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Coisas perigosas

por Miguel Bastos, em 04.01.19

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Leio Manuel Luís Goucha no Público: "O politicamente correto é perigoso". Pois é, Manuel. Mas há coisas mais perigosas: esticar o braço direito com a palma estendida, cometer crimes contra pessoas de cor, lutar por audiências a qualquer preço... 

[Foto Rui Gaudencio/Público]

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Do desassossego

por Miguel Bastos, em 09.11.18

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Há, por aí, um certo jornalismo que anda desassossegado. Diz este jornalismo, que o restante jornalismo e os seus comentadores só vêem para um lado. Não há, dizem os desassossegados, quem defenda líderes como Trump, Le Pen, Orbán ou Bolsonaro. Queixam-se do "mainstream", do politicamente correto, do esquerdismo dos media. Estes defensores do pluralismo consideram que para se discutir questões étnicas, tem de se arranjar um racista; para discutir questões de género, tem de haver um marialva; para discutir democracia, tem de haver um fascista. Esquecem, ou fingem esquecer, que os fascistas são contra a tolerância e o pluralismo que alegam defender.

 

Enquanto isso, um presidente insulta e manda retirar as credenciais a um jornalista. Não devíamos estranhar. Acabámos de ver um presidente ser eleito nas redes sociais, contra os media. E, em Portugal, políticos desassossegados chamam os jornalistas para uma declaração "sem direito a perguntas". Onde é que está, afinal, a falta de contraditório? Onde deve estar, afinal, o desassossego?

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Pedrógão, na minha cabeça

por Miguel Bastos, em 19.06.17

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Final de uma tarde de verão. Pedrógão Grande estava pronta para ouvir música. Senhores e senhoras, com alguma idade, aguardavam. Era sábado. Os trajes eram domingueiros. Havia curiosidade e entusiasmo no ar. A música começou… e começou mal. No final do primeiro andamento, o entusiasmo converteu-se em palmas. O maestro, que já tinha feito gestos e olhares de censura, parou a Sinfonia de Câmara, de Shostacovitch. A obra, explicou, foi inspirada no bombardeamento de Dresden e dedicada às vítimas da guerra e do fascismo. Dresden foi uma das cidades mais fustigadas pela guerra. A música é triste e soturna. Não podia ser diferente. Fala de morte, desespero e destruição. Não combina com palmas, no meio dos andamentos.

 

Explicada a obra, o maestro pediu silêncio e prometeu divertimentos de Mozart, na segunda parte. O público acatou com dignidade e silêncio e a orquestra tocou como nunca. Na minha cabeça, Pedrógão Grande passou a ser a terra dos que sabia ouvir e homenagear, com dignidade, as vítima da destruição. Saibamos, nós, fazer o mesmo.

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Seus fascistas!

por Miguel Bastos, em 13.03.17

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O presidente da Turquia anda, por aí, a chamar nazis e fascistas aos governos europeus. Ele que, como toda a gente sabe, está a lutar para reforçar a democracia no seu país. Mas, para isso, precisa de mais poderes e está em campanha para os conquistar. E, como é um europeu convicto, a campanha não tem fronteiras. Quer fazer campanha em países estrangeiros, com ministros do seu governo, para que toda a gente possa manifestar-se, enchendo as praças das cidades dos ditadores, e votando em massa no seu grande projeto. Toda a gente. Mesmo os que emigraram para os países totalitários da União Europeia. Mas, infelizmente, os fascistas e os nazis não deixam Erdogan cumprir a sua emissão humanitária. Primeiro foi a Alemanha, agora a Holanda.

 

Talvez seja por isso, que Erdogan tenha tanta simpatia pelo Império Otomano. Se ele existisse, seria mais fácil divulgar a sua mensagem de paz, democracia e modernidade. Foi sempre assim: os impérios estão ao lado dos pobres e oprimidos. Só os fascistas é que não veem. E o pior facho é o que não quer ver!

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Idade do Ferro

por Miguel Bastos, em 14.11.16

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Rita Ferro resolveu escrever um livro sobre o seu avô: António Ferro. O homem da propaganda de Salazar tentou criar uma política que moldasse a cultura e as artes ao regime. O projeto era  característicos dos regimes totalitários que grassavam a Europa dos anos 30 e 40: em Itália, na Alemanha, na União Soviética. Fiquei com algumas reservas, relativamente a Rita Ferro: o livro é um romance histórico (não será o meu género preferido) e o DN colocava como título da entrevista “Ainda há gente que quer matar-nos por causa do nosso avô António Ferro”. Achei exagerado.

 

Tinha lido a entrevista de manhã, em papel, mas, quando, ao final do dia, passei pela edição on line do DN reparei que o texto tinha muitos comentários. Não sei o que achei mais lamentável: se os comentário a criticar a autora, por ser neta de um fascista e não fazer a sua autocrítica; se os que apoiavam a autora, criticando a “corrupção” da democracia e defendendo a ditadura de Salazar. À vezes penso que não estamos, sequer, na Idade do Ferro. Estamos na Idade da Pedra.

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Somos fascistas, yo!

por Miguel Bastos, em 28.03.16

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Olho para as imagens dos manifestantes de extrema-direita na Bélgica, e não posso deixar de frisar a ironia. Os manifestantes de inspiração fascista usam streetwear: calças de corte largo, cinta descaída, base apertada; casacos de capucho. Os jovens fascistas vestem como os rappers americanos, que inspiraram os jovens de todas as cores, em todos os países do mundo. Europa incluída. Mesmo a Europa que exclui, ou pede exclusão.

 

Se calhar, não nos devíamos surpreender. O homem que defendeu uma Alemanha pura e dominante (“über alles”) era, na verdade, … austríaco. O homem que defende uma América sem emigrantes - Donald Trump - é descendente de emigrantes e marido e ex-marido de mulheres emigrantes.

 

Como estão preocupados com a segurança, os hooligans e skinheads acendem tochas e lançam petardos. A polícia não revistou os desordeiros. A polícia, que, de resto, já veio ameaçar fazer greve no aeroporto. Em nome da segurança.

 

Há muita gente a brincar com o fogo. E não são só os terroristas.

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