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Ai destino

por Miguel Bastos, em 25.05.20

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Nesta novela, o personagem principal é expulso do castelo de um barão, depois de ter sido apanhado aos beijos com a filha deste. Nessa altura, o barão não sabia que iria ser morto, juntamente com o resto da família. Na verdade, não foi bem assim: porque alguns membros da família morreram mesmo; mas outros vem-se a descobrir que não. Um deles será, mesmo, morto pelo personagem principal depois de o ter reencontrado vivo. Foi, uma vez mais, uma morte que não foi definitiva, já que os dois voltam-se a encontrar quando o protagonista reencontra, também, a filha do senhor barão... também viva. A novela - que parece mexicana, mas não é - está cheia destes encontros e desencontros, em que os personagens passam de desgraçados a senhores de bem e vice-versa, em múltiplas aventuras comandadas pelo destino. A novela podia-se, mesmo, chamar-se "Ai destino" e passar na TVI. Mas chama-se "Cândido" e é uma obra-prima de Voltaire.

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De Malraux a pior

por Miguel Bastos, em 15.05.20

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Mal começou a epidemia, as pessoas correram às livrarias para comprar "A peste", de Albert Camus, e o "Ensaio sobre a Cegueira", de José Saramago. "Que escolha estranha!", pensei, "para ler sobre desgraças, basta abrir os jornais". De modo que pensei em algo mais leve. E peguei no livro "A Condição Humana", de André Malraux, cuja leitura estava adiada há muito. Para não perdermos muito tempo, vou já para o final da história. Um dos protagonistas morre, estilhaçado, vítima da bomba com a qual pretendia matar um líder político. Outro morre, queimado, depois de ser atirado para uma fogueira. E outro, ainda, suicida-se, recorrendo à ingestão de cianeto. Eu devia ter suspeitado que - ao contrário do que eu pensava - "A Condição Humana" não era um livro de auto-ajuda. Até porque o primeiro homicídio ocorre na terceira página. Mas, o que é que hei-de fazer? Pensei que a condição humana iria melhorar! Penso sempre, aliás. Só que, às vezes, engano-me.

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Língua Portuguesa

por Miguel Bastos, em 05.05.20

A binha bátria é a lígua burtuguesa (Fernando Pessoa, um bugadinho gunstipado). Hoje celebra-se, pela primeira vez, o Dia Mundial da Língua Portuguesa.

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Livros

por Miguel Bastos, em 23.04.20

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Pessoas dos livros: leiam moda, que é mais giro. (Roubado ao Hugo van der Ding, no Dia Mundial do Livro).

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Amor e amizade

por Miguel Bastos, em 21.04.20

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Tinhas razão, meu filho, este livro não é para a tua idade. Fala de uma criança que foge de casa, carregando, aos ombros, uma culpa que lhe esmaga o peito. Nenhuma criança deveria carregar essa culpa. Nem ser ameaçada por adultos, que se aproveitam da sua solidão e do seu desespero. O livro parece um filme. Daqueles filmes-catástrofe, apocalípticos, de que eu nem costumo gostar. Mas - pensei - já que foste corajoso para ler as primeiras (e assustadoras) páginas e não paraste até chegar ao fim, não havia razão para eu não tentar a minha sorte. Ainda bem que tentei. Mais um livro maravilhoso de David Machado. Que fala da culpa, da coragem, da necessidade de correr riscos e de tomar decisões. Mas que fala, sobretudo, de amor e amizade. No fundo, as coisas que nos interessam: a ti a mim. 

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Adeus, Sepúlveda

por Miguel Bastos, em 16.04.20

Há pouco mais de um mês, escrevi este texto sobre Luís Sepúlveda. O meu desejo de que voltasse depressa não se concretizou, infelizmente.

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"Há cerca de 6 anos, um bicho manhoso atirou-me para a cama de um hospital. Queria-me matar, o animal! Felizmente, não conseguiu. Mas, entre muitas coisas, o bicho manhoso tirou-me a capacidade, física e mental, de ler. Eu queria ler, precisava de ler, mas não conseguia. Estava demasiado debilitado para romances, ensaios ou biografias. Tentei ler pequenos contos, livros infantis, mas nem esses conseguia. As letras dos jornais tremiam, os livros de banda desenhada trocavam-me os olhos. Passei a folhear novelas gráficas, livros de design, de arquitetura. Mas, faltavam-me as palavras. As primeiras chegaram-me, a custo, num livro de Sepúlveda: a "História de um gato e de um rato que se tornaram amigos" trouxe-me as primeiras palavras escritas, em semanas. O livro, maravilhosamente ilustrado, permitiu-me sair da cama do hospital, para os telhados de Munique, onde a história se desenrola. Hoje, é Luís Sepúlveda quem está doente. Espero que volte depressa para as palavras, que as palavras o levem para onde ele quiser. E, se for possível, que nos leve com ele."

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Belo... e amarelo

por Miguel Bastos, em 10.04.20

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Ideal para dias cinzentos.

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Onde andas, Panoramix?

por Miguel Bastos, em 24.03.20

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Nos dias que correm, a agenda (e a cabeça) é monotemática. Tudo nos lembra a mesma coisa. Esse vírus manhoso que anda pelas ruas, à solta, e nos prende em casa. Hoje, morreu Albert Uderzo, o ilustrador que criou Astérix, com René Goscinny. Albert Uderzo tinha 92 anos. Não morreu por causa do coronavírus. Mas lembrou-me que hoje, sim, os romanos têm motivos para estarem loucos. E que temos, todos, que resistir ao vírus, como os gauleses. Se eles resistiram ao exército mais poderoso do mundo, nós também vamos conseguir. Já agora, uma poção mágica dava jeito. Onde andas, Panoramix? 

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O vírus de Sepúlveda

por Miguel Bastos, em 03.03.20

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Há cerca de 6 anos, um bicho manhoso atirou-me para a cama de um hospital. Queria-me matar, o animal! Felizmente, não conseguiu. Mas, entre muitas coisas, o bicho manhoso tirou-me a capacidade, física e mental, de ler. Eu queria ler, precisava de ler, mas não conseguia. Estava demasiado debilitado para romances, ensaios ou biografias. Tentei ler pequenos contos, livros infantis, mas nem esses conseguia. As letras dos jornais tremiam, os livros de banda desenhada trocavam-me os olhos. Passei a folhear novelas gráficas, livros de design, de arquitetura. Mas, faltavam-me as palavras. As primeiras chegaram-me, a custo, num livro de Sepúlveda: a "História de um gato e de um rato que se tornaram amigos" trouxe-me as primeiras palavras escritas, em semanas. O livro, maravilhosamente ilustrado, permitiu-me sair da cama do hospital, para os telhados de Munique, onde a história se desenrola. Hoje, é Luís Sepúlveda quem está doente. Espero que volte depressa para as palavras, que as palavras o levem para onde ele quiser. E, se for possível, que nos leve com ele.

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