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Rei morto, rei posto

por Miguel Bastos, em 17.09.25

misia.jpg 

Chamam-lhe "desporto-rei". Talvez por praticar, repetidamente, a velha máxima "rei morto, rei posto". Ora, eu, que não sou praticante - nem de Fátima, nem de Futebol - lembrei-me de um Fado. Fala de lage. Diz assim:
 
"Meu amor deixou-me um dia
Pus a mão na lage fria
Dei-o assim por enterrado"
 
Para ouvir, aqui:

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Amália, para animar

por Miguel Bastos, em 17.04.24

amalia folclore.jpg 

E, portanto, como acordei meio tristinho, resolvi ouvir um bocadinho de Amália, para me animar. Sim, Amália tem canções alegres. Mas, muita gente não sabe. O que é triste.

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Amália, no Dia da Voz

por Miguel Bastos, em 16.04.24

amalia_disco.jpg 

Com que Voz (Luís de Camões, Alain Oulman)

https://youtu.be/D1IcpekV7FM?si=gvKfuGG2UHkBFa1

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Amália

por Miguel Bastos, em 31.05.23

amalia.jpg 

Já não temos fome mãe
Mas já não temos também
O desejo de a não ter
Já não sabemos sonhar
Já andamos a enganar
O desejo de morrer

Ai, Amália, você mata-me! E eu ainda não estou preparado para ... bem, você sabe!

A canção pode ser ouvida, aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=TUq1MYIDttY

 

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Coreografar o silêncio

por Miguel Bastos, em 12.04.23

 fado cravo.jpg

"Também se pode coreografar o silêncio?", pergunta Aldina Duarte, a fadista-conversadora da minha rádio. Olga Roriz recorda-se de si própria - coreógrafa em construção: "A minha visão da dança não precisava de música. Eu não precisava da música para dançar". "Que interessante", pensei, porque tendo (penso que todos tendemos) a pensar que não se dança sem música. Mas descubro, na conversa, que cada vez se dança menos. Até em espaços como as discotecas. O que leva as duas conversadoras a refletirem sobre a perda, progressiva, de contacto com o corpo. E, sim, chegam à sexualidade. Uma delícia, este "Fado Cravo". Um programa de corpo inteiro.

www.rtp.pt/play/p9839/e682802/fado-cravo

 

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Fado, Fátima e Futebol

por Miguel Bastos, em 01.07.22

murakami.jpg

No prefácio, Martim Sousa Tavares deixa a pergunta: "Como lhe chegou o livro às mãos"? E deixa duas respostas possíveis: porque gosta muito do autor, Haruki Murakami, ou pelo interesse que tem sobre música. Respondo por mim. Só li um livro de Murakami e (lamento!) não gostei muito. Caio, portanto, na segunda categoria: a dos que gostam de música. Mas, acrescento um terceiro motivo: gosto muito de entrevistas e de conversas. Portanto, a coisa promete. Nos próximos dias, vou ouvir dois velhinhos japoneses a falar sobre Brahms, Beethoven e Bernstein. Deve ser o "Fado, Fátima e Futebol" lá do país deles.

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Fado Moliceiro

por Miguel Bastos, em 12.05.22

O amor tem altos e baixos. Às vezes, dou por mim arrebatado, inebriado, embevecido. Outras vezes, recuo e vacilo. Lamento-lhe a pobreza, a decadência, o desleixo. Nessa altura, dá-me para ouvir esta música. "Morro de amor", diz o primeiro verso do "Fado Moliceiro", que faz renascer a minha paixão. Hoje é dia de festa e de amor. Na minha terra. Pela minha terra. 

[O Fado Moliceiro junta três génios: Ary dos Santos, Carlos do Carmo e Carlos Paredes]

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Amália extraterrestre

por Miguel Bastos, em 26.01.22

Há cerca de 5 anos, a fadista Gisela João gravou uma canção maravilhosa chamada "O Sr. Extraterrestre". Chamaram-me a atenção para o vídeo, que vi na companhia dos meus filhos. A pequenada adorou. Eu também. Depois, reparei num comentário, no Youtube: "A Amália deve estar às voltas no túmulo". E seguiam-se muitos comentários de apoio ao comentário "Credo", "Horrível", "Isto não é fado, nem é nada", "Tudo isto é triste, nada disto é fado". Não, não é fado. Não, não é triste. E Amália não anda às voltas no túmulo, porque a própria gravou a canção, do genial Carlos Paião. E, se Gisela João recorreu à instrumentação tradicional de fado, Amália não evita bateria, baixo, guitarra elétrica, teclados e efeitos especiais/espaciais. O disco, em si, também é de outro mundo: por fora uma capa em banda desenhada, por dentro um vinil colorido amarelo. Um OVNI, portanto. Amália apresentou a canção, no "Passeio dos Alegre" do Júlio Isidro, enquanto estendia a roupa e cantava "Tenho esta roupa a secar e ainda se vai sujar / Se essa coisa aí ficar a deitar fumo pra fora". Mas, apesar do receio inicial, acaba por simpatizar com o dito senhor, ao ponto de se preocupar: "E vista também aquela camisinha de flanela / Pra quando abrir a janela não se constipar com a aragem". E, como boa portuguesa, "Eu dei-lhe um copo de vinho e lá foi no seu caminho / Que era um pouco em zigue-zague".

Amália gravou o "O Sr. Extraterrestre" há 40 anos. Esta tarde, depois das 4, na Antena 1, Nuno Galopim vai juntar uma série de amigos à volta de Amália, à volta da rádio. Sem voltas no túmulo.

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Amigos em Portugal

por Miguel Bastos, em 17.09.21

durutti.jpg

No início dos anos 80, Miguel Esteves Cardoso estudava em Manchester - a cidade dos Joy Division e da editora Factory. Nessa altura, teve a ideia de criar uma editora, dentro do mesmo espírito, em Portugal. Com a ajuda de jovens músicos, como Pedro Ayres Magalhães e Ricardo Camacho, criou a Fundação Atlântica. Em pouco mais de dois anos, lançaram a Sétima Legião, relançaram os Xutos e Pontapés e editaram este "Amigos em Portugal", dos Durutti Column. A banda, de Manchester (e da Factory), tem um som melancólico, típico do pop-rock britânico alternativo da época, mas remete, também, para uma certa portugalidade de ambientes fadistas. O mesmo tipo de som cultivado por Anamar, Mler if Dada, António Variações, ou, mais tarde, os Madredeus.
 
Achava incrível que os talentosos Durutti Column tivessem escrito, gravado e editado um disco sobre Portugal, em Portugal. Nos anos 80, ouvia "Amigos em Portugal", numa cassete manhosa, gravada por um amigo de um amigo lá de casa, que, entretanto, se perdeu. O disco era muito raro e precioso. No outro dia, cruzei-me com ele e não resisti. Não sou fetichista, nem tenho espírito de colecionador. Mas, confesso, gosto muito de ter este velho amigo cá me casa.

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E ainda, e sempre

por Miguel Bastos, em 20.04.21

carlos carmo.JPG

David Bowie morreu, há 5 anos. Antes de morrer, deixou um disco onde abordou a chegada da (sua) morte. Dizem que é uma obra-prima, mas confesso que, apesar de ter o disco, fiquei tão triste, que me faltou coragem para o ouvir.

 
Carlos do Carmo morreu, no primeiro dia deste ano. E também deixou um disco. Mas, ao contrário do que aconteceu com o disco de Bowie, ando a ouvi-lo, repetidamente. Não sei bem porquê. Talvez porque a morte de Carlos do Carmo não tenha sido uma surpresa: sabíamos da fragilidade da sua saúde; sabíamos que tinha feito várias operações, delicadas. O "charmoso" já se tinha despedido algumas vezes - antes dessas operações - dizendo que não sabia se voltava. Dizia até, com graça, que o seu corpo já não tinha peças originais. Em 2019, anunciou, publicamente, que não iria voltar aos palcos.
 
"E ainda" - o novo disco - está longe de ser ligeiro. Tem o peso da grande poesia: de Herberto Hélder, Saramago e Sophia. Mas tem, também, a luminosidade de Vasco Graça Moura, numa "Mariquinhas" na idade da internet; ou de Júlio Pomar, a fazer troça do Portugal do "pão e vinho" requentado, dos tempos da troika.
 
"E ainda" é um disco pequenino (23 minutos), de um grande artista. Vem acompanhado de outro disco, ao vivo, chamado "Obrigado". Obrigado, nós, Carlos do Carmo. E até já, até logo, até sempre.
 
(Há, ainda, uma edição com o registo, em DVD, dos concertos e da gravação de "E ainda".)

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