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Posta restante

por Miguel Bastos, em 15.02.18

postal.jpg

O novo filme de Spielberg, "The Post", passa-se na era Nixon. Mas, é inevitável vê-lo como uma reacção à era Trump. Não é, no entanto, um filme dos bons contra os maus. É melhor que isso. A história anda à volta de uma investigação, governamental, sobre o Vietname. Fica-se a saber que, afinal, a guerra do Vietname era uma história mal contada. Aliás, era uma história não contada. Porquê? Porque os presidentes anteriores (Kennedy e Johnson) eram do grupo dos bons. O grupo que os jornais gostavam. Com quem tinham cumplicidade. Eram farinha do mesmo saco. Um saco onde estava, desde logo, o Washington Post.

 

Os protagonistas são a dona do jornal (Meryl Streep) e o diretor (Tom Hanks). São eles que vão ter que colocar em causa a sobrevivência do jornal, em nome da liberdade da imprensa. Mas, tão ou mais importante, vão ter que se colocar em causa.   

 

Nesse sentido, "The Post" é um filme sobre a perda da ingenuidade. Um postal de uma época e do que restou dela.

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Prazer no trabalho

por Miguel Bastos, em 02.06.15

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Há um diálogo perturbador quase no final do filme Seven, de David Fincher. O jovem polícia (Brad Pitt) não consegue entender a crueldade do assassino (Kevin Spacey). Este responde que só cumpriu o seu trabalho. Quando o polícia lembra a violência do “seu trabalho”, o assassino lembra-lhe que ele, enquanto polícia, também faz uso da violência. O polícia responde que o criminoso tem um prazer sádico nas suas execuções. Este responde que não há nada de errado em retirar prazer do trabalho. Isso só o ajuda a ser melhor naquilo que faz. Obviamente, o assassino é um manipulador. Mas o seu discurso (quase) parece fazer sentido.

 

Lembrei-me deste diálogo, ao chegar ao fim das Memórias da Segunda Guerra Mundial, de Winston Churchill. O homem tinha muito gosto naquilo que fazia. E, provavelmente, isso foi uma das condições que o fez declarar e ganhar a guerra a Adolf Hitler e o regime nazi. Já sabia da força e determinação de Churchill. Mas surpreendeu-me a forma como, ao longo do livro, vai adjectivando a guerra, e o prazer que revela no seu trabalho. Porque a guerra não é um trabalho qualquer.

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