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- … e então o professor começou a falar de vulcões: como é que eles se formam, quando é que entram em erupção, como é que se chamam as coisas que saem de dentro do vulcão…
- Que interessante.
- Mas, entretanto, desatou-se tudo a rir.
- Ai sim, porquê?
- Por causa do nome: “piroclasto”.
- O que é que tem?
- Não sei. Faz pensar noutras coisas: pi-ro-clasto.
- Ahh…
- Tenho fome.
- Vamos lanchar?
- Sim. Ó pai, quando é que tu e a mamã pensaram em ter outro filho?
- Queres, portanto, que eu te fale do meu piroclasto?
- Esquece, pai. Já me arrependi de ter feito a pergunta.
- O que é isso, pai?
- O quê?
- Tens uma borbulha no nariz!
- É a adolescência, a chegar.
- Oh, pai, tu tens mais de 50 anos!
- Mas ninguém me dá mais de 20.
- Achas!?
- Então? Com borbulhas e tudo... Estou cada vez mais novo!
A foto do proprietário deste perfil foi alterada, derivado ao facto da dona do coração do propritário deste perfil não gostar da foto anterior. De momento, desconhece-se se gosta desta. Mas, isto, já se sabe: quem vê corações... não vê caras.
Ontem, ouvi o discurso do presidente da República, na Assembleia Geral da ONU. Começou em inglês, introduziu o português, derivou para o francês, aflorou o espanhol, regressou ao inglês. O presidente a falar de paz e cooperação e, eu, a pensar no Jorge e no Manel. Os dois foram colegas de liceu e continuam amigos. Bom aluno, o Jorge gostava de línguas estrangeiras, foi para a universidade estudar línguas modernas, tornou-se professor. O Manel saiu cedo da escola, para ajudar o pai nas canalizações. Permanecem inseparáveis. Pensei neles, enquanto ouvia o presidente a alternar o discurso, de uma língua para a outra. Disse, um dia, o Manel - à espera da noite, numa tarde de copos
- Eh, Jorge, tu és um gajo "muita" troglodita, não és?
- Sou um gajo o quê?
- Troglodita.
- Porque é que dizes isso?
- Então, falas muitas línguas!
- Poliglota, queres tu dizer!
- Ou isso. É a "mema" m**da! É a "mema" m**da!
Volto a pensar na ONU. Se estiver atenta, a organização ainda vai adicionar estes dois à lista do património da UNESCO.
- Ó pai! Tens pelos nas orelhas?
- Tenho.
- Credo! Mas quem é que tem pelos nas orelhas?
- As pessoas mais velhas. E eu estou a ficar mais velho.
- Mas, isso não é um problema.
- Não?
- Não. O problema é que estás a ficar mais feio.
- Então, mãe, já ouviste o disco do Roberto Carlos?
- Já.
- E gostaste?
- Gostei... quer-se dizer... gostei...
- Pelos vistos, não gostaste muito.
- Gostei. Mas, pensei que tinha aquelas canções mais conhecidas!
- Como assim? Esse é o disco das "Baleias", do "Emoções", do "Cama e Mesa"...
- É bonito, mas gosto daquelas mais antigas.
- Mais, ainda, mãe? Esse disco tem 45 anos!
- Tem? Gostei, mas há aquelas cantigas...
- Tipo "Ai flores do verde pino! / se sabedes novas do meu amigo! / Ai Deus, e u é?"
- Hã? Isso é o quê?
- É D. Dinis, mãe. Não sei se é antigo que chegue...
Nasci numa casa velhinha. Numa zona que, aos meus olhos de criança, era uma espécie uma aldeia gaulesa, no centro da cidade. Gostava muito "da minha alegre casinha". Tinha três pisos: o melhor era o primeiro “a contar vindo do céu". Mas tinha um problema: à semelhança do chefe dos gauleses, que temia que o céu lhe caísse na cabeça, eu temia que o teto da minha alegre casinha me caísse em cima e me aleijasse a cachimónia. De modo que, continuando a gostar da minha, comecei a olhar para as casas vizinhas, menos velhinhas, nas ruas vizinhas. Ruas com prédios de azulejo e elevador, com títulos académicos e nomes estrangeiros cheios de pinta: Rua Engenheiro Von Haffe ou Rua Engenheiro Oudinot. Havia outra rua que, não tendo nome estrangeiro, parecia estrangeira. Também tinha prédios modernos e tinha passeios grandes, para brincar, e árvores pequenas, para dar sombra, no verão, e luz, no natal. E tinha lojas modernas: uma de roupa, outra de móveis, uma galeria de arte, um self-service, um café, uma pastelaria, um cabeleireiro, uma gelataria, uma discoteca. Só lhe faltava um Centro Comercial, que, entretanto, chegou. E um arranha-céus - como na América - que, entretanto, também chegou. É certo que, afinal, não fizeram uma piscina no último andar (que pena, ia ficar mesmo fixe!). E que, afinal, aquilo já não é a rua Alberto Souto (pormenores, sem a mínima importância). Eu já tinha passado a sonhar com uma casa (um apartamento, à maneira!) na Rua Alberto Souto, que - bem vistas as coisas - nem parecia uma rua, mas duas. Um "L", que desenhava uma espécie de praceta. Para nos orientarmos, eu e os meus amigos começámos a distinguir a rua "Alberto", da rua "Souto": até à esquina, era Alberto; depois da esquina, era "Souto". Mas não resultava, porque dependia do ponto de partida: "de quem vem da Avenida?" ou "de quem vai da Oudinot?". Dava sempre risada, entre nós. Mais tarde (muito mais tarde), fiquei a saber quem era o senhor que dera nome à(s) rua(s). E, entretanto, apareceu outro Alberto, com o mesmo nome de família, a querer ser presidente. E foi. E quer voltar a ser. Mas, agora, há outro que, não tendo o nome da primeira rua, tem o nome da segunda: Souto.
- Sabes? Quando está muito calor, devemos beber muitos líquidos!
- É verdade.
- Para não desidratarmos.
- Certo. Onde é que aprendeste isso?
- Na minha escola.
- Muito bem.
- Se desidratarmos ficamos doentes, não é?
- É.
- E nós não queremos ficar doentes, pois não?
- Não.
- É, por isso, que devemos beber muitos líquidos.
- Exatamente.
- Olha, dás-me "ice-tea"? Está do frigorífico.