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Ilhas da Ria

por Miguel Bastos, em 06.09.21

ilhas da ria.jpg

"Sabes que há quintas, abandonadas, nas Ilhas da Ria?", perguntava-me. "Sabes que há gado, a pastar, no meio da Ria", dizia-me no fim-de-semana seguinte. O António estava maravilhado com as descobertas que andava a fazer no barco de um amigo. Eu também, só de o ouvir contar. A Ria de Aveiro tem uma extensão de quase cinquenta quilómetros. É uma mancha recortada, com curvas e contracurvas, pontilhada de ilhas e penínsulas, com zonas traçadas a régua e esquadro para marinhas de sal e viveiros, com avenidas de águas profundas e correntes traiçoeiras, e recantos de sapal com pouco mais de um palmo de água. A Ria está lá dentro, misteriosa, a guardar os seus segredos. A maioria das pessoas, que vivem à volta dela, permanecem à margem: indiferentes ou curiosas; ignorantes, em qualquer dos casos. A Ria é uma casa de portas e janelas abertas, mas de cortinados corridos para evitar olhares indiscretos. Se é difícil espreitar, é, ainda, mais difícil conhecer.
Pequenino (mas precioso), o livro "Ilhas da Ria", da jornalista Maria José Santana, não nos torna íntimos lá de casa. Mas, pelo menos, já temos um colega, que é amigo de um familiar que ainda trabalhou para um senhor que tinha uma ilha, plantada no meio da laguna... que, nos anos 50, ainda produzia batatas, frutas e legumes, e que...

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Rápido

por Miguel Bastos, em 22.01.21

rapido.jpg

O jovem timoneiro começou a ficar ansioso. Descíamos, de barco, o grande rio. Uns atrás dos outros. Depois de lutarmos contra a violência de um rápido, perdemos o último barco de vista. "Moço, o que é que está acontecendo?" "Um momento, silêncio", responde o jovem , de ouvido atento e com um olhar de lince, a varrer o rio. "Moço, você está-me deixando nervoso". O timoneiro fez ouvidos de mercador. "Tudo à esquerda". "Moço, eu exijo saber o que está acontecendo". Segreda-me ao ouvido "Vou ter que te pedir uma coisa". "Eu exijo..." "Você não exige nada", diz o timoneiro, "Eu é sou responsável pela vossa segurança, eu é que exijo." Aponta para mim. "Ele toma conta do barco. Você fica quieta e fica calada." Pisca-me o olho e sai do barco, correndo ligeiro pela margem. Volta passado uns minutos. "Está tudo bem", diz ao entrar no barco, "eles vêm aí". "Ai, que susto, minino. Nunca pensei, que..." "Pois não, não pensou. Agora, peço-lhe, não volte a atrapalhar. E, sobretudo, não exija". Lembrei-me desta história, mas já nem sei bem porquê.

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Fada do lar

por Miguel Bastos, em 06.12.20
Primeiro, foi um curso intensivo sobre Marquês de Pombal, com o autor da mais recente biografia de Sebastião José de Carvalho e Melo.

Depois, uma conversa com Adriana Calcanhoto, sobre poesia e música, a política brasileira e a realidade portuguesa.

E, ainda, a memória de Eduardo Lourenço, a análise ao congresso do PCP e a morte do antigo presidente francês, Valéry Giscard d'Estaing.

Tudo isto, enquanto fazia a lida da casa. Se continuar assim, acabo uma fada do lar: com uma pós-graduação em História, um mestrado em Políticas Culturais e um doutoramento em Relações Internacionais.

Preciso de um rádio, uma vassoura e pouco mais.

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Corta Rentes

por Miguel Bastos, em 26.05.16

corta rentes.jpg

Gosto de livros avassaladores. Daqueles que geram leituras compulsivas. “Portugal, a Flor e a Foice” é um desses livros. Na ressaca do 25 de Abril (e a talhe de foice) Rentes de Carvalho faz uma radiografia de Portugal e dos Portugueses. E corta rente nas história e nos mitos que nos têm vendido, ao longo dos séculos. Só no primeiro capítulo (pouco mais de 20 páginas), Rentes corta Portugal, de alto a baixo. Aqui vai…

 

D. Afonso Henriques era ambiciosos e falso; D. Pedro, um sádico; Vasco da Gama um saqueador, D. Manuel, um novo rico, assassino de judeus; D. Sebastião, um fanfarrão; D. João IV, um fracote. E se os reis não foram coisa, a República não trouxe melhorias. Os primeiro homens da República eram ineptos. Já Salazar, consegue impor a sua vontade. Aos que o apoiam, deixa roubar. Aos que discordam, manda matar. Tudo, com a benção da igreja.

 

O povo também não sai bem na fotografia. Acolhe Filipe de Espanha, com a mesma alegria que irá acolher a ditadura de Salazar. Esbanja o ouro do Brasil, como ,mais tarde, irá esbanjar o volfrâmio. Louva Salazar; tolera Salazar; finge que combate Salazar. Parte, aos milhões, deixando o país vazio.

 

O mais surpreendente é que o texto foi escrito em 1975. Numa altura em Portugal ainda irradiava amanhãs que cantam. Há uma coisa em que os portugueses são bons. No pessimismo.

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