeza) seria, talvez, "Uma família inglesa" de Júlio Dinis. Mas posso estar engando. Associo aquele verde a coisa inglesas: carros, sofás, uniformes dos colégios internos. Na volta, até era um "Amor de perdição", de Camilo. Mas esse, imagino sempre que deve ser vermelho. O móvel da Dona Tininha era de verga e tinha três prateleiras: na primeira, revistas da Crónica Feminina; na segunda, uma bonita lata de chá; na terceira, uma vasta biblioteca de dois livros, bonitos e preciosos. Despachei-me a ler o Eça. Sentia-me culpado, por fazer da casa da Dona Tininha um sítio menos belo do que o habitual.

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