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Um arquiteto que é pessoa

por Miguel Bastos, em 28.12.17

aires mateus premio pessoa.jpg

O arquiteto Manuel Aires Mateus foi distinguido com o Prémio Pessoa 2017. A entrevista, deste fim de semana, no Expresso, é uma delícia. Gosto da forma como fala da sua família (o avô, os pais): entre o pragmatismo e o espírito artistico; entre o salazarismo e a extrema-esquerda. Da forma como fala do seu irmão Francisco, que também é arquiteto, mas possuidor de vários talentos. É impossível separar a sua vida, da sua arquitetura ligada à terra: tem muita obra no estrangeiro, mas a sua obra, diz o arquiteto, é sempre "daqui".

 

E a sua vida também é aqui. "O que é que verdadeiramente lhe interessa na vida?", pergunta-lhe o jornalista Valdemar Cruz. "A vida", responde, "Adoro viver". E acrescenta: "Mas sou uma pessoa de uma banalidade extrema. Cresci, estudei, casei aqui, tive os meus filhos aqui." Num país mediano, onde todos querem ser excecionais, há um arquiteto, que é dos melhores do mundo, que diz "Adoro tudo aquilo que as pessoas adoram, mas ao mesmo tempo adoro sentar-me aqui e ficar aqui a pensar".      

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Eu Saraiva

por Miguel Bastos, em 29.09.16

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O ego de “Eu Saraiva” é enorme. Pesa mais do que o Expresso. Muito mais do que o Sol: o jornal, claro. Mas, talvez “Eu Saraiva” não rejeite a comparação com o próprio sol. A última edição do Sol tem “Eu Saraiva” na capa e uma entrevista de 11 páginas a “Eu Saraiva”. Mas, “Eu Saraiva” acha que a entrevista não chega e escreve mais umas centenas de caracteres sobre o livro que tem dado que falar.

 

“Eu Saraiva” queixa-se que os críticos não leram o livro e dos que dizem que nem sequer vão ler o seu livro. Sabendo isso, resolve falar das suas motivações para escrever o livro: “relacionei-me com quase todos os políticos”; “acumulei um património único”. E, de seguida, faz uma crítica, isenta e distanciada, ao seu próprio livro: “Este livro abriu um tempo novo”; “Na literatura há um antes e um depois dele”; “Inaugura um género que ninguém cultivara”; “Vai ficar como um clássico da literatura”. E conclui: “Ainda bem que tive coragem de o escrever”.

 

“Eu Saraiva” faz lembrar os cantores pimba que fazem trocadilhos brejeiros e depois dizem que a culpa é nossa, que temos uma mente perversa. O livro de “Eu Saraiva” tem uma fechadura na capa e um aviso:“O livro proibido”. E fala de sexo, mas só o estritamente necessário. E, apesar de saber, de antemão, que é um clássico, “Eu Saraiva” quer que o livro passe despercebido. Está quase a conseguir.

 

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O riso de Marcelo

por Miguel Bastos, em 21.01.16

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José Miguel Júdice diz, hoje, no i, que "Marcelo teve de controlar a boa disposição". E acrescenta: “Os portugueses gostam pouco disso”. Pois é, somos o país do “muito riso, pouco siso”. Até porque, como dizia o meu pai, “não se brinca com coisas sérias”. Eu, que sempre gostei de brincar com coisas sérias, tentava argumentar que era divertido. Mas, o meu pai não achava graça nenhuma.

 

Os adversários implicam com o riso de Marcelo. Ri muito, porque não é um homem sério; porque diz uma coisa e o seu contrário; porque sempre foi de intrigas e partidas. Tudo para se rir. E Marcelo faz um esforço para se rir menos. Nota-se. Claro que, a chegar perto dos 70 anos, Marcelo já não pode ser o jovem traquinas dos tempos do Expresso ou da candidatura a Lisboa. Mas, é evidente que  teve de controlar a boa disposição”.

 

Portugal ainda tem um Presidente que não ri. Os portugueses, como “gostam pouco disso”, votaram nele. Mas, afinal, não gostaram assim tanto. Por isso, acho que o riso de Marcelo não é nem defeito, nem feitio. É uma alegria.

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(Não há) Sol na eira

por Miguel Bastos, em 01.12.15

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Já não há Sol na eira. Só chuva no nabal. Os jornais “Sol” e “i” estão à beira da morte. O grupo angolano Newshold desistiu dos dois jornais. Ambos têm problemas graves, desde o seu nascimento. O “i” nasceu com Martim Avillez Figueiredo (agora no grupo de Balsemão), André Macedo (actual diretor do DN) e o (agora famoso) Grupo Lena. Ao fim de um ano, os proprietários e a direcção do jornal estavam em conflito. Depois, o "i" andou de mão em mão. Agora, chegou aqui. O “Sol” foi mais um jornal fundado (por um ex-diretor) com o objectivo de vender mais do que o Expresso (como o Semanário e o Independente). Os resultados estão à vista.

 

Espanta-me, pois, ler alguns comentários online: “não prestam”, “já vão tarde”, “não fazem falta”, etc. Os jornais fazem falta. São essenciais à democracia. São fonte de informação, de conhecimento, de entretenimento. Mas, para muitos, nada disso interessa. Nem os mais de cem trabalhadores que vão para a rua. Se ficarem alguns, vão ficar em condições ainda mais precárias.

 

E, depois, os jornais vão ficar piores. E, depois, dizemos que não prestam. E, com isto, não percebemos que perdemos todos.

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