por Miguel Bastos, em 14.07.25
"Imaginemos uma biografia de Marco Paulo escrita por Pedro Mexia", lê-se na contracapa do "Espanhol que encantou o mundo": Julio Iglesias. É um livro extraordinário. Não é o retrato de um cantor, nem de uma celebridade. É muito mais vasto e profundo. Mergulha no caldeirão familiar, cultural e político de Espanha, para perceber de onde veio Julio Iglesias, por onde e para onde foi, e porque se tornou naquilo em que se tornou. Nunca foi um acaso. Foi sempre fruto da sua vontade.
O cantor espanhol "encantou o mundo", porque usou a sua capacidade de encantamento, para as suas conquistas: dinheiro, fama, glória, poder. A ambição de conquistar o mundo, não é musical, nem artística. É uma conquista, estudada e desenhada, com o rigor estratégico de um militar, de um político, de um magnata, de um autocrata, de um oligarca - que se coloca, a si próprio, no centro de tudo. A sua mudança para os Estados Unidos fez parte desse plano. A compra das "villas", dos "Rolls Royce", dos iates e jatos privados, também. Bem como, o lançamento do seu primeiro disco em inglês, recheado de vedetas americanas. Nessa altura, Julio já era - ele próprio - uma vedeta internacional, uma marca, uma empresa multinacional.
Para lá chegar e para se manter lá, construiu um exército de assessores, relações públicas, empresas e empresários, que teceram uma rede de cumplicidades com outros empresários e políticos. Muitos habitam a sua casa, que não é bem casa, é um quartel-general com cozinheiros, motoristas, mordomos, carros de luxo, familiares e um entra e sai de mulheres - muitas mulheres - que se passeiam na cama e lhe alimentaram o ego. No meio disto tudo, onde ficou a música? No lugar secundário, que este livro procura respeitar.