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O papel do jornal

por Miguel Bastos, em 29.06.18

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Leio e despeço-me do Diário de Notícias, em papel. Este Diário de Notícias vai acabar. Não sei, ainda, como é que vai ser o novo. Sei, apenas, que vai ser outra coisa. Esta manhã, Ferreira Fernandes esteve na Antena 1 a explicar que jornal é esse que vai nascer. Ele, que lia três jornais em papel todos os dias, sabe que há gente que ainda o faz. Não é, no entanto, gente que chegue para alimentar o jornal que dirige. 

 

Eu leio jornais online para saber das últimas notícias, com rapidez. Mas não leio textos de 30 ou 40 mil caracteres: entrevistas, reportagens, opinião. Há quem leia, claro. Mas, acredito que serão poucos. E se é verdade que o mundo -  cada vez mais rápido - não espera pelo dia de amanhã;  também é verdade que o mundo - cada mais complexo - continua a não caber em meia dúzia de palavras.

        

Acho, por isso, que passar para o online não é construir um futuro mais rico, é adaptarmo-nos a um presente mais pobre. Não há jornais a mais, em Portugal. Há é leitores a menos. E, quanto a isso, só nos podemos queixar de nós próprios. E agora, com a vossa licença, vou ler o jornal em papel. Enquanto existe. Boa sorte para o DN.

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Zap Canal

por Miguel Bastos, em 18.05.18

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Ontem, dei a volta ao Zap Canal. Mudar de canal, para ver o mesmo tema, com os mesmos protagonistas. O presidente da assembleia geral do Sporting fez o pleno: rodou por todos os canais, na mesma noite. O presidente do Sporting falou à Nação: numa conversa em família, em direto e em sentido único, como convém.

 

Antes, durante e depois, foi comentado pelos comentadores do costume. No canal do Estado, um ex-ministro - que foi, até há pouco tempo, apoiante de Bruno de Carvalho - falou do papel regulador do Estado. “O Estado não vai fazer nada”, responde o outro, “porque os políticos não têm coragem.” Com décadas de política, o político corajoso também foi ministro, num governo liderado por um ex-presidente do Sporting. “Ainda esta semana, um comentador ofereceu pancada a outro”, diz o primeiro. “Eu sei quem é”, diz o outro, “é meu amigo”. Claro que é: trabalharam juntos nos jornais, foram juntos para o governo, pelo mesmo partido. Que é, também, o partido do protagonista no canal ao lado: outro ex-ministro, várias vezes apontado como alternativa ao actual presidente do Sporting.

 

No Zap Canal falou-se de muita coisa. Infelizmente, não se falou de separação de poderes.

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Ex-namorada

por Miguel Bastos, em 08.05.18

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A ex-namorada de um ex-primeiro-ministro, acusou o seu "ex" de traição. Ex-traíram-se daí inúmeras ilações. Vários ex-dirigentes, ex-ministros, ex-jornalistas, falaram ex-tensamente sobre o assunto. Parece-me tudo muito ex-temporâneo. Que é para não dizer ex-túpido.

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Curia do Norte

por Miguel Bastos, em 27.04.18

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Quando eu era pequeno, adorava passear na Curia: estação, as ruas arborizadas, os parque, o lago, os barcos, as termas, as pensões familiares, os grandes hotéis. Um paraíso. De modo que estranhei, quando ouvi falar da guerra dos curianos. Guerra, na Curia, mas porquê? Podia ter perguntado à Rita Colaço. Mas não teria sucesso.

 

Porquê? Porque, nessa altura, ela era demasiado nova, para saber, sequer, onde era a Curia. Mas já devia saber coisas sobre a Coreia...A reportagem da Rita, na Antena 1, agora que os curianos andam a apertar as mãos, está aqui.

 

https://www.rtp.pt/noticias/grande-reportagem/grande-reportagem-o-medo-e-um-lugar-estranho_a1044739

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No estrangeiro

por Miguel Bastos, em 08.01.18

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O estrangeiro, dizia alguém, é o país onde todos gostariam de viver. "No estrangeiro", dizem uns, "paga-se menos impostos". Talvez, se esse país for os Estados Unidos. "No estrangeiro", dizem outros, "temos melhores hospitais". Talvez, na Suécia. "No estrangeiro", acrescentam outros ainda, "as mães podem ficar com as crianças, em casa, até aos três anos". É verdade, na Alemanha. É verdade, e pode ser bom. Para quem gosta. A ex-ministra Constança Urbano de Sousa, descobriu, por experiência própria, que na Alemanha não havia creches. E não gostou. Está na entrevista da Notícias Magazine, deste fim de semana.

 

Na Alemanha (esse país estrangeiro e avançado!), a maioria das mulheres casadas deixa de trabalhar quando engravida. Como em Portugal, nos anos 40. O reverso de estar em casa com filhos, nos primeiros 3 anos, é não ter creches, nem carreira profissional. Nos Estados Unidos, os impostos são baixos, mas a qualidade da saúde pública também. E se a Suécia tem saúde, na hora de pagar impostos os suecos têm todas as razões para ficarem doentes.

 

Essa é a vantagem do estrangeiro. Podemos escolher o estrangeiro que quisermos, de acordo com as conveniências de cada momento. Só há um problema: o estrangeiro não existe. Mas, é melhor.

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Debate Rio/Santana

por Miguel Bastos, em 05.01.18

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Gostei do debate entre Rio e Santana. Mas, em termos de programação, fazia mais sentido na RTP Memória.

 

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Belmiro de Azevedo

por Miguel Bastos, em 29.11.17

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Depois de uma tarde de elogios fúnebres, a morte de Belmiro de Azevedo dividiu o parlamento. O voto de pesar foi a votos. PS, PSD, CDS e PAN votaram "sim". PCP votou "não". Bloco de Esquerda e Verdes votaram "nim". Belmiro já não reina, mas ainda divide.

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Pedro Rolo Duarte

por Miguel Bastos, em 27.11.17

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Há cerca de 4 anos, eu andava muito ocupado. A minha tarefa era simples, mas de extrema importância: sobreviver. Uma doença súbita, deixou-me perto da morte. E eu não estava com vontade nenhuma que tal viesse a acontecer. Uns meses mais tarde, encontrei, num restaurante, uma das médicas que impediu a minha morte. Cumprimentei-a. Ela respondeu e sorriu. Trocámos meia dúzia de palavras. Até que ela me perguntou: “Desculpe, de onde é que nos conhecemos?” Respondi que nos conhecíamos do hospital. E que tentámos, os dois, salvar a minha vida. Com sucesso, como dava para ver. Voltou a sorrir e despedimo-nos.

 

Fiquei a pensar como é que possível os médicos fazerem tanto por uma pessoa que, passado poucos meses, já nem sequer reconhecem. Para mim, aquela médica estava associada à minha vida. Para ela, eu tinha sido um doente, uma vida. Assim, em abstrato.

 

E a vida, também, é isto. Estamos ligados a pessoas, que não conhecemos, verdadeiramente; algumas, nem sequer nos reconhecem; mas que, para nós, são da maior importância. Importância que elas desconhecem. Pensei nisto tudo, ao receber a notícia da morte do Pedro Rolo Duarte.

 

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O Haiti é aqui

por Miguel Bastos, em 19.07.17

[Foto: Paulo Nuno Vicente]

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No livro "Barroco Tropical", José Eduardo Agualusa descreve-nos uma Luanda em decadência. O protagonista é um escritor, casado com a filha de um militar do regime. Vivem no topo de um arranha céus. Mas o prédio está inacabado. No topo, vivem os ricos. Nos andares enterrados no solo, vivem os indigentes, os traficantes, as prostitutas, os marginais. Normalmente, não se cruzam. Mas vivem debaixo do mesmo tecto. "Que alegoria tão forte", pensei. Angola deve ser isto.

 

O livro lembrou-me uma canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil chamada "Haiti". Na altura, o Haiti tinha sido arrasado por um furação. Um dos muitos que, regularmente, assolam o país, demasiado habituado a furacões e miséria. E, perante as miséria do Brasil, a dupla canta "O Haiti é aqui". O Haiti pode ser ali, no Brasil; ou ali, em Angola. E pode ser aqui, em Portugal? Pode. 

 

A Rita Colaço foi à Jamaica. Não foi em lua de mel. Não foi em cruzeiro. Foi em reportagem. O bairro da Jamaica, fica no Seixal, às portas de Lisboa - a antiga capital do império. É um conjunto de esqueletos de betão abandonados por um construtor falido. As pessoas - sem casa, sem terra, sem emprego - foram ocupando os prédios, piso a piso. Preencheram-nos de tijolos e gente. Abaixo do solo não está gente, como no livro de Agualusa. Mas estão dejectos de gente, a corroer a saúde da gente e do prédio. As fundações estão em perigo e um dia, enquanto as entidade discutem a solução para o problema, a casa vem abaixo.    

 

Jamaika também é Portugal, diz Rita Colaço. Pois é, Rita. E "o Haiti é aqui".

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Pedrógão, na minha cabeça

por Miguel Bastos, em 19.06.17

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Final de uma tarde de verão. Pedrógão Grande estava pronta para ouvir música. Senhores e senhoras, com alguma idade, aguardavam. Era sábado. Os trajes eram domingueiros. Havia curiosidade e entusiasmo no ar. A música começou… e começou mal. No final do primeiro andamento, o entusiasmo converteu-se em palmas. O maestro, que já tinha feito gestos e olhares de censura, parou a Sinfonia de Câmara, de Shostacovitch. A obra, explicou, foi inspirada no bombardeamento de Dresden e dedicada às vítimas da guerra e do fascismo. Dresden foi uma das cidades mais fustigadas pela guerra. A música é triste e soturna. Não podia ser diferente. Fala de morte, desespero e destruição. Não combina com palmas, no meio dos andamentos.

 

Explicada a obra, o maestro pediu silêncio e prometeu divertimentos de Mozart, na segunda parte. O público acatou com dignidade e silêncio e a orquestra tocou como nunca. Na minha cabeça, Pedrógão Grande passou a ser a terra dos que sabia ouvir e homenagear, com dignidade, as vítima da destruição. Saibamos, nós, fazer o mesmo.

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