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Peter Handke

por Miguel Bastos, em 10.10.19

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"Ai Miguel, você é tão deprimente!", dizia-me a Maria João. Eu, apenas, pedira à minha explicadora de alemão algumas referências culturais germânicas. A Maria João já tinha encolhido os ombros ao Wim Wenders e torcido o nariz ao Mahler. À pergunta "E o Peter Handke?" veio a resposta "Ai Miguel, você é tão deprimente!", seguido do conselho "Porque é que não lê antes os americanos?". Tenho tentado, Maria João. Mas, já agora, era só para lhe dizer que o Peter Handke ganhou o Prémio Nobel: da Depressão, ou lá o que é.

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Em nome do filho

por Miguel Bastos, em 30.08.19

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Eu sabia que esse dia ia chegar. E, no fundo, desejava-o, ansiosamente. Mas, nunca pensei que esse dia chegasse tão cedo. O dia em que um filho aconselha um livro ao pai. Ainda por cima, um livro que fala de um filho, à procura de um pai que se perdeu nos livros. Ele há coisas... 

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Estratégias

por Miguel Bastos, em 22.05.19

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Gostei tanto desta entrevista de Marco António Costa, no i, que estou desejosos por chegar a casa. Quero reler algumas passagens do livro "Os Predadores", do Vítor Matos. Também fala de estratégias...

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Chico esperto

por Miguel Bastos, em 22.05.19

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Amigos, fazem muito bem em vir para aqui recordar as (excelentes) canções de Chico Buarque. Mas já agora, deixem-me recordar-vos que o Prémio Camões, deste ano, também escreve livros. E muito bons, por sinal.

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Quem vê caras...

por Miguel Bastos, em 21.05.19

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"Quem vê caras não vê corações e quem vê likes também não. Mas sabe bem à brava. Com tanta gente a gostar de nós, até nós gostamos de nós, apesar de tudo o que sabemos a nosso respeito."
Álvaro Magalhães, O Estranhão - Quem vê likes não vê corações!

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Viver sem aprender

por Miguel Bastos, em 10.05.19

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Umas das coisas que sempre me impressionou nos filmes da Segunda Guerra Mundial é a forma como as pessoas continuam a viver: afogadas nas pequenas coisas do quotidiano, indiferentes ao nazismo - mesmo quando ele já se materializa em guerra. Até que, de repente ficam sem trabalho, sem casa, sem direitos, sem filhos, sem pais, sem vida. É sempre inquietante para nós, que já sabemos o fim da história, assistirmos ao comportamento daquela gente. No caso de Else - mulher, alemã, judia, casada com um cristão da alta burguesia - nada conseguia abalar a sua vida burguesa, boémia e frívola: com direito a festas, vestidos, espectáculos e amantes. Mesmo quando teve que abandonar a Alemanha e instalar-se na Bulgária, continuou a ter uma vida irreal: vivia numa casa com empregada, passava férias na praia. Até que o cerco apertou e ela foi perdendo tudo: uma coisa de cada vez.

 

O livro “Tu não és como as outras mães”, de Angelika Schrobsdorff, fala desta mulher (Else, a mãe da autora) que, apesar de ter abandonado a fé judaica, será sempre considerada uma judia e sofrer, na pele, as consequências da sua condição. Mas, o que achei mais chocante é que o livro não acaba com o fim da Segunda Guerra Mundial, com o habitual direito à vitória da justiça, à catarse, à felicidade. E, ao estender-se no pós-guerra, assistimos, através dos olhos de Else - mulher profundamente transformada pela guerra - à repetição dos mesmos comportamentos, da mesquinhez, dos vícios que existiam antes da guerra. Como se os seres humanos (todos nós) fossemos incapazes de aprender a viver, apenas para sobreviver.

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É um livro

por Miguel Bastos, em 23.04.19

 

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"É um livro", de Lane Smith, no dia do dito cujo. Ideal para as crianças ensinarem os adultos a ler.

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Citar o desassossego

por Miguel Bastos, em 14.02.19

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Deixem-me citar o jornalista Nuno Pacheco. Escreve ele, hoje, no Público: "Citar substitui a leitura [...]". E depois, cita o "Livro do Desassossego", de Pessoa, para falar de contexto. Isto, sem citar a polémica que estalou na CPLP. Pessoa, recorde-se, foi acusado por jornais angolanos e cabo-verdianos de ser um perigoso racista e um apoiante da escravatura. Falta o resto da frase de Pacheco "[...] tal como a vaga ideia substitui o pensamento". Fim de citação.

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Em alemão

por Miguel Bastos, em 08.11.18

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Ler nunca fez mal a ninguém... Verstehen sie?

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Música pimba

por Miguel Bastos, em 06.11.18

Este texto andava perdido... nos arquivos da minha computadeira. Hoje, no dia em que Tchaikovsky morreu, retirei o verbete para publicação. Não vale a pena fazer RIP (já foi há 125 anos). Mas vale a pena ouvir a música de Tchaikovsky. Acho eu....

Tchaikovsky.jpeg

"Só não tenho paciência para as 'pimbalhices' do Tchaikovsky", disse o meu amigo. Ele vive numa dessas casas com "Sopa e gravatas e tudo", como dizia Solnado. E "tudo", neste caso, implica ter lugar cativo no São Carlos e na Gulbenkian. Ora eu que, dos luxos descritos só tenho a sopa, não percebi. De resto, demorei anos a perceber. Foi Jeremy Siepmann quem me explicou, depois de lhe comprar um livro sobre Tchaikovsky. Siepmann (músico, professor, divulgador) confessa que chegou tarde a Tchaikovsky, por snobismo. Para muita gente (como ele próprio) educada na escola musical germânica, Tchaikovsky é Hollywood. Ainda bem, digo eu. Devemos a Tchaikovsky alguma da melhor música escrita para cinema. E devemos a Hollywood a distribuição, à populaça, de alguma da melhor música da história.

 

Tchaikovsky invejava a forma como os italianos esbatiam as fronteiras entre a musica popular e erudita. Tentou fazer o mesmo e foi bem sucedido. Obras como o "Quebra-Nozes" e o "Lago dos Cisnes", ou as aberturas "1812" e "Romeu e Julieta" são incrivelmente populares. As suas sinfonias influenciaram Shostakovitch e Mahler. Mas também Bernstein e John Williams. Mas isso, (lá está!) é Hollywood e as sua "pimbalhices".

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