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As calças de Costa

por Miguel Bastos, em 17.09.18

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Angola. Podíamos falar da diplomacia e da economia. Da justiça e da política. Da banca e da dívida. Do petróleo e dos diamantes. Da democracia e da liberdade. Da cooperação, do poder, da construção, dos media, da emigração, das telecomunicações, da energia. 
Podíamos. Mas não podemos. Demasiado ocupados que estamos com as calças de ganga de Costa.

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Rendas excessivas

por Miguel Bastos, em 02.05.18

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Os portugueses acordaram, finalmente, para a questão das rendas excessivas. Infelizmente, foi preciso envolver o nome de Manuel Pinho. Eu ando (há anos!) a falar das rendas excessivas. Mas, ninguém me ouve. A minha mãe, por exemplo, continua a encher a casa de naperons.

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Posta restante

por Miguel Bastos, em 15.02.18

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O novo filme de Spielberg, "The Post", passa-se na era Nixon. Mas, é inevitável vê-lo como uma reacção à era Trump. Não é, no entanto, um filme dos bons contra os maus. É melhor que isso. A história anda à volta de uma investigação, governamental, sobre o Vietname. Fica-se a saber que, afinal, a guerra do Vietname era uma história mal contada. Aliás, era uma história não contada. Porquê? Porque os presidentes anteriores (Kennedy e Johnson) eram do grupo dos bons. O grupo que os jornais gostavam. Com quem tinham cumplicidade. Eram farinha do mesmo saco. Um saco onde estava, desde logo, o Washington Post.

 

Os protagonistas são a dona do jornal (Meryl Streep) e o diretor (Tom Hanks). São eles que vão ter que colocar em causa a sobrevivência do jornal, em nome da liberdade da imprensa. Mas, tão ou mais importante, vão ter que se colocar em causa.   

 

Nesse sentido, "The Post" é um filme sobre a perda da ingenuidade. Um postal de uma época e do que restou dela.

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O sorriso de Centeno

por Miguel Bastos, em 06.12.17

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Foi surpreendente assistir às reacções do Presidente da República e dos partidos políticos (com excepção do PS) à eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo. Marcelo veio lembrar que Centeno só é presidente porque é ministro das Finanças. (Centeno sabe disso. Afinal, o Eurogrupo é o grupo onde se reúnem os ministros das Finanças da Zona Euro). O Bloco e o PCP salientaram que Centeno vai trabalhar para uma Europa que defende a austeridade e o liberalismo económico e que é o novo rosto das políticas erradas. O PSD e o CDS vieram dizer que iam estar atentos, porque não se pode ser rigoroso na Europa e desleixado em Portugal.

 

Portanto, os líderes Europeus, que inicialmente tiveram dúvidas em relação a Centeno, votaram na sua eleição, deram sorrisos e parabéns. Já os políticos portugueses, começaram a ter dúvidas, fecharam o rosto e resolveram lançar avisos e ameaças. Podiam, ao menos, ter disfarçado. Atualmente, há imensas soluções farmacológicas para a azia. Mas, não devia ser preciso. O sorriso de Centeno devia bastar.

 

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Limpar armas

por Miguel Bastos, em 23.06.17

Fogos. Em tempo de guerra, não se limpam armas. Agora, com a guerra em rescaldo, talvez já seja. Mas, limpar armas é diferente de afiar facas.

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Mercado de transferências

por Miguel Bastos, em 16.06.17

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Portugal: está de saída. Do procedimento por défice excessivo.

 

Schäuble: elogia sucesso portugues. Centeno é, de facto, o Ronaldo das finanças.

 

Ecofin: não confirma interesse em Ronaldo. Mas, também, não desmente.

 

Centeno: Não fala sobre o seu futuro no clube. Concentração máxima. O adversário é muito forte. É um orgulho representar Portugal. Blá, blá blá...

 

FMI: esteve em Portugal, por empréstimo. Aceita o valor da transferência: 10 mil milhões de euros.

 

Ronaldo: Tem vontade de sair do clube, de ficar. De pagar impostos, de ganhar dinheiro. Enfim, chinesises.

 

China: Não está interessada em Centeno. Ainda.

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É proibido fumar

por Miguel Bastos, em 08.09.16

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Não está em causa se faz mal ou não. Faz. Se faz muito ou pouco. Faz muito. Fumar faz mal. E incomoda, sobretudo quem não fuma. E os fumadores não são gente muito defensável: põem beatas para o chão, atiram piriscas pela janela, etc. Mas também se deitam pastilhas elásticas, e papéis, e latas de refrigerantes, e nada disto está proibido. Nem deve estar.

 

Depois de proibir fumar dentro dos locais, o governo quer proibir que se fume à porta dos locais. Nada disto surpreende. Há, claramente, uma intensão de punir os fumadores. E isso é intolerável, mas não é surpreende. Quando dizia a colegas meus que o caminho era este, as pessoas achavam que estava a exagerar. Não estava. Porque isto já se tinha passado noutros países. Era uma questão de tempo. Passou-se da possibilidade de poder fumar dentro da maternidade (um disparate, evidentemente), para o “só se pode fumar a não sei quantos metros da maternidade”. E isto, por enquanto. Porque o objetivo é ir mais longe. Sempre.

 

Agora que já bateram que chegue nos fumadores, podem avançar para os gordos, os feios, os caixas de óculos, os diabéticos. E depois voltem. Há sempre mais qualquer coisinha que ficou por proibir… e denegrir. Não gosto desta cultura. Mete medo.

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Um lugar ao sol

por Miguel Bastos, em 03.08.16

 

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A medida presta-se à caricatura. As casas que apanham mais sol vão pagar mais IMI?! Sim, mas a medida não é nova. Foi introduzida no governo anterior. Este governo apenas alterou o peso de cada fator, no apuramento do IMI. E esta alteração veio, agora, chamar a atenção para os critérios absurdos usados. Faz sentido? Não, nada disto faz sentido.

 

Quando se decide que uma casa deve pagar mais, porque tem melhor exposição solar, está-se a dizer aos cidadãos para comprarem uma casa com muita sombra e humidade. Ignoram-se os custos energéticos e as condições de salubridade. Quando se penaliza alguém que mora ao pé de uma escola ou de um hospital, está-se a dizer para comprar uma casa nos subúrbios. Esquecendo o Estado que, depois, vai ter que construir a estrada de acesso e pagar os transportes, ou, até, o novo hospital. E entretanto, os centros das cidades vão-se esvaziando. Nada que um programa Pólis não resolva mais tarde. Gastando, uma vez mais, os recursos do Estado. Claro que, enquanto uns olharam para o copo meio vazio, outros olharam para o copo meio cheio. Algumas manchetes destacaram que as casas com vista para os cemitérios, ou para estações de tratamento, que vão pagar menos. É a compensação para os que pagam mais por terem vista para o mar, por exemplo.

 

Um lugar ao sol, não pode ser uma coisa má. Mas, parece que muita gente andou a apanhar demasiado sol na moleirinha.

 

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A Geringonça vai andando…

por Miguel Bastos, em 14.04.16

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Toda a gente estava de olhos postos na Geringonça. “Não vai funcionar”; “Vai cair”; “Vai explodir”, etc. Não caiu. Até Passos Coelho admitiu que se enganou, quanto à Geringonça. Por estes dias, o governo teve graves problemas de funcionamento. Toda a gente estava de olhos postos na Geringonça. Mas o problema foi nos órgãos internos.

 

O Ministro da Cultura ameaçou dar bofetadas a dois colunistas e acabou na rua. Um dos colunistas, foi homem que inventou o termo Geringonça. Ele tem esse poder. Há ainda problemas com os militares, que, por sua vez, ainda têm problemas com os homossexuais. E, finalmente, um secretário de estado saiu do governo. O governo disse que foi por razões pessoais. O secretário de estado respondeu que não. Foi por divergências políticas.

 

Entretanto, a Geringonça continua a funcionar. As peças vão sendo substituídas, a oposição finge que se espanta e indigna, os militares fazem barulho, o mundo anda aos papéis. O mundo não pula nem avança. É como a Geringonça. Vai andando…

 

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