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Na rádio, não usamos legendas. Fazemos dobragens. É preciso gravar o original, selecionar, editar, escrever a tradução, gravar a voz, montar. Por vezes, o conjunto das várias tarefas é feito pela mesma pessoa. Outras vezes, (por exemplo, por questões de tempo) precisamos de envolver mais pessoas. É frequente pedirem-me para gravar uma tradução, de uma declaração de alguém que não faço ideia quem é. Sou, muitas vezes, surpreendido, em casa ou no carro, pela minha voz a fazer de comissário europeu, de escritor sul-americano, de presidente africano. Ontem, fiz de chefe humanitário das Nações Unidas. Sei-o, porque as palavras me arrepiaram e quis saber de quem eram.
"Há 14 mil bebés que vão morrer, nas próximas 48 horas - a menos que consigamos ajudá-los. Não é comida que o Hamas vá roubar. Vamos correr o risco de levar aquela comida às mães, que não conseguem alimentar os bebés. É arrepiante, absolutamente arrepiante, mas isto é o que nós fazemos. Vamos persistir, seremos impedidos de passar, correremos enormes riscos, mas não vejo outra solução que não seja levar esta comida de bebé às mães que não conseguem alimentar os próprios filhos."
O bloqueio israelita dura há mais de 11 semanas.


"A guerra na Ucrânia já acabou, não já?", atira-me o Alberto, com um sorriso irónico. Sabemos, os dois, que não. Mas sabemos, os dois, que cada guerra tem um tempo limitado de atenção. O holofote aponta, agora, na direção da Palestina - onde, nas últimas horas, morreram centenas de pessoas, depois de terem morrido milhares, desde o ataque de 7 de outubro. À semelhança de outras guerras, a guerra na Palestina vai "acabar", quando começar outra guerra, noutro sítio qualquer.