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Ter a nação

por Miguel Bastos, em 10.05.18

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"Que nação queremos ser?", pergunta a jornalista no artigo. "Uma startup nation? Uma green nation? Ou uma innovative nation?” Uma nação, respondo eu, é isso que queremos ser. Eu sei que o conceito provoca comichão. Porque o nacionalismo volta a assustar. Porque o conceito tem vindo a mudar. Porque diferentes etnias ou religiões convivem, cada vez mais, numa nação. Mas há uma base comum: território, tradições, valores ou língua.

 
Portanto, uma nação não é um "business plan", nem uma "marketing strategy". É uma coisa que existe (antes, durante e depois) destes termos de importação da moda. Não perceber isto, é não ter a mínima noção. Ou a mínima "notion", ou lá o que é...

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Ex-namorada

por Miguel Bastos, em 08.05.18

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A ex-namorada de um ex-primeiro-ministro, acusou o seu "ex" de traição. Ex-traíram-se daí inúmeras ilações. Vários ex-dirigentes, ex-ministros, ex-jornalistas, falaram ex-tensamente sobre o assunto. Parece-me tudo muito ex-temporâneo. Que é para não dizer ex-túpido.

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Posta restante

por Miguel Bastos, em 15.02.18

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O novo filme de Spielberg, "The Post", passa-se na era Nixon. Mas, é inevitável vê-lo como uma reacção à era Trump. Não é, no entanto, um filme dos bons contra os maus. É melhor que isso. A história anda à volta de uma investigação, governamental, sobre o Vietname. Fica-se a saber que, afinal, a guerra do Vietname era uma história mal contada. Aliás, era uma história não contada. Porquê? Porque os presidentes anteriores (Kennedy e Johnson) eram do grupo dos bons. O grupo que os jornais gostavam. Com quem tinham cumplicidade. Eram farinha do mesmo saco. Um saco onde estava, desde logo, o Washington Post.

 

Os protagonistas são a dona do jornal (Meryl Streep) e o diretor (Tom Hanks). São eles que vão ter que colocar em causa a sobrevivência do jornal, em nome da liberdade da imprensa. Mas, tão ou mais importante, vão ter que se colocar em causa.   

 

Nesse sentido, "The Post" é um filme sobre a perda da ingenuidade. Um postal de uma época e do que restou dela.

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Pesadelo em ar condicionado

por Miguel Bastos, em 26.06.17

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Ainda as chamas lavravam em Pedrógão Grande e Castanheira de Pêra. Ainda as labaredas se alastravam em Góis e Pampilhosa da Serra. Ainda o fumo toldava a visão dos que trabalhavam no meio do fogo. E já havia quem exigisse fumo branco. Começou  "O Pesadelo em Ar Condicionado", pensei, roubando o título de um livro de Henry Miller.

 

O pesadelo decorre, invariavelmente, no Monte Olimpo, com os clientes do costume. Uns permancem na frescura do ar condicionado. Outros, deslocam-se aos locais, em viaturas velozes e climatizadas, que replicam o Olimpo em quatro rodas. Chegados ao local (um qualquer, que só tem nome durante a desgraça), permanecem o tempo mínimo exigível e, depois, regressam ao Olimpo: o palco de todas as questões e discussões; de todas as conclusões e ilações.

 

É, por isso, que é tão importante o trabalho dos repórteres, que permanecem nas terras devastadas pelo fogo. Para que seja ali (e não, no Monte Olímpo) que se fale dos incêndios.. Fala-se com gente real e tangível; que troca os "bês" pelos "vês"; que falha na concordância entre sujeito e predicado. "E agora?", pergunta o repórter Nuno Amaral, na Antena 1. Agora, "é andar para a frente"... diz Lucinda. Ermelinda, sujeita com todos os predicados (nascida, batizada e casada em Alvares, no concelho de Góis), está em concordância com a primeira. Esta gente concorda no essencial, para não se perder nas discordâncias verbais do Monte Olimpo. 

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Jornalismo 5 estrelas

por Miguel Bastos, em 28.03.17

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Sentado no lobby de um hotel de cinco estrelas, portátil no colo, fato e gravata - o jornalista foi surpreendido pela minha presença. Um problema de comunicação, entre profissionais de comunicação. Tentou disfarçar o incómodo e mostrar disponibilidade. À primeira pergunta responde-me que não entende a pergunta. À segunda pergunta responde com uma pergunta: “Só vai fazer perguntas gerais ou vai ser mais específico?”. Tento explicar-lhe que não trabalho para uma publicação especializada, mas para um público generalista. Propõe-me, então, falar sobre o tema da sua intervenção numa conferência.

 

“Bla, bla bla, o mercado global”; “bla, bla, bla o mercado competitivo”; “bla bla bla, inovar ou morrer”… Este homem fala como um homem de negócio, mas não é; fala como um empreendedor, mas não é; fala como um cientista, mas não é; fala como um político, mas não é. O homem, diz de si mesmo, que é jornalista, mas não consegue falar com outro jornalista.

 

O homem dorme em hotéis 5 estrelas; viaja em business class, come em restaurantes Michelin. Este homem é o jornalismo 5 estrelas: moderno, elegante, sofisticado, cosmopolita, globalizado. Resta saber se é jornalismo.

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Obrigado, BPN!

por Miguel Bastos, em 03.10.16

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“Nunca tinha visto tantos jornalistas interessados em arte contemporânea”, brincou António Costa. Nessa altura, o primeiro ministro inaugurava um museu, de Siza Vieira, sob um manto ruidoso de vaias, assobios, palavras de ordem, bombos e apitos. Foi a primeira grande manifestação do movimento dos colégios privados. Protestava-se contra a decisão do governo de rever os contratos de associação.

 

Na sexta feira, António Costa voltou a inaugurar uma exposição, num espaço de arte contemporânea, com o dedo de Siza. Mas o cenário era muito diferente. Costa estava com Marcelo, Mariano Rajoy, o presidente da Câmara do Porto e o ministro da Cultura. Foi uma festa, cuidadosamente planeada, com Rui Moreira a anunciar que as obras de Miró ficavam no Porto. O ambiente era de regozijo. O fim de semana trouxe uma enchente a Serralves, com filas de espera para ver a famosa colecção que o governo decidiu que ficava em Portugal. Já agora, a colecção era de um banco que faliu e deu cabo das contas do Estado. O cartoonista Luís Afonso já brincou com o assunto, no Público: ainda vamos ficar gratos ao BPN. Parece que já estamos...

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Outra vez

por Miguel Bastos, em 15.07.16

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Atordoado pelos acontecimentos em Nice, resolvi publicar de novo um texto que escrevi em Novembro. Chama-se "Terroristas vencem sempre". Aqui vai ele. Acho que está actual. Infelizmente.

 

"O problema com o terrorismo, é que os terroristas vencem sempre. Vencem, quando falo do assunto. Venceriam, se o ignorasse. Vencem quando matam. Mas, também, quando falham.  Matar (ou tentar matar) uma pessoa (uma só) - no sítio certo, à hora certa - é motivo para colocarem os media, do mundo inteiro, a falar sobre o assunto. Com imagens contínuas, em “slow motion” ou “fast foward”. Com notícias e reportagens em direto. Com comentários de especialistas. Com fóruns de ouvintes e espectadores. Com capas de jornais e revistas. Com o tráfego da solidariedade e indignação online. Os terroristas vencem sempre.

 

Vencem com o crescimento da extrema direita e da intolerância. Vencem com os discursos “compreensivos”, que evocam o passado colonialista do ocidente ou a falta de políticas de integração. Vencem com as acções militares contra o inimigo. Vencem com o medo, com a raiva, com a violência.

 

Costuma-se dizer, por graça, que o futebol são 11 contra 11 e no final ganha a Alemanha. Com o terrorismo é a mesma coisa. Só que, neste caso, não tem graça nenhuma."

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Obra do Espírito Santo?

por Miguel Bastos, em 01.06.16

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Nuno Espírito Santo é o novo treinador do Futebol Clube do Porto. A sério? Estou tão surpreendido! Estou a brincar. Na verdade, eu já sabia, porque toda a gente já sabia. Bem, sabia, mas, como todos, não tinha a certeza. Não havia “confirmação oficial”. Ainda, recentemente, tivemos um caso semelhante: a ida de Mourinho para o Manchester United. O futebol vive muito do “vou-te dizer um segredo, mas não digas a ninguém” que marcou a nossa infância.

 

Muitos dos que se queixam que os media são especulativos e inventam coisas, alimentam os rumores nos media, dão pistas e informações. São fontes, mas não se deixam identificar. Claro que há especulação, mas também há manipulação. Ambas as coisas são lamentáveis. Se Nuno Espírito Santos já estava certo no Porto porque é que , hoje mesmo, circularam notícias a dizer que ainda não era certo? Porque tudo tem o seu tempo, poder-se-à dizer. Mas, se assim é, porque é que os jornalistas já sabiam? Sabiam, porque alguém lhes disse. Porque queria dizer e porque queria que se soubesse.

 

Os jornalistas não adivinham. As notícias não surgem por obra do Espírito Santo.

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Digital em papel

por Miguel Bastos, em 24.05.16

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“Já nas bancas”, anuncia um papel à porta da papelaria. Tinha “Observador” escrito no cabeçalho, com lettering e logotipo a condizer. Pensei que fosse publicidade. Um encarte do jornal numa outra publicação. Mas não, vi, depois, que era mesmo o Observador, a assinalar “O melhor dos nosso dois anos”. “Porque é que um jornal digital, publica uma edição em papel?”, perguntei-me, enquanto pegava (e pagava) o jornal.

 

O Observador é diferente dos outros jornais, porque já nasceu digital, assinala o diretor, Miguel Pinheiro, no seu editorial impresso. Confirma João Miguel Tavares (JMT), coordenador da edição impressa, que escreveu sobre a publicação, em papel, na edição digital. Um paradoxo? Talvez.

 

Para que fique claro: jornalismo é jornalismo. Dizer que a internet mata o jornalismo não faz sentido. Mas, é claro que a maior parte dos jornais ainda não se encontrou um bom modelo para financiar o seu jornalismo e é claro que o formato importa. Por isso, é que existem vários media: rádio, televisão, jornais, multimedia. Eu, por exemplo, gostei muito mais de ler o artigo da Maria João Avillez (sobre Marcelo Rebelo de Sousa) em papel, do que em digital. Tenho dificuldade de ler textos longos, em ecrãs. Normalmente, passo à frente. Gostava, por exemplo, que o Observador editasse, regularmente, os seus ensaios em papel. Poderá ser outro caminho para explorar no jornalismo.

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