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A mesma língua

por Miguel Bastos, em 04.12.15

jimmy daniel.jpg 

Hoje, estive a ver o “The Tonight Show”, com Jimmy Fallon. O seu primeiro convidado foi o actor Daniel Radcliffe. Depois, veio Chris Packham, autor de programas sobre animais, na BBC. E, finalmente, a convidada musical foi Ellie Goulding. “Que engraçado”, pensei, “três britânicos seguidos num programa de televisão americano.” Estava eu a pensar nisso, quando Jimmy Fallon disse, com graça, que o Jonathan Ross devia estar cheio de inveja. Jonathan Ross também é um humorista com um talk show.

 

Desliguei a televisão e pus-me a pensar porque é que não temos exemplos destes em Portugal. A propaganda fala-nos de uma das línguas mais faladas do mundo, com cerca de 280 milhões de falantes. Mas, depois, não falamos muito uns com os outros. É claro que há um problema de assimetria: destes 280 milhões, 200 são brasileiros. E, diz-se, eles não percebem os portugueses. Mas, basta ouvir a conversa entre Jimmy Fallon e Daniel Radcliffe, para concluir que o inglês deles é muito diferente. E que isso não impede que se entendam.

 

A circulação de artistas e dos seus produtos é fundamental para o crescimento da língua e da cultura de expressão portuguesa. É uma pena que esta evidência não seja evidente para todos.

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O desacordo ortográfico

por Miguel Bastos, em 14.05.15

abaixo_aborto_ortografico.png

Trabalhei numa redacção onde havia autocolantes destes, colados nas gavetas da secretárias. Havia um que falava no Cavaco. Estávamos no início dos anos 90. Podia ser hoje.

 

A língua desperta paixões. As pessoas ficam empolgadas, crispadas, zangadas, por causa do Acordo Ortográfico (AO). E, no entanto, não houve uma discussão séria.

 

Aparecem cidadãos indignados nos vox pop dos media. Colunas de jornal, assinadas  por escritores e jornalistas, com a indicação “escreve segundo a antiga grafia”. Os sábios da língua desapareceram na sua erudição. Os políticos acham que o problema é técnico e não político. É o que dá termos políticos que falam em “malabarices” e “cidadões”.

 

Ora, a questão é obviamente política. (A ideia não era aproximar as diferentes formas de escrever português?) Temos um novo AO a vigorar em Portugal, com os outros países lusófonos ainda a pensar no assunto. O objectivo era ter uma grafia, mas, para já, só acrescentámos mais uma.

 

A língua muda, a ortografia também. Não é preciso ler uma carta de foral ou uma cantiga de amigo. Basta um texto do início do século passado. Houve duas revisões da ortografia depois disso. E ninguém morreu.

 

Era preciso uma discussão séria. Mas ninguém discute, porque toda a gente já sabe tudo.

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