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Língua portuguesa

por Miguel Bastos, em 05.05.21

O programa "Portugueses no Mundo" está no ar, há vários anos, na Antena 1. Durante vários anos, a jornalista Alice Vilaça​ costumava perguntar: "De que é que tem mais saudades do nosso país?" As respostas variavam pouco: "da família", "dos amigos", "do sol", "do mar", "do bacalhau". Percebo, é difícil resistir ao bacalhau. Mas, e a língua? Falo da portuguesa, não a do bacalhau. A resposta "da língua" não era habitual. É estranho porque, quando saio de Portugal (basta uma semana), fico cheio de saudades da língua portuguesa, que está ligada ao bacalhau, mas é (ainda) mais saborosa. A minha pátria é a língua de Caetano a roçar na língua de Camões. Hoje, é dia de a celebrar.

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Por gestos

por Miguel Bastos, em 30.04.21

- Porque é que este noticiário tem aquele senhor?
- Qual?
- O do cantinho, a fazer gestos.
- É língua gestual. Para as pessoas que não ouvem.
- A sério? O jornalista já faz tantos gestos, que achei que não era preciso.

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Retratos da pandemia

por Miguel Bastos, em 16.04.21

emergencia.jpg

Ontem, o Adriano Miranda passou cá em casa. Trouxe dois exemplares de "Emergência 366" - o novo livro, que fez emergir com o Paulo Pimenta. Um excelente documento do ano mais estranho de que temos memória. Trocámos palavras breves. Eu estava entre dois noticiários; ele estava numa maratona de entregas. Devia-lhe ter pedido para tirar uma foto. O Adriano fica sempre bem na fotografia.

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Intensivos

por Miguel Bastos, em 04.02.21

intensivos.jpg

A jornalista Rita Colaço avisou-nos que a reportagem tinha sons que podiam impressionar (e impressionam, de facto). Mas, o meu maior receio não eram os sons. Era a respiração. A minha. Tinha medo de não conseguir respirar, porque sei bem o que isso é. E a minha respiração alterou-se, de imediato, com uma das primeiras palavras que ouvi na reportagem: "propofol". Cheguei, em desespero, a pedir propofol numa unidade de cuidados intensivos. Conheço o som dos ventiladores, invasivos e não invasivos, e das várias máquinas. Reconheço as vozes dos profissionais de saúde: o cansaço, a esperança, o profissionalismo, a humanidade. Está tudo nesta reportagem. Ao longo da reportagem, a minha respiração foi, no entanto, regressando ao normal. A Rita tem a capacidade de nos mostrar a realidade, com sobriedade, sem a exacerbar. Mas a abordagem é intensa. É intensiva.

Para ouvir, pode clicar na imagem ou aqui:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/grande-reportagem-antena1-intensivos_a1294513

 

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Vicente Jorge Silva

por Miguel Bastos, em 08.09.20

vicente.png

Vicente Jorge Silva não foi só um jornalista. Foi um super-herói, um criador, um revolucionário, um visionário, uma pop star, um homem da renascença. O Público foi feito para nós: os que sonhavam com um Portugal mais moderno, mais irreverente, mais cosmopolita. E que gostavam que esse Portugal não fosse, inteiramente, impossível. Já gostávamos do Público, antes de ele ter nascido. E continuámos a gostar: mesmo quando, às vezes, o Público nem parecia o Público.
[Foto: Luís Vasconcelos - Público]

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Luís Filipe Costa

por Miguel Bastos, em 21.07.20

luis filipe costa.jfif

O telefone tocou. Do outro lado, a pergunta: "Sabes quem é que é o Luís Filipe Costa?" "Que Luís Filipe Costa?", perguntei, "O jornalista, o homem do comunicados do MFA?". "Esse mesmo", respondeu o meu chefe de então, "Preciso que me faças um perfil alargado, sobre ele, para um programa de homenagem que vamos fazer este fim de semana". "Mas, porque eu?", continuei a perguntar. "Porque, até agora, foste o único que soube logo de quem é que estamos a falar". Foi por essa altura, que fiquei a saber que o jornalista não foi "só" a voz da revolução na rádio, ele já tinha revolucionado a própria rádio. Luís Filipe Costa morreu, hoje, tinha 84 anos.

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Rádio que se vê

por Miguel Bastos, em 13.02.19

antena aberta.jpg

Manuel Campino (ouvinte de rádio): Até me esqueço que sou cego, com o entretenimento que a rádio me dá, desde a manhã até à noite.
Antonio Jorge (jornalista da Antena 1): Que coisa bonita de se dizer.
E é mesmo. Sobretudo, num dia como este: Dia da Rádio.

 

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Ter a nação

por Miguel Bastos, em 10.05.18

aqui nasceu.jpg

"Que nação queremos ser?", pergunta a jornalista no artigo. "Uma startup nation? Uma green nation? Ou uma innovative nation?” Uma nação, respondo eu, é isso que queremos ser. Eu sei que o conceito provoca comichão. Porque o nacionalismo volta a assustar. Porque o conceito tem vindo a mudar. Porque diferentes etnias ou religiões convivem, cada vez mais, numa nação. Mas há uma base comum: território, tradições, valores ou língua.

 
Portanto, uma nação não é um "business plan", nem uma "marketing strategy". É uma coisa que existe (antes, durante e depois) destes termos de importação da moda. Não perceber isto, é não ter a mínima noção. Ou a mínima "notion", ou lá o que é...

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Ex-namorada

por Miguel Bastos, em 08.05.18

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A ex-namorada de um ex-primeiro-ministro, acusou o seu "ex" de traição. Ex-traíram-se daí inúmeras ilações. Vários ex-dirigentes, ex-ministros, ex-jornalistas, falaram ex-tensamente sobre o assunto. Parece-me tudo muito ex-temporâneo. Que é para não dizer ex-túpido.

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Posta restante

por Miguel Bastos, em 15.02.18

postal.jpg

O novo filme de Spielberg, "The Post", passa-se na era Nixon. Mas, é inevitável vê-lo como uma reacção à era Trump. Não é, no entanto, um filme dos bons contra os maus. É melhor que isso. A história anda à volta de uma investigação, governamental, sobre o Vietname. Fica-se a saber que, afinal, a guerra do Vietname era uma história mal contada. Aliás, era uma história não contada. Porquê? Porque os presidentes anteriores (Kennedy e Johnson) eram do grupo dos bons. O grupo que os jornais gostavam. Com quem tinham cumplicidade. Eram farinha do mesmo saco. Um saco onde estava, desde logo, o Washington Post.

 

Os protagonistas são a dona do jornal (Meryl Streep) e o diretor (Tom Hanks). São eles que vão ter que colocar em causa a sobrevivência do jornal, em nome da liberdade da imprensa. Mas, tão ou mais importante, vão ter que se colocar em causa.   

 

Nesse sentido, "The Post" é um filme sobre a perda da ingenuidade. Um postal de uma época e do que restou dela.

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