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Estratégias

por Miguel Bastos, em 22.05.19

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Gostei tanto desta entrevista de Marco António Costa, no i, que estou desejosos por chegar a casa. Quero reler algumas passagens do livro "Os Predadores", do Vítor Matos. Também fala de estratégias...

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Toni Taveira

por Miguel Bastos, em 10.10.18

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Depois das televisões, a imprensa portuguesa quer-se afirmar no mercado das séries. Já saíram dois episódios no "i". O terceiro episódio sai no sábado, no Sol. Aparentemente, é uma entrevista em fascículos. Só que o personagem principal torna aquilo numa novela. Chama-se Tomás. Mas Tomás é nome de beto. Chamemos-lhe Toni. Mantém a aliteração do "T" e adapta-se o nome ao discurso do personagem. Ele diz coisas como "sei mais do que estes gajos todos juntos" ou "se o estádio do Braga é bonito, a Madre Teresa de Calcutá é a miss mundo". Não se sabe se estas afirmações foram feitas com um palito nos dentes. Mas, no caso de se avançar para a novela, aconselha-se o adereço.

 

Toni é uma mistura de arquiteto, com gajo de alfama e capitão de Abril. Gosta de dizer "gajo" e "malta". Faz preceder qualquer nome pelo artigo definido: "o Costa", "o Salazar", "o Sócrates", "o Siza". Por exemplo: "o Siza só ganhou o Pritzker porque é judeu" ou, ainda, "o Souto Moura nem sequer é arquiteto". O Toni é um ponto. O estádio do Dragão só é bom porque o Toni pôs um holandês a trabalhar com o Manuel Salgado. O estádio da Luz só é bom porque foi feito sobre um projeto do Toni.

 

Achei o segundo episódio mais fraquinho. Mas o terceiro deve ser muito bom: com "gajas boas" e tudo, como nas novelas. Aguarda-se, portanto, o terceiro episódio do homem que fez "o último ícone de Lisboa". Por mim, já escolhi a música do genérico. É do Tony, este com "Y": "Depois de ti mais nada".    

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Vai trabalhar, malandro!

por Miguel Bastos, em 16.02.18

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Ferraz da Costa é gestor das empresas que herdou. Mas, não é por isso que é conhecido e que aparece, abundantemente, nos órgãos de comunicação social. É conhecido porque esteve 20 anos à frente da CIP - a confederação dos patrões. Quando saiu, foi para outra presidência: do Fórum da Competitividade. Este organismo inclui, desde logo, a CIP,  as maiores empresas que actuam em Portugal e alguns nomes que têm estado entre a política e os negócios.

 

Ferraz fala sempre na qualidade de presidente. Desde 1981, que assim é. Nessa altura, a AD governava e Eanes era presidente. Ferraz da Costa também era, e presidente continuou. Continua, de resto. Os outros líderes não. Tinham empregos precários.

 

Hoje, Ferraz da Costa dá uma entrevista no i, para dizer uma coisa que nunca se tinha ouvido em Portugal: "as pessoas não querem trabalhar". E, do alto dos seus mais de 70 anos, e quase 40 de presidências, diz que é preciso gente nova. Não podia estar mais de acordo.

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O riso de Marcelo

por Miguel Bastos, em 21.01.16

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José Miguel Júdice diz, hoje, no i, que "Marcelo teve de controlar a boa disposição". E acrescenta: “Os portugueses gostam pouco disso”. Pois é, somos o país do “muito riso, pouco siso”. Até porque, como dizia o meu pai, “não se brinca com coisas sérias”. Eu, que sempre gostei de brincar com coisas sérias, tentava argumentar que era divertido. Mas, o meu pai não achava graça nenhuma.

 

Os adversários implicam com o riso de Marcelo. Ri muito, porque não é um homem sério; porque diz uma coisa e o seu contrário; porque sempre foi de intrigas e partidas. Tudo para se rir. E Marcelo faz um esforço para se rir menos. Nota-se. Claro que, a chegar perto dos 70 anos, Marcelo já não pode ser o jovem traquinas dos tempos do Expresso ou da candidatura a Lisboa. Mas, é evidente que  teve de controlar a boa disposição”.

 

Portugal ainda tem um Presidente que não ri. Os portugueses, como “gostam pouco disso”, votaram nele. Mas, afinal, não gostaram assim tanto. Por isso, acho que o riso de Marcelo não é nem defeito, nem feitio. É uma alegria.

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(Não há) Sol na eira

por Miguel Bastos, em 01.12.15

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Já não há Sol na eira. Só chuva no nabal. Os jornais “Sol” e “i” estão à beira da morte. O grupo angolano Newshold desistiu dos dois jornais. Ambos têm problemas graves, desde o seu nascimento. O “i” nasceu com Martim Avillez Figueiredo (agora no grupo de Balsemão), André Macedo (actual diretor do DN) e o (agora famoso) Grupo Lena. Ao fim de um ano, os proprietários e a direcção do jornal estavam em conflito. Depois, o "i" andou de mão em mão. Agora, chegou aqui. O “Sol” foi mais um jornal fundado (por um ex-diretor) com o objectivo de vender mais do que o Expresso (como o Semanário e o Independente). Os resultados estão à vista.

 

Espanta-me, pois, ler alguns comentários online: “não prestam”, “já vão tarde”, “não fazem falta”, etc. Os jornais fazem falta. São essenciais à democracia. São fonte de informação, de conhecimento, de entretenimento. Mas, para muitos, nada disso interessa. Nem os mais de cem trabalhadores que vão para a rua. Se ficarem alguns, vão ficar em condições ainda mais precárias.

 

E, depois, os jornais vão ficar piores. E, depois, dizemos que não prestam. E, com isto, não percebemos que perdemos todos.

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Casa dos Segredos

por Miguel Bastos, em 28.10.15

Captura de ecrã 2015-10-26, às 14.31.37.png

Esta capa do jornal i lembrou-me uma crónica de Ricardo Araújo Pereira. Diz o i: “PS só revela acordo quando a queda do governo estiver eminente”. Cito (de cor) Araújo Pereira (esse mestre da ciência política): “mas o ponto não é esse. O ponto não é esse. O ponto só eu e o Pacheco Pereira é que sabemos. E, mesmo assim, não dizemos nada a ninguém”. Ricardo antecipou António Costa e o acordo de esquerda. A coligação ganhou, mas esse não é o ponto. A alternativa existe, mas não dizemos nada a ninguém.

 

Eu sou espectador da Quadratura do Círculo. Muitas vezes, as questões de Carlos Andrade são respondidas com um “ó Carlos, eu já lhe respondo, mas…” ou “eu percebo a sua curiosidade, mas deixe-me dizer-lhe o seguinte”...  - que, geralmente, são formas de não responder. Outra expressão recorrente é “O ponto não é esse” - utilizada, sobretudo, por Pacheco Pereira e glosada pelo humorista. O “e, mesmo assim, não dizemos nada a ninguém” aplica-se, agora, a António Costa, que deixou a “Quadratura” e entrou para a "Casa dos Segredos".

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Os jornalistas e a bola 

por Miguel Bastos, em 28.05.15

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“O que na política é impensável, no futebol é o normal”, escreve Luís Osório no i.

 

O futebol é muitas coisas: é desporto, é competição, é espetáculo, é negócio, é poder. É é difícil encontrar jornalistas com capacidade para falar, com a mesma profundidade, sobre todos estes assuntos.

 

Acrescenta o diretor interino do i (e futuro diretor executivo do Sol): “No futebol, quando um jornalista faz uma pergunta mais agressiva (…), corre o risco de ser destratado e poucos ou nenhuns se questionam quando isso acontece.” É verdade. Basta pensar no que é que aconteceria se um partido, um grupo parlamentar ou um governo entrasse em “blackout”.

 

Um dos problemas que o jornalismo tem com o futebol é um excesso de identificação entre o observador e o objecto. Muitos jornalistas de futebol falam a mesma língua, vestem-se da mesma forma que os jogadores. Não há distanciamento (algo que também se passa com os jornalistas de economia).

 

Será que isto explica que a corrupção no futebol não seja devidamente escrutinada, pelos jornalistas? Talvez não explique, mas ajuda.

 

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i agora?

por Miguel Bastos, em 21.05.15

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Tenho simpatia pelo jornal i.

 

Apresentou-se como um jornal jovem, fresco, com um linguagem arejada e um bom grafismo. Era liderado por Martim Avillez Figueiredo e era propriedade do (agora muito conhecido) Grupo Lena.

 

O lançamento de um jornal é sempre uma festa. O apareceu em contraciclo. Abriu, quando toda agente estava a despedir e a fechar. Mas a festa durou pouco. O dinheiro acabou cedo e Martim deixou o seu jornal.

 

já vai em sete direcções. Há quinze dias, a propósito do sexto aniversário, o diretor Luís Rosa descrevia um jornal mais competitivo, com mais leitores em papel e online, com mais feedback. Um jornal que apostava na investigação e que conseguia ser, simultaneamente, popular e de referência. O então diretor escreveu palavras como “orgulho”, “acreditar”, “alento” e “convicção”. Uma semana depois, demitiu-se.

 

As noticias na imprensa foram lacónicas: diretor demitiu-se, administração aceitou e mais nada. Os jornalistas são péssimos a falar de si próprios.

 

E pronto. Uns dias diz-se que os media são muito poderosos, outros parece que não têm poder nenhum.

 

i agora? O que é que se segue?

 

PS: Desejo boa sorte ao diretor interino, Luís Osório. Vai precisar.

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